Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Chegou agora a blockchain? Então corra para entender o uso da tecnologia

Para quem está chegando agora ao mundo da tecnologia blockchain, o ideal é fazer uma pesquisa do que aconteceu nos últimos anos para ver o que funcionou e ganhar tempo. “A gente tem uma janela de tempo se estreitando com a pandemia”, disse Liliane Tie, consultora e community builder da Women in Blockchain Brasil, em evento da Rede Brasileira de APL’s de TI.

Com as demandas online criadas pela pandemia, espera-se uma aceleração em projetos digitais. E quem sabe isso pode chegar até ao processo de reembolso de consultas médicas, que levam tempo com as checagem de dados. Nayam Hanashiro, diretor de Alianças na América Latina da R3, afirmou que esse é um dos casos em que a confiança de blockchain pode ser usada.

O vídeo do webinar está em https://www.youtube.com/watch?v=W7CfiS_YAGA&feature=youtu.be

Inscrições abertas do painel “Tokenização e Certificação” do simpósio de blokchain em energia

Estão abertas as inscrições para o painel “Tokenização e Certificação” do 1º Simpósio – O Potencial da Blockchain no Setor Energético. O evento será dia 7 (terça-feira), das 14h00 às 15h30, online e gratuito. O link para inscrição é https://www.sympla.com.br/1o-simposio-o-potencial-da-blockchain-no-setor-energetico__896029

Participarão das discussões Fernando Giachini, diretor do Instituto Totum, Heloísa Ceni, da CoinFabrik, Rocelo Lopes, CEO da Stratum, e Rodrigo Csizmar, co-fundador e diretor geral da Spynns Swiss.

Durante o painel, a Stratum sorteará 2 pulseiras de pagamento por aproximação e o equivalente a R$ 30 em seu token Stratumblue, para que usuários experimentem como é possível utilizar a tokenização.

101 Blockchains realiza webinar internacional com mulheres que trabalham com a tecnologia

As mulheres estão buscando conquistar espaço no mundo da tecnologia e isso acontece também numa área tão nova quanto blockchain. E para contar o que e como elas estão operando nesse segmento, a 101 Blockchains, plataforma global de cursos e eventos, vai realizar nesta quarta-feira (20) um webinar com nomes importantes da blockchain internacional. Os temas vão de tática operacionais e estratégias a riscos a serem evitados e boas práticas para fazer com que seus negócios sejam sustentáveis.

O evento inclui a participação Alisa DiCaprio, Head de Comércio e Cadeia de Suprimentos da R3, Laura De Giovanni, CEO da Tiiqu, de identidade digital Mary Hall, Diretora de Marketing de Produtos Blockchain da Oracle, Leanne Kemp, CEO da Everledger, Krystal Webber, Líder Global de Design e Estratégia da IBM Blockchain Services e Montse Guardia Guell, Diretora Geral da Alastria Blockchain Ecosystem, rede que reúne empresas que usam ou fornecem a tecnologia.

As inscrições podem ser feitas pelo link https://bit.ly/2Xeer75.

A 101 Blockchains vai enviar o vídeo do webinar para quem se registrar, mesmo que não tenha assistido o evento.

Blockchain dá segurança ao investidor de títulos, diz Lombardi, da Piemonte

A tecnologia blockchain poderia ser aplicada para a emissão de títulos para o varejo, mas essa mudança deve acontecer de forma gradual, “do contrário, vai quebrar a perna de muita gente. Em blockchain se faz tudo online de forma transparente para títulos e investidores. No futuro, os serviços dos bancos vão ter de mudar.”

É o que disse ao Blocknews Alessandro Lombardi, CEO da Piemonte, gestora de recursos que fez a primeira emissão de debêntures em blockchain do Brasil, em dezembro passado.

Lombardi, italiano que vive no Rio de Janeiro, é formado em ciências contábeis. “Por ser uma pessoa que vive no débito-crédito da contabilidade, vi que blockchain é uma contabilidade de operações que é quase uma luz que se acende quando você a descobre”.

Decidiu investir numa plataforma blockchain quando viu a operação de 110 milhões de dólares australianos (cerca de US$ 60 milhões) em títulos emitidos pelo Banco Mundial nessa tecnologia. “Me convenci de que a blockchain é muito boa para o mercado de dívidas.” Então resolveu que tentaria se diferenciar no mercado, se antecipando ao que vê como uma tendência.

A Piemonte usou a plataforma Ethereum, usando o padrão ERC-20, e soluções da norte-americana Horizon Globex para compliance, custódia e negociação. Segundo ele, criar contratos inteligentes (smart contracts) na rede blockchain, com todos os dados dos títulos, envolvidos na operação e regras é a parte mais fácil. Foram criados tokens para a emissão de R$ 66 milhões em 440 títulos de R$ 150 mil, foi a parte mais fácil. Os títulos tiveram o valor de face ajustado alinhado ao câmbio do dólar/real. 

A questão mais difícil em investimentos em blockchain é associar a propriedade de cada token aos investidores que compraram. “Mas isso é possível e deixa o investidor com mais garantias de que o que é seu, ninguém pega e não se perde.”

O gestor diz que depois do lançamento foi procurado por muita gente, de investidores a bancos, que buscaram entender como funcionou a operação. A emissão foi privada para 5 investidores, sem esforço, portanto, de colocação no mercado.

Garantia de propriedade

No sistema da Piemonte, o investidor é cadastrado com seus dados numa carteira. A rede – neste caso de 5 investidores – vê que há carteiras, mas não sabe o que cada um tem. “O investidor tem acesso ao que é dele. Não tem como pensar em um título de investimento sem algo assim. O investidor tem que saber que ele é o dono dela e que só ele pode mexer”.

Na operação, a gestora acabou criando um mercado secundário, que pode ser mais ágil em checagem de dados e transferências de títulos.

Isso também facilita que reguladores tenham acesso aos dados, se necessário. E resolve a questão de cadastros mal feitos. Há diversas investigações de corretoras na CVM (Comissão de valores Mobiliários) por falta de informações completas do investidor, diz Lombardi, e isso o smart contract pode resolver.

Pela blockchain, é possível checar dados dos investidores e emissores, como balanços, com agilidade e maior segurança. Os dados ficam gravados na rede. Corta-se o trabalho do analista do mundo real, por exemplo.

Mesmo com tanta tecnologia, a escritura pública ainda precisa ser feita no mundo offline. No Brasil, a regulamentação ainda abre espaço para emissões públicas de títulos em blockchain, que poderiam cortar ou simplificar diversas etapas do processo.

“Emissão de debêntures públicas no mundo offline, só gigantes podem fazer por conta dos custos”, completa Lombardi. Com blockchain, isso pode mudar.