A correlação – ou não – entre bitcoin e ações

Bitcoin pode estar se tornando alternativa a ações.

Em 2023 o Bitcoin não se comportou diretamente correlacionado com as ações americanas, ao contrário do que vimos na era pandêmica. No início do ano, o Bitcoin apresentou uma correlação notavelmente alta com o índice S&P 500, composto por 500 empresas em bolsas dos Estados Unidos (EUA). A correlação chegou a atingir 0,9 em sua média móvel de 30 dias em fevereiro, indicando um movimento quase em uníssono com o índice.

Essa forte correlação desafiou a narrativa do Bitcoin como um ativo de refúgio seguro. Isso porque sua performance estava fortemente atrelada às dinâmicas do mercado de ações tradicional. Dessa forma, destoou de uma correlação  com os preços do ouro, que atua como ativo de segurança. No entanto, essa ligação não permaneceu constante ao longo do ano.

No final de outubro, a correlação caiu drasticamente para -0,77, refletindo um descolamento significativo entre os dois ativos antes de se recuperar para cerca de 0,75 ao final do ano. Esse descolamento se deu por fatores de valuation específicos do Bitcoin, que foram os ETFs, ou fundos de índices negociados em bolsas de valores.

Bitcoin x ações na Nasdaq

Já pensando na estrelinha, a bolsa Nasdaq, desde o início de 2020 essa correlação é positiva. Tanto que atingiu um pico de 0,8 durante o mercado baixista de criptoativos em 2022. A explicação para o recente desacoplamento entre os dois pode ser o fato de que o mercado de criptoativos, desde outubro, se concentrou principalmente nas expectativas para o lançamento de um ETF de Bitcoin à vista nos EUA. Os lançamentos dos primeiros ETFs nessa modalidade aconteceram há um mês.

Olhando para a imagem, vemos que houve uma correlação apertada do Bitcoin com a relação Nasdaq/S&P 500, com o coeficiente de correlação aumentando de 0,81 para 0,90. Além disso, aqui vemos que apesar de sua natureza descentralizada e independente, ainda responde às oscilações e tendências dos mercados de ações tradicionais.

O insight positivo que vemos disso é que a quebra dessa correlação também significa que o Bitcoin/USD pode agora atuar como um diversificador de carteira. Para quem atua em ações pode buscar outro resultado, muitas vezes contra movimento, no Bitcoin.

*Gabriel Fauth é Diretor de Crescimento da Trading View no Brasil. Conheceu o mercado de criptomoedas em 2016 e entrou em finanças a partir do bitcoin. Entre altas e baixas, apaixonou-se por economia e investimentos e hoje dedica-se a estudar e analisar preços de ativos para longo e curto prazo.

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