Mercado de Criptomoedas por TradingView

Blockchain é muito mais que criptomoedas

Alan Kardec, diretor de operações da Blockchain One.

As recentes quedas do bitcoin (BTC), os colapsos proporcionados pelo Anchor Protocol e a rede Terra (UST), tendo ainda, a possibilidade do Staked Ethereum (stETH) causar uma grande pressão nas transações de Ether (ETH), poderão desafiar muitas propostas de valor nas camadas de finanças descentralizadas (DeFi).

O mercado reagiu às DeFi, um ecossistema de criptomoedas que já teve seu ápice em valor total alocado (TVL) de aproximadamente US$ 233 bilhões, encolhido para cerca de US$ 74 bilhões. Mas isso não significa dizer que o “fim do mundo” está próximo. A tecnologia blockchain, que está por trás de todos esses modelos econômicos, inclusive do próprio bitcoin, está para além das criptomoedas.

Mesmo com toda essa “hype” de tokens não-fungíveis (NFT), mundos virtuais (metaverso) e criptomoedas alternativas ao bitcoin, nem tudo se resume nesse campo. Um novo paradigma está colocando em cheque a tomada de decisão nos investimentos em inovação e tecnologia. A blockchain tem mantido sua presença em campos emergentes da economia, da tecnologia e da sociedade. Podemos considerar, tendo em vista a vasta informação sobre sua evolução, que pode chegar ao mercado de massa até meados de 2030.

Destacamos ainda, algumas tendências fundamentais para o desenvolvimento da tecnologia blockchain, especialmente para os negócios. Por exemplo, a combinação de tecnologias para aumentar proposta de valor, integrações rápidas com estruturas da Web 3.0 para transações econômicas e soluções de segunda camada (Layer 2) aumentando o desempenho das redes blockchain existentes. Além disso, podemos citar soluções de interoperabilidade entre redes, promoção de identidades digitais suportadas por tecnologias de registro distribuído e o universo dos novos modelos de negócios baseados na tokenização de ativos. Assim como estratégias financeiras de longo prazo com tokens não-fungíveis (NFT) e, ainda, o mercado exponencial do metaverso.

“Tokenizar” ainda é uma palavra abstrata e experimental. Ignorar negócios baseados na tecnologia blockchain, achando que a mesma serve apenas para criptomoedas, pode custar caro para investidores de todos os tamanhos quando o assunto é inovação. E nesse ponto, não somente os investidores, mas a sociedade como um todo, pois o tema ainda é distante das rodas de conversa do PIX, por exemplo.

Saber se, e como, a tecnologia blockchain pode ajudar a enfrentar uma variedade de desafios sociais e econômicos, a partir de modelos de negócios descentralizados, passou a instigar diversos setores a arriscar ainda mais sobre essa tendência. Essa tecnologia que se baseia na hipótese, muitas vezes equivocada, de que ela pode remover a necessidade de intermediários, no entanto, mesmo quando a suposição é válida, a mudança de uma solução centralizada para uma descentralizada sempre tem o custo de maior complexidade. São mercados que estão sendo construídos.

Por exemplo: à medida que as criptomoedas amadurecem, crescem críticas por sua incapacidade de corresponder ao desempenho das redes de pagamentos tradicionais e atender aos requisitos dos sistemas financeiros centralizados e ao governo e, de certa forma, tiram a atenção essencial sobre a capacidade tecnológica do blockchain sobrepondo-o a um debate em torno somente das criptomoedas. Então, não é sobre criptomoedas, e sim, sobre a possibilidade de criar modelos emergentes de economias e soluções financeiras sustentáveis e sociais.

Devemos considerar a necessidade de um olhar mais atento às oportunidades que essa tecnologia possa proporcionar para os mercados mobiliário e imobiliário, inclusive. Afinal, não são apenas startups que estão nesse bolo, mas uma infinidade de experimentos que chamam atenção dos tradicionais costumes econômicos.

Os bancos centrais, inclusive, estão explorando ativamente as oportunidades e os desafios que as capacidades dessa tecnologia possam transformar no campo das políticas monetárias, modelos de tributação, empréstimos e aquisição de bens. Os experimentos do projeto Real Digital, por exemplo, são uma realidade.

A tecnologia blockchain está para além das criptomoedas, dando espaço para novos modelos econômicos baseados em uma economia descentralizada. E isso não quer dizer que só existam possibilidades não reguladas que protejam os usuários e consumidores, pelo contrário, o mundo está de olho nos modelos emergentes baseados nessa tecnologia para discutir regulações que atendam uma futura e próxima realidade econômica e social.

Uma infinidade de ativos podem ser rastreados e negociados por meio de uma modelagem blockchain. Podem ser atrelados a tokens de governança, NFT ou mesmo criptomoedas, gerar novas fontes de receita, novas modelagens de negócio com baixo custo operacional, entre outros. Resta saber quem permanecerá na corrida para entender, se apropriar, emergir e se estabelecer, ou ainda, quem sequer entrou na linha de largada.

*Alan Kardec é diretor de operações da Blockchain One

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