Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Moeda Seeds faz BlockFriday; valores das vendas irão para projetos sociais

Moeda Seeds, primeira fintech brasileira para impacto social e que utiliza blockchain no financiamento de pequenos negócios, está fazendo uma “BlockFriday” até o final deste mês de novembro, com descontos em alguns produtos e frete grátis.

Os valores das vendas desses produtos serão totalmente revertidos para projetos sociais. Entre os itens estão os cafés da 5’OCoffee, do Projeto Semente Café Sustentável (R$ 25 o pacote de 250 gramas). A receita das vendas irá para as cafeicultoras do projeto.

Outro item é a camiseta “Purpose Is The New Power” (R$ 49). A receita irá para o projeto Abraço Campeão, que une artes marciais e educação no Complexo do Alemão (RJ) há mais de 5 anos. E há também as máscaras sustentáveis VidaBR (R$ 9,99), feitas de tecido PET reciclado como algodão orgânico. O valor das vendas irá para a Aldeia Lago da Praia, no Pará.

Para ter o frete grátis, é preciso usar o BLOCKFRIDAY.

A Moeda Seeds foi co-fundada por Taynaah Reis, que há muitos anos se dedica a projetos que unem tecnologia e impacto social. Taynaah faz parte da comissão que discute blockchain na União Internacional de Telecomunicação (ITU, na sigla em inglês). Nesta semana, vai acompanhar “A Economia de Francisco”, evento de três dias em que os palestrantes são, principalmente, jovens empreendedores e economistas de até 35 anos. Haverá alguns palestrantes “sêniores”, como o economista Jeffrey Sachs.

O nome do evento, criado pelo Papa Francisco e que será online, remete a São Francisco e o objetivo é discutir uma economia mais justa, totalmente inclusiva e sustentável. Os painéis serão entre 19 e 21 de novembro e no último dia, sábado, às 19h, o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, será iluminado com as cores do evento: verde, marrom e amarelo.

É lançada a Oyx, criptomoeda de povos indígenas, para resolver problemas básicos nas comunidades

Foi lançada, ontem (11), a criptomoeda Oyx, pelos povos indígenas Surui Paiter e Cintas-Largas. O objetivo é arrecadar recursos para ações como garantia de renda mínima, resgate de suas culturas e outros projetos relacionados a necessidades básicas das tribos, que ficam em Mato Grosso e Rondônia e que somam 4 mil pessoas.

O idealizador da moeda é Elias Oyxabaten Surui, que trabalha no Distrito Sanitário da Saúde Indígena e ajuda a desenvolver projetos na região. “Na nossa aldeia, ninguém é assalariado. Todos têm condições precárias de vida. Pelo governo, a gente não tem direito a nada. Pelo contrário, limitam os nossos povos e a nossa produção. Durante a pandemia, sofremos muito”, afirma.

Com o token, busca-se dar autonomia para o povo suruí-cinta-larga para captação e gestão de seus recursos financeiros, diz o white-paper. E “é uma ideia minha de união. A intenção é trabalhar com os dois povos e mostrar serviço para auxiliar as duas comunidades”, diz Surui.

Foram criadas 100 milhões de Oyx, ao preço de R$ 10 cada, o que somará R$ 1 bilhão se todos forem vendidos. “O dinheiro vai ficando no caixa e sendo usado a partir do momento em que cada projeto tenha sido desenhado e aprovado. Queremos que seja uma arrecadação enorme, mas que seja gradativa, porque temos que resolver questões como saneamento e material para prevenção contra Covid-19. A ideia é resolver primeiro os problemas mais básicos”, disse ao Blocknews Adriana Siliprandi, advogada e administradora, especialista em blockchain e administradora da Oyxabaten, empresa criada para gerenciar o projeto.

Quem compra o token estará fazendo uma contribuição direta, sem intermediários, para a causa das comunidades, que além das ameaças com garimpo ilegal e desmatamento, são afetadas pela falta de apoio para atingirem condições mínimas de vida. Salário ou outro tipo de renda garantida não é algo comum nesses locais, onde a existência se dá muito em função da pesca, agricultura e artesanato.

Foi criada empresa para gerenciar o negócio. Foto: Anápuáka Muniz Tupinamba Anápuáka, Pixabay

O lançamento foi ontem, na Blockchain Connect, às 18 horas. Até 10h desta quinta-feira (12), 80 pessoas tinham se cadastrado para comprar as moedas. Após cadastro no site do projeto, é preciso baixar a carteira Metamask, que armazena tokens da Ethereum.

A Oyxabaten é uma MEI – que vai se tornar Eirele – no nome de Surui, com pessoas que cuidam da área administrativa, marketing e atendimento ao cliente. Surui faz a ponte entre a empresa e os índios e também cuida dos recursos. Segundo Adriana, toda a contabilidade será publicada mensalmente na exchange. A Tokefy é quem faz a tokenização. Adriana é co-fundadora da empresa, com Leandro Mazzetto, que também atua na Oyxabaten.

Num passo seguinte, depois de sanear necessidades básicas das comunidades, a ideia é começar a empreender, por exemplo, para usar o tokens para o pagamento de recursos dessas terras indígenas, dentro do que a legislação permite. Isso eliminaria a extração ilegal de recursos, acreditam os idealizadores do projeto. E protegeria os interesses da União, diz o white paper da Oyx.

A Oxy não se trata, portanto, de investimento financeiro. Está numa categoria de projetos com foco social, para a revitalização ou desenvolvimento econômico de comunidades vulneráveis. O fato de que em blockchain é possível registrar a doação e saber onde foi parar o dinheiro tem sido usado por várias ONGs no mundo para dar mais segurança aos doadores e incentivá-los a colocar recursos em seus projetos.

O projeto começou a se tornar realidade quando o empresário Augusto Marques, que conhecia Adriana e Surui, apresentou os dois. O empresário ajudou a financiar o plano de lançar a Oyx.

Os cintas-largas têm, há muito tempo, discutido com o governo federal sobre maneiras de evitar o garimpo ilegal ao leste de Rondônia . “Queremos tentar dar autonomia aos indígenas para usufruir de todos os recursos naturais em suas terras”, diz Surui.

Guap Friday vai incentivar uso de criptomoeda Guapcoin em comunidade negra

No mesmo dia da tradicional Black Friday, que neste ano acontece no dia 27 de novembro, lojistas da comunidade negra dos Estados Unidos poderão participar do Guap Friday, aceitando as criptomoedas Guapcoin ($GUAP), criadas em 2017.

A cripto foi criada para atender a essa comunidade e a manter o dinheiro dentro dela, com isso, a experiência será uma forma de fazer lojistas negros conhecerem a Guapcoin. Segundo a empresa, a Black Friday envolve, em geral, os grandes lojistas, enquanto o Small Business Saturday busca promover as vendas em comércios locais. Mas é raro um esforço voltado à comunidade negra, que foi uma das que mais tem sofrido com a pandemia do Covid-19.

A plataforma de análise TrustB, vai levantar os dado sobre as compras com a moeda, além de formas de mensurar o impacto da cripto.

Para participar do Guap Friday, os lojistas devem se cadastrar e os compradores devem adquirir moedas Guapcoin, que são vendidas na Probit.com Exchange. A cotação era de 0,00000123 às 0:04 de hoje (26). Os consumidores também poderão ganhar a cripto ajudando a divulgá-la. Uma bolsa peer-to-peer também lançará a moeda em novembro, com compra e venda sem intermediários.

Mercado Bitcoin cria carteira para doação a brigada que combate incêndio no Pantanal

O Mercado Bitcoin criou uma carteira pública para a campanha de financiamento coletivo da Brigada Alto Pantanal Haroldo Palo Jr. (https://brigadaaltopantanal.org.br/). A brigada combate o incêndio que atinge o Pantanal em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

O endereço da carteira pública é 37EKMMNStPx14sFszJZLUy69nAKfn1PvuH e quem tem conta em corretoras de criptomoedas pode doar por meio de transferência. Encerrando o período, o Mercado Bitcoin e a Brigada Alto Pantanal Haroldo Palo Jr. divulgarão o montante arrecadado a ser doado à campanha.  A carteira vai arrecadar bitcoins que serão convertidos em reais.

Em seu site, a brigada diz que suas campanhas de arrecadação têm a meta de “manter duas brigadas equipadas e treinadas por 12 meses e colaborar com custos veterinários dos animais silvestres”.

Doação rastreada

“Contribuir com uma causa tão importante fazendo uso da tecnologia blockchain, uma rede segura e pública aonde qualquer um pode acompanhar e auditar quanto está sendo arrecadado, em tempo real, está totalmente alinhado com o nosso propósito de democratizar o acesso a soluções inovadoras”, comenta Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin.

Até o início de setembro, mais de 2.842.000 hectares, ou 18,7% do bioma, foram incendiados.

Segundo Angelo Rabelo, diretor de Relações Institucionais do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) e coordenador deste projeto, a ideia de criar a brigada surgiu para apoiar o estado, uma vez que a contratação de brigadistas pelo IBAMA e ICMBio ocorre de forma sazonal, entre julho e dezembro, e não consegue ter homens  suficientes para atuar nas regiões mais remotas e menos habitadas do Pantanal.

Social Good lança app para consumidor receber cripto que não perde valor; isso inclui o Brasil

A japonesa The Social Good Foundation lançou um aplicativo de cashback de criptos, o SocialGood, para ajudar pessoas a acumular ativos fazendo compras. A plataforma foi lançada em 2019 e é a maior desse tipo em numero de usuários, com 90 mil pessoas.

O aplicativo também pode ser usado no Brasil em lojas como Americanas, Submarino, Shoptime e AliExpress, informou a SocialGood ao Blocknews.

Usando o aplicativo (em iOS) para fazer compras em lojas parceiras, o consumidor recebe o criptoativo SocialGood (SG). O grande diferencial em relação a projetos similares é que a fundação garante o valor do ativo no momento em que a pessoa o recebeu, caso a cotação caia, e compra de volta o o SG. Se subir, o consumidor tem uma carteira mais valiosa.

A plataforma foi lançada em março de 2019 por Soichiro Takaoka, que trabalhou no mercado financeiro e passou para o mundo das fintechs. O Social Good tem parceria com mais de 1.800 grandes varejistas, incluindo Amazon, eBay, Nike e Adidas e diz que opera em 161 países.

O aplicativo foi criado, segundo a fundação, para ajudar a resolver um desafio social e a reinventar o capitalismo, ao fazer com que ativos sejam ganhos por consumidores comuns ao e nao pelo acúmulo por meo de salários e ganhos com investimentos.

Chinesa Tencent usa blockchain para rastrear doações em campanha de filantropia

A Tencent, o maior portal de serviços de internet da China e que usa blockchain em diversas iniciativas, vai usar a tecnologia na “99 Giving Day”, sua maior campanha filantrópica anual. O objetivo é rastrear as doações e aumentar a transparência de seus programas de caridade.

Usar blockchain em programas de doação tem sido uma forma de organizadores dessas iniciativas assegurarem que os recursos serão usados conforme o prometido. Isso pode ajudar a atrair mais doadores e também garantir o uso correto e sem desvios dos recursos.

A campanha da Tencent dura 3 dias. E a empresa lançou também uma plataforma de suporte tecnológico para ajudar parceiros em ações sociais a aumentar suas capacidades digitais em seus projetos. A “Public Welfare SaaS Project” libera algumas das tecnologias usadas pela Tencent para parceiros externos por meio de cooperação de código aberto. O objetivo é digitalizar e mover os projetos para a nuvem. Segundo a empresa, 50 organizações aderiram ao projeto.

A Tencent vai colocar 299,99 milhoes de yuans (R$ 253 milhões ) como contrapartida de doações do público e 100 milhões de yuans (R$ 78 milhões) sem definir para onde devem ir. Vai ainda colocar 200 milhões de yuans (R$ 156 milhões) de seu fundo anti-pandemia em organizações que precisam de ajuda para se recuperarem da pandemia.

A China é um dos países que mais utilizam blockchain. O governo quer ser hub da solução e um ícone no uso de tecnologias da quarta revolução industrial.

Startup Mete a Colher, de apoio a mulheres vítimas de violência, ganha competição internacional

A startup “Mete a Colher”, que usa tecnologia para dar apoio a mulheres que sofrem violência doméstica, foi uma das dez escolhidas no programa de incubação da F-LANE, primeira aceleradora da Europa com foco em startups que usam tecnologia para empoderar as mulheres em todo o mundo. Houve 455 inscritas de 84 países. A F-Lane é do Instituto Vodafone.

O Mete a Colher foi lançado há três anos por Renata Albertim, no Recife (PE) e já ganhou prêmios e reconhecimento. A plataforma, chamada de Tina, é comprada por empresas que querem proteger suas funcionárias por meio de ajuda psicológica e social através de um chat em que a mulher atacada não precisa se identificar. Quando necessário, o caso é levado para a polícia ou redes de apoio às mulheres.

O programa começa no próximo dia 7 e dura 5 semanas e termina com o um Demo Day em 5 de novembro. Por conta da pandemia do Covid-19, será online. A mentoria é liderada pelo Yunus Social Business, fundo de investimento social e tem apoio do Impact Hub Berlin, focado em empreendedorismo social, a também alemã Social Entrepreneurship Academy and a WLOUNGE, ecossistema tecnológico.

Uma das outras 10 escolhidas é a Hive Online, uma plataforma distribuída de finanças para comunidades, que usa blockchain para criar um histórico sobre pequenos negócios. Essa base de dados facilita o acesso de mulheres de áreas rurais na África e terem acesso a crédito mais barato e a novos mercados. A empresa tem base na Suécia, Dinamarca e Ruanda.

RecycleGo e DeepDive vão desenvolver solução em blockchain para reciclagem

A RecycleGO, empresa de soluções tecnológicas para reciclagem, e o DeepDive Technology Group, empresas de soluções que incluem blockchain, anunciaram que estão desenvolvendo, juntas, um produto com foco no rastreamento de materiais para facilitar e incentivar a adoção da reciclagem.

O uso de blockchain na otimização da cadeia de suprimentos deve gerar economia de 15% a 20% na primeira fase de um projeto, segundo as empresas. Essa fase identifica todo o caminho que uma garrafa de plástico faz, da produção, à coleta, reciclagem e manufatura para se tornar outra garrafa. O projeto começa com plástico, mas deve ser estendido para outros produtos. A plataforma usada é a Hyperledger Fabric.

Além da redução de custos, essedisso, pode gerar ganho de imagem para as empresas, algo que hoje pesa na definição de muitos investidores sobre onde alocar seus recursos.

A parceria acontece num momento de pressão global de consumidores por negócios mais sustentáveis, o que inclui o descarte correto de plásticos e projetos de economia circular. É um movimento que tem apoio inclusive de grandes investidores e gestores de ativos, como a BlackRock, o maior deles, que dizem que vão colocar recursos em empresas sustentáveis.

De olho nessa pressão, muitas indústrias estão adotando metas ambientais, tanto de reciclagem, quanto de redução ou compensação de emissão de gases de efeito estufa, como a Unilever.

DeepDive Technology Group
DeepDive Technology Group

O potencial do mercado de reciclagem é enorme, já que a estimativa é de sejam produzidas 400 milhões de toneladas de plástico ao ano, número que vai dobrar até 2050 se nada for feito. Desse total, mais de 70% tem descarte incorreto, já que 40% vai para aterros sanitários e 32% ficam jogados no meio ambiente.

O grande obstáculo para o crescimento da reciclagem nas cadeias de suprimentos é a visibilidade de cada produto nesse processo, diz o CEO da RecycleGO. Além disso, os consumidores nem sempre reciclam. “Blockchain pode levar a uma mudança”, completou.

A Basf já adotou blockchain no rastreamento de plásticos em sua cadeia de suprimentos, num projeto de reciclagem que está sendo adotado em outros países do mundo.

A tecnologia vai dar uma prova irrefutável de bom comportamento ambiental da empresa para cada stakeholder na cadeia de suprimentos, disse o CEO da DeepDive, Misha Hanin.

Mercado Bitcoin abre carteira para doações à BlackRocks, de empreendedorismo da população negra

O Mercado Bitcoin criou uma carteira pública para doações em bitcoin para a BlackRocks, organização que busca criar um ecossistema tecnológico e o empreendedorismo com foco na população negra.

A BlackRocks tem programas de programa de aceleração e laboratório de inovação.

O endereço da carteira é bc1qt807r5exx4meg0tdtgzqmt58rz545na7c4ttwp. A ação é realizada pela Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) e as doações podem ser feitas até 8 de agosto por transferência de pessoas físicas ou jurídicas com conta em exchanges de criptomoedas. A campanha começou no dia 8 de julho.

Prazo de inscrição de startups de blockchain em programa da Unicef vai até dia 26

Ainda dá tempo de se inscrever no programa do Fundo de Inovação da Unicef de financiamento a empresas de soluções de software em blockchain. As inscrições devem ser feitas até o próximo domingo (26).  

O fundo vai dar até U$ 100 mil (cerca de R$ 500 mil) e mentoria para projetos em estágio inicial (seed) que tenham impacto positivo na vida das pessoas.

“Estamos interessados em empresas que usem a tecnologia de registro distribuído de forma inovadora, que sejam escaláveis e globalmente aplicáveis”, diz a Unicef.

As áreas de interesse são várias. A Unicef exemplica que em finanças, há interesse por projetos que ajudem as pessoas a usarem, ganharem e terem criptomoedas em suas carteiras, a permitir que tenham acesso a instrumentos financeiros descentralizados, e que permitam às comunidades terem seus próprios hubs econômicos.

Em conectividade, busca-se projetos que permitam a grupos trabalharem juntos de forma transparente, como cadeias de suprimento, e permitir o fechamento de contratos em marketplaces descentralizados.

Na ára de empoderamento, a ideia é promover novas formas de tomadas de decisões, como as DAOs, que são organizações autônomas descentralizadas, e projetos de proteção de dados

Detalhes da inscrição estão em https://www.unicef.org/innovation/applyBlockchainCrypto