Um chamado para a transformação através da liderança: Insights do Women Forum Global

Heloisa Passos, que participou de um dos principais eventos com foco em mulheres do mundo.

Na última semana de novembro, entre os dias 29 e 30, aconteceu um dos maiores fóruns mundiais sobre economia e sociedade sob a perspectiva de lideranças Femininas, o Women’s Forum Global Meeting. O Fórum teve suas origens em 2005, visando trazer as vozes femininas para dentro da economia e sociedade afim de criar políticas públicas para mudanças. Nesta edição de 2022, o evento aconteceu em Paris, com membros da comunidade como altas lideranças de negócios, agentes reguladoras e de transformação que fazem parte de setores da economia global.

E para falar sobre percepções, é importante trazer alguns dados que reforçam porque esse movimento se faz tão importante neste momento, ainda mais pensando em perspectivas de descentralização e construção de economias compartilhadas e colaborativas, como a Web 3.0 vem se mostrando. Dentre as entrevistadas em pesquisa do Fórum, 56% das mulheres consideram que têm menos oportunidades de levantar fundos para os seus negócios quando comparadas a fundadores homens.

Na Europa, por exemplo, em 2021, apenas 1,1% de capital de risco em fundos foi direcionado para equipes de mulheres, o que acaba sendo um reflexo de quem analisa e aprova projetos, visto que mulheres empreendedoras não faltam em toda a economia global. Dados mostram que cerca de 224 milhões de mulheres são donas do próprio negócio. E o questionamento que fica é: isso é fruto do ambiente corporativo ou o ambiente corporativo só é reflexo disto?

Ao sair da seara de realidades difíceis de serem ingeridas e entrando nos dois dias de aprendizado, o que pude perceber é: o movimento de transformação e suporte entre empresas e entidades para transformar isso, vem ganhando uma proporção onde realmente poderemos ver reais mudanças. Um dos painéis que me chamou mais atenção foi o “When art calls for social change” (Quando a arte chama por mudança social) com debate entre nomes como Liza Ambrossio, artista mexicana – uma das poucas vozes latinas que vi em todo o evento -, Pauline Avenel, vice-diretora da L’oreal, Giulia Clara Kessous, nomeada Artista pela Paz da Unesco, Isabelle Simeoni, escritora, e Karen Yehezkeli, diretora artística. 

O paralelo entre o que foi dito e a transformação real que vi do fronte em 2021 com o movimento de tokens não-fungíveis (NFTs), nos chama para entender que talvez a arte possa ser uma das principais ferramentas de oportunidades para realidades de pessoas carentes e em situação de vulnerabilidade social. A direção, de acordo com as painelistas, é entender a forma como as coisas são feitas e como elas podem mudar, como podemos trazer o engajamento para a conversa e entender que essa é uma linguagem universal, que conecta diferentes culturas, idades e pessoas. Uma das frases que me marcou foi: “Não é a minha causa, é uma causa global”.

Além da causa – que já é grande por si só-, os negócios pedem por soluções criativas e diferentes olhares, como foi apresentado no painel “O futuro do trabalho”, com nomes como Tarika Barett, da Girls Who Code, Frédérique Le Grevés, da STMicroeletronics, Shelley McKinley, VP da Microsoft, Maryna Viazovska, da EPFL, e Julia Wiesermann, da BCG. E aqui, olhar antecede apenas o momento da contratação e o recrutamento.

Ele convida a práticas para incentivarmos as meninas desde o ensino primário a disciplinas como matemática e o interesse em módulos lógicos, com criação de programas pensados para atingi-la em todos os pontos de contato na jornada. E o papel das líderes empresariais nessa jornada, seria atuar como mentoras em um caminho de construção de carreira com essas jovens, dando mais visibilidade a elas para que exerçam papéis de liderança no futuro.

Nessa nova economia que estamos criando, economia essa que chamamos de descentralizada, precisamos pensar o que queremos do mundo antigo e o que vamos construir no mundo novo. É necessário desenvolver novas teses para que a transformação atinja quem realmente vai ter sua vida impactada com a blockchain: As comunidades pobres e os países em desenvolvimento. Quais tecnologias estamos criando que facilitem esse acesso? Quais linguagens estamos usando para nos comunicar com as pessoas? Quais padrões estamos repetindo que vão nos levar aos mesmos erros? 

O chamado para a transformação que mencionei no inicio esse texto não é apenas sobre as práticas externas, mas uma transformação interna que nos permita levar esse novo ecossistema à construção e patamar que tanto sonhamos nessa jornada.

*Heloisa Passos é empreendedora com foco em jogos e Web 3.0.

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