Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

JP Morgan aceita bolsas de criptos Coinbase e Gemini como clientes

Quase dois anos depois de o CEO do JP Morgan Chase, Jamie Dimon, chamar o bitcoin de fraude, o banco aceitou duas bolsas dessa moedas digitais como clientes, a Coinbase e Gemini. A informação foi publicada hoje pelo The Wall Street Journal.

Teria pesado a fato de as bolsas serem reguladas pelos órgãos dos Estados Unidos (EUA). Em 2017, o JP também aceitou como cliente a TokenSoft, que realiza transferências e vende softwares para serviços de segurança de tokens.

Embora tenha criticado as criptomoedas, em fevereiro de 2019, o banco anunciou que estava testando sua moeda digital JPM Coin, criada para pagamentos instantâneos. A criptomoeda tem paridade de 1:1 com o dólar e segundo o banco, poderia ser estendida a outras moedas fiat.

Assim como no Brasil, os bancos americanos costumam ser avessos a empresas ligadas a criptomoedas. Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin, comentou hoje em seu LinkedIn, que do ponto de vista regulatório de bolsas de criptos, não há inovação nos EUA. As empresas foram aceitas no país sob normas semelhantes às do Brasil para instituições de pagamentos e o mesmo ocorre com as regras de Nova York. Dessa forma, os bancos daqui também poderia seguir o exemplo do JP, completa.

HDBank se associa à Contour, rede de bancos para comércio exterior

O HDBank, do Vietnã, se juntou à rede blockchain de financiamento ao comércio exterior Contour. A rede de bancos que permite a negociação online e o gerenciamento de cartas de crédito entre instituições que operam na Ásia, Europa, Estados Unidos e Oriente Médio.

A rede digitaliza a emissão de cartas de crédito, o que em geral é feito no papel e leva mais tempo. Com blockchain, o processo é mais rápido e mais barato, segundo a Contour.

AS plataforma usada é a Corda da R3http://r3.com Também fazem parte da Contour o BNP Paribas, HSBC, Standard Chartered, Bangkok Bank, CTBC Holding e HDBank.

Bancos italianos começam a usar DLT para reconciliação interbancária

Um grupo de 32 bancos italianos substituiu telefonemas e mensagens pelo compartilhamento de informações através de um sistema de registro distribuído. A Spunta Banca DLT, criada inicialmente para a reconciliação bancária, entrou na fase de produção no início de março, anunciou Associação Bancária Italiana (ABI), que promoveu o projeto.

Com isso, será possível detectar transações incompatíveis, padronizar processos e comunicações e permitir às partes interessadas a possibilidade de visualizar transações recíprocas.

A Spunta Banca DLT usa a plataforma Corda Enterprise da R3, que verifica a correspondência de atividades entre dois bancos. Segundo a ABI, a reconciliação nos moldes tradicionais é feita com registros bilaterais, pouca padronização e processos nada modernos.

Foram feitos 1680 testes entre o final de janeiro e o início de fevereiro, com pedidos de informações e execução de operações executadas em menos de um segundo e a geração de relatórios em 30 segundos. Os testes geraram 103 contas recíprocas e registros bilaterais com 7 milhões de movimentos com dados reais, com uma taxa de correspondência automática de 94,5%.  

“A SpuntaDLT está em produção com 32 bancos É uma frase simples que esconde um grande trabalho de equipe”, disse Silvia Attanasio, chefe de inovação da ABI, em seu LinkedIn. Cerca de 150 pessoas se envolveram no projeto.

Dentre os bancos que já usam a plataforma então UniCredit, BNL – BNP Paribas Group e IntesaSanPaolo. Em maio, uma segunda leva de 23 bancos vai utilizar a plataforma e uma terceira inicia o uso em produção em outubro.

“Com o Spunta Banca DLT, a ABI quer inserir blockchain no setor bancário italiano de modo concreto, através de uma infraestrutura para os bancos que operam no país poderem utilizar outras aplicações no futuro”, afirmou a associação em comunicado.

Ripple processa YouTube por transferências ilegais de criptomoedas XRP

A Ripple, que usa blockchain em transferências de dinheiro e tem a criptomoeda XRP, abriu um processo nesta semana contra o YouTube. A empresa alega a plataforma de vídeos não protegeu seus clientes de golpes feitos por perfis falsos na rede para transferência de XRP. A notícia é da Reuters.

A XRP é uma moeda comercializada no mercado por quem quiser ter em sua carteira digital. Mas é também a moeda criada pela Ripple para ser usada pelos bancos que usam sua plataforma blockchain. O uso é nos países onde a legislação permite e se os bancos quiserem.

Segundo a Ripple, usando perfis falsos da Ripple e de seu CEO, Brad Garlinghouse, levaram clientes a enviar milhares de dólares em XRP aos criminosos. Em troca, receberiam dólares, mas o dinheiro nunca chegou.

Fintechs podem reduzir custos de pagamentos, mas riscos incluem segurança

O Banco de Compensações Internacionais (BIS, o banco central dos bancos centrais) e o Banco Mundial divulgaram um estudo que afirma que as fintechs podem ajudar a melhorar produtos de pagamentos e transações entre contas, contribuindo para a inclusão financeira e melhor experiência dos clientes. Mas há “poréns” na atuação dessas startups.

Elas podem gerar riscos relacionados a operação e segurança cibernética, proteção dos recursos dos clientes, privacidade e concentração de mercado. Se os riscos não foram bem gerenciados, podem ter impacto negativo na inclusão financeira, diz o estudo Payment aspects of financial inclusion in the fintech era.

Segundo o relatório, a tecnologia de registro distribuído (DLT) pode trazer mais inovação ao modelo de negócios de pagamentos internacionais. A tecnologia pode reduzir custos de reconciliação e de compliance, além de aumentar a transparência e o rastreamento de transferências.

BC, CVM e Susep trocam carta ofício por blockchain para checagem de dados comuns

O Banco Central (BC), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Superintendência de Seguros Privados (Susep) iniciaram hoje (1) o uso da Plataforma de Integração de Informações das Entidades Reguladoras (PIER), uma rede blockchain para o compartilhamento de bases de dados e aceleração de processos de autorização e de registro do sistema financeiro.

A PIER vai reduzir custos, tempo, fraudes e erros, segundo as instituições. Evita-se, por exemplo, redundâncias em pedidos de informações a regulados em comum, afirma a CVM. E com a descentralização das informações, a chances de fraudes também cai.

A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) está começando a testar a plataforma. Além disso, outras instituições de fora do sistema financeiro poderão se juntar à rede, como o Judiciário e juntas comerciais, disse o BC.

Do papel para o digital

A plataforma foi desenvolvida e é mantida pelo Bacen. Há algum tempo o BC vem buscando alternativas tecnológicas para tornar o sistema financeiro mais eficiente. O presidente do banco, Roberto Campos Neto, já disse no ano passado que é um apaixonado por tecnologia.

Até agora, as checagens de dados entre as instituições eram feitas por carta ofício. Processo mais lento e aberto a erros. Pela PIER, uma instituição consegue checar dados inserindo CPF ou CNPJ do regulado.

A plataforma checa dados relacionados a três itens: informações de processos punitivos e de restrições de empresas e administradores para checagem de idoneidade, histórico de atuação no sistema financeiro para verificação de conduta e de capacidade técnica e  participações de pessoas físicas e jurídicas no capital social e no controle acionário de empresas.

Febraban cancela CIAB 2020 devido ao coronavírus

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) cancelou o CIAB 2020, que a aconteceria de 23 a 25 de junho, em São Paulo. Isso se deve às medidas na cidade e no estado para contenção do avanço do coronavírus e que incluem a proibição de eventos. O CIAB é considerado o maior de tecnologia da América Latina.

A edição deste ano seria a maior da história do evento, que completaria 30 anos. No lançamento do CIAB 2020, a Febraban anunciou que 99 empresas haviam confirmado a participação, 20% a mais do que as reservas da edição de 2019.

Segundo a federação, são necessários 10 dias para montagem e realização do CIAB e não há data disponível no segundo semestre para isso. Com o estado de calamidade em São Paulo, nenhum evento poderá acontecer, nem os que já têm alvará.

De 17 projetos do Lift, programa de inovação do BC, 6 usam ou poderão usar blockchain

A tecnologia blockchain está sendo, ou poderá ser usada, por 6 dos 17 projetos do Lift (Laboratório de Inovações Financeiras Tecnológicas) 2019, programa de inovação do Banco Central para apresentação de soluções para o sistema financeiro. Após meses de trabalho, as empresas apresentaram ontem seus protótipos, em Brasília.

A Blupay, empresa de pagamentos instantâneos, é uma das que utilizam blockchain. No caso, o R3 Corda. De acordo com Rubens Antônio Rocha Júnior, superintendente geral da empresa, que foi comprada pela certificadora digital Valid, a solução tem a rapidez que o sistema de pagamentos instantâneos do BC, o PIX, determinou. O PIX será lançado em novembro e ao longo dos próximos anos, vai incluir uma série de serviços, como débito automático e pagamento de documentos.  

Um dos outros projetos em blockchain é o da FinId, de identidade digital descentralizada para o mercado financeiro, desenvolvido pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD) e que usa R3 Corda e Hyperledger Indy. O Gavea Marketplace, uma bolsa digital de commodities agrícolas que começa a ser testada neste ano, e o Midas, plataforma de investimentos em aplicações financeiras, também usam Corda. A P2P Lending, do Banco BV, usa Hyperledger Fabric.

A Finweb, uma plataforma colaborativa para empreendedores, mencionou na sua apresentação estar avaliando a tecnologia blockchain para a autenticação das parcerias. É possível que outros projetos decidam usar blockchain, no futuro, já que nem tudo está fechado.

Tecnologia permite transmissão do evento

O evento, no auditório do banco, foi fechado por precauções contra o coronavírus. A presença foi apenas de palestrantes, panelistas, representantes de empresas que deram suporte aos projetos e funcionários do BC e da Fenasbac, federação dos funcionários do banco.

O Lift foi transmitido ao vivo pelo canal do BC no Youtube e a gravação está disponível para visualização. “Se não fosse a tecnologia, a gente não conseguiria fazer este evento neste formato”, disse o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, um entusiasta de tecnologia e inovação. No Lift do ano passado, ele afirmou que se fosse mais jovem, provavelmente se dedicaria exclusivamente ao assunto.

Campos afirmou que um dos grandes problemas do mundo moderno de tecnologia no mundo bancário é a fragmentação dos mercados, que não se comunicam. Isso dificulta a regulamentação e a experiência dos usuários. “É uma barreira ao desenvolvimento”, completou.

É por isso que o PIX é uma prioridade do banco, uma solução para atender a demanda do mundo moderno e que gerou a criação das criptomoedas, disse Campos Neto. Para tanto, é transparente, seguro, barato e totalmente interoperável, completou.

Na sequência do PIX virá o open banking e a ideia é ambos se encontrarem. “Queremos um sistema interoperável, instantâneo e aberto. É importante que esses projetos se encontrem o mais rápido possível.”

Segundo Keiji Sakai, country head da R3, como o número de pessoas no auditório foi limitado, “houve boas conversas sobre os projetos durante as pausas do evento”.

Campos Neto lembrou que as inscrições para o Lift 2020 estão abertas até o próximo dia 20 de abril.

Em 2022, PIX vai incluir pagamentos agendados e débito automático; em 2023, pagamento de documentos

O PIX, sistema de pagamentos instantâneos que o Banco Central (BC) lançará no dia 16 de novembro, vai evoluir em 2022 para um sistema de requisição de pagamentos, pagamentos agendados e débitos automáticos. Em 2023, vai incluir também o pagamento de documentos.  

Conforme foi informado pelo BC, no mês passado, a partir de novembro o serviço vai permitir pagamentos 24 horas por dia, 7 dias por semana. O sistema vai ao ar dia 3 de novembro para alguns participantes e no 16, para todos. E em 2021, entram em funcionamento as transferências usando-se QR Code e transações por aproximação.

De acordo com Carlos Eduardo Brant, chefe-adjunto do departamento de operações bancárias e de pagamentos do BC, em abril será aberta consulta pública para o regulamento do PIX, mesmo mês em que começam os testes de liquidez do sistema.

Em maio, serão divulgados os regulamentos da base de endereçamento e da plataforma de liquidação, e em julho, a regulação completa. Os testes de conectividades operacionais de liquidez e funcionalidades começaram em fevereiro.

O PIX representa oportunidades para atividades como o desenvolvimento de soluções a usuários finais pagadores e recebedores, desenvolvedores de aplicativos, fechamento de venda no check out, API de recebimento e automação, exemplificou o diretor.

As informações foram anunciadas durante o LIFTDAY 2020 do BC. O Lift (Laboratório de Inovações Financeiras Tecnológicas é um programa do BC que chama empresas a buscarem soluções para o sistema. Ontem, as escolhidas apresentaram suas soluções.

Para o presidente do BC, Roberto Campos Neto, o PIX é o início de uma transformação do sistema financeiro e faz parte de um movimento dos bancos centrais para se modernizarem e enfrentarem a concorrência de novos atores no mercado, como as fintechs, e de produtos, como as criptomoedas.

CIP, B3, CERC e CRDC vão testar blockchain para checagem dos registros de duplicatas

A CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos), a bolsa B3, a CERC (Central de Recebíveis) e a CRDC (Central de Registros de Direitos Creditórios), todas registradoras de ativos, vão iniciar nas próximas semanas um teste com blockchain para verificação de que uma duplicata seja registrada apenas uma vez.

Com isso, as empresas atendem a regra do Banco Central (BC) de implantarem a interoperabilidade entre as empresas do segmento. E no futuro, tudo dando certo, poderão usar a mesma infraestrutura para outros dados.

Hoje, não é possível saber se uma duplicata está registrada em mais de uma empresa. Se houver duplicidade, ganha quem descontar a duplicata primeiro, o que vai contra a natureza do registro, que é dar segurança.

Mas, segundo Aldo Chiavegatti, superintendente de infraestrutura do mercado da CIP, o que motivou o projeto é mais a questão da interoperabilidade do que as fraudes.

Isso porque o BC tem andando na direção da interoperabilidade e recebíveis de cartões de crédito, por exemplo, vão entrar na lista. “Isso vai passar a ser rotina”, completou. Portanto, se dados como os de cartões ou outros passarem no teste, as empresas poderão usar a mesma arquitetura e ganhar escala.

A circular 3.968 do BC, de outubro do ano passado, estabelece a interoperabilidade entre sistemas de registro que ofertam o serviço de um mesmo tipo de ativo financeiro para ônus e gravames sobre esses ativos.

Já as fraudes não são gritantes no registro de duplicatas, disse o executivo, porque quando há duplicidade, em geral decorrerem de erro, uma vez que quem registra são as instituições financeiras.

Dados em casa

Com blockchain, cada registradora é um nó e todas poderão verificar os registros num banco de dados comum. “Mas somos competidores, então podemos preservar os dados em casa e cada uma transmite o que as outras precisam ver”, disse Chiavegatti. Um banco de dados central tradicional teria mais brechas de segurança, completou.

Como o BC está abrindo o mercado a mais registradoras, com empresas aguardando autorização para operar, as novas poderão se juntar à rede criada pelas 4 empresas. Mais empresas e novos produtos farão o projeto ser menos custoso. O custo atual é similar ao das soluções centralizadas existentes, segundo o executivo.

As empresas começaram a discutir o projeto no final de 2018 e fizeram a prova de conceito (POC). Vão usar a solução Corda, da R3. Estão em processo de contratação de solução de desenvolvimento e de operação de ambiente. Com isso fechado, poderão saber exatamente o valor do investimento, que não foi revelado.

Ao mesmo tempo em que estão cuidando da infraestrutura, as empresas cuidam da governança da rede, sendo apontada como uma questão delicada por fornecedores e usuários da tecnologia blockchain. “Governança é uma questão sensível desse tipo de projeto”, afirmou o executivo. Todas as 4 são responsáveis pela, mas ainda há pontos a serem definidos.

Os testes começam na segunda quinzena de abril e devem durar de 30 a 60 dias. A expectativa é que as 4 empresas tenham feito os ajustes para começarem ao mesmo tempo. Mas se duas estiverem prontas, o teste já pode ser feito. O número de transações por segundo foi revisada, não foi revelada. De acordo com Chiavegatti, a rede pode se adequar a novos membros e a mais dados.

Além do custo e da governança, um outro desafio de se implantar uma solução blockchain hoje é a falta de experiência do mercado com projetos grandes, com interoperabilidade dos nós e validação da solução, afirmou o executivo.

Bancos

As instituições financeiras analisam o uso de blockchain para outras operações. No ano passado, 9 bancos, com CIP e Febraban, formaram a Rede Blockchain do Sistema Financeiro Nacional (RBSFN) e implantaram na checagem de fraudes por celular. Se algo errado é detectado, uma instituição avisa a outra.

A RBSFN também analisa implantar, ainda neste ano, o uso de blockchain para compartilhamento de procurações e poderes de clientes.