Morre Fabíola Greve, professora da UFBA e uma das maiores especialistas em blockchain do país

Fabíola Greve em palestra no WRNP 2023. Foto: WRNP.

A professora Fabíola Greve, titular e diretora do Instituto de Computação da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e coordenadora do Comitê Técnico de Blockchain da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), faleceu no último sábado (16), por complicações decorrentes de uma cirurgia. Fabíola, que construiu uma carreira brilhante, era uma das maiores especialistas em redes distribuídas do país, além de ser uma das mais ativas no desenvolvimento do ecossistema do país.

“Sob o ponto de vista tecnológico, a blockchain é disruptiva para a sociedade. Suas propriedades mudam os eixos das relações de confiança, provocando a desintermediação em diversos níveis, inclusive, dentro da ciência. Assim, percebi a necessidade de fomentar o encontro da academia com governo e indústria”, disse ela em entrevista à consultora líder de blockchain do The New Ventures Group (TNVG), Marcela Gonçalves, na série Corrente de Mulheres publicada pelo Blocknews. Nela, conta sua trajetória e sua visão e perspectivas sobre blockchain. Depois, entrevistou a advogada Tatiana Revoredo para a série.

“Fabíola foi uma pessoa maravilhosa que me ajudou muito, sem saber, num momento de grande fragilidade minha. Confiou no meu conhecimento e no meu trabalho quando eu nem mesmo estava com essa confiança. Me chamou para coordenar a vertical de governança do CT blockchain e me ajudou, assim, a passar pela depressão. Uma pessoa que sempre admirava pela calma e papel conciliador, além de seu conhecimento e teoria e que sinto muito perdermos de forma tão abrupta. Ela sempre me apoiou muito em toda questão que eu trazia da relação pesquisa e mercado. Precisamos avançar nessas relações e nas questões sociais que devem ser pautadas para o uso da tecnologia pela sociedade”, afirmou Marcela.

A delicadeza de Fabíola ficou clara nas conversas que o Blocknews teve com a professora sobre as entrevistas para o Corrente de Mulheres. Apesar de seu tempo tão curto, fez questão de participar do projeto.

Fabíola Greve ajudou a desenvolver ecossistema blockchain

Mulheres em blockchain: Fabíola Greve aliou academia e empresas. Foto: Acervo pessoal.

Ao desenvolver projetos que uniram a academia, o governo e as empresas, Fabíola se dedicou à chamada Hélice Tríplice, ou seja, a união desses grupos e que é considerada fundamental para o avanço da inovação e do empreendedorismo de um país.

Na academia, sua carreira incluiu mestrado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) com uma pesquisa em algoritmos de compressão de dados, doutorado em Ciência da Computação pela Universidade Rennes I, sobre algoritmos distribuídos,  e pós-doc na Universidade Sorbonne em Paris. Foi diretora do departamento de Ciência da Computação da UFBA, que ajudou a transformar em instituto.

Além disso, entre suas atividades estavam, por exemplo, a participação ativa no Simpósio Brasileiro de Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos (SBRC), a coordenação da Comissão Especial de Redes e Sistemas Distribuídos da Sociedade Brasileira de Computação e a de ser conselheira da Rede Nacional de Pesquisa (RNP).

Profissional ajudou a desenvolver projeto Ilíada

“Perdemos uma pesquisadora de notável dedicação e comprometimento, uma pessoa amável que deixa um grande legado de valiosas contribuições e serviços prestados à comunidade acadêmica”, disse a presidente da SBC, Thais Batista. Na SBC, também fundou e liderou o Grupo de Algoritmos e Computação Distribuída (Gaudì).

De acordo com a RNP, Fabíola teve uma contribuição e liderança cruciais para a formulação do projeto Ilíada, de promoção de pesquisa e desenvolvimento em blockchain. “Fabíola foi fundamental nessa construção do Ilíada, tendo proposto a criação do observatório nacional de blockchain, um dos entregáveis do projeto. Foram anos de cooperação em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação e somos muito gratos a ela por isso”, destacou a diretora de PDI, Iara Machado.

O Ilíada é uma parceria do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) com a Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), a RNP e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD).

“Fabíola foi uma mulher forte, uma desbravadora da área de tecnologia no Brasil. É com enorme tristeza que nos despedimentos dessa pesquisadora tão atuante na área de redes e também conselheira presente e zelosa. Esperamos que o legado dela seja perene na UFBA”, afirmou o diretor-geral da RNP, Nelson Simões.

Fabíola, 57, deixa duas filhas.

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29 comentários em “Morre Fabíola Greve, professora da UFBA e uma das maiores especialistas em blockchain do país”

  1. Valmirete Souza dos Santos

    Que Deus a receba em seus bracos e lhe conceda un lugar ao seu lado com todo o amor divino, e derrame bencas de conforto nos coracoes de toda a familia🙏🙏🙏

  2. Luiz Eduardo Siqueira

    Fabíola foi minha aluna de graduação no curso de Ciência da Computação da UFBA. Ela sempre foi de uma delicadeza e simpatia incríveis.

    Vi agora a triste notícia na Internet e fiquei chocado. Saudades.

  3. Maria Helena de Castro Ferreira

    Prezada/os Familiares
    Que Jesus Cristo fortaleça seus familiares e que a passagem de Fabíola deste plano físico para outro plano espiritual seja de harmonia .
    Me lembrei de Santo Agostinho:
    ….( ) Eu não estou longe,
    Apenas estou do outro lado do caminho…..
    Você que aí ficou,siga em frente,a vida continua ,linda e feliz sempre como sempre foi

  4. Jocelina Campos de Souza

    Lamentável perda da grandiosa profissional para nós baianos e o mundo inteiro.Muito jovem pra ter feito tanto! Nossa eterna GRATIDÃO por todo amor,carinho, dedicação, competência e amor pelo que sempre fez.Deus continue cuidando de suas amadas e queridas filhas.!!! Descanse em paz colega nos braços do PAI ETERNO!🌹🌻💔⭐❤️🙏

  5. LUCIA MARIA MACHADO MARQUES SILVA

    Lamentável! Grande Perda!
    Que Deus dê forças e consolo a família para amenizar a dor imensa.
    Repousa em Paz, Fabíola.

  6. Eduardo Gomes de Abreu

    Deus a tenha ao Seu Lado, a contribuição dela ao Brasil com certeza será eterna, pelos que ficaram para dar seguimento ao trabalho dela.

  7. Vicente Pereira - Recife

    Com certeza o Brasil está mais pobre com a perda dessa pesquisadora.
    Nossas condolências à família e seus amigos e amigas.
    Que Deus a receba em sua Morada Éterna.

  8. Cláudia Buonavita

    Fui colega de Fabíola no colégio e ela já se destacava como aluna e como amiga! Uma pessoa muito inteligente e focada, mas que sempre estava disponível para ajudar e estimular os colegas sem distinção! Invariavelmente com muita serenidade e calma inabalável!
    Seguimos diferentes caminhos mas na minha memória permaneceu um imenso prazer e gratidão por ter convivido e aprendido muito com Fabíola! Muito triste essa partida tão jovem!

  9. Jucimária Gomes de Oliveira

    Infelizmente nesse país, prioridades para àqueles que vivem às margens. No entanto, os nobres colegas, que dão suas contribuições às Ciências,só têm reconhecimentos in memória.

  10. E pensar que uma pessoa competente vai embora e as “esbanja”, “ensacar ventos” e outras pragas ficam.
    Minhas condolências a familia

  11. Maria José Machado Silva

    Meus sentimentos à familia da Fabíola . Que Deus conforta os corações. Não as conheci, estou lendo essa notícia triste agora mas pessoas como ela com um legado desse que deixou nunca morrerá. É e sempre será um espelho a ser seguido. Deus a tenha em um bom lugar.

  12. Mircea Muscalu Rubayo

    Grande perda!
    Quando aparece algum brasileiro com QI superior, infelizmente acontece algum imprevisto da natureza, que interrompe sua trajetória de sucesso. É pra chorar de raiva, e tristeza!

  13. Primeiro q DEUS conforte os corações dos familhares,em especial das filhas . Há momentos q o silêncio é são as melhores palavras. Mas lamento porque ainda tinha muita coisa para nos ensinar.

  14. Maria Georgina Barbosa

    LUZ E PAZ NA ETERNIDADE. Grande perda no presente e no futuro da Ciência do nosso País e internacional.
    É com muita tristeza saber dessa notícia.
    Prof. Maria Georgina Barbosa/UFBA.

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