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Como o metaverso pode beneficiar o meio-ambiente

Taynaah Reis comenta o uso de tecnologias como RV, do metaverso, para ajudar meio-ambiente.

Acabamos de passar pela semana do meio-ambiente, mas é de extrema importância continuarmos a atentar para os cenários de mudança climática que estão afetando nosso dia-a-dia de forma cada vez mais recorrente, assim como inovações, como o metaverso, que podem trazer soluções para esse problema.

Um estudo sobre dois bilhões de tweets descobriu que normalizamos rapidamente as condições climáticas que seriam consideradas historicamente extremas. O levantamento está na Proceedings of the National Academy of Sciences, publicação oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (EUA). A tendência em tomar decisões e pensar em curto prazo está tão enraizada, que temos dificuldade em perceber as mudanças climáticas, mesmo quando estão acontecendo rapidamente. As pessoas tendem a basear suas ideias de “clima normal” no que ocorreu apenas nos últimos dois a oito anos.

O ambiente de realidade virtual (RV), uma das tecnologias que fazem parte do metaverso, oferece aos usuários três dimensões principais de experiência:

1.     Imersão: A qualidade tecnológica do meio possibilita o aprendizado de conceitos sobre o clima e conscientização dos usuários.

2.     Gamificação: Por meio de benefícios e recompensas, é possível impulsionar comportamentos sustentáveis.

3.     Cooperação: Pode-se reunir um grupo em torno de um propósito sustentável comum e permitir a troca enriquecedora de experiências sustentáveis.

União Europeia cria irmã gêmea e digital da Terra para testes

Uma série de experimentos relacionados a RV e clima e outras questões de sustentabilidade mostraram que experiências imersivas geram melhores resultados de aprendizado, impacto mais personalizado e maior envolvimento emocional com o problema.

Por exemplo, você pode acelerar o tempo e oferecer uma experiência de como a ciência climática projeta o mundo em 2050 ou 2100. A Agência Espacial Europeia está trabalhando em um gêmeo digital da Terra que ajudará a visualizar e prever os impactos da atividade humana no planeta. Isso porque simulará diferentes cenários para informar os tomadores de decisões políticas. O projeto começará com os principais subsistemas planetários como a Antártida, oceanos e florestas.

Em um experimento de RV não relacionado ao clima, os participantes encarnaram uma pessoa que foi despejada de sua casa e experimentou a vida e as interações como um sem-teto nas ruas de São Francisco. Aqueles que experimentaram essa encarnação eram mais propensos a defender os direitos dos desabrigados. Experiências imersivas semelhantes, como acompanhar o dia a dia de um migrante climático ou alguém impactado por um evento climático extremo, podem ter o potencial de impulsionar ações climáticas significativas.

Gamificação é outro elemento do metaverso que pode ajudar meio-ambiente

A gamificação, outro elemento central do metaverso, também pode trabalhar em conjunto com experiências imersivas para impulsionar comportamentos sustentáveis. Em um experimento analógico não imersivo há vários anos, os participantes que participaram de um jogo pró-ambiental eram mais propensos a realizar ações de conservação de energia depois dessa experiência. Se essa é a linha de base, imagine aonde poderíamos chegar com experiências imersivas e gamificação e as decisões mais importantes que as pessoas podem tomar.

A disponibilidade desses tipos de experiências imersivas, típicas do metaverso, também pode impulsionar a ação em prol do meio-ambiente e portanto, do clima, entre as empresas. As marcas podem provar sua boa fé ambiental, permitindo que os consumidores experimentem de forma imersiva a jornada e os atributos de sustentabilidade de um produto.

O impacto sobre os consumidores de uma experiência imersiva demonstrando a ação climática provavelmente seria muito maior do que as narrativas publicadas. Além disso, as empresas sem uma experiência substantiva de sustentabilidade para compartilhar estariam em desvantagem.

Os gêmeos digitais de manufatura e cadeia de suprimentos podem impulsionar a otimização de insumos de materiais, processos, energia, rastreabilidade e logística. A combinação de gêmeos digitais com aplicativos de manufatura ágil, como design generativo e manufatura aditiva, já está acontecendo em muitos setores. E isso pode gerar reduções significativas no uso de refugo e energia.

Gêmeos digitais podem ajudar cidades a reduzir poluição

Uma grande oportunidade de sustentabilidade para gêmeos digitais está nas cidades, onde ocorrem 70% das emissões globais de carbono. As operações de construção, aquecimento, refrigeração, iluminação e similares contribuem, sozinhas, com 28% das emissões globais.

Uma pesquisa da EY mostra que gêmeos digitais podem reduzir emissões de carbono de um edifício em 50%. E podem melhorar a eficiência operacional e de manutenção em 35%. Além disso, podem aumentar a produtividade humana em 20% e melhorar a utilização do espaço em 15%.

A eliminação de emissões no meio-ambiente construído requer a integração de diferentes tipos de ferramentas para simular cenários no metaverso. No futuro, provavelmente veremos sistemas urbanos de construção de gêmeos digitais conectados a gêmeos de área ou cidade. E esse darão aos gestores da cidade insights profundos sobre o metabolismo da cidade e novas oportunidades para amplos ganhos de sustentabilidade.

Metaverso, agronegócio e meio-ambiente

Com o uso de tecnologias modernas, por exemplo as máquinas inteligentes, Internet das Coisas (IoT), sensores de rede, drones e robôs autônomos, de monitoramento, previsão e gestão conectadas ao metaverso, o agronegócio poderá evoluir para um controle descentralizado e uma produção mais sustentável. Dessa forma, cada produtor ou pecuarista saberá exatamente o quanto seu negócio está indo bem e como pode torná-lo cada vez mais sustentável.

É possível pensar num sistema cooperativo integrado de negócios de alimentos digitais focado na agricultura familiar com produtos de alta qualidade para o cliente final e para a sociedade. Tudo isso junto com a aplicação de políticas de sustentabilidade e preservação da natureza.

Felizmente, são inúmeras as possibilidades de construir experiências imersivas para criar uma nova consciência climática que pode estimular, financiar e engajar em ações em prol do meio-ambiente.

*Taynaah Reis é colunista do Blocknews. É CEO e co-fundadora da Moeda, fintech baseada em blockchain e com foco em impacto social positivo em comunidades.  

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