A oferta x demanda do bitcoin

Gabriel Fauth, colunista. Imagem: Acervo do autor.

Sabemos que o Bitcoin e as criptomoedas são cíclicos há 15 anos, e já vimos esse ciclo acontecer algumas vezes. Mas, é sempre difícil antever quando a criptomoeda ganhará força novamente pois a relação não é necessariamente mecânica.

Este é um ano de halving, no qual a principal criptomoeda recebe uma atualização em seu sistema de recompensa e se torna mais escassa. Qualquer pessoa que entenda de ciclos de mercado sabe que a escassez no sistema é naturalmente um propulsor dos preços, afinal, a oferta diminui enquanto a demanda segue constante ou crescente. Esse é o clássico ciclo das commodities, e vemos isso anualmente com as agrícolas e a proteína animal.

No entanto, a história é diferente. Por mais que haja um ciclo de commodities aqui, não posso afirmar que o Bitcoin seja uma commodity apenas por ter características de uma, podendo ser comparada com um gráfico do ouro, por exemplo. Mas o que realmente importa é se a demanda segue crescendo, estável ou em queda, pois é isso que pode efetivamente impulsionar os preços do Bitcoin e, posteriormente, de outras criptomoedas.

Minha análise de hoje compara o preço do gráfico do BTC/USD abaixo, contra o número de contas únicas que realizaram uma transação na rede pela primeira vez, ou seja, novas transações que podem indicar uma nova adoção ou apenas um novo endereço de um usuário já familiar.

Este é um comparativo dos últimos 3 anos, desde a pandemia de Covid, onde vimos uma disrupção nos ativos de risco de todos os mercados; nas criptomoedas não foi diferente. Em dezembro de 2020, tivemos o pico no número de transações únicas, muito marcado por novas adoções do sistema, chegando a transacionar 600 mil novas contas (independentemente do valor) enquanto o Bitcoin estava recém iniciando sua bull run, que levaria pela primeira vez a criptomoeda acima dos 60 mil dólares.

Posteriormente, tivemos a queda nas novas transações de Bitcoin, em junho de 2021, quando novas contas já não estavam mais transacionando, logo após uma queda de 50% no valor da criptomoeda, ainda antes de uma nova corrida acima dos 60 mil dólares.

É notável que, nessa época, o preço não acompanhou as novas transações, mas também foi um momento em que diversas altcoins estavam em alta, o que pode levar à interpretação de que redes alternativas estavam sendo usadas.

Tudo desemboca para hoje, quando o Bitcoin volta a ganhar força acima de 40 mil dólares (mais da metade da alta de 2022), e vemos um aumento considerável de novas transações por endereços novos na rede. Tivemos o pico em novembro de 2023, quando o Bitcoin avançou pela primeira vez aos 40 mil dólares.

Muito disso se deve à adoção de outros players e, recentemente, grandes players trouxeram novos horizontes a esse mercado.

O número atual de transações semanais está muito próximo do número de 2021 e ganhou uma certa volatilidade a partir de junho de 2023, mostrando que há um uso frequente da rede por novos endereços, e ao que tudo indica, a tendência de novas transações apenas cresce.

É difícil dizer se a aprovação dos ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos trará novas transações únicas para a rede, e se esse indicador trará insight de demanda para a criptomoeda. No entanto, sem dúvida os fundos proporcionarão ao investidor novos horizontes para que, no futuro, usem a rede pela primeira vez.

Cada vez mais, o projeto ganha tração e adoção, e, economicamente falando, a demanda tende a aumentar enquanto sabemos que a oferta é escassa e irá acabar.

*Gabriel Fauth é Diretor de Crescimento da Trading View no Brasil. Conheceu o mercado de criptomoedas em 2016 e entrou em finanças a partir do bitcoin. Entre altas e baixas, apaixonou-se por economia e investimentos e hoje dedica-se a estudar e analisar preços de ativos para longo e curto prazo.

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