Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

BID e Fundação Everis buscam soluções blockchain para combate a feminicídio

A violência contra a mulher disparou em todo o mundo no confinamento social criado com a pandemia do Covid-19, mais ainda na América Latina, incluindo o Brasil. Diante desse quadro, a Fundação Everis e o laboratório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID Lab) estenderam até 31 de agosto a período para recebimento de propostas de soluções em blockchain para combater essa violência.

As soluções usadas atualmente para combater a violência são antigas e não atendem as 450 milhões de pessoas na região que potencialmente precisam de ajuda, reporta o Blocknews Economía, site de notícias da Espanha.

“Estendemos o prazo porque o confinamento reduziu a apresentação de propostas, que são cerca de 20, de países como Brasil, Colômbia, Argentina, Chile, México e Espanha. O programa foi batizado de BlockAngel.

Suporte de até US$ 150 mil

O projeto vencedor e os outros dois melhor avaliados receberão um pacote integral de apoio econômico, empresarial e tecnológico”, diz Karla Alarcón, diretora geral da Fundação Everis. Os três projeto poderão receber até U$ 150 mil (cerca de R$ 800 mil), reporta o Blocknews Economía

No Brasil, os casos de feminicídio saltaram 22,2% de março a abril deste ano em 12 estados do país, em comparação ao mesmo período de 2019, segundo levantamento do Banco Mundial feito a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O problema surgiu logo no início do isolamento social. De acordo com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, o número de ligações para o canal Ligue 180, que recebe denúncias de violência contra a mulher, subiu 9% na comparação entre os períodos de 17 e 25 de março e de 1 a 16 de março.

Fundo de Cripto da Unicef investe 125 ETH em startups de países em desenvolvimento

O Fundo de Criptomoeda da Unicef (CryptoFund) vai investir 125 ETH (cerca de R$ 171 mil) em oito empresas de tecnologia de países em desenvolvimento e emergentes. O objetivo é que continuem a trabalhar em softwares de código aberto (open source).

É a maior doação do fundo criado em outubro de 2019 e que recebe e doa criptomoedas. As primeiras doações para o fundo vieram da Fundação Ethereum. Em 2019, 3 empresas receberam recurso

A transferência dos fundos levou menos de 20 minutos e custou menos de US$ 20 (cerca de R$ 120), menos de 0,00009% do valor transferido, com transparência em tempo real para os doadores e apoiadores, disse Chris Fabian, Consultor Sênior e co-Líder da Unicef Ventures.

“Estamos vendo o mundo digital se aproximando de nós mais rápido do que imaginavamos e a Unicef precisa saber usar todas as ferramentas desse novo mundo para ajudar as crianças”, completou Fabian em comunicado.

O fundo de criptos e o Fundo de Inovação da Unicef tem aberta uma chamada para soluções blockchain de até US$ 100 mil (cerca de R$ 600 mil) e criptomoedas combinados, além de mentoria.

4 da América Latina

Das 8 empresas, quatro são da América Latina. As investidas são Cireha (Argentina), Utopic (Chile), Afinidata (Guatemala), OS City (México), Somleng (Camboja),  Avyantra (Índia), StaTwig (Índia) e Ideasis (Turquia).

As empresas investidas trabalham em projetos de educação, saúde e alimentação para crianças e adolescentes. Algumas iniciativas estão relacionadas à redução dos impactos da doença na vida dessas pessoas, como na educação.

Um outro caso inclui, por exemplo, o monitoramento de entrega de arroz a comunidades vulneráveis.

Todas já haviam recebido até US$ 100 mil (cerca de R$ 600 mil) do Fundo de Inovação da Unicef. As empresas trabalham em parceria com governos e parceiros locais. O grupo foi selecionado dentre 40 startups aprovadas no Fundo de Inovação da Unicef.

Além dos recursos, as empresas vão receber mentoria de negócios, assistência técnica e apoio para desenvolvimento de open source, UX (User Experience) e UI  (User Interface).

Brasileiros e europeus criam app #SpreadLoveNotCorona, que usa blockchain para arrecadar doações

Brasileiros participaram da criação do aplicativo #SpreadLoveNotCorona (EspalheAmorNãoCorona), que usa blockchain na arrecadação de doações que serão usadas no combate aos efeitos negativos do coronavírus na saúde e nas economias pelo mundo.

O aplicativo foi criado pela IntellectlEU, de Bruxelas, que desenvolve soluções com tecnologias emergentes como blockchain e inteligência artificial para o mercado de capitais. Os desenvolvedores estão em Portugual. A R3 deu apoio técnico e de marketing. Nayam Hanashiro, diretor de parcerias, que fica em São Paulo, participou do projeto.

O dinheiro arrecadado vai para o COVID-19 Solidarity Response Fund for WHO, que tem o apoio da Fundação das Nações Unidas e da Swiss Philantropy. A Organização Mundial da Saúde (OMS, WHO em inglês), aloca os fundos conforme seu plano de respostas à pandemia.

A lógica do aplicativo é, como o nome diz, espalhar amor, portanto, é possível se inscrever para compartilhar o link do aplicativo e também para doar. O dinheiro vai para o fundo das Nações Unidas.

Espalhando amor

“Você não precisa doar para criar impacto. Com 3 cliques é gerado um link único para ser compartilhado. As doações são opcionais. Apenas espalhar “amor”, como chamamos isso, é também importante. Depois, o usuário pode verificar o quanto foi valioso o seu compartilhamento. Você pode saber quantos amigos, amigos de amigos, por exemplo, participaram, e quanto doaram por causa do seu link”, disse ao Blocknews Chaim Finizola, diretor de desenvolvimento de negócios para América Latina do IntellectEU e de descendência brasileira.

A ideia nasceu de um brainstorm remoto, pós trabalho, numa sexta-feira, que chamaram de E-peritivo. Em menos de duas semanas, a IntellectualEU e seus parceiros, que inclui também a AWS, colocaram o produto para funcionar.

O #SpreadLoveNotCorona foi lançado na quinta-feira passada. Até agora (dia 13, 7h17 horário de Brasília), as doações somaram 2.594,98 euros (cerca de R$ 14 mil). Boa parte foram doações feitas no Brasil no primeiro dia, de cerca de R$ 10 mil.

“Dado o curto espaço de tempo, decidimos trabalhar com a Pledgeling, que processa as doações e manda os recursos para a OMS”, explicou Finizola. A Pledgeling é especializada em criar e operar programas de doações lançados por empresas e ONGs.

A empresa, por sua vez, fez parceria com a Stripe, de soluções de pagamentos digitais. As doações são armazenadas na plataforma Corda da R3, o que torna possível validar o que foi pago.

Escritório em SP

A escolha pelo fundo da ONU se deve ao impacto que ele pode ter, trabalhando do monitoramento da escalada da pandemia ao tratamento e pesquisa, afirma Finizola.

A IntellectEU já tinha participado de outros dois projetos do tipo “blockchain for good” e agora avalia como usar a ideia do #SpreadLovenotCorona em outras campanhas.

A empresa tem escritórios em seis países e está conversando com parceiros para abrir escritório em São Paulo ainda neste ano.

Blockchain é usada no combate à violência contra as mulheres

A tecnologia blockchain pode ajudar no combate à violência contra as mulheres e no período pós-trauma de um ataque.

Uma das iniciativas nesse sentido é do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a fundação everis e do ecossistema LaCChain, que lançaram um desafio para encontrar projetos a serem apoiados. E na Índia, o aplicativo Smashboard torna menos traumática a denúncia de casos.

O desafio Blockchangel (Blockchain – Challenge – Angel) é aberto a pessoas, empresas e instituições da América Latina e Caribe e os projetos devem ser aplicáveis em toda a região.

O número de mulheres assassinadas por feminicídio na região nos últimos dois anos chegou a 8 mil, o dobro do que se vê em outras partes do mundo.

Punição e apoio

Esses projetos devem entregar soluções em quatro áreas: prevenção, como registro de comportamentos violentos; atuação, para maior facilidade de registro e autenticação online e legal; controle, para ajudar a identificar vítimas e o que pode ser feito para protegê-las; e restauração, de assistência às vítimas.

Os projetos escolhidos terão apoio econômico,  empresarial e tecnológico. As inscrições podem ser feitas até o próximo dia de junho pelo site da LaCChain.

O Smashboard usa blockchain para que as vítimas façam denúncias online, de forma privada e criptografada. Muitas vezes, diz a criadora do aplicativo, a jornalista Noopur Tiwari, muitas vezes, denunciar é arriscado para as mulheres. O aplicativo dá também apoio mental e legal para as mulheres.  

O anonimato permitido pela blockchain ajuda as mulheres a terem as primeiras conversas pós-ataque, o que pode ajudá-las a procurar um advogado, jornalista ou terapeuta, diz Noopur.

Blockchain aumenta em 40% ganhos de minas de ouro em países da Am. Latina e África

A The Neon Project, uma agência de transformação digital, está utilizando blockchain em projetos para ajudar mulheres e crianças imigrantes, acompanhando-as até sua integração, e para aumentar os ganhos de pequenas minas de ouro de países da América Latina e África, ao colocá-las no mercado formal e com menos intermediários. Esse aumento de ganhos é de cerca de 40%.

Entre seus clientes estão o Médico Sem Fronteiras e os projetos estão sendo aplicado em países como Espanha, Bélgica, Estados Unidos, México, Guatemala e Honduras, como reporta o Blockchain Economía.

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reciChain, da Basf no Brasil, é implantado no Canadá para reciclagem de plásticos

Um projeto em blockchain da Basf no Brasil será agora implantado na Basf do Canadá. O reciChain, plataforma em blockchain para reciclagem de resíduos que foi lançado aqui em 2019, será testado na província de British Columbia e se tudo der certo, será expandido para o resto do país.

No Canadá, o reciChain está focado em resíduos plásticos para tentar aumentar o reuso do material nas cadeias de produção.  A coleta e manuseio de plásticos para reciclagem são atividades feitas em boa parte manualmente e ainda pouca gente se dá conta da necessidade de reciclagem.

De acordo com um estudo da Deloitte, que é consultora da Basf no Canadá para esse projeto, os canadenses reciclam menos de 11% das 3,3 milhões de toneladas de plástico descartadas. O objetivo é criar uma economia circular com o reuso.

A plataforma utiliza blockchain com um digital badge (crachá digital) e a tecnologia loop count, que permitem o compartilhamento de informações entre os participantes da rede e melhoram o processo de reciclagem. Devem fazer parte da rede fabricantes, fornecedores, entidades governamentais, varejistas, catadores de lixo e recicladores.

Segundo a Basf, a plataforma permite tokenizar o plástico e por isso gera uma distribuição de valor agregado mais justo ao longo da cadeia para os participantes. Isso beneficia em especial as cooperativas de catadores, no caso do Brasil.

Outra vantagem da plataforma é a emissão de certificados de reciclagem mais seguros pelos recicladores. Isso pode ajudar a gerar mais confiança nos clientes das empresas sobre seus processos industriais. Segundo o presidente da Basf no Canadá, Marcelo Lu, rastreamento é um preocupação das empresas com suas marcas.

É fato que muitas empresas estão se dando conta de que garantir a sustentabilidade de seus negócios e provar isso por blockchain é uma das respostas à crescente pressão de consumidores e reguladores por formas mais sustentáveis de se produzir e descartar produtos.

Acoer cria base de dados do Coronavírus para profissionais de saúde e imprensa

 A Acoer, que desenvolve aplicações em blockchain, vai disponibilizar sua ferramenta de visualização de dados HashLog para que seus clientes das áreas de saúde e jornalistas possam acompanhar a expansão do Coronavírus. A plataforma vai consolidar dados divulgados por diferentes fontes.

A Coronavirus HashLog vai interagir em tempo real com a Hedera Hashgraph, uma rede pública descentralizada fundada e dirigida por um grupo de empresas, dentre elas a brasileira Magalu (Magazine Luiza), IBM, Boeing e a indiana Tata Communications.

Os dados que estarão na plataforma incluem os divulgados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, em inglês) e da Organização Mundial de Saúde (WHO).

Entre os dados disponíveis estão os casos confirmados, os de morte e cura e as tendências de ciclo da doença.

Os profissionais de saúde, pesquisadores e jornalistas podem pedir acesso à base de dados por meio do email pr@hedera.com.

Iberia lança projeto para empresas compensarem carbono de seus voos com blockchain

A companhia aérea Iberia está apresentado às empresas um projeto para que neutralizem carbono de suas viagens aéreas utilizando blockchain. O projeto será feito com a startup Climate Trade, que oferece uma plataforma nessa tecnologia para compensação de carbono, financiamento de projetos ambientais e investimentos sustentáveis.

O banco BBVA, a empresa de energia Endesa, a loja de departamentos El Corte Inglés e a construtora de navios Navantia serão os primeiros a fazer a compensação, segundo reportou o site espanhol Blocknews Economía, parceiro do Blocknews.

A compensação poderá ser feita apoiando um projeto de reflorestamento no Peru. Com o registro dos créditos em blockchain, evita-se a dupla contabilidade que alguns intermediários de venda de créditos criaram no mercado e fixam-se preços mais justos dos créditos. A Iberia quer ter emissão zero de carbono até 2050.

Dica do final de semana: Eu e o Universo, da Netflix

É para crianças e adolescentes. Então você pode assistir com seus filhos, sobrinhos, filhos dos amigos, sozinho ou sozinha mesmo, porque é divertido. A dica de hoje para o final de semana é a série Eu e o Universo, na Netflix.

A série foi produzida pelo cantor norte-americano de rap Pharrell Williams, mais conhecido como Pharrell, que canta a música Happy, aquela que você certamente já cantou e dançou.

A série é apresentada e protagonizada por adolescentes. Fala de temas diversos como mídias sociais, germes, oceanos, criatividade e… “Supere os pais”.

IBM e Farmer Connect lançam app para rastreamento de café

A IBM e a Farmer Connect, uma organização focada no uso de blockchain para rastreabilidade de produtos agrícolas de pequenos produtores, anunciaram que neste início de ano será lançado o aplicativo móvel “Thank my Farmer” para a indústria do café. A rastreabilidade é testada desde o final de 2019 com alguns participantes da cadeia produtiva.

Com o rastreamento e a facilidade do aplicativo, será possível registrar todo o percurso que o café faz desde o campo até a xícara do consumidor. O próprio consumidor poderá ver de onde vem seu café. A origem do produto é um ponto importante para muitos consumidores na hora de escolher o que vão beber, mas o rastreamento integrado não existe e para complicar, a cadeia do café é longa.

O aplicativo começará a funcionar nos Estados Unidos e Canadá com o café premium da marca 1850, e na Europa com a Beyers 1769, da Beyers Koffie. Depois deve se expandir em outros mercados.

Segundo uma pesquisa divulgada no anúncio do Thank my Farmer, dois terços dos consumidores de 19 a 24 anos preferem café cultivado de forma sustentável e com origem conhecida e responsável. O consumo global é de 500 bilhões de xícaras de café por ano.

O rastreamento do café usa a mesma tecnologia do IBM Food Trust, mas não está inserido nessa rede.