Banco Central espera receber propostas de testes do Drex que envolvam ID e credenciais verificáveis

Da esquerda à direita, Araujo (E), Marino, Jean Michel Guilot (Dinamo Networks) e Luiz Fernando Lopes (TecBan).

Os consórcios que participam do piloto do Drex deverão apresentar ao Banco Central (BC) estão estudando a apresentação de mais de um caso de uso para a segunda fase de testes do real digital. Serão casos de atacado e varejo. A data limite para apresentação das propostas é a próxima segunda-feira (1º) e a escolha deve acontecer até o final de julho, com os testes se iniciando em agosto, disse Fabio Araujo, coordenador da iniciativa Drex. Um dos temas de mais interesse nessa nova fase envolve identidade digital e credenciais.

“Ficarei muito feliz se alguém trouxer um caso de uso que precisa de identidade digital. Mesmo não sendo um caso de liquidação financeira. Procuramos casos de uso de negócios. Se você apresentar um que fala de usar ID para melhorar muito a execução do negócio, partimos do especifico para o geral”, disse.

Segundo ele, a privacidade e a escalabilidade são importantes, mas “já estão no radar de todo mundo. A gente tem muito a ganhar com credenciais verificadas tanto no Drex, quanto no Open Finance”, disse Araujo durante um painel realizado pela ClearSale, CPQD, Dynamo e Tecban no Febraban Tech 2024, que fazem parte de um dos consórcios.

As credenciais verificáveis vão além da identidade. Trocando em miúdos, enquanto a identidade se refere basicamente a dados de alguém ou de uma instituição, as credenciais determinam se o proprietário delas tem uma determinada autorização de acesso ou para fazer uma transação. Assim, um lado “pergunta” para o outro se tem credencial para uma operação. “Isso é crucial para o mercado doméstico e para o de pagamentos cross-border.” Segundo ele, é impossível unificar as credenciais globalmente. “A melhor forma é fazer acordos credencial a credencial.”

No Drex, que envolve pessoas que iniciam operações e os smarts contracts, esses contratos também precisam de credenciais, “porque nem todos podem fazer tudo dentro do ambiente. Olhando um passo à frente, identidade descentralizada e credenciais digitais são importantes”, afirmou. Ele disse ainda que os oráculos são uma questão fundamental para se ter clareza da integridade das informações que entram na rede blockchain. “Isso é um dos pontos para se discutir na governança”.

A governança é tema da segunda fase de testes do Drex, com os casos de uso e envolve, por exemplo, instalação de novos serviços na rede. “Não pode qualquer um ir soltando um smar contract a qualquer hora. Se tiver sistema de credencial verificável focado em smart contract, pode ser uma forma para operar na rede. A tecnologia é flexível, o BC vai achar as repostas junto com o mercado”.

Para Fernando Marino, gerente de Produtos do CPQD, é preciso lembrar que o Drex tem um aspecto humano. É preciso ver quais os riscos e torná-los gerenciáveis e aceitáveis pelo mercado. “Tão importante quanto a questão tecnológica (no Drex), é a humana”. IDD é um produto que o CPQD desenvolve e vende e que está relacionado ao que Marino qualifica como “pior processo na internet: o de se cadastrar e de se identificar”.

Na nova fase de testes do Drex com os atuais consórcios, a dinâmica deve ser diferente da primeira, quando o BC fez todos os smarc contracts. Agora, o BC terá uma interferência menor, com as instituições financeiras fazendo os contratos inteligentes para suas sugestões de novos produtos e operações. Tanto que o banco acredita que vai dar conta de rodar testes de caso de uso de todos dos consórcios atuais e dos do que vão se inscrever no segundo trimestre, que estão fora hoje do piloto. Essa segunda fase vai durar de 12 a 14 meses.

Questionado se a mudança de presidente do Banco Central, em janeiro afetará o Drex – Roberto Campos Neto deixa o cargo em 31 de dezembro-, Araujo afirmou que nunca viu algo assim na área de inovação do banco desde 1998, quando entrou na instituição. “Claro que cada um tem uma visão sobre para onde o mercado vai. Mas a área de inovação é muito consolidada. A gente tem uma pública, a BC#. Essa tem sido a realidade do BC nos últimos 30 anos”.

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