Banco Central discute possibilidade de ter Lift Challenge de temas como IA e economia verde

O Banco Central (BC) está discutindo a possibilidade de realizar novos Lift Challenges, ou seja, testes com o setor privado como aconteceu com o Drex, para temas como Inteligência Artificial (IA) no sistema financeiro e economia verde. “Tem potencial para isso e pode gerar muito aprendizado conjunto”. Quem disso isso foi Fabio Araujo, coordenador do projeto Drex no BC, durante o Money Monster | Inovação & Dinheiro & Futuro, evento da federação dos servidores do banco (Fenasbac), que aconteceu nesta terça-feira (21), em São Paulo .

De acordo com Araujo, o Lift Challenge teve muito mais impacto do que o BC imaginava para o Drex e para a discussão internacional do tema. “Quando conversamos com outros bancos centrais, os aspectos com os quais estão lidando são os que a gente discutiu em 2022 no Lift Challenge”. O programa ajudou a aprofundar o conhecimento, desenvolver protótipos e a superar desafios de forma segura no ambiente de testes. O projeto e o coordenador do real acabaram tendo um reconhecimento internacional por isso em 2022.

Sobre o uso de IA no sistema financeiro, o BC hoje assiste a isso e não deve dizer aos bancos como usar a tecnologia ou tratarem seus prestadores de serviços. “Quem oferece o serviço (para o usuário final), é o responsável”. Portanto, o que o BC quer dizer é que se algo der errado na prestação de uma informação ou serviço pelo banco a um cliente, ele é quem responde por isso dentro dos parâmetros das legislações e normas”, disse Araujo. Atualmente, há cerca de 50 projetos de lei no Congresso – somados os na Câmara dos Deputados e no Senado.

Segundo Araujo, uma das características da participação do BC no sistema financeiro é a de resolver problemas com efeitos de rede, numa estrutura aberta acessada por todos os participantes do mercado. O objetivo é não haver silos, facilitar a entrada de novos atores e atacar fragmentações do mercado, como acontece com o Pix e o projeto do Drex. O Drex, que deverá ser uma plataforma multiativos, também evita a tokenização em diferentes mercados que não se conversam, “o que exigiria que os bancos terem de ter liquidez em cada mercado. Cabe a participação do BC para todos terem acesso a infraestrutura”, completou.

Para Jeff Prestes, especialista em blockchain e um dos maiores conhecedores de Ethereum do país, essa premissa da solução de problemas com efeito de rede ajuda a explicar porque o BC escolheu a Hyperledger Besu para o piloto do Drex. A rede é pública e facilita a entrada de players, por exemplo.

Ao falar do exemplo do Pix, Araujo disse que já havia arranjos de pagamentos em bancos, “foi tentado o pagamento instantâneo entre os bancos, tinha interoperabilidade no estilo open finance dentro de grupos de bancos. O natural nisso é um grupo criar um silo, o que dá uma possiblidade melhor de serviço e de ganhar vantagem (competitiva) e participação de mercado. Isso é ruim em termos de concentração. O mercado (brasileiro) tem essa questão da concentração”.

Aliás, sobre o Pix, contou que inicialmente os bancos diziam que a solução só serviria para uma categoria de pagamentos digitais, trocando uma opção, como o DOC, já extinto, pelo sistema novo. “Isso não aconteceu. O Pix foi feito para resolver acesso a canais digitais. Em um ano, 45 milhões de pessoas fizeram a primeira transação digital na vida. Com isso, o banco estabelece um canal de comunicação, porque (o Pix) gera dados de pagamentos e abre possibilidade de oferta de serviços para o usuário adequada à necessidade dele”.

Na sequência dos projetos do BC está o chamado Superapp, que daria acesso a vários tipos de de serviços e ativos a partir de um único ponto de acesso. “Para isso, a tokenização é uma ferramenta muito poderosa. Temos várias stablecoins usadas, mas a oficial do BC traz mais segurança para liquidação. O Drex é uma plataforma multiativos e isso cria eficiência, completou Araujo.

“Se fosse só por eficiência, ficaríamos com o maquinário no atacado. mas o BC quer eficiência e inclusão no varejo. Daí a inspiração no ambiente DeFi, que a princípio é todo de varejo, o que não é verdade, porque operam como ambiente de atacado.”

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