Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Lift Lab anuncia 25 escolhidos para o programa de inovação deste ano

A Fenasbac, federação dos funcionários do Banco Central, e o Banco Central, anunciaram os escolhidos para o LIFT Lab 2020, programa de inovação com empresas e startups que desenvolvem soluções para o sistema financeiro. Esta é a terceira edição do programa.

São 25 escolhidos, que terão mentoria de empresas como R3 e Multiledgers, ambas com foco em blockchain, Microsoft, Cielo, IBM, AWS, Microsoft, Celer. A lista da empresas está em https://bit.ly/3gC3hC4.

Fale mal (Goldman Sachs), mas fale de mim (Bitcoin)

A expectativa era de uma história de amor com final feliz, mas foi a briga da semana no mundo cripto. Quando o Goldman Sachs, um dos maiores bancos do mundo, chamou um call com investidores para falar da economia dos Estados Unidos (EUA) e suas implicações em inflação, ouro e bitcoin, muita gente acreditou que sairia dali uma recomendação de compra da moeda digital. Que nada. Foi um desfile de críticas à criação do incógnito Satoshi Nakamoto.

Na sequência, houve outro desfile de críticas do mundo cripto ao banco em sites e redes sociais, incluindo acusações de que a recomendação foi feita porque bitcoin não está no portfolio do banco, portanto o GS não ganha com sua negociação, de que o banco não sabe fazer análise e de que o GS não tem moral para falar que bitcoin é coisa de criminoso.  

Mas afinal, o que aconteceu? Temor do banco de perder clientes por conta da alta da moeda ou análise com fundamento econômico?

Cronologicamente falando, o otimismo com o call veio do forte entusiasmo com bitcoin que o Goldman já teve. Nos idos de 2017 e início de 2018, quando o preço subia aos céus, teve até relatório de recomendação dizendo que a moeda era dinheiro. O entusiasmo acabou quando a cotação embicou para baixo.

Outros fatos podem ter ajudado, como a notícia de que em 2019 o valor dos ativos sob gestão de fundos de hedge focados em criptos dobrou para mais de US$ 2 bilhões, segundo a PWC e a Elwood Asset Management. Além disso, Paul Tudor, o bilionário investidor e administrador de fundos de hedge disse que já tem quase 2% de seus ativos em bitcoin. Pode ter contado até a decisão do JP Morgan de aceitar como clientes duas exchanges – o JP está em blockchain com a plataforma Quorum para o mercado financeiro, mas desviava da demanda do mercado cripto.

A apresentação do GS usada no call defende que bitcoin não gera fluxo de caixa, como os títulos conseguem, e que não é classe de ativos, o que muita gente contesta com base em decisões de órgãos reguladores nos Estados Unidos. Também não gera benefícios porque é instável e tem uma volatilidade histórica de 76%. Para completar, disse o Goldman Sachs, não há evidência de que é um bom hedge, ou proteção, contra a inflação. Este último é que parece ser o ponto central.

O economista Gustavo Cunha, estudioso de criptoativos e moedas digitais de governos, as CBDCs, diz que há uma linha de pensamento hoje de que neste mundo com pandemia, os ativos são os mesmos, mas há mais dinheiro disponível para investimento por dois motivos: as políticas monetárias dos governos pelo mundo, que colocaram recursos nas economias para reativá-las, e porque quem tem dinheiro sobrando não necessariamente vai consumir. Portanto, vai ter de investir, o que deve gerar um aumento do valor dos ativos, uma inflação. “É uma discussão muito em voga no setor econômico”, diz ele.

Ouro e bitcoin são ativos limitados e escassos e por isso, o preço poderia subir mais. Nakamoto avisou que liberaria 21 milhões de bitcons e hoje cerca de 18 milhões estão em circulação. Poderia haver uma corrida à moeda. Até houve recentemente, em boa parte por conta do halving, ou divisão pela metade da recompensa na mineração da cripto, o incentivo usado para a colocação de mais delas na rede.

Mas o que o GS disse é que ouro e bitcoin não mostram retornos no longo prazo que compensam os riscos. “Acreditamos que um ativo cuja valorização é primariamente dependente de alguém querer pagar um preço mais alto por ele, não é um investimento adequado para nossos clientes”, apesar dos movimentos de alta da moeda. E completou – praticamente respondendo a quem fala sobre os movimentos dos fundos de hedge, que buscam ganhos na volatilidade -, que “esse olhar não é um racional viável de investimento”.

Seria esse um sinal de temor do GS de que pode perder ou já perdeu clientes para bitcoin, moeda que está num mercado hoje (29) avaliado em US$ 262 bilhões segundo o CoinMarketCap? Cunha acha que não. E será que os movimentos do JP e dos hedges pode ser um indício de que Wall Street, coração do mercado financeiro global, vai entrar no mundo cripto?

“Ainda não. E não dá para falar se vão entrar algum dia, depende muito do uso da moeda no futuro”, diz ele. Bitcoin tem 11 anos e como meio de pagamento não se consolidou, por questões como a regulatória e experiência do usuário, que não é simples e requer muita adaptação, completou.

Fato é que mesmo falando mal, o Goldman Sachs falou da moeda e para ninguém menos do que seus investidores e num call. E só isso já gerou um buzz e certamente curiosidade e pesquisa sobre o assunto. É a máxima do fale mal, mas fale de mim.

IBM compra fatia da plataforma we.trade e reforça atuação em comércio exterior

A IBM é a nova sócia da we.trade, uma das maiores e mais consolidadas plataformas de financiamento de comércio exterior baseada em blockchain, com 12 bancos europeus como sócios. A plataforma usa o Hyperledger Fabric da IBM e com a sociedade espera-se um reforço no seu plano de crescimento de novos usuários e de países envolvidos nas operações.

No ano passado, Ciaran McGowan, CEO da we.trade, afirmou que a ideia era que empresa tivesse sua própria plataforma e dependesse menos da Hyperledger Fabric. O motivo era que a empresa não poderia pagar para sempre pelo produto.

O valor do investimento não foi revelado, mas significa uma participação de 7% na plataforma. Os outros sócios são alguns dos maiores bancos da Europa e do mundo – Santander, Deutsche Bank, HSBC, UBS, CaixaBank, Erste Bank da Áustria e sua subsidiária Česká spořitelna, KBC, Natixis, Nordea, Rabobank, Société Générale e sua subsidiária KB e UniCredit Itália.

A we.trade entrou em operação em 2018 e de janeiro a julho de 2019 o crescimento de operações foi de 38% ao mês, em média. Além dos 12 bancos sócios, Eurobank, CSOB e UniCredit Alemanha têm licenças para uso.

Expansão na Ásia

O segmento de financiamento de comércio exterior é ainda bastante dependente de atividades manuais e papel, o que afeta custos e rapidez dos processos. Uma situação crítica como o isolamento social provocado pela pandemia do Covid-19 torna os processos ainda mais penosos. Por isso, blockchain tem sido adotada por grupos de bancos e empresas que buscam mais agilidade e eficiência.

A partir de julho, a we.trade deve receber novos bancos e clientes da Europa e depois da Ásia. O plano é também permitir a interoperabilidade com outras redes similares, como o que já foi feito com a eTradeConnect, plataforma que tem mais de 10 bancos asiáticos. A plataforma poderá também incluir membros como seguradoras, importadores, exportadores e empresas de logística.

Espera-se que a IBM busque a integração com suas plataformas TradeLens, de comécio exterior, e Food Trust, de rastreamento e monitoramento de cadeias de suprimentos.

No Brasil, a Covantis, de traders líderes em commodities agrícolas, vai lançar sua plataforma para monitoramento de embarques de exportação de soja e milho. Mas a rede poderá no futuros incluir também bancos.

Para usar a plataforma os custa são de cerca de US$ 2 mil (em torno de R$ 10 mil) – para iniciantes – a US$ 175 mil (R$ 875 mil) ao ano. O valor para testar a plataforma é de US$ 75 mil (R$ 375 mil).

JP Morgan aceita bolsas de criptos Coinbase e Gemini como clientes

Quase dois anos depois de o CEO do JP Morgan Chase, Jamie Dimon, chamar o bitcoin de fraude, o banco aceitou duas bolsas dessa moedas digitais como clientes, a Coinbase e Gemini. A informação foi publicada hoje pelo The Wall Street Journal.

Teria pesado a fato de as bolsas serem reguladas pelos órgãos dos Estados Unidos (EUA). Em 2017, o JP também aceitou como cliente a TokenSoft, que realiza transferências e vende softwares para serviços de segurança de tokens.

Embora tenha criticado as criptomoedas, em fevereiro de 2019, o banco anunciou que estava testando sua moeda digital JPM Coin, criada para pagamentos instantâneos. A criptomoeda tem paridade de 1:1 com o dólar e segundo o banco, poderia ser estendida a outras moedas fiat.

Assim como no Brasil, os bancos americanos costumam ser avessos a empresas ligadas a criptomoedas. Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin, comentou hoje em seu LinkedIn, que do ponto de vista regulatório de bolsas de criptos, não há inovação nos EUA. As empresas foram aceitas no país sob normas semelhantes às do Brasil para instituições de pagamentos e o mesmo ocorre com as regras de Nova York. Dessa forma, os bancos daqui também poderia seguir o exemplo do JP, completa.

HDBank se associa à Contour, rede de bancos para comércio exterior

O HDBank, do Vietnã, se juntou à rede blockchain de financiamento ao comércio exterior Contour. A rede de bancos que permite a negociação online e o gerenciamento de cartas de crédito entre instituições que operam na Ásia, Europa, Estados Unidos e Oriente Médio.

A rede digitaliza a emissão de cartas de crédito, o que em geral é feito no papel e leva mais tempo. Com blockchain, o processo é mais rápido e mais barato, segundo a Contour.

AS plataforma usada é a Corda da R3http://r3.com Também fazem parte da Contour o BNP Paribas, HSBC, Standard Chartered, Bangkok Bank, CTBC Holding e HDBank.

Bancos italianos começam a usar DLT para reconciliação interbancária

Um grupo de 32 bancos italianos substituiu telefonemas e mensagens pelo compartilhamento de informações através de um sistema de registro distribuído. A Spunta Banca DLT, criada inicialmente para a reconciliação bancária, entrou na fase de produção no início de março, anunciou Associação Bancária Italiana (ABI), que promoveu o projeto.

Com isso, será possível detectar transações incompatíveis, padronizar processos e comunicações e permitir às partes interessadas a possibilidade de visualizar transações recíprocas.

A Spunta Banca DLT usa a plataforma Corda Enterprise da R3, que verifica a correspondência de atividades entre dois bancos. Segundo a ABI, a reconciliação nos moldes tradicionais é feita com registros bilaterais, pouca padronização e processos nada modernos.

Foram feitos 1680 testes entre o final de janeiro e o início de fevereiro, com pedidos de informações e execução de operações executadas em menos de um segundo e a geração de relatórios em 30 segundos. Os testes geraram 103 contas recíprocas e registros bilaterais com 7 milhões de movimentos com dados reais, com uma taxa de correspondência automática de 94,5%.  

“A SpuntaDLT está em produção com 32 bancos É uma frase simples que esconde um grande trabalho de equipe”, disse Silvia Attanasio, chefe de inovação da ABI, em seu LinkedIn. Cerca de 150 pessoas se envolveram no projeto.

Dentre os bancos que já usam a plataforma então UniCredit, BNL – BNP Paribas Group e IntesaSanPaolo. Em maio, uma segunda leva de 23 bancos vai utilizar a plataforma e uma terceira inicia o uso em produção em outubro.

“Com o Spunta Banca DLT, a ABI quer inserir blockchain no setor bancário italiano de modo concreto, através de uma infraestrutura para os bancos que operam no país poderem utilizar outras aplicações no futuro”, afirmou a associação em comunicado.

Ripple processa YouTube por transferências ilegais de criptomoedas XRP

A Ripple, que usa blockchain em transferências de dinheiro e tem a criptomoeda XRP, abriu um processo nesta semana contra o YouTube. A empresa alega a plataforma de vídeos não protegeu seus clientes de golpes feitos por perfis falsos na rede para transferência de XRP. A notícia é da Reuters.

A XRP é uma moeda comercializada no mercado por quem quiser ter em sua carteira digital. Mas é também a moeda criada pela Ripple para ser usada pelos bancos que usam sua plataforma blockchain. O uso é nos países onde a legislação permite e se os bancos quiserem.

Segundo a Ripple, usando perfis falsos da Ripple e de seu CEO, Brad Garlinghouse, levaram clientes a enviar milhares de dólares em XRP aos criminosos. Em troca, receberiam dólares, mas o dinheiro nunca chegou.

Fintechs podem reduzir custos de pagamentos, mas riscos incluem segurança

O Banco de Compensações Internacionais (BIS, o banco central dos bancos centrais) e o Banco Mundial divulgaram um estudo que afirma que as fintechs podem ajudar a melhorar produtos de pagamentos e transações entre contas, contribuindo para a inclusão financeira e melhor experiência dos clientes. Mas há “poréns” na atuação dessas startups.

Elas podem gerar riscos relacionados a operação e segurança cibernética, proteção dos recursos dos clientes, privacidade e concentração de mercado. Se os riscos não foram bem gerenciados, podem ter impacto negativo na inclusão financeira, diz o estudo Payment aspects of financial inclusion in the fintech era.

Segundo o relatório, a tecnologia de registro distribuído (DLT) pode trazer mais inovação ao modelo de negócios de pagamentos internacionais. A tecnologia pode reduzir custos de reconciliação e de compliance, além de aumentar a transparência e o rastreamento de transferências.

BC, CVM e Susep trocam carta ofício por blockchain para checagem de dados comuns

O Banco Central (BC), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Superintendência de Seguros Privados (Susep) iniciaram hoje (1) o uso da Plataforma de Integração de Informações das Entidades Reguladoras (PIER), uma rede blockchain para o compartilhamento de bases de dados e aceleração de processos de autorização e de registro do sistema financeiro.

A PIER vai reduzir custos, tempo, fraudes e erros, segundo as instituições. Evita-se, por exemplo, redundâncias em pedidos de informações a regulados em comum, afirma a CVM. E com a descentralização das informações, a chances de fraudes também cai.

A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) está começando a testar a plataforma. Além disso, outras instituições de fora do sistema financeiro poderão se juntar à rede, como o Judiciário e juntas comerciais, disse o BC.

Do papel para o digital

A plataforma foi desenvolvida e é mantida pelo Bacen. Há algum tempo o BC vem buscando alternativas tecnológicas para tornar o sistema financeiro mais eficiente. O presidente do banco, Roberto Campos Neto, já disse no ano passado que é um apaixonado por tecnologia.

Até agora, as checagens de dados entre as instituições eram feitas por carta ofício. Processo mais lento e aberto a erros. Pela PIER, uma instituição consegue checar dados inserindo CPF ou CNPJ do regulado.

A plataforma checa dados relacionados a três itens: informações de processos punitivos e de restrições de empresas e administradores para checagem de idoneidade, histórico de atuação no sistema financeiro para verificação de conduta e de capacidade técnica e  participações de pessoas físicas e jurídicas no capital social e no controle acionário de empresas.

Febraban cancela CIAB 2020 devido ao coronavírus

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) cancelou o CIAB 2020, que a aconteceria de 23 a 25 de junho, em São Paulo. Isso se deve às medidas na cidade e no estado para contenção do avanço do coronavírus e que incluem a proibição de eventos. O CIAB é considerado o maior de tecnologia da América Latina.

A edição deste ano seria a maior da história do evento, que completaria 30 anos. No lançamento do CIAB 2020, a Febraban anunciou que 99 empresas haviam confirmado a participação, 20% a mais do que as reservas da edição de 2019.

Segundo a federação, são necessários 10 dias para montagem e realização do CIAB e não há data disponível no segundo semestre para isso. Com o estado de calamidade em São Paulo, nenhum evento poderá acontecer, nem os que já têm alvará.