Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Digitalização e falta de ação de governos da AL alimentam crimes com criptomoedas

Grupos de crime organizado na América Latina estão utilizando criptomoedas para lavar dinheiro e usam a dark web para contratar hackers e realizar crimes cibernéticos, segundo um estudo da IntSights, empresa de inteligência cibernética e blockchain, e da CipherTrade, empresa de inteligência de criptomoedas. Esse cenário é resultado da rápida adoção de tecnologias digitais e da falta de respostas dos governos aos crimes na internet, o que ajuda a fazer da região a pior em termos de lavagem de dinheiro no mundo,

Segundo o estudo, o Brasil é o país da América Latina que melhor está se preparando, em termos de legislação, para garantir a privacidade de dados. Há mais de 40 regulações nesse sentido e está prevista a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) em agosto próximo.

A América Latina tem cerca de 460 milhões de usuários de internet, o equivalente a 70% da população da região. O Brasil e Colômbia respondem pela maior parte desse número e são, respectivamente, o segundo e o quarto no mundo no ranking de tempo que o usuário fica internet diariamente.

Sppyns, startup criada por brasileiros, obtém licença de órgão regulador suíço

A Sppyns, startup criada em 2017 por brasileiros da área de tecnologia e que negocia criptoativos, conseguiu a licença de operação da Autoridade Supervisora do Mercado Financeiro da Suíça (FINMA, na sigla em inglês).

A licença é opcional, mas a Sppyns quer ter reconhecimento global, disse o diretor geral e co-fundador da empresa, Rodrigo Csizmar Borges, em comunicado. A startup tem um marketplace de criptoativos e uma plataforma de tokenização de ativos.

A Suíça é a base de outras empresas de criptoativos por ter criado um ambiente regulatório que facilita o desenvolvimento e a operação desses negócios. A Associação Libra, por exemplo, criada pelo Facebook para a o lançamento da stablecoin Libra, escolheu o país como sede.

Em Zug, uma região conhecida como paraíso fiscal, o governo local incentiva a instalação dessas empresas, o que criou o chamado “crypto valley”. A Sppyns é parte da Crypto Valley Association, que tem o apoio do governo e mais de

FC Barcelona entra na plataforma blockchain de esportes Socios.com

O FC Barcelona aderiu à blockchain. O clube espanhol, que estima ter 300 milhões de fãs em todo o mundo, entrou na maior base de engajamento de fãs de esportes e entretenimento em blockchain do mundo, a Chiliz. Por meio do aplicativo Socios.com, fãs podem votar e participar de pesquisas relacionadas ao time. Quanto maior o engajamento, mais prêmios os fãs ganham.

Em entrevista recente ao Blockchain Economia, o CEO da Chiliz e Socios.com, Alexandre Dreyfus, disse que a plataforma oferece aos clubes receitas adicionais e uma maior participação dos torcedores. Como a plataforma é digital, e portanto global, pode ser acessada por fãs de todo o mundo.

O lançamento comercial da plataforma foi no último trimestre de 2019 e já tem cerca de 50 clubes de 20 países, como o Atlético de Madrid, Paris St German, Juventus, West Ham United e o Galatasaray.

Na Socios.com, o Barcelona poderá emitir os $BAR Fan Token Los, que os fãs ganham conforme se engajam na plataforma e podem trocar por produtos e serviços do clube.

Chiliz é uma moeda digital que impulsiona a Socios.com. A Binance.com., trader de criptomoedas, é umas das sócios da empresa.

Agenda: Evento em SP vai discutir blockchain e criptoativos

A BRQ Digital Solutions, especializada em transformação digital de empresas, e a Redpoint eventures, fundo que investe em empresas digitais, vão realizar na próxima terça-feira (18), em São Paulo, o evento “Década Nova, Novos Mercados – Blockchain, State of the Market & Foresights, 2020”. O evento vai discutir as perspectivas sobre blockchain, DLT e criptoativos.

Entre os palestrantes estão Courtney Guimarães, da BRQ e especialista em blockchain e criptoativos, Anderson Thees, sócio diretor da Redpoint, Marcelo Sampaio, co-fundador da HashDex, Taynaah Reis, fundadora do Banco Moeda Seeds e Maria Alice Frontini, do MIT e investidora.

As inscrições podem ser feitas pelo http://bit.ly/38lbUN4

Mercado Bitcoin Digital Assets vai lançar token de consórcios

A MB Digital Assets (MBDA), braço do Mercado Bitcoin para ativos digitais atrelados a ativos reais, vai iniciar neste semestre a venda de tokens de cotas de consórcios excluídas. Essas cotas são de pessoas que deixam de pagar o consórcio. Os ativos estão sendo definidos e devem ser de até R$ 50 mil, como carros e motos. O piloto poderá ser na faixa de R$ 5 milhões.

O projeto é comprar com desconto a parte já paga pelo consorciado, terminar de pagar o que falta e depois resgatar o valor cheio. De acordo com a MBDA, há cerca de 15 milhões de cotas de consórcio no país, mas praticamente a metade é cancelada.

É um processo semelhante ao que a MBDA faz com os tokens de precatórios que começou a vender em agosto de 2019. Os ativos da MBDA são negociados pela plataforma do MB, a maior do país para criptoativos.

“Estamos pegando o que funcionou na nossa experiência com precatórios, como vender frações de R$ 100,00, valor inspirado nos fundos imobiliários”, disse ao Blocknews Fabrício Total, diretor de OTC (mercado de balcão), do MB.

A operação será em conjunto com a Concash, que compra cotas de consórcios inadimplentes ou canceladas, e que será a originadora dos ativos. O teto de R$ 50 mil das cotas a serem tokenizadas se deve ao fato de que até aí, o cotista aceita perder parte do que pagou.

A MBDA, que tem entre seus sócios pessoas que já foram do mercado financeiro, tem ainda uma lista de cerca de 7 ativos em análise. Em 2018, a empresa começou a identificar o que poderia fazer com a tecnologia e o conhecimento que tem com as criptomoedas para diversificar seu negócio.

“Olhamos em especial os tokens e estudamos o que a regulação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) permitia e não permitia, o que tem representatividade e é útil para o investidor e o detentor do ativo real. Vimos que sobrava muita coisa interessante”, completou Tota. A concentração é em ativos grandes e de mercados conhecidos dos executivos da MBDA.

“Inovação não pede licença, mas fazemos com muito cuidado”, disse Tota. A empresa busca se garantir de que o ativo não tem valor mobiliário. No caso dos precatórios, já houve conversas com a CVM e, segundo o executivo, “até agora, tudo bem”.

Esse levantamento é ajudado pelo fato de a empresa contar com executivos que passaram pelo mercado financeiro, em empresas como a Cetip ( Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos), que foi comprada pela B3.

Tota afirma que embora os investidores da MBDA sejam em boa parte os da base de clientes em criptomoedas. Mas são pessoas em geral que conhecem sobre investimento de forma mais abrangente. “Miramos um público que busca alternativa à renda fixa, que busca uma alocação mais estratégica, não tanto de especulação”. O investidor de criptomoedas, em geral, é alguém que está mais interessado em no sobe e desce do mercado.

Uma outra diferença entre os dois segmentos é o esforço exigido para estruturar a venda de tokens, muito mais trabalhosa do que o negócio da bolsa de criptomoedas.

Precatórios

No caso dos precatórios, a empresa consegue descontos na compra do ativo de cerca de 15% a 20% em títulos federais. É desses títulos que deve vir o primeiro pagamento aos investidores, já que se espera o pagamento pela união ainda neste ano, segundo Tota. Quem compra uma fração, consegue ver exatamente qual precatório ela representa, disse a MBDA.

Em estaduais o desconto é maior, podendo chegar a 40%, porque os atrasos de pagamento também são.

A MBDA calcula que o retorno para o investidor é de cerca de 16% ao ano bruto, porque considera o desconto na compra do ativo e as correções e juros do título quando é pago.

A empresa vendeu 4 tokens de precatórios da união e dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, num valor de R$ 25 milhões. Em novembro começou a negociação do mercado secundário dos títulos. A preferência é pelo precatório alimentar, de salário não pago, porque tem prioridade no pagamento dos governos.

O plano para 2020 é fechar o ano com um volume total de negócios – tokens e criptomoedas – de R$ 9 bilhões, o dobro de 2019, e com 3 milhões de clientes, ante os 1,8 milhão do ano passado. A empresa não revela números de transações em criptomoedas.

Documentário: Silk Road mostra história crucial do bitcoin, diz consultor

O final de semana chegou e é hora de colocar a lista de filmes em dia. Para quem gosta dos gêneros com dark web, suspense e investigação, Silk Road: Drugs, Death and the Dark Web (2017) é um prato cheio.

O documentário conta a história do Silk Road, site norte-americano de compras na dark web criado em 2011 e que vendia de tudo, inclusive drogas. Seguia o pensamento libertário de que a privacidade é lei, cada um faz suas regras e o governo deve ser ignorado – portanto, enfrentado.

O site combinava o software Tor – que garantia anonimato com segurança – e o uso de bitcoins. Segundo Pedro Birindelli, consultor sênior da Cosin Consulting e entusiasta de blockchain, a venda de bitcoins apreendidas nas contas do site acabaram legitimando a moeda (foram cerca de 170 mil, que na época valiam algo como US$ 32 milhões e calma, isso não é um spoiler).  

Ross Ulbricht, acusado de ser o responsável pela plataforma, foi preso em 2013 e condenado a perpétua sem chances de perdão. Ele se diz inocente de todas acusações. Há um movimento que pede sua libertação e acusa o processo de injusto . Até agora, 250 mil pessoas já assinaram o pedido de libertação.  

Chega ao mercado a Tunacoin, moeda lastreada no atum pescado pelo RN

Em fevereiro próximo, a Companhia Industrial Atuneira, do Rio Grande do Norte, fará o pré-lançamento da Tunacoin, uma utility coin (moeda de utilidade) que vai correr em plataforma blockchain Ethereum. *

O investimento no Tunacoin foi de R$ 240 mil.

A estimativa é de que sejam lançadas inicialmente 6 milhões de Tunacoins que, poderão ser usadas no comércio e que ajudem a financiar pesquisas para a pesca sustentável do atum, disse ao Blocknews o presidente da Norte Pesca, Rodrigo Hazin. Rodrigo e seu irmão Cássio Hazin são os donos da Cia. Atuaneira industrial.

“ Nosso lançamento é bastante conservador. A moeda é cotada na proporção de 1 tunacoin para 1 quilo de atum e está lastreada no peixe existente no Atlântico, um mercado de US$ 6 bilhões ao ano. Vamos também deixar uma parte da moeda em reserva”, afirmou Hazin. 

Rodrigo Hazin

O site oficial do projeto é o https://www.tunacoin.io/, que está sendo atualizado – as datas corretas de pré-venda, por exemplo, ainda serão divulgadas.

Em março será o lançamento da moeda, junto com o Tracktuna, aplicativo em blockchain para rastreabilidade do peixe, do Tunalert, o e-commerce, e do Tuna Intelligence, empresa de soluções tecnológicas e consultoria, todos da Cia. Industrial Atuaneira.

De acordo com Hazin, da moeda ao rastreamento por blockchain, as ferramentas ajudarão a reforçar a visibilidade das ações sustentáveis com que o grupo busca pescar e tratar o atum.

O whitepaper da moeda está sendo finalizado em conjunto com a NBC Bomesp (Bolsa de Moedas Virtuais Empresariais de São Paulo https://www.bomesp.com.br). Será possível conseguir a moeda participando de transações na plataforma blockchain do projeto. “Será uma bonificação por quem usar a plataforma”, explicou Hazin. Além disso, o projeto é que a moeda seja negociada aqui e no exterior por meio da NBC Bomesp.

*Esta é a primeira parte da reportagem sobre os projetos da Companhia Industrial Atuaneira e da Aliança do Atlântico para o Atum Sustentável. A primeira versão desta reportagem, que afirmava que o Tunacoin era uma iniciativa da Aliança do Atlântico, foi corrigida. A Cia Industrial Atuaneira também informou que o projeto do Tunacoin foi atualizado, com a paridade sendo de 1 Tunacoin x 1 quilo de atum, e não mais de 1 Tunacoin x R$ 1.

Libra gera debate porque desafia sistema de pagamentos, afirma Disparte

Ontem (6), o Blockcnews noticiou a primeira parte de uma entrevista exclusiva com Dante Disparte, Vice-chairman e Head de Políticas e Comunicações da Associação Libra, em que o executivo falava dos caminhos nada fáceis para se lançar a stablecoin Libra. Hoje, publicamos outras informações dadas nessa entrevista e durante um painel sobre moedas digitais de bancos centrais ocorrido no Convergence – The Global Blockchain Congress, maior evento do mundo sobre a tecnologia, e que aconteceu na cidade espanhola de Málaga, em novembro passado.

A seguir, seguem trechos das principais declarações de Disparte nessas duas ocasiões.

Objetivo

Nosso único objetivo é fazer transações e pagamentos A Libra vai aumentar a velocidade do dinheiro, o que é uma mudança que os bancos centrais já sabem como acomodar por conta de décadas de melhorias na tecnologia de pagamento.

Nós não vamos emitir moeda, não poderemos controlar as taxas de juros e portanto, a definição de stablecoin (moeda estável) ou global stablecoin é efetivamente a de um ativo digital astreado por ativos estáveis. Ativos acessíveis nos países sem controle de capital (Libra terá lastro principalmente depósitos bancários e securities de curto prazo de governos, na proporção 1×1).

Nosso projeto não é necessariamente novo, o conceito de uma cesta de moeda é antigo, tem 50 anos, como a moeda do Fundo Monetário internacional (FMI). O conceito de uma associação de pagamentos tem uns 60, 70 anos. Então, por que a ira, o entusiasmo, as manchetes e as audiências públicas? Porque estamos desafiando muitos aspectos do sistema atual, em partícula os sistemas de pagamentos que deixaram milhões de pessoas para trás.

Moedas de bancos centrais

O projeto Libra acelerou a discussão sobre moedas digitais, inclusive de bancos centrais (CBDC, na sigla em inglês). Conversando com reguladores e formuladores de políticas centrais, vimos que a ideia de bancos centrais terem uma moeda nacional não é nova, mas ganhou nova vida.

Hoje os bancos centrais analisam as moedas digitais e olham principalmente para aplicações no atacado, tornando as relações entre os bancos mais eficientes. Mas não olham para a parte do varejo e de transações internacionais.

As CBDCs poderiam ser integradas à rede Libra.  Na nossa visão, como estamos desenhando nossa stablecoin, ela será a versão de varejo, um protótipo do que um dia poderia ser emitido diretamente pelos bancos centrais.

Se as CBDCs existirem, isso seria metade do meu trabalho feito e poderíamos nos concentrar na construção de uma rede blockchain de pagamentos que quebra os muros entre as pessoas. Quando as CBDCs existirem, teríamos uma rede interoperável.

Os reguladores estão preocupados porque muita gente perdeu dinheiro com ICO (levantamento de recursos para lançamento de ofertas iniciais de moedas digitais) e outras operações. Por isso, é preciso regular as atividades, não a tecnologia. Muitos países ocidentais levaram a tecnologia para a sombra e levaram offshores para os céus.

Regulação

É preciso uma harmonização de regulação e participamos muito ativamente e muito candidamente de conversações. A associação quer ser regulada. Cada vez que alguém diz que sofremos um terrível baque porque um regulador pede por altos padrões e escrutínios, nossa resposta é: isso está confirmando efetivamente nossa posição. Não há nenhum retrocesso nesses pedidos. Queremos ser um sistema de pagamento que esteja de acordo com o gerenciamento de risco financeiro.

Permitam-nos fazer as coisas de uma forma pública e privada, este é princípio que queremos trabalhar com os reguladores, formadores de políticas e ONGs. Levamos muito a sério a política monetária. As reservas da Libra estarão nas mãos de instituições financeiras bem reguladas. O que perdemos se o projeto não for bem-sucedido? Temos que perguntar onde as regulações não permitem inovação. Regulem as atividades, não regulem as tecnologias. Vemos o projeto como um sistema de pagamento, e menos como uma moeda digital ou estavél.

Inclusão

Estamos inovando. A internet não foi tão inclusiva em finanças e pagamentos. As redes financeiras se parecem com as empresas de telecomunicação pré-internet: não se falam. Não houve evolução na parte central da transmissão do pagamento nos últimos 50 anos, embora tenha havido inovações em pagamentos nas pontas.

Há 1,7 bilhão de pessoas sem conta em banco, mas 1 bilhão com conexão à internet pelo celular, um aparelho que permite transferências bancárias. Além disso, o custo de enviar dinheiro, mesmo em quantias pequenas, é caro para essas pessoas. O projeto da Libra é uma oportunidade, não um isolamento, para resolver esse problema.

O protocolo aberto para pagamentos reduz barreiras de entrada e dá poder aos consumidores. Isso quebra silos e promove a competição e permite inovação nos serviços financeiros. A Calibra, carteira digital da Libra, deverá ser apenas uma das que vão existir e os consumidores poderão enviar dinheiro entre carteiras concorrentes.  “Vamos mudar o script, virar a narrativa de cabeça para baixo e começar a tornar esses 1,7 bilhão de pessoas em futuros consumidores.  

Associação

Se você for rápido, vá sozinho, se for longe, vá em companhia. A associação começa a tomar corpo. Quando o projeto estiver pronto, queremos ter 100 organizações. O padrão é aberto, então haverá uma variedade de pagamentos pela internet, como cada ator da rede (que é fechada) sendo responsável seu desenvolvimento na plataforma e construir soluções.

2020 é meta ambiciosa para a moeda, diz executivo do projeto Libra

Vai ter Libra em 2020? A previsão de lançamento da stablecoin ainda neste ano, feita no lançamento do projeto em junho passado, parece hoje mais dúvida do que certeza. Em entrevista exclusiva ao Blocknews, Dante Disparte, Vice-chairman e Head de Políticas e Comunicações da Associação Libra, afirmou que ainda não é possível prever quando a moeda estará disponível no mercado. “2020 é um objetivo ambicioso, certamente. Temos muito trabalho para fazer com os reguladores, no aspecto político do projeto”, afirmou o executivo numa conversa com um veículo de imprensa brasileiro pela primeira vez.

Questionado se sua afirmação seria uma mudança de planos do projeto em blockchain mais comentado de 2019, Disparte respondeu: “Pode ser”. E afirmou que o white paper de lançamento da moeda fala sobre uma visão ambiciosa, que tem certos aspectos que não são operacionais. “De junho a hoje continuamos a conversar com reguladores, formuladores de políticas e outros interessados e o processo regulatório é o mais importante de tudo. Mas é possível que no final de 2020 tenhamos licenças para operar”. Assim como Disparte, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, também deu recentemente uma declaração que não confirma e nem nega os planos futuros de lançamento da moeda que vai usar a tecnologia blockchain.

A entrada no mercado da Libra, que ficou conhecida como “a moeda do Facebook”, causou um alvoroço tão grande que acabou dificultando as coisas. Críticas sobre o risco de as empresas da Associação Libra passarem a controlar dados e mexerem no sistema financeiro atual levou a uma forte reação de reguladores e políticos. Tanto que do grupo inicial de 28 empresas que formariam a associação, sobraram 21, com a saída de gente de peso, como Visa, Mastercard, eBay, PayPal e Booking.   

A associação tem uma série de tarefas na parte regulatória e na formação da infraestrutura do projeto, o que deve ser um dos focos neste ano. Depois da reação nada receptiva de reguladores e formuladores de políticas, é nas conversas com essas pessoas que a associação está se concentrando nos últimos meses e deve continuar a fazer em 2020. “Para este projeto funcionar, você não pode pedir desculpas, você tem que pedir permissão”, disse Disparte.

 Se falou com algum regulador ou formulador de política no Brasil, Disparte não responde. Diz que não abre com quem fala em lugar nenhum. E completou: “temos nos reunido com pessoas em todo o mundo e esse é um processo contínuo”.

Disparte repete como um mantra, em qualquer lugar em que esteja, que a instituição é a favor de regulação e que sem isso, o projeto não sai do papel. “Podemos controlar o aspecto operacional, o desenvolvimento da tecnologia e da associação. Mas a regulação é muito importante e não vamos lançar a Libra em nenhuma parte do mundo sem licença.” E repete isso com um auto-controle invejável quando é duramente pressionado por reguladores, como aconteceu num painel no Convergence – Global Blockchain Congress em Málaga, em novembro passado.

Outro foco de 2020 é aumentar o número de empresas na associação. “Temos que continuar a recrutar mais membros, queremos ter 100 antes do lançamento”, completou o executivo porto-riquenho que fala um português excelente, além de outras 5 línguas.

Fato é que a Libra é um projeto para lá de complexo. Construir a rede de blockchain Libra que vai usar a stablecoin tem vários passos, incluindo, na ponta dos consumidores, a criação de carteiras digitais. Sobre as carteiras, a expectativa do executivo é de que haverá diferentes soluções de carteiras digitais onde a Libra for utilizada, com as pessoas convertendo moedas fiat em libra ou recebendo pagamentos na stablecoin.  

“Olhando para trás, eu faria tudo de novo, apesar de estar sendo um caminho difícil. Mas é uma forma de estabelecer uma conversa e focar energia em questões importantes, como populações não-bancarizadas, custos altos de serviços financeiros básicos e falta de uma infraestrutura aberta que apoie a inovação e a competição”, afirmou o executivo. Esses são os aspectos que os representantes do projeto também citam como um mantra para explicar o benefício que a Libra pode trazer.  

Se o caminho é difícil, isso pode significar que Disparte ainda deve ficar um bom tempo nesse emprego. “Meu trabalho acaba quando tivermos licença a nível global para o projeto”, afirmou.

*Esta é a primeira parte de uma entrevista com Dante Disparte. O restante do material será publicado amanhã, dia 7”.

Congresso global discutirá o uso da tecnologia blockchain

Começou hoje (11), e vai até a próxima quarta-feira (13) o Convergence – The Global Blockchain Congress, em Málaga (Espanha). O evento vai reunir representantes da comunidade blockchain do mundo todo, incluindo reguladores, decisores de políticas , fornecedores de tecnologia, usuários, ONGs e pesquisadores. Serão cerca de 1,3 mil participantes no que os organizadores esperam que se torne o maior evento global do segmento.

Regulação, padronização, moedas digitais de bancos centrais e uso de criptoativos em projetos sociais são alguns dos temas que serão discutidos.

O Congresso é patrocinado pela Comunidade Européia, que tem um órgão inteiramente dedicado ao assunto – o EU Blockchain Observatory and Forum -, pela Inatba (International Association for Trusted Blockchain Association) e Alastria, instituição espanhola que reúne a comunidade blockchain da Espanha.

Nesta segunda-feira, haverá um desafio entre equipes que terão de apresentar uma solução em blockchain. Cada equipe fará uma solução para um dos 17 Objetivos do Desenvolvimento da ONU. Elas terão 10 horas para isso. Serão equipes multidisciplinares.

Na quarta-feira, um dos painéis discutirá a digitalização e interoperabilidade nos países da América Latina. A diretora de conteúdo da Blocknews, Claudia Mancini, será a mediadora do debate.