Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Grupo de inovação da ONU lança guia prático para uso de blockchain

A UN Innovation Network (UNIN), uma comunidade de profissionais ligados a inovação na Organização das Nações Unidas (ONU) lançou um guia para o uso de blockchain na instituição. A ideia é ajudar as agências do sistema ONU a definir se, e em que casos, podem usar a tecnologia.

É um guia básico e bem prático em certos aspectos que pode ser usado por outras instituições como forma inicial de entender e avaliar o uso de blockchain. Explica o que é a tecnologia, seus diferenciais, tipos e possíveis usos.

O guia pode ser acessado em https://bit.ly/3dZwkNI

BCE inclui impactos do Covid-19 no uso do dinheiro em estudo sobre euro digital

Os impactos da pandemia do Covid-19 na rotina dos cidadãos, inclusive na questão do uso do dinheiro e dos sistemas de pagamentos, estão sendo considerados pelo Banco Central Europeu (BCE) em sua análise sobre um euro digital.

Em artigo publicado hoje no site do banco, Fabio Panetta, membro do conselho executivo do banco, afirma que a força-tarefa do banco que estuda a moeda digital considera os pros e contras e afirma que poderia ser usada por intermediários ou por cidadão através de aparelhos eletrônicos como smartphones e tablets para necessidades diárias, disse o autor Fábio Panetta.

“No entanto, nossa análise de oportunidades e desafios de moedas digitais de bancos centrais, que vão considerar a experiência da crise do Covid-19, não devem desencorajar ou criar um acúmulo de iniciativas com o objetivo de lançar meios privados de pagamento eletrônico com características similares em termos de uso”, disse Panetta.

China lança versão comercial e internacional de sua rede BSN

A China lançou, no último sábado (25), a versão comercial e internacional da Rede de Serviços baseada em Blockchain (BSN, na sigla em inglês), depois de seis meses de teste beta.

A BSN é uma rede de infraestrutura pública. O lançador do projeto foi o State Information Center (SIC), centro de estudos e de formulação de políticas do governo chinês, que teve a colaboração de empresas como a China Mobile, maior telecom estatal do país, a China UnionPay, rede de cartões de pagamento, e trader de criptomoedas Huobi China.  

Segundo Shan Zhiguang, presidente da BSN Development Alliance, 76 nós de cidades chinesas se conectaram à rede e há 44 em construção, o que cobre praticamente todas as cidades maiores do país. Também foram implantados 8 nós fora da China na Ásia, Europa, Américas do Norte e Sul, África e Oceania. A expectativa é que os nós cheguem a 200 até o final deste ano.

Mais de 2 mil desenvolvedores individuais e corporativos experimentaram o BSN, segundo o site Huoxing24.com.

Governo federal abre licitação para comprar rede blockchain

O governo abriu licitação para contratar fornecedor de solução para criação e governança de rede compartilhada em tecnologia blockchain.

A rede deve possibilitar “o desenvolvimento de ecossistemas que tragam controle, transparência, confiabilidade e auditabilidade de processos e envolvam demais órgãos da administração pública, conforme condições, quantidades e exigências do edital”.

Segundo publicação hoje, no Diário Oficial da União (DOU), a abertura dos envelopes será daqui a duas semanas, em 8 de maio. As propostas devem ser entregues no site www.comprasnet.gov.br.

Medo de Covid-19 no dinheiro pode incentivar lançamento de moeda digital de banco central

A pandemia do coronavírus levou a um aumento sem precedentes de buscas no Google sobre contaminação por meio de notas bancárias e moedas. E esse tipo de preocupação pode levar a um forte crescimento do interesse por moedas digitais de bancos centrais (CBDC, na sigla em inglês).

A afirmação é do Bank for International Settlements (BIS, o banco central dos bancos centrais), no relatório “Covid-19, cash, and the future of payments”.  

Segundo o BIS, esse movimento realçaria o valor de se ter diversos tipos de pagamentos e a necessidade de que qualquer que seja o modelo adotado, que seja resiliente contra uma longa lista de ameaças.

“Infraestruturas de pagamentos resilientes e acessíveis operadas por bancos centrais poderiam rapidamente se tornar mais proeminentes, incluindo as moedas de varejo de banco central (as CBDCs). Essas infraestruturas teriam de suportar um número grande de choques, incluindo pandemias e ataques cibernéticos”, afirma o banco.

Abismo

O risco de contaminação por cédulas ou moedas é muito baixo comparado a outras possibilidades, segundo o BIS. Mas, se o dinheiro vivo começa a ser negado como forma de pagamento por causa do coronavírus, isso pode criar um abismo entre os que não têm e os que não têm acesso a pagamentos digitais.

Isso vai ser um problema em especial em países emergentes, onde o número de pessoas não bancarizadas é alto, e dentro do grupo de pessoas com mais idade e pouco ou nada acostumadas ao mundo digital.

Banco da França lança programa para testar moeda digital

O Banco da França lançou um programa de experimentos para testar a integração de uma possível moeda central digital (CBDC, na sigla em inglês) a processos de trocas e liquidações de ativos financeiros tokenizados entre intermediários do setor. O banco não especifica quais tecnologias devem ser usadas, mas diz que devem ser inovadoras.

A instituição informou que isso faz parte de um processo para rever e adequar as condições em que fornece dinheiro do banco aos intermediários, uma vez que novas tecnologias nos serviços de pagamentos e de infraestrutura do mercado abrem diversas oportunidades. Além disso, atores privados já estão oferecendo alternativas. O banco quer evitar uma fragmentação excessiva das liquidações.

Os testes não serão feitos num prazo longo e em larga escala. Mas, como as discussões de criação de CBDC na União Europeia acontecem na sede em Bruxelas e em vários países, os experimentos isolados de economias do bloco devem fazer parte da decisão de se adotar esse ativo.

As inscrições para participar desse processo devem ser feitas de pessoas e empresas baseadas na União Europeia ou na zona econômica europeia. Os projetos a serem testados devem ser de pagamentos com tokens.

O objetivo é mostrar como uma CBCD baseada em diferentes tecnologias pode ser usada em casos convencionais, segundo o banco. A instituição também quer identificar os benefícios de se ter uma CBDC no sistema atual e como isso pode gerar mais inovação, além de fazer uma análise dos possíveis efeitos de uma CBDC na estabilidade financeira, na política monetária e no ambiente regulatório.

As inscrições vão até 15 de maio e os vencedores serão anunciados em julho.

Digital Dollar Foundation cria grupo para discussão de moeda digital dos EUA

A Digital Dollar Foundation criou um grupo de consultores para seu projeto de discutir e potencialmente oferecer ao governo dos Estados Unidos um plano de criação de um dólar digital do banco central (CBDC). A fundação foi criada no início do ano pela Accenture e por Christopher Giancarlo e Daniel Gorfine (ambos ex-CFTC, a Comissão de Negociação de Contratos Futuros de Commodities ).

A decisão foi anunciada dois dias após os democratas apresentarem um projeto de lei que cria um dólar e uma carteira digitais para quem receberá apoio financeiro do governo. Esse apoio seria para enfrentar a crise econômica causada pela pandemia do coronavírus.

O grupo criado agora inclui 22 nomes de peso, como Tim Morrison, que foi consultor do presidente Donald Trump, Sheila Warren, do grupo de blockchain do World Economic Forum, e Sigal, Mandelkar, ex-sub-secretário (equivalente a vice-ministro) do Tesouro para o Terrorismo e Inteligência

Democratas propõem dólar digital para EUA enfrentarem Covid-19; recebem aplausos e críticas

Os democratas publicaram ontem, 23, um projeto de lei que tenta estimular a economia contra o baque causado pelo coronavírus e que inclui o uso de dólar e carteira digital por todos os bancos membros do Federal Reserve (FED).

Bancos que não são parte da instituição poderão pedir para participar do sistema, de acordo com a proposta.

O dólar digital, segundo o “Financial protections and assistance for America’s consumers, States, businesses, and vulnerable populations during the COVID-19 emergency and to recover from the emergency Act”, proposto na Câmara dos Deputados, é uma unidade eletrônica de valor a ser resgatada por instituições financeiras. A carteira ou conta de dólar digital seria mantida por um banco de FED em nome de qualquer pessoa e vai conter dólar digital”.

Todos os bancos do, e regulados pelo, FED deverão estabelecer a chamada “carteira de passagem” de dólar digital para todos os clientes elegíveis do novo sistema.

Pela proposta de lei, os Correios dos Estados Unidos (U.S. Postal Service) poderão permitir que pessoas desbancarizadas e sem uma identidade válida possam ter uma identidade e uma conta de dólar digital. Também poderiam colocar caixas eletrônicos para os clientes acessarem suas carteiras.  

Otimistas x Críticos

As reações à proposta foram diversas. Houve as animadas, dos entusiastas das moedas digitais de bancos centrais (CBDC), que veem a medida como um passo a mais na direção de uma CBDC pelos EUA, a maior economia do mundo.

Mas há quem veja na medida riscos, mesmo de quem defende a ideia de uma CBDC. Críticos fazem uma análise do risco x agilidade para se colocar a infraestrutura em pé.

Isso porque a proposta é criar uma infraestrutura funcionando num prazo curto, sem tempo suficiente para testes de garantia de eficiência.

Em entrevista à Forbes, Daniel Gorfine, ex-CIO da Comissão de Negociação de Contratos Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês) e fundador do Digital Dollar Project, disse que a crise gera a necessidade de se melhorar a infraestrutura do sistema financeiro americano, mas que implementar uma CBDC requer tempo e coordenação entre o governo e o setor privado.

Fora as críticas de que agora é a hora de se disponibilizar recursos para a população e os negócios que precisam, e não de gastar com essa nova infraestrutura.

China cria centro para incentivar uso de blockchain; Alibaba vai participar

A China, que tem como meta ser líder global em ciência e tecnologia, inaugurou o Yunnan Blockchain Center, nesta semana, para promover o uso da tecnologia em diversas iniciativas.

Empresas como Alibaba Technology, Hangzhou Quchain Technology e Uni-Ledger (Blockchain as a Service) estão entre as 24 empresas nacionais e estrangeiras que participam do projeto.

Segundo a Xinhua, agência de notícias chinesa, blockchain será usada para rastreamento de alimentos verdes da província de Yunnan e na rastreabilidade de produtos vendidos no comércio eletrônico internacional.

Outras aplicações incluem, por exemplo, o compartilhamento de registros médicos, uso em cadeia de suprimentos e compartilhamento de informações sobre depósitos judiciais.

Mais um hub tecnológico

A inauguração aconteceu no último domingo e no mesmo dia foi lançado o “Peacock Code”, da província de Yunnan, que vai rastrear e compartilhar dados de produtos para da região para evitar falsificações

A iniciativa, além de promover o uso de uma das tecnologias mais novas do mundo, ajuda a criar um novo centro tecnológico no país. O centro fica no Parque Industrial de Ciência e Tecnologia Kunming Wuhua. Kuming é a capital da Yunnan, que por sua vez é um das províncias menos desenvolvidas e uma das mais remotas da China.

Nesse movimento de deixar de ser o país da cópia e ser líder em tecnologia e ciência, 3 cidades chinesas já estão entre as 10, fora do Silicon Valley/São Francisco, que vão liderar a tecnologia nos próximos 4 anos. São elas Xangai, Beijing e Hong Kong, segundo um levantamento da KPMG.

Banco central da Inglaterra estuda uso de moeda digital

O Banco da Inglaterra (BoE) abriu uma consulta pública que é o primeiro de uma série de passos na discussão sobre se deve adotar uma moeda digital (Central Bank Digital Currency, CBDC, na sigla em inglês).  No documento que trata do assunto, o BoE se mostra bastante aberto a discutir e a achar soluções para adotar a moeda.

“Está na hora de olhar mais à frente e considerar que tipo de dinheiro e pagamentos serão necessários para atender as demandas de uma economia crescentemente digital”, diz o documento “Central Bank Digital Currency – Opportunities, challenges and design”.

“Como emissor do formato de dinheiro mais seguro e mais confiável, devemos inovar para oferecer aos cidadãos dinheiro eletrônico – ou CBDC – como um complemente das cédulas físicas?”

No modelo apresentado pelo BoE, o banco forneceria uma infraestrutura tecnológica que existiria junto com o RTGS, o sistema de liquidação pelos valores brutos em tempo real, e providenciaria o mínimo de funcionalidades necessárias para pagamentos na moeda digital.

O BoE afirma que a CBDC é sempre pensada como equivalente à cédula de dinheiro, mas poderá ter outras funcionalidades, dependendo do que for decidido. Se usada no Reino Unido, será denominada em libras esterlinas e na mesma proporção da nota atual – 1 libra será igual a 1 CBDC. Além disso, co-existiria com dinheiro e depósitos bancários.

Segundo o banco, a CBDC trará oportunidades, como ajudar a se ter um cenário de pagamentos mais resiliente. Também permitirá pagamentos mais seguros do que moedas privadas, como as stablecoins, por exemplo.

Mas há também riscos, como a transferência de recursos de bancos comerciais para CBDC, afetando seus balanços, os recursos disponíveis para empréstimos e a política monetária. “Mas, a CBDC pode ser desenhada de forma a ajudar a mitigar esses riscos”, disse o BoE.

Dentre as questões que o BoE coloca, estão a de como a CBDC pode ser implantada para aumentar a eficiência a velocidade dos pagamentos e facilitar a competição e a inovação.

Outra das perguntas é até onde a CBDC levaria à desintermediação de operações pelo sistema bancário e como os diferentes graus disso afetariam a estabilidade dos bancos e do restante do sistema financeiro?

Outra das questões é como a CBC deveria ser feita para que os pagamentos na moeda sejam aceitas nos pontos de vendas.

A consulta vai até 12 de junho próximo.

De acordo com um relatório do Bank of International Settlements (BIS), há 17 projetos ou relatórios publicados até fevereiro passado sobre moedas digitais de bancos centrais – excluídas CBDCs do atacado e projetos de pagamentos internacionais.