Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Austrália, um dos líderes em pedidos de patentes em blockchain, lança guia

O governo da Austrália, um dos países que mais se destacam no uso de blockchain e que está em 6º lugar no ranking global de pedidos de patentes relacionadas a essa tecnologia, divulgou um guia para o desenvolvimento do uso da solução.

O “The National Blockchain Roadmap: Progressing towards a blockchain-empowered future” estabelece metas para o período de 2020 a 2025 e foi feito em conjunto pelo governo, empresas e universidades, num trabalho iniciado em 2019.

O governo da Australia tem financiado projetos tanto estatais quanto privados em blockchain, de olho na estimativa de que a tecnologia gere um valor anual de negócios de mais de US$ 175 bilhões até 2025, o que pode ultrapassar US$ 3 trilhões até 2030.

Dentre as 12 medidas estabelecidas no guia, estão a de o governo criar um modelo de cooperação com o setor privado e as universidades, criar um grupo de usuários de blockchain dentro do governo para troca de experiências, estudar casos de uso por outros governos e permitir que indústrias e universidades desenvolvam frameworks comuns e cursos de qualificação em blockchain.  

Recentemente, o Blocknews noticiou sobre a startup brasileira Fohat , que está desenvolvendo um projeto em blockchain em energia solar para o mercado municipal de Melbourne, com transações peer-to-peer (P2P), uma vez que lá o mercado é livre para consumidores também.

Outros países estão se movendo para desenvolverem o uso de blockchain. Recentemente, o Instituto Nacional para a Transformação da Índia (NITI Aayog), um think tank do governo que desenvolve políticas de desenvolvimento, divulgou a primeira parte de um estudo para que se estabeleça uma estratégia de uso de blockchain pelo país, como também mostrou reportagem do Blocknews em http://bit.ly/31FequM.

NITI Aayog chama a estratégia de Blockchain: The India Strategy –Towards Enabling Ease of Business, Ease of Living and Ease of Governance. A Uniao Europeia tem o European Blockchain Observatory and Forum.

A versão completa do guia australiano está em http://bit.ly/31LyXOn e a versão resumida, com as ações do período 2020-2025, está em http://bit.ly/37hWeIW.

FMI avalia que moeda digital do Caribe pode ajudar a reduzir pobreza na região

O Fundo Monetário Internacional (FMI) avalia que a moeda digital em teste pelo Banco Central do Caribe Oriental (BCCO) pode ajudar a reduzir a pobreza da região, diminuir  o uso excessivo de dinheiro em papel e moeda e de cheques, além de aumentar a eficiência do sistema de pagamentos do comércio. Porém, o piloto da moeda digital deve ser mantido com cuidado.

O piloto da chamada DXCD, foi lançado há um ano. O projeto é feito com a Bitt, uma fintech de Barbados que usa blockchain e a tecnologia distribuída de livro razão (DLT) em sistemas de pagamentos de transações peer-to-peer (P2P).  O banco central do Caribe é uma das instituições da União Monetária do Caribe Oriental, que reúne oito ilhas da região que usam o Dólar do Caribe Oriental. Os países são AnguillaAntígua and BarbudaDominicaGranadaMontserratSão Cristóvão e NévisSanta LúciaSão Vicente e Granadinas.

O projeto piloto prevê que a moeda será distribuída por bancos licenciados e instituição financeiras não-bancárias da união monetária. O uso da moeda será restrito a transações P2P entre consumidores e o comércio utilizando-se todos os tipos de equipamentos, inclusive celulares.

Além de ajudar a manter a estabilidade financeira na região, o objetivo do projeto é parte de um plano estratégico para cortar em 50% o uso de dinheiro até 2021 na região.

De acordo com o documento do FMI elaborado após uma missão de avaliação do BCCO, o projeto inclui salvaguardas importantes e não há transações cambiais incluídas. Mas há riscos para o sistema financeiro da região relacionados a intermediação financeira e segurança cibernética.

Instituto da Índia recomenda estratégia para implantação de blockchain no país

O Instituto Nacional para a Transformação da Índia (NITI Aayog), um think tank do governo que desenvolve políticas de desenvolvimento, divulgou a primeira parte de um estudo para que se estabeleça uma estratégia de uso de blockchain pelo país. O NITI Aayog chama a estratégia de Blockchain: The India Strategy –Towards Enabling Ease of Business, Ease of Living and Ease of Governance.

Essa primeira parte é focada na aplicação da tecnologia para problemas de negócios e de governança, como registro de imóveis e vacinação, dois dos pilotos feitos pelo instituto. A segunda parte será divulgada em algumas semanas  e trará recomendações de implantação de um sistema blockchain.

Dentre as recomendações estão a de se criar a IndiaChain, uma infraestrutura national para soluções blockchain, transformar o país num hub de pesquisa e desenvolvimento e treinar profissionais para atuarem nessa área.   

O documento é resultado de dois anos de estudos, consultas e de análises de pilotos desenvolvidos pelo instituto. O relatório deve ser “uma leitura prévia essencial para se implementar um sistema blockchain na Índia e para ajudar a guiar um pensamento mais amplo sobre a área”, diz o NITI Aayog.



WEF lança guia para bancos centrais que avaliam lançar moedas digitais

Um dos temas mais discutidos no mundo da blockchain é o lançamento de moedas digitais pelos bancos centrais (CBDC, na sigla em inglês). Assunto controverso, dado o impacto sabido e não sabido que isso pode ter nas economias. “As CBDCs têm potencial para serem uma ferramenta para atingir objetivos como maior segurança e resiliência nos sistemas de pagamentos, maior eficiência, acesso e competitividade dos sistemas de pagamentos, melhor transmissão de dados e reportes aos bancos centrais e inclusão financeira, diz o World Economic Forum num documento lançado ontem, o CBDC Policy‑Maker Toolkit.

Segundo o WEF, apesar dos benefícios, há riscos e eles precisam ser avaliados pelos países. Por isso, o estudo avalia quais estratégias os bancos centrais devem tomar para uma saída eficiente. O documento avalia CBDCs para varejo, atacado, transações entre países e alternativas em dinheiro privado, como CBDCs híbridas.

Blockchain pode gerar US$ 3 bi em economias aos EAU

Os Emirados Árabes Unidos (EAU) poderiam economizar mais de US$ 3 bilhões se implantarem a tecnologia blockchain em diversas iniciativas, segundo um estudo do Centre for the Fourth Industrial Revolution UAE, (C4IR UAE), a Dubai Future Foundation e o World Economic Forum (WEF).

O estudo “Inclusive Deployment of Blockchain: Case Studies and Learnings from the United Arab Emirates” afirma que os EAU também poderiam eliminar 398 milhões de documentos impressos e 77 milhões de horas de trabalho por ano com blockchain em processos rotineiros. Atualmente, 80% das entidades públicas e privadas usam a tecnologia.

De acordo com o estudo, para 80% das instituições governamentais, o mais importante foi identificar logo no início onde utilizar as soluções blockchain. Já o maior desafio foi educação sobre o assunto e alinhamento dos membros da rede. Para as grandes corporações, os fatores de sucesso principais foram a definição do escopo do projetos e a identificação de papéis e responsabilidades dos membros da rede. Mas a maior preocupação foi com a incerteza regulatória.

União Europeia terá identidade e carteira digitais em 2020

A União Europeia (UE) deve implantar, neste ano, a identidade e a carteira digitais no bloco. Isso será feito por meio da European Blockchain Services Infrastructure (EBS), criada pelos países da região como parte das iniciativas para que a UE consiga liderar o desenvolvimento das novas tecnologias. Ambas serão interoperáveis em todo o bloco e o setor privado também poderá usá-las.

“Os emissores das identidades continuarão os mesmos e cada cidadão incluirá todos os seus dados (como identidade, diplomas, informações médicas e da carteira de motorista) numa carteira digital, mas só passará as informações que peçam a ele”, disse Jesús Ruiz, assessor técnico da EBSI ao Blockchain Economía, veículo parceiro do Blocknews.

Serviços de troca de dados privados, como identificação de imposto entre autoridades fiscais e aduaneira também entrarão em operação. A entrevista completa com Ruiz está em https://www.blockchaineconomia.es/europa-identidad-digital-soberana-blockchain/

Governos testam de moedas digitais a registro de bebês

As discussões sobre como tornar os governos mais eficientes são comuns em todo canto do mundo. Agora, a blockchain também faz parte dessas conversas. Em diversos países está se buscando confirmar se, e como, a tecnologia pode ser usada para resolver entregas soluções como maior otimização de processos, redução de custos e melhoria da segurança cibernética. Há diversos projetos em curso em áreas tão diversas quanto a de saúde, registro de propriedades, moedas digitais, identidade digital e cobrança de impostos.

No Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) há iniciativas com blockchain. O Banco Central anunciou que pretende aprimorar o sistema de pagamentos usando a tecnologia. Já se falou em outras iniciativas, incluindo a de combate à sonegação de impostos e criação da identidade digital.

A Consensys, desenvolvedora de aplicações em blockchain para empresas, listou projetos em 43 países, além da União Europeia. Vão de um teste feito em Illinois para registro de nascimento de bebês, a um projeto de identidade digital na Argentina e o sandbox do banco central da Lituânia para desenvolvimento de produtos e serviços usando blockchain.

A lista de iniciativas desses países pode ser encontrada em http://bit.ly/36tkhF5

Congresso global discutirá o uso da tecnologia blockchain

Começou hoje (11), e vai até a próxima quarta-feira (13) o Convergence – The Global Blockchain Congress, em Málaga (Espanha). O evento vai reunir representantes da comunidade blockchain do mundo todo, incluindo reguladores, decisores de políticas , fornecedores de tecnologia, usuários, ONGs e pesquisadores. Serão cerca de 1,3 mil participantes no que os organizadores esperam que se torne o maior evento global do segmento.

Regulação, padronização, moedas digitais de bancos centrais e uso de criptoativos em projetos sociais são alguns dos temas que serão discutidos.

O Congresso é patrocinado pela Comunidade Européia, que tem um órgão inteiramente dedicado ao assunto – o EU Blockchain Observatory and Forum -, pela Inatba (International Association for Trusted Blockchain Association) e Alastria, instituição espanhola que reúne a comunidade blockchain da Espanha.

Nesta segunda-feira, haverá um desafio entre equipes que terão de apresentar uma solução em blockchain. Cada equipe fará uma solução para um dos 17 Objetivos do Desenvolvimento da ONU. Elas terão 10 horas para isso. Serão equipes multidisciplinares.

Na quarta-feira, um dos painéis discutirá a digitalização e interoperabilidade nos países da América Latina. A diretora de conteúdo da Blocknews, Claudia Mancini, será a mediadora do debate.