Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Social Good lança app para consumidores receberem criptos que não perdem valor

A japonesa The Social Good Foundation lançou um aplicativo de cashback de criptos, o SocialGood, para ajudar pessoas a acumular ativos fazendo compras. A plataforma foi lançada em 2019 e é a maior desse tipo em numero de usuários, com 90 mil pessoas.

Usando o aplicativo (em iOS) para fazer compras em lojas parceiras, o consumidor recebe o criptoativo SocialGood (SG). O grande diferencial em relação a projetos similares é que a fundação garante o valor do ativo no momento em que a pessoa o recebeu, caso a cotação caia, e compra de volta o o SG. Se subir, o consumidor tem uma carteira mais valiosa.

A plataforma foi lançada em março de 2019 por Soichiro Takaoka, que trabalhou no mercado financeiro e passou para o mundo das fintechs. O Social Good tem parceria com mais de 1.800 grandes varejistas, incluindo Amazon, eBay, Nike e Adidas e diz que opera em 161 países.

O aplicativo foi criado, segundo a fundação, para ajudar a resolver um desafio social e a reinventar o capitalismo, ao fazer com que ativos sejam ganhos por consumidores comuns ao e nao pelo acúmulo por meo de salários e ganhos com investimentos.

Chinesa Tencent usa blockchain para rastrear doações em campanha de filantropia

A Tencent, o maior portal de serviços de internet da China e que usa blockchain em diversas iniciativas, vai usar a tecnologia na “99 Giving Day”, sua maior campanha filantrópica anual. O objetivo é rastrear as doações e aumentar a transparência de seus programas de caridade.

Usar blockchain em programas de doação tem sido uma forma de organizadores dessas iniciativas assegurarem que os recursos serão usados conforme o prometido. Isso pode ajudar a atrair mais doadores e também garantir o uso correto e sem desvios dos recursos.

A campanha da Tencent dura 3 dias. E a empresa lançou também uma plataforma de suporte tecnológico para ajudar parceiros em ações sociais a aumentar suas capacidades digitais em seus projetos. A “Public Welfare SaaS Project” libera algumas das tecnologias usadas pela Tencent para parceiros externos por meio de cooperação de código aberto. O objetivo é digitalizar e mover os projetos para a nuvem. Segundo a empresa, 50 organizações aderiram ao projeto.

A Tencent vai colocar 299,99 milhoes de yuans (R$ 253 milhões ) como contrapartida de doações do público e 100 milhões de yuans (R$ 78 milhões) sem definir para onde devem ir. Vai ainda colocar 200 milhões de yuans (R$ 156 milhões) de seu fundo anti-pandemia em organizações que precisam de ajuda para se recuperarem da pandemia.

A China é um dos países que mais utilizam blockchain. O governo quer ser hub da solução e um ícone no uso de tecnologias da quarta revolução industrial.

Startup Mete a Colher, de apoio a mulheres vítimas de violência, ganha competição internacional

A startup “Mete a Colher”, que usa tecnologia para dar apoio a mulheres que sofrem violência doméstica, foi uma das dez escolhidas no programa de incubação da F-LANE, primeira aceleradora da Europa com foco em startups que usam tecnologia para empoderar as mulheres em todo o mundo. Houve 455 inscritas de 84 países. A F-Lane é do Instituto Vodafone.

O Mete a Colher foi lançado há três anos por Renata Albertim, no Recife (PE) e já ganhou prêmios e reconhecimento. A plataforma, chamada de Tina, é comprada por empresas que querem proteger suas funcionárias por meio de ajuda psicológica e social através de um chat em que a mulher atacada não precisa se identificar. Quando necessário, o caso é levado para a polícia ou redes de apoio às mulheres.

O programa começa no próximo dia 7 e dura 5 semanas e termina com o um Demo Day em 5 de novembro. Por conta da pandemia do Covid-19, será online. A mentoria é liderada pelo Yunus Social Business, fundo de investimento social e tem apoio do Impact Hub Berlin, focado em empreendedorismo social, a também alemã Social Entrepreneurship Academy and a WLOUNGE, ecossistema tecnológico.

Uma das outras 10 escolhidas é a Hive Online, uma plataforma distribuída de finanças para comunidades, que usa blockchain para criar um histórico sobre pequenos negócios. Essa base de dados facilita o acesso de mulheres de áreas rurais na África e terem acesso a crédito mais barato e a novos mercados. A empresa tem base na Suécia, Dinamarca e Ruanda.

RecycleGo e DeepDive vão desenvolver solução em blockchain para reciclagem

A RecycleGO, empresa de soluções tecnológicas para reciclagem, e o DeepDive Technology Group, empresas de soluções que incluem blockchain, anunciaram que estão desenvolvendo, juntas, um produto com foco no rastreamento de materiais para facilitar e incentivar a adoção da reciclagem.

O uso de blockchain na otimização da cadeia de suprimentos deve gerar economia de 15% a 20% na primeira fase de um projeto, segundo as empresas. Essa fase identifica todo o caminho que uma garrafa de plástico faz, da produção, à coleta, reciclagem e manufatura para se tornar outra garrafa. O projeto começa com plástico, mas deve ser estendido para outros produtos. A plataforma usada é a Hyperledger Fabric.

Além da redução de custos, essedisso, pode gerar ganho de imagem para as empresas, algo que hoje pesa na definição de muitos investidores sobre onde alocar seus recursos.

A parceria acontece num momento de pressão global de consumidores por negócios mais sustentáveis, o que inclui o descarte correto de plásticos e projetos de economia circular. É um movimento que tem apoio inclusive de grandes investidores e gestores de ativos, como a BlackRock, o maior deles, que dizem que vão colocar recursos em empresas sustentáveis.

De olho nessa pressão, muitas indústrias estão adotando metas ambientais, tanto de reciclagem, quanto de redução ou compensação de emissão de gases de efeito estufa, como a Unilever.

DeepDive Technology Group
DeepDive Technology Group

O potencial do mercado de reciclagem é enorme, já que a estimativa é de sejam produzidas 400 milhões de toneladas de plástico ao ano, número que vai dobrar até 2050 se nada for feito. Desse total, mais de 70% tem descarte incorreto, já que 40% vai para aterros sanitários e 32% ficam jogados no meio ambiente.

O grande obstáculo para o crescimento da reciclagem nas cadeias de suprimentos é a visibilidade de cada produto nesse processo, diz o CEO da RecycleGO. Além disso, os consumidores nem sempre reciclam. “Blockchain pode levar a uma mudança”, completou.

A Basf já adotou blockchain no rastreamento de plásticos em sua cadeia de suprimentos, num projeto de reciclagem que está sendo adotado em outros países do mundo.

A tecnologia vai dar uma prova irrefutável de bom comportamento ambiental da empresa para cada stakeholder na cadeia de suprimentos, disse o CEO da DeepDive, Misha Hanin.

Mercado Bitcoin abre carteira para doações à BlackRocks, de empreendedorismo da população negra

O Mercado Bitcoin criou uma carteira pública para doações em bitcoin para a BlackRocks, organização que busca criar um ecossistema tecnológico e o empreendedorismo com foco na população negra.

A BlackRocks tem programas de programa de aceleração e laboratório de inovação.

O endereço da carteira é bc1qt807r5exx4meg0tdtgzqmt58rz545na7c4ttwp. A ação é realizada pela Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) e as doações podem ser feitas até 8 de agosto por transferência de pessoas físicas ou jurídicas com conta em exchanges de criptomoedas. A campanha começou no dia 8 de julho.

Prazo de inscrição de startups de blockchain em programa da Unicef vai até dia 26

Ainda dá tempo de se inscrever no programa do Fundo de Inovação da Unicef de financiamento a empresas de soluções de software em blockchain. As inscrições devem ser feitas até o próximo domingo (26).  

O fundo vai dar até U$ 100 mil (cerca de R$ 500 mil) e mentoria para projetos em estágio inicial (seed) que tenham impacto positivo na vida das pessoas.

“Estamos interessados em empresas que usem a tecnologia de registro distribuído de forma inovadora, que sejam escaláveis e globalmente aplicáveis”, diz a Unicef.

As áreas de interesse são várias. A Unicef exemplica que em finanças, há interesse por projetos que ajudem as pessoas a usarem, ganharem e terem criptomoedas em suas carteiras, a permitir que tenham acesso a instrumentos financeiros descentralizados, e que permitam às comunidades terem seus próprios hubs econômicos.

Em conectividade, busca-se projetos que permitam a grupos trabalharem juntos de forma transparente, como cadeias de suprimento, e permitir o fechamento de contratos em marketplaces descentralizados.

Na ára de empoderamento, a ideia é promover novas formas de tomadas de decisões, como as DAOs, que são organizações autônomas descentralizadas, e projetos de proteção de dados

Detalhes da inscrição estão em https://www.unicef.org/innovation/applyBlockchainCrypto

BID e Fundação Everis buscam soluções blockchain para combate a feminicídio

A violência contra a mulher disparou em todo o mundo no confinamento social criado com a pandemia do Covid-19, mais ainda na América Latina, incluindo o Brasil. Diante desse quadro, a Fundação Everis e o laboratório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID Lab) estenderam até 31 de agosto a período para recebimento de propostas de soluções em blockchain para combater essa violência.

As soluções usadas atualmente para combater a violência são antigas e não atendem as 450 milhões de pessoas na região que potencialmente precisam de ajuda, reporta o Blocknews Economía, site de notícias da Espanha.

“Estendemos o prazo porque o confinamento reduziu a apresentação de propostas, que são cerca de 20, de países como Brasil, Colômbia, Argentina, Chile, México e Espanha. O programa foi batizado de BlockAngel.

Suporte de até US$ 150 mil

O projeto vencedor e os outros dois melhor avaliados receberão um pacote integral de apoio econômico, empresarial e tecnológico”, diz Karla Alarcón, diretora geral da Fundação Everis. Os três projeto poderão receber até U$ 150 mil (cerca de R$ 800 mil), reporta o Blocknews Economía

No Brasil, os casos de feminicídio saltaram 22,2% de março a abril deste ano em 12 estados do país, em comparação ao mesmo período de 2019, segundo levantamento do Banco Mundial feito a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O problema surgiu logo no início do isolamento social. De acordo com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, o número de ligações para o canal Ligue 180, que recebe denúncias de violência contra a mulher, subiu 9% na comparação entre os períodos de 17 e 25 de março e de 1 a 16 de março.

Fundo de Cripto da Unicef investe 125 ETH em startups de países em desenvolvimento

O Fundo de Criptomoeda da Unicef (CryptoFund) vai investir 125 ETH (cerca de R$ 171 mil) em oito empresas de tecnologia de países em desenvolvimento e emergentes. O objetivo é que continuem a trabalhar em softwares de código aberto (open source).

É a maior doação do fundo criado em outubro de 2019 e que recebe e doa criptomoedas. As primeiras doações para o fundo vieram da Fundação Ethereum. Em 2019, 3 empresas receberam recurso

A transferência dos fundos levou menos de 20 minutos e custou menos de US$ 20 (cerca de R$ 120), menos de 0,00009% do valor transferido, com transparência em tempo real para os doadores e apoiadores, disse Chris Fabian, Consultor Sênior e co-Líder da Unicef Ventures.

“Estamos vendo o mundo digital se aproximando de nós mais rápido do que imaginavamos e a Unicef precisa saber usar todas as ferramentas desse novo mundo para ajudar as crianças”, completou Fabian em comunicado.

O fundo de criptos e o Fundo de Inovação da Unicef tem aberta uma chamada para soluções blockchain de até US$ 100 mil (cerca de R$ 600 mil) e criptomoedas combinados, além de mentoria.

4 da América Latina

Das 8 empresas, quatro são da América Latina. As investidas são Cireha (Argentina), Utopic (Chile), Afinidata (Guatemala), OS City (México), Somleng (Camboja),  Avyantra (Índia), StaTwig (Índia) e Ideasis (Turquia).

As empresas investidas trabalham em projetos de educação, saúde e alimentação para crianças e adolescentes. Algumas iniciativas estão relacionadas à redução dos impactos da doença na vida dessas pessoas, como na educação.

Um outro caso inclui, por exemplo, o monitoramento de entrega de arroz a comunidades vulneráveis.

Todas já haviam recebido até US$ 100 mil (cerca de R$ 600 mil) do Fundo de Inovação da Unicef. As empresas trabalham em parceria com governos e parceiros locais. O grupo foi selecionado dentre 40 startups aprovadas no Fundo de Inovação da Unicef.

Além dos recursos, as empresas vão receber mentoria de negócios, assistência técnica e apoio para desenvolvimento de open source, UX (User Experience) e UI  (User Interface).

Brasileiros e europeus criam app #SpreadLoveNotCorona, que usa blockchain para arrecadar doações

Brasileiros participaram da criação do aplicativo #SpreadLoveNotCorona (EspalheAmorNãoCorona), que usa blockchain na arrecadação de doações que serão usadas no combate aos efeitos negativos do coronavírus na saúde e nas economias pelo mundo.

O aplicativo foi criado pela IntellectlEU, de Bruxelas, que desenvolve soluções com tecnologias emergentes como blockchain e inteligência artificial para o mercado de capitais. Os desenvolvedores estão em Portugual. A R3 deu apoio técnico e de marketing. Nayam Hanashiro, diretor de parcerias, que fica em São Paulo, participou do projeto.

O dinheiro arrecadado vai para o COVID-19 Solidarity Response Fund for WHO, que tem o apoio da Fundação das Nações Unidas e da Swiss Philantropy. A Organização Mundial da Saúde (OMS, WHO em inglês), aloca os fundos conforme seu plano de respostas à pandemia.

A lógica do aplicativo é, como o nome diz, espalhar amor, portanto, é possível se inscrever para compartilhar o link do aplicativo e também para doar. O dinheiro vai para o fundo das Nações Unidas.

Espalhando amor

“Você não precisa doar para criar impacto. Com 3 cliques é gerado um link único para ser compartilhado. As doações são opcionais. Apenas espalhar “amor”, como chamamos isso, é também importante. Depois, o usuário pode verificar o quanto foi valioso o seu compartilhamento. Você pode saber quantos amigos, amigos de amigos, por exemplo, participaram, e quanto doaram por causa do seu link”, disse ao Blocknews Chaim Finizola, diretor de desenvolvimento de negócios para América Latina do IntellectEU e de descendência brasileira.

A ideia nasceu de um brainstorm remoto, pós trabalho, numa sexta-feira, que chamaram de E-peritivo. Em menos de duas semanas, a IntellectualEU e seus parceiros, que inclui também a AWS, colocaram o produto para funcionar.

O #SpreadLoveNotCorona foi lançado na quinta-feira passada. Até agora (dia 13, 7h17 horário de Brasília), as doações somaram 2.594,98 euros (cerca de R$ 14 mil). Boa parte foram doações feitas no Brasil no primeiro dia, de cerca de R$ 10 mil.

“Dado o curto espaço de tempo, decidimos trabalhar com a Pledgeling, que processa as doações e manda os recursos para a OMS”, explicou Finizola. A Pledgeling é especializada em criar e operar programas de doações lançados por empresas e ONGs.

A empresa, por sua vez, fez parceria com a Stripe, de soluções de pagamentos digitais. As doações são armazenadas na plataforma Corda da R3, o que torna possível validar o que foi pago.

Escritório em SP

A escolha pelo fundo da ONU se deve ao impacto que ele pode ter, trabalhando do monitoramento da escalada da pandemia ao tratamento e pesquisa, afirma Finizola.

A IntellectEU já tinha participado de outros dois projetos do tipo “blockchain for good” e agora avalia como usar a ideia do #SpreadLovenotCorona em outras campanhas.

A empresa tem escritórios em seis países e está conversando com parceiros para abrir escritório em São Paulo ainda neste ano.

Blockchain é usada no combate à violência contra as mulheres

A tecnologia blockchain pode ajudar no combate à violência contra as mulheres e no período pós-trauma de um ataque.

Uma das iniciativas nesse sentido é do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a fundação everis e do ecossistema LaCChain, que lançaram um desafio para encontrar projetos a serem apoiados. E na Índia, o aplicativo Smashboard torna menos traumática a denúncia de casos.

O desafio Blockchangel (Blockchain – Challenge – Angel) é aberto a pessoas, empresas e instituições da América Latina e Caribe e os projetos devem ser aplicáveis em toda a região.

O número de mulheres assassinadas por feminicídio na região nos últimos dois anos chegou a 8 mil, o dobro do que se vê em outras partes do mundo.

Punição e apoio

Esses projetos devem entregar soluções em quatro áreas: prevenção, como registro de comportamentos violentos; atuação, para maior facilidade de registro e autenticação online e legal; controle, para ajudar a identificar vítimas e o que pode ser feito para protegê-las; e restauração, de assistência às vítimas.

Os projetos escolhidos terão apoio econômico,  empresarial e tecnológico. As inscrições podem ser feitas até o próximo dia de junho pelo site da LaCChain.

O Smashboard usa blockchain para que as vítimas façam denúncias online, de forma privada e criptografada. Muitas vezes, diz a criadora do aplicativo, a jornalista Noopur Tiwari, muitas vezes, denunciar é arriscado para as mulheres. O aplicativo dá também apoio mental e legal para as mulheres.  

O anonimato permitido pela blockchain ajuda as mulheres a terem as primeiras conversas pós-ataque, o que pode ajudá-las a procurar um advogado, jornalista ou terapeuta, diz Noopur.