Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Pagando energia elétrica com cerveja

Energia elétrica inserida na rede é rastreada com blockchain. Foto: Acervo da autora.

Você não leu errado o título deste artigo.

A cervejaria Victoria Bitter, uma das mais populares da Austrália, anunciou recentemente um programa chamado VB Solar Exchange, que permite aos cervejeiros de plantão trocarem seus excedentes de energia solar residencial por garrafas de cerveja da marca.

Cada 1,25 dólar australiano em crédito rende uma garrafa de 375 ml, sendo que com 30 dólares, um engradado com 24 garrafas é entregue na porta da sua casa.

O programa foi desenvolvido em parceria com a Diamond Energy, comercializador varejista, e a Power Ledger, startup detentora da plataforma de blockchain que permite efetuar o trading em questão.

Foram disponibilizadas apenas 500 vagas para pessoas físicas no programa e os pré-requisitos são bem simples:

  • Ter 18 anos ou mais;
  • Ter uma propriedade residencial com instalação solar de no máximo 6 kW e medidor bi-direcional;
  • Ser cliente da Diamond Energy;
  • Não estar recebendo tarifa feed-in financiada pelo governo ou distribuidora, ou seja, ter um contrato em que o valor da energia renovável é maior do que o preço da energia da distribuidora.

Energia elétrica rastreada com blockchain

O lançamento do programa foi anunciado como parte da agenda de sustentabilidade do grupo cervejeiro, que já divulgou o compromisso de se tornar 100% renovável até 2025.

Porém, mais do que o cumprimento de uma agenda de sustentabilidade, o Solar Exchange tem trazido grande visibilidade aos envolvidos, como a cervejaria, o comercializador varejista e a startup tecnológica.

Considerando a alta competitividade do mercado livre australiano e a facilidade de solicitar portabilidade do fornecedor de energia elétrica, o varejista pode atrair novos clientes através de uma iniciativa inusitada como essa.

Apesar de ser improvável que programas similares se tornem a nova forma de comercializar energia ou sejam adotados em larga escala, a quebra de paradigma na remuneração do excedente energético, antes limitado à negociação com a rede, traz reflexões interessantes sobre as possibilidades da abertura do mercado livre no Brasil.

Assim como as possibilidades de uso da tecnologia blockchain – a plataforma do Power Ledger rastreará a quantidade de energia que os clientes fornecem para a rede e a cada 30 minutos, o cliente pode ver quantas garrafas terá direito.

E você, aceitaria trocar seu excedente de energia solar por cerveja? Participe do quiz e veja as respostas dos brasileiros!

*Vanessa H. Grunwald é estrategista de arquitetura e tecnologia da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Este artigo foi originalmente publicado no perfil da autora na plataforma Medium.

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