Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

De 400 instituições financeiras tradicionais da Europa, 86% avaliam ou já usam DeFi

Serviços financeiros descentralizados, os DeFi, não são mais coisa do mundo blockchain e das moedas criptografadas. Boa parte das seguradoras, bancos e tradings das finanças tradicionais da Europa está implementando ou avaliando esses aplicativos de forma significativa.

Mais precisamente, estão nesse grupo 86% de 400 instituições financeiras tradicionais europeias entrevistadas no estudo “The Sudden Rise of Defi” da BCG Platinion (braço do Boston Consulting Group) e da corretora Crypto.com.

Não é à toa que esse segmento chame a atenção do setor tradicional. Há US$ 12 bilhões alocados nesses DeFis, segundo estimativa do DeFi Pulse, que diz que eram US$ 3,7 bilhões em 25 de julho de 2020.

Das empresas entrevistadas, 67% acham que com DeFis, abrirão canais de receita. E 70%, está de olho no segmento apesar de temer riscos de segurança, já que precisam confiar nos contratos inteligentes, ao invés de custodiantes e servidores centralizados. Tanto que 60% se preocupa com a falta de regulação e mecanismos de recuperação de seus recursos.

O estudo mostrou ainda que proporcionalmente, as empresas de maior porte são as que mais entram em DeFis. Daquelas com receita acima de 10 bilhões de libras esterlinas (cerca de R$ 73 bilhões), 71% avaliaram ou implementaram esses serviços. E 58% acham que perderão vantagem competitiva se ignorarem as soluções DeFi.

O motivo é que esses projetos precisam de um nível adequado de investimentos para garantir benefícios para quem está entre os primeiros a desbravar essa área. As maiores empresas podem bancar o projeto e conviver melhor com o risco do que as de menor porte.

Em 42% dos casos, as empresas estão trocando suas soluções para DeFi em serviços de gerenciamento de ativos e 38% para tornar os serviços de pagamento mais rápidos e seguros. Há quem espera reduzir seus custos. Isso apesar de operadores do segmento de criptomoedas apontaram os custos altos de uso da rede Ethereum, onde as operações de DeFi acontecem, como barreira para a expansão dos aplicativos.

Boa parte desse movimento deve vir do medo: 58% das empresas disseram temer perder vantagem competitiva se ignorarem esses aplicativos.

Daqueles implementando serviços financeiros descentralizados, 35% fazem parte de um consórcio, plataforma, aplicação ou serviço existentes, 24% estão desenvolvendo suas soluções e 22% vão se juntar a competidores porque o ecossistema atual não é compatível com suas demandas.

Mais sobre DeFis em:

Custo e falta de regras são gargalos para expansão de produtos financeiros em blockchain

R3 e Mphasis fazem parceria para serviços de pagamentos e cadeias de suprimentos

A R3 e a Mphasis, provedora de soluções em cloud e serviços cognitivos, anunciaram, hoje (20), uma parceria focada em soluções de pagamento usando a tecnologia de registro distribuído (DLT).

O objetivo da parceria é acelerar a operação da ALTATM, um ecossistema de pagamentos digitais e cadeia de suprimentos criada pela Mphasis para conectar empresas globais, suas cadeias, serviços financeiros, como câmbio, e provedores de infraestrutura numa rede global de comércio exterior.

A solução usará a plataforma Corda da R3. Em seu site, a Mphasis afirma que trabalha com blockchain desde 2016 por meio de parcerias para oferecer design, desenvolvimento e operação de plataformas e aplicações.

Pequenas e médias empresas

A plataforma poderá ser usada também por empresas de médio e pequeno porte, o que dever facilitar o acesso a instituições financeiras, por exemplo. “A parceria vai permitir acelerar o co-desenvolvimento e a busca de mercado na plataforma Corda”, disse Srikumar Ramanathan, vice-presidente sênior da Mphasis

A R3 começou como um consórcio dos bancos que buscavam entender, e depois aplicar, DLT de forma segura para transações. AS solução da R3 busca garantir não apenas segurança às operações, mas privacidade dos dados, com cada membro decidindo quem verá cada informação.

Contour, plataforma de bancos para cartas de crédito, entra em produção

A Contour, rede blockchain de bancos para emissão de cartas de crédito para comércio exterior, anunciou que entrou na fase de produção e adicionou novos serviços à plataforma.

Em setembro passado, a Vale informou que usou a Contour para uma exportação de minério de ferro.

Os membros da rede que usaram a versão Beta conseguiram reduzir o tempo de processamento das cartas em até 90%, de uma média que em geral é de 24 horas a 10 dias depois que o documento é apresentado, segundo o CEO da Contour, Carl Wegner.

As melhorias da plataforma incluem a realização simultânea de emendas pelos participantes, a troca de documentos de até 10MB e novos dispositivos de administração e de segurança dos dados.

14 pilotos em 14 países

Redes como a Contour, de bancos, costumam ressaltar a segurança e privacidade do manuseio dos dados, uma exigência ainda maior dessas instituições.

A Contour inclui bancos como HSBC, ING Paribas e Standard Bank e começou a ser desenhada há 3 anos por 8 deles. Um total de 14 pilotos foram colocados no ar em 14 países até agora e muitos outros “nos bastidores” desde 2018, segundo a R3, que fornece sua plataforma Corda para o projeto.

A ideia é unir na rede bancos, empresas exportadoras e de logística. Em janeiro deste ano, a empresa passou de um projeto para uma empresa, registrada em Singapura.

Sobre uso da Contour pela Vale, leia em Vale poderá testar mais plataformas no futuro; Corda foi usada na emissão de carta de crédito

Mais sobre a Contour em:

Citibank adere à Contour, rede de bancos que usam blockchain em comércio exterior

Tailândia faz primeira emissão do mundo de bonds de governo em blockchain

O banco central da Tailândia, BOT, fez a primeira emissão do mundo de títulos de governo em plataforma de blockchain. Foram US$ 1,6 bilhão (cerca de R$ 8,8 bilhões) em duas semanas.

Agora, o banco pretende usar blockchain para todas as outras emissões de títulos do governo para investidores de varejo e atacado. Os títulos de governo do país equivalem a 40% do total de emissões – foram US$ 157 bilhões, de um total de US$ 421 bilhões em 2019.

A emissão ocorreu na plataforma IBM Cloud, que reduz de 15 para dois dias o processo, além de reduzir a complexidade da operação, segundo a IBM. Com a tecnologia, foi possível fazer a emissão num sistema de tempo real e com redução de validações redundantes e de custo de reconciliação.

Houve menos horas de trabalho empenhadas no processo por parte do emissor, subscritores e registradores, além da maior transparência na emissão. Além disso, os investidores podem comprar até o valor máximo de suas cotas alocadas num único banco, informou a empresa.

País tem outros projetos

Para emitir o título, foram envolvidas oito instituições. Além do BOT, o departamento que gerencia as dívidas públicas do governo, a Thailand Securities Depository, a associação de títulos da Tailândia, o Bangkok Bank, Krungthai Bank, Kasikorn Bank e o Siam Commercial Bank.

O país se tornou um usuário reconhecido de blockchain. Em 2019, foi lançada uma plataforma com 22 bancos locais e 15 empresas para a emissão de cartas eletrônicas de garantia, que hoje opera cerca de US$ 300 milhões dessas fianças bancárias.

O departamento de aduanas, equivalente à Receita Federal do Brasil, também foi o segundo órgão de governo do sudeste da Ásia a usar a plataforma de comércio exterior TradeLens, que digitaliza e acelera o processo de embarques.

E neste ano o país anunciou que testará sua moeda digital de banco central no varejo.

Mais sobre o assunto em:

Banco central da Tailândia testará sua moeda digital no varejo

Bolsa da Malásia começa testes de emissão de bonds usando blockchain

Blockchain dá segurança a investidor de títulos, diz Lombardi, da Piemonte

Banco da Ásia faz sua primeira carta de crédito para exportação de plástico

Investimento anjo no Brasil ultrapassa RS$ 1 bilhão pela primeira vez

O investimento anjo foi de R$ 1,07 bilhão em 2019, um crescimento de 9% sobre 2018, que tinha registrado queda de 0,4% sobre 2017. Foi a primeira vez que o valor superou RS$ 1 bilhão, segundo pesquisa da Anjos do Brasil, instituição que faz aportes em startups em estágio ainda muito inicial.

As fintechs foram as startups que apareceram como as de maior preferência dos investidores, seguidas pelas de software e healthtechs. Leia mais no Fintechs Brasil, site de notícias parceiro do Blocknews.

Bradesco lança BITZ, de olho nos desbancarizados que Pix e fintechs atendem

O Bradesco lançou, hoje (14), uma nova empresa, a BITZ Serviços Financeiros, de carteiras digitais e contas de pagamentos. A plataforma usará o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, que começa a ser implantado em 5 de outubro.

De acordo com o banco, será possível armazenar dinheiro, realizar pagamentos, transferências, recebimentos, recarga de celular, pagamentos com QR Code e compras. Os usuários terão acesso a saques na rede Banco 24Horas, cashback de transações e remuneração com 100% do CDI se o saldo superar R$ 100.

A Cielo, empresa do Bradesco e Banco do Brasil, é parceira do novo serviço para compras, e a Losango, também do grupo Bradesco, fornecerá crédito pelo aplicativo. O serviço é gratuito e a receita para o Bradesco virá das taxas pagas pelos parceiros.

Puxados pela concorrência

Fintechs e criptomoedas fizeram os grandes bancos buscarem soluções para grande parte da população brasileira que é desbancarizada ou tem pouco acesso a serviços financeiros. O Pix puxou ainda mais os bancos incumbentes nessa direção. O Itaú lançou sua carteira digital em 2019 e o Santander anunciou a alguns dias a sua, a SX.

O BITZ receberá investimentos de R$ 100 milhões no seu primeiro ano, disse o CEO da empresa, Curt Zimmermann, em coletiva hoje à tarde. O valor não inclui duas aquisições previstas: a de uma carteira digital já em operação e a de um empresa de tecnologia de pagamento digital. Isso deve levar o número de funcionários para 60 pessoas. Recursos humanos e marketing serão fornecidos pelo Bradesco.

A empresa terá estrutura societária e financeira independentes e é mais uma empresa digital do Bradesco, além do Neon.

Zimmermann foi COO da Bradesco Seguros de 2016 a outubro de 2019.

Banco da Ásia faz primeira carta de crédito em DLT para exportação de plástico

O Banco de Desenvolvimento da Ásia (ADB, na sigla em inglês) realizou sua primeira operação de carta de crédito usando a tecnologia de registro distribuído (DLT). O financiamento foi de um carregamento de U$ 50 mil (cerca de R$ 280 mil) em plásticos da Tailândia para o Vietnã, em agosto passado.

A plataforma usada foi a da Contour, que roda em Corda, da R3. É a mesma usada pela Vale numa exportação de minério de ferro e anunciada na semana passada.

Também participaram da operação o Standard Chartered Bank Thailand e o Banco de Investimento e Desenvolvimento do Vietnã (BIDV).

A pandemia do coronavírus aumenta a necessidade de digitalização das operações de financiamento do comércio exterior, disse Steven Beck, responsável pela área de financiamento de comércio e cadeia de suprimentos do ADB.

O objetivo da Contour, formada por bancos e baseada em Singapura, é tentar reduzir o enorme volume de papéis, emails e tempo consumidos nas operações de crédito e comércio exterior.

BBChain desenvolveu arquitetura que garante privacidade de empresas no registro de duplicatas

A BBChain, empresa de desenvolvimento e arquitetura de plataformas blockchain e que trabalhou no projeto da nova plataforma de registro de duplicatas da B3, CIP, CERC e CRDC, afirmou que criar uma integração de quatro concorrentes, numa tecnologia nova, com confidencialidade e para uma operação de dezenas de milhões transações foi um enorme desafio.

A empresa elaborou a arquitetura da nova plataforma de registros e os códigos, o que define as aplicações e funcionalidades. Isso incluiu o desenho dos contratos inteligentes. Tudo foi feito sobre a plataforma Corda, da R3. A Corda transforma todas as informações dos títulos em criptografia e garante que nenhuma duplicata será registrada em mais de uma empresa.

Nunca ninguém fez algo assim no mundo: uma rede interoperável que garante alta disponibilidade, privacidade de dados dos concorrentes operando na mesma plataforma, inclusão de muitas outras empresas no futuro e a prova de fraude, o que só blockchain permite, segundo o sócio-fundador e CTO da empresa, Rodrigo Bueno.

Ninguém sabe de ninguém

Felipe Chobanian, sócio-fundador e CEO da BBChain, disse ao Blocknews que a solução desenvolvida garante rastreabilidade e ao mesmo tempo, confidencialidade das operações. Uma empresa não sabe o volume de negócios de seus concorrentes na rede. “A única tecnologia que entrega isso é blockchain”. Segundo ele, essa confidencialidade foi conseguida com a Corda.

A arquitetura usa também a base de dados distribuída CockroachDB, da Coachroach Labs, que armazena dados duplicados em diversas localidades. “É preciso um apocalipse que destrua tudo para o sistema cair”, disse Chobanian. Os dados estão em nuvem. A Tivit gerencia a infra-estrutura computacional.

A BBChain nasceu no Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores (Larc) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, a Poli da USP. A empresa tem 17 projetos para diferentes setores já rodando e a caminho da fase de produção, afirmou o CEO. Em junho passado, a Pitang Agile IT, desenvolvedora de softwares, adquiriu 30% da BBChain.

B3, Cerc, CIP e CRDC colocam em operação plataforma blockchain de registro de duplicatas

B3, Cerc (Central de Recebíveis), CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos) e a CRDC (Central de Registros de Direitos Creditórios) vão lançar, no final deste mês, a plataforma de duplicatas escriturais que vai usar blockchain para centralização e compartilhamento de informações. Com isso, evita-se fraudes, o que pode ajudar a expandir o mercado bilionário de concessão de empréstimos garantidos por duplicatas.

Como publicou o Blocknews em março, a tecnologia blockchain permitirá verificar se uma duplicata está registrada apenas uma vez e se é verdadeira. Aldo Chiavegatti, superintendente de infraestrutura do mercado da CIP, disse a este site que tudo dando certo, a infraestrutura poderá ser estendida a outros ativos.

A plataforma usada é a Corda, da R3, que afirma que este é o primeiro caso no mundo de plataforma de integração de setor financeiro e que envolve registradoras e depositárias centrais.

Expansão do crédito

O mercado de crédito com garantia de recebíveis é de cerca de US$ 400 bilhões ao ano, com as duplicatas sendo a maior das garantias. Com a maior segurança nas operações, a expectativa é de que o volume de crédito chegue a até R$ 1,5 trilhão ao ano e inclua empresas de menor porte, segundo reportagem do Valor Econômico.

A plataforma atende a regra do Banco Central (BC) de implantação de interoperabilidade entre as empresas do segmento, o que aumenta a segurança e a agilidade das operações.

Hoje não se sabe se uma duplicata está registrada em mais de uma empresa, portanto, ganha quem descontar primeiro – algo nada seguro para um documento feito para dar segurança.

JP Morgan vai investir na Consensys e transferir Quorum para a empresa, diz site

O JP Morgan prepara um investimento de US$ 20 milhões (cerca de R$ 120 milhões) na Consensys e ao mesmo tempo prepara a transferência da manutenção e suporte da sua rede Quorum para a empresa de Joe Lubin, um dos fundadores da Ethereum. A informação é do site The Block, que cita fontes envolvidas na negociação.

Os US$ 20 milhões de investimentos do JP seriam parte de um acordo de conversão de US$ 50 milhões (cerca de R$ milhões) em dívida. O banco criou a Quorum, uma plataforma open source, e a Rede Interbancária de Informação (IIN), que já tem 300 bancos conectados. A Quorum também já é utilizada em operações de empresas de outros setores, como o agronegócio. Esse tipo de negócio cria uma demanda para o JP que foge de sua atividade central, a bancária.

A Consensys é baseada na Ethereum e já usou Quorum em projetos como o das tradings de commodities Covantis e da LVMH Aura, para rastreamento de produtos da marca de luxo.

A Consensys demitiu cerca de 25% de seus funcionários desde o final do ano passado e em fevereiro anunciou que separaria as partes de desenvolvimento de software e de investimentos, focando agora em consultoria e produtos. Um sinal de que as coisas não iam bem e de que, com os rumores sobre o JP, poderia estar arrumando a casa para receber investimentos que lhe deem mais fôlego.

Além da Quorum, em blockchain o JP Morgan também tem dito que vai desenvolver sua própria moeda estável. Ao mesmo tempo, há alguns dias perdeu seu então diretor de estratégia de ativos digitais, Oli Harris, que foi para o Goldman Sachs. O concorrente acaba de indicar que vai acelerar seus investimentos nessa área.