Tendências para 2024 em ativos digitais

José Ángel Fernández, Presidente Executivo da Prosegur Crypto.

Apesar de sua histórica volatilidade, é inegável o notório crescimento experimentado pelos criptoativos, tanto em termos de capitalização como de adoção em nível mundial.

O relatório apresentado pela CoinMarketCap Research coloca o Brasil na quinta posição entre os países com o maior número de usuários que acessaram a plataforma durante o primeiro semestre de 2023. Além disso, uma pesquisa de uma conhecida exchange revelou recentemente que 32% dos brasileiros destinam até 15% de seus rendimentos para investir em criptomoedas. Um montante de investimento superior ao atribuído a países como Argentina e México, de acordo com o estudo.

Os criptoativos têm estado presentes no cenário financeiro por mais de dez anos, mas sua crescente influência no âmbito institucional é um fenômeno recente.

Regulamentação de ativos digitais

O interesse despertado entre as instituições financeiras tradicionais baseia-se em múltiplos fatores: em primeiro lugar, sua utilidade como instrumento financeiro; em segundo lugar, a capacidade de proteção contra a erosão do valor devido à inflação; e, finalmente, sua função como uma alternativa sólida às moedas enfraquecidas. Além disso, conquistaram seu lugar no mundo dos investimentos e são considerados um ativo financeiro adicional, semelhante às ações negociadas na bolsa de valores.

No entanto, o elemento crucial que impulsionou recentemente o negócio institucional é o estabelecimento gradual de marcos regulatórios nos diversos países, proporcionando um ambiente sólido de segurança jurídica para as instituições interessadas em oferecer serviços de investimento, compra e venda, e custódia de criptoativos.

Um exemplo destacado dessas dinâmicas regulatórias é a introdução da regulamentação MiCA na União Europeia. Desde sua recente entrada em vigor no início deste ano, desencadeou uma verdadeira corrida entre algumas das principais entidades bancárias europeias. Essas instituições buscam se posicionar como fornecedoras desse tipo de ativos.

Oportunidade em custódia

Além disso, podemos observar uma situação semelhante no Brasil. No final de 2022, foi aprovada a Lei dos Provedores de Ativos Virtuais . Isso abriu as portas para a legalização de pagamentos com bitcoin e outras criptomoedas em transações de bens e serviços. Embora sua completa implementação leve algum tempo, essa legislação se perfila como um poderoso catalisador para a adoção institucional de criptoativos.

No contexto das entidades financeiras, com ênfase especial nos bancos, abre-se uma ampla janela de oportunidade no campo da custódia de ativos digitais. Essas instituições já possuem uma sólida experiência na custódia de ativos tradicionais para atender às necessidades de seus clientes. A confiança e segurança que a indústria tradicional oferece a seus clientes se tornam um recurso valioso quando comparadas ao setor de criptomoedas. Portanto, é completamente lógico que explorem esse novo horizonte.

Atualmente, nos deparamos com um ecossistema em grande parte desconhecido para a maioria dessas entidades. Isso destaca a necessidade de colaborar estreitamente com parceiros estratégicos que possam oferecer um serviço seguro e soluções de implementação simplificadas. Dada a complexidade das criptomoedas e das tecnologias blockchain, trabalhar com especialistas no assunto se torna um passo essencial para garantir uma transição fluida e bem-sucedida para essa nova dimensão financeira.

*José Ángel Fernández é Presidente Executivo da Prosegur Crypto e Diretor Corporativo de Inovação da Prosegur Cash.

Compartilhe agora

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *