Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

De recorde em recorde, cotação do bitcoin superou R$ 100 mil

De recorde em recorde nos últimos dias, o bitcoin superou os R$ 100 mil nesta sexta-feira (20). O preço subiu com a alta em dólar, de US$ 18,2 mil para US$ 18.750. O maior valor em dólar que a moeda já atingiu foi o de US$ 20 mil.

“O movimento de alta resulta do aumento da demanda, diante do atual contexto econômico global provocado pela desaceleração da atividade e da massiva injeção de liquidez promovida pelos principais bancos centrais, levando os investidores a buscarem ativos escassos, que funcionem como reserva de valor”, disse o diretor-executivo da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto), Safiri Félix.  

Segundo ele, a alta também é resultado da entrada de investidores profissionais com grandes aportes, das tensões eleitorais nos Estados Unidos e da adesão recente de empresas como Square e PayPal ao mundo cripto, além da mudança de postura de gestoras como a BlackRock, reconhecendo o bitcoin como uma alternativa potencialmente melhor que o ouro.  Segundo a Receita Federal, entre janeiro e setembro deste ano, as transacionados R$ 86,361 bilhões.   

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RPX lança RAS Bank, que terá serviços tradicionais e operações com ativos digitais

A holding RPX, empresa de soluções para bancos digitais, lançou um banco digital multimoedas e um cartão internacional. O RAS Bank funciona há dois meses e embora ofereça serviços tradicionais, como pagamento de contas, irá atuar principalmente com moedas virtuais e ativos digitais, entre eles sua cripto RAS, lastreada em reais e que já estava em circulação.

As etapas de lançamento dos serviços incluem conta digital com criptomoeda integrada, tokenização de ativos, tokenização de investimentos com empresas de multimercado, cartão de liquidação direto em cripto e máquina de pontos de venda (PoS) com cripto integrada, segundo Rafael Pimenta, CEO da holding.

“Assim como os ativos de empresas serão negociados através de tokens, alguns precatórios e tokens imobiliários também estarão disponíveis. Isso facilitará o dia a dia de todos aqueles que escolherem o que desenvolvemos”, completa Pimenta. A curadoria para elegibilidade dos ativos a serem tokenizados estão sendo feitos por uma empresa de especializada do próprio grupo RPX.

“Trabalhamos com taxas de liquidação para democratizar o acesso ao mercado”, explica Jaime Nascimento, presidente da RAS.CASH e que tem 30% do banco. Os outros 70% são de Pimenta, que têm trabalhado com tecnologia e serviços financeiros.

A moeda RAS já existia antes do banco e para cada uma unidade em circulação, há R$ 1 depositado em banco, segundo Pimenta. Segundo ele, “o valor armazenado da moeda oscila diariamente entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões, depositados no Banco Plural, com acesso público.

O investimento no banco foi de R$ 5 milhões em desenvolvimento e o CAPEX é de US$ 38 milhões em 2020.

Educação e falta de políticas de diversidade afastam mulheres da criptoeconomia

Por que as mulheres ainda são uma fatia tão pequena no grupo de investidores em criptomoedas? Por que o mesmo acontece nos ambientes de trabalho desse segmento? E o que as corretoras e empresas precisam fazer para atrair esse público?

Para a primeira pergunta, uma das respostas é educação. Mulheres investem, em boa parte, naquilo que conhecem. Como o uso de criptos começou, principalmente, com os gamers e cypherpunks, a maioria deles homens, esse perfil foi se estendendo dessa forma.

Para a segunda pergunta, podem reduzir o gap as políticas de maior diversidade nas empresas e também educação nas escolas e em casa, que mostrem às meninas que STEM (ciências, tecnologia, engenharia e matemática) também são assunto de mulheres..

Esses temas foram discutidos na live “Por que somente 15% é a fatia do público feminino na criptoeconomia?”, organizada pela plataforma de comercialização de criptos Monnos, nesta semana, com a participação de Rodrigo Ubaldo, CEO e co-fundador da plataforma, e esta editora do Blocknews. A live pode vista na íntegra no vídeo abaixo.

US$ 7,6 bi foram roubados em ataques e fraudes em corretoras de criptos desde 2011

De 2011 até agora, US$ 7,6 bilhões (cerca de R$ 46 bilhões) foram roubados em 113 ataques cibernéticos e 23 esquemas fraudulentos envolvendo corretoras de criptomoedas, segundo o estudo Security Breaches and Fraud Involving Crypto 2011 – 2020, da Crystal Blockchain, empresa de ferramentas de análises para compliance.

O relatório começa a contagem com o primeiro ataque oficial a uma corretora, a Mt. Gox, em junho de 2011, que resultou em perdas de US$ 36 mil. A empresa teve pelo menos mais dois ataques e tudo somado resultou em perdas de US$ 660 mil. A Mt. Gox fechou as portas, mesmo depois de ser a maior intermediária de bitcoins do mundo.

Dos US$ 7,6 bilhões, US$ 4,8 bilhões foram roubados em esquemas fraudulentos e US$ 2,8 bilhões em ataques contra as corretoras. Os países mais atacados no acumulado do período foram os Estados Unidos, Reino Unido, Coréia do Sul, Japão e China. A maior perda foi a do esquema de pirâmide Plus Token, de US$ 2,9 bilhões, mais da metade do total apurado pelo estudo.

Maioria dos problemas acontece com corretoras fraudulentas. Arte: Crystal Blockchain

O estudo não consegue identificar a localização de diversos casos. No Brasil, identifica o do Bitcoin Rain, que somou US$ 370 mil (cerca de R$ 2.2 milhões), em março de 2013. Trata-se de uma fraude iniciada por Leandro César, que anunciou em fóruns sobre Bitcoin a criação de um grupo de 200 cotas de investimentos, cada uma valendo um bitcoin. Investidores poderiam comprar quantas cotas quisessem e a promessa era de retornos polpudos de pelo menos 9% por mês. Como o fraudador abriu uma conta para receber os valores no Mercado Bitcoin, onde foi sócio por alguns meses, corre um processo contra ambos.

Procurado, o Mercado Bitcoin afirmou que “sempre se posicionou como não tendo nenhuma relação com o caso e agora isso foi comprovado por uma terceira parte – um perito nomeado pelo juízo – com um laudo pericial.” Segundo informações divulgadas na imprensa, segundo o laudo, o Bitcoin Rain fez operações em diferentes corretoras, numa relação de cliente com as exchanges. E disse que os valores foram sacados da conta do Bitcoin Rain no MB e enviados a outros endereços rastreados pela Chainalisys.

Segundo o relatório, 43% dos problemas se referem a corretoras fraudulentas e o maior número de ocorrências, tanto de fraudes, quanto de ataques cibernéticos, foi em 2019, com 26 no total. Depois de 16 deles em 2013, os números caíram até 2016 e voltaram a subir no ano seguinte. Em 2020, foram registrados 17 até agora.

Em muitos casos, os fundos são movimentados após os casos ocorrerem e ficam em alguma carteira digital. “Mas, a alta volatilidade no mercado de ativos virtuais leva, em geral, os criminosos a tentarem sacar os recursos roubados em algum momento”, diz o relatório.

Live da Monnos com Blocknews discutirá baixa participação de mulheres na criptoeconomia

“Por que somente 15% é a fatia do público feminino na criptoeconomia?” é o tema da live promovida pela corretora Monnos nesta terça-feira (10), às 20 horas, pelo Instagram da empresa (@Monnos_Global), com a participação desta editora do Blocknews.

A reduzida participação de mulheres no mundo cripto vai desde a área de programação, como mostrou um estudo independente, passando pelo mercado de trabalho em empresas de diferentes segmentos de criptoativos e blockchain, até o de investimentos.

Wirex divulga lista das 10 mulheres de maior destaque no mercado global de cripto

A empresa de pagamentos digitais Wirex e o hub de notícias The Fintech Times anunciaram as 10 principais mulheres em ascensão no mercado global de cripto, escolhidas dentre 367 inscritas. São mulheres em papéis relevantes e de destaque em diferentes áreas, como consultoria, pesquisa e implantação de projetos, e que atuam na Europa, Ásia, Estados Unidos e Israel.

Mulheres no mundo cripto são minoria tanto no mercado de trabalho, quanto como investidoras, o que faz empresas do setor buscarem atraí-las para seus portfolios, carteiras digitais e corretoras.

A escolha das 10 mulheres se baseou em suas conquistas, potencial, capacidade de liderança, ambição, influência e inovação, segundo a Wirex. São elas, em ordem aleatória:

  • Noelle Acheson, Diretora de Pesquisa da CoinDesk
  • Tonya M. Evans, Professora da Penn State Dickinson Law
  • Lucy Gazmararian, Diretora Associada da PWC Crypto & Fintech Advisory
  • Susan Crew, Criadora de Conteúdo da Crypto Granny
  • Simone Maini, CEO da Elliptic, empresa de análise de dados com foco em compliance
  • Inbal Polak, Diretora do Fundo para Ativos Digitais da YRD Capital
  • Elizabeth Kukka, Diretora Executiva da empresa de soluções Ethereum Classic Labs
  • Sofie Blakstad, CEO da hiveonline, que desenvolve soluções para comunidades, com foco em finanças sustentáveis
  • Christina Lomazzo, Líder de Blockchain Lead da UNICEF
  • Lenka Hudáková, Gerente de Eventos da Maker Foundation

O “Rising Women in Crypto Power List de 2020” é parte da campanha “Women in Crypto”. O site da campanha traz diversos conteúdos sobre mulhers que trabalham a Wirex e influenciadoras no segmento cripto e fintech e fica no ar até domingo (8).

Mercado Bitcoin e Vasco vão emitir primeiro token de mecanismo de solidariedade de jogador do mundo

O Mercado Bitcoin, maior plataforma de criptomoedas e ativos digitais da América Latina, fechou parceria com o Club de Regatas Vasco da Gama para fazer a primeira tokenização do mundo de direitos de mecanismo de solidariedade de jogadores de futebol.

Serão criados 500 mil tokens de 12 atletas formados nas divisões de base do clube e o lançamento está previsto para dezembro. O valor inicial é de R$ 10 milhões, ou seja, R$ 20 por token, mas segundo os parceiros, poderá superar R$ 50 milhões. A compra pode ser feita por brasileiros e estrangeiros na plataforma do Mercado Bitcoin.

O mecanismo de solidariedade é uma regra da Fifa e prevê que a cada transferência de um jogador, 5% do valor negociado vá para o clube que contribuiu para formar o atleta. O valor é proporcional ao tempo que o jogador ficou no time.

Como o Vasco não tem mais ingerência nas negociações desses jogadores, porque já estão em outros clubes, quem tiver o token receberá sua parte pelo mecanismo de solidariedade se e quando as operações acontecerem.

Os jogadores tokenizados do Vasco já estão em outros clubes, inclusive fora do país. Cada token corresponderá a uma parte dos direitos de mecanismo de solidariedade de atletas como Philippe Coutinho, Douglas Luiz, Alex Teixeira e Allan, que atuam na Europa e Ásia e já foram convocados para a seleção brasileira.

Jogador / Atleta Clube Atual
Josef de Souza Dias Beşiktaş, Turquia
Douglas Luiz Soares de Paulo Manchester City F.C, Inglaterra
Philippe Coutinho Futbol Club Barcelona, Espanha
Alex Teixeira Santos Jiangsu Suning, China
Paulo Henrique Sampaio Filho
(Paulinho)
Bayer 04 Leverkusen, Alemanha
Allan Marques Loureiro Everton, Inglaterra
Evander da Silva Ferreira FC Midtjylland, Noruega
Luan Garcia Teixeira Sociedade Esportiva Palmeiras, Brasil
Mateus da Silva Vital Assumpção Sport Club Corinthians Paulista, Brasil
Alan Kardec de Souza Pereira Jr. Chongqing Lifan FC, China
Marrony da Silva Liberato Silveira Clube Atlético Mineiro, Brasil
Nathan Santos de Araújo Boavista Futebol Club, Portugal

A tokenização será feita pelo Mercado Bitcoin Digital Assets (MBDA). Os tokens estão na plataforma do MB, que já fez uma pré-compra de 20% das 500 mil unidades. O acordo também prevê que o MB tenha sua marca na camisa do Vasco por até 8 jogos. O MBDA vai receber 5% dos tokens pela prestação dos serviços de operacionalização. O Vasco ficará com os 75% restantes dos tokens.

“Esse é um token que deve mudar a maneira como o futebol trata o mecanismo de solidariedade. O Vasco é o primeiro clube do mundo a contar com esse token, mas queremos que outros clubes possam ter acesso a ele. Confiamos que estamos criando uma nova fonte de receita para os clubes”, afirma Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin.

Segundo o presidente do Vasco, Alexandre Campello, “desde 2018, o clube vem buscando possibilidades de utilização de criptoativos para gerar novas receitas e recursos financeiros”.

Para implantarem o projeto, os parceiros buscaram pareceres jurídicos de advogados especialistas em futebol, moedas digitais e regulamentação de valores mobiliários, além de consultarem a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para confirmar o entendimento de que o token não se caracteriza como valor mobiliário.

Rabelo, CEO do MB, diz que empresa fará pré-compra de 20% dos tokens. Foto: MB

Para calcular o valor dos tokens, a MBDA e o Vasco da Gama usaram o valor dos jogadores estimados no Transfermarket, site especializado no assunto, e o potencial de valorização ou desvalorização estimado para os jogadores, considerando-se avanço da idade e possíveis transações futuras. Assim é que se chegou ao valor atual de R$ 50 milhões.

O MBDA vai receber 5% dos tokens pela prestação dos serviços de operacionalização. O Vasco ficará com 75% (20%, além dos 5%, serão do MBDA, por conta da pré-compra).

Tokenizar ativos de todos os tipos – ou dividir algo em pedaços – é uma das possibilidades que blockchain oferece. Com isso, além de se criar um instrumento financeiro que pode gerar renda, o preço para se ter uma parte do que foi tokenizado é mais acessível, democratizando o investimento.

“DeFi vai acontecer além do Ethereum, com interoperabilidade entre blockchains”

Em entrevista ao Blocknews, Solange Gueiros, desenvolvedora e professora sobre plataformas blockchain na Blockchain Academy e Fiap, fala do crescimento, da segurança e da necessidade de educação financeira relacionada das finanças descentralizadas, que surgiram no mundo dos blocos, conhecidas como DeFi.

A entrevista a seguir faz parte da série sobre os 12 anos de publicação do white paper de Satoshi Nakamoto sobre bitcoin, completados no último dia 31 de outubro.

BN: Qual é o cenário de DeFi no mundo? 

SG: No final de 2019, aproximadamente 3 milhões de Ethers (ETH) estavam alocados em DeFi. Em outubro deste ano, este número já passou de 9 milhões, segundo o site Defipulse, Ou seja, DeFi está em crescimento exponencial. Estamos falando de um movimento mundial e não por país. Os usuários fazem operações usando endereços blockchain, que não tem nenhum KYC (sigla de Know your customer, método de identificação de clientes usado no setor financeiro). Logo não é possível saber de onde eles são.

BN: E qual o cenário no Brasil?

SG: A recuperação do ecossistema cripto culminou neste mês de outubro com o bitcoin atingindo suas máximas históricas no Brasil, embora a valorização do BTC em dólar ainda esteja longe do seu valor máximo, demonstrando a desvalorização do real em relação ao Dólar.

BN: Quais os projetos DeFi que você destacaria?

Os principais que aparecem na lista da Defipulse são Uniswap (US$ 2,79 bilhões), Maker (US$ 2,12 bilhões), WBTC (US$ 1,45 bilhão), Aave (US$ 1,11 bilhão) e Compound (US$ 1,09 bilhão).

Uniswap é um protocolo para troca de tokens baseado em provedores de liquidez e market makers automatizados e pode ser utilizado por qualquer um, é open-source. Podemos dizer que Bitcoin é DeFi, mas eu diria que Bitcoin é o ancestral de DeFi, e que a MakerDAO é o projeto origem de DeFi. É uma plataforma de crédito para emissão de DAI, uma moeda estável cujo valor está atrelado ao dólar americano, hoje colateralizado por ETH e outros criptoativos .

BN: Qual a vantagem de DeFi em relação ao sistema financeiro tradicional?

SG: As diferenças entre DeFi e CeFi podem ser colocadas da seguinte forma:

  • Finanças descentralizadas contra finanças centralizadas;
  • Um opera sem censura e o outro pode ser censurado ou controlado;
  • DeFi é econômico e CeFi é caro;
  • E um sistema é baseado em blockchain enquanto o outro está construído sobre fundações arcaicas.

BN: Quais são as barreiras de entrada em DeFi do ponto de vista dos consumidores?

SG: Uma barreira é a educação financeira, principalmente a conscientização e maturidade necessárias para ser completamente responsável pelo seu próprio dinheiro. Em DeFi a custódia dos seus ativos fica com você, e não com uma empresa ou um banco. E se você perder suas chaves privadas, o que seria o equivalente a perder sua senha em um sistema centralizado, não existe o botão “esqueci minha senha”. Já era, perdeu seu dinheiro.

BN: Uma pesquisa divulgada recentemente mostra que 86% das empresas do setor financeiro tradicional europeu avalia ou planeja ter projetos nessa área. DeFi levará a uma mudança drástica ou ao fim do setor tradicional como conhecemos?

SG: Na minha opinião, DeFi é a mudança! Não acho que seja possível saber se o setor tradicional vai acabar. Mas é fato que DeFi já tem condições de reproduzir praticamente tudo o que existe no setor financeiro tradicional, sem horário bancário e pausas nos finais de semana, ou seja, funcionando 24 horas, 7 dias por semana. Faz total sentido que as empresas de finanças centralizadas pensem em projetos de DeFi, seja pelo custo menor, pela disponibilidade maior ou apenas para não ficarem para trás. 

BN: O que DeFi muda no setor de criptoativos? E isso é bom ou ruim?

SG: As finanças descentralizadas expandem o mundo dos criptoativos, ampliam as possibilidades de utilização, seja como investimentos, empréstimos, seguros, ou ainda a grande variedade em derivativos do sistema tradicional que podem ser reproduzidos em DeFi. É excelente, não há como voltar atrás.

BN: Olhando para os próximos 12 anos (ou até onde vc consegue enxergar), como você imagina o cenário do segmento de DeFi?

SG: Não acho que seja possível falar em um determinado tempo em anos, mas enxergo que DeFi vai acontecer além do Ethereum, com a expansão da interoperabilidade entre blockchains, em um futuro onde redes se complementam e interagem entre si. Acredito no Ethereum e acho fantástico o crescimento de DeFi neste blockchain, mas acredito que haverá mais opções em outros blockchains, principalmente em Bitcoin, como a evolução que já está acontecendo na RSK, por exemplo. 

BN: Há quem diga que DeFi não é seguro porque não se sabe o que está colocado nos smart contracts. Qual sua opinião sobre isso?

SG: Eu penso exatamente o contrário. Em DeFi, praticamente todos os projetos são open source e com smart contracts com o código fonte verificado. Isto significa que o smart contract realmente corresponde ao bytecode (código em linguagem de máquina)  gravado no blockchain.
Ou seja, é possível conferir tudo o que o smart contract faz. Se houve alguma falha, ela está pública e será utilizada para o bem ou para o mal, dependendo de quem encontrá-la. Mas isto é considerado um ponto positivo em segurança. Entidades que não publicam o código fonte de seus smart contracts são menos confiáveis, porque é preciso acreditar no que dizem que ele faz e não conferir no código.

Outros conteúdos da série 12 anos de bitcoin em:

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Parceria entre empresas e governo fez da Suíça um hub em criptos e blockchain

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Parceria entre empresas e governo fez da Suíça um hub em criptos e blockchain

Uma bem sucedida parceria entre empresas e governos e ações do ecossistema para evitar a atuação de golpistas, logo no início do mundo cripto, foram alguns dos fatores que tornaram a Suíça um dos principais centros das finanças tradicionais do mundo, também em um dos principals hubs de negócios ligados a criptoativos e blockchain.

Essa é uma das mudanças no mundo dos negócios causadas pelo whitepaper de Satoshi Nakamoto sobre a bitcoin, divulgado há 12 anos. E quem conta essa história ao Blocknews é Toni Caradonna, membro fundador da Federação Suíça de Blockchain (SBF em inglês), por meio da Fundação Porini, ONG que usa tecnologia em projetos de impacto social, e que lidera o grupo de trabalho de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU na federação.

Esta entrevista é parte de uma série que o Blocknews publicará em celebração à divulgação do whitepaper, em 31 de outubro de 2008.

BN: Quais foram os maiores fatores que levaram a Suíça a se tornar um dos maiores promotores de blockchain e criptoativos?

TC: Na minha percepção, foi um exemplo perfeito de uma parceria público-privada. Houve uma adoção empreendedora muito cedo em meio a uma incerteza jurídica. Então, os stakeholders se juntaram a tomadores de decisão do governo, que viam o potencial que a tecnologia oferece. Pessoalmente, também acho que o fato de a Fundação Ethereum estar em Zug e ter tido a consultoria de um time de advogados muito competente e com excelente reputação, acelerou a credibilidade do setor. Além disso, acho que o aspecto autoregulatório dos stakeholders que queriam uma separação clara entre os atores complacentes e os golpistas, foi um grande motivador para a adoção.


BN: Esse movimento significa que a Suíça acredita que o setor financeiro tradicional será substituído, no futuro, pelos criptoativos?

TC: Não acredito que vivemos num mundo binário, nem em relação à sociedade e nem em relação aos negócios. Porém, eu realmente acredito que muitos participantes do setor vejam um potential massivo, o potencial de disrupção. A Suíça não tem recursos naturais e é altamente dependente de inovação. Por isso é que existe um grande interesse e apoio dos tomares de decisão em todos os níveis.


BN: Tem havido várias ações para promover os criptoativos, como a criação do Cryto Valley em Zug e o uso de criptomoedas para pagamento de impostos. Há também um movimento para promover o uso de blockchian em empresas e no governo? 

TC: Eu vejo isso como um desafio de percepção. A Suíça é uma federação, portanto há vários níveis de governo, com muita independência e que podem atuar e comunicar de forma rápida e efetiva. O apoio a tecnologias usadas pelas empresas, em geral, acontece nas diretorias daquelas de grande porte, que precisam prestar contas a reguladores e comitês de padronização. Isso leva tampo e o foco é no negócio e não no marketing, em especial quando se pensa na indústria de infraestrutura. A maior provedora de energia do país, a Axpo, por exemplo, trabalha há dois anos numa missão federal crítica em blockchain, com seu braço Axpo WZ Systems e a solução SwissDLT (rede suíça criada pela rede BCTS, da qual a Axpo faz parte), sem soltar comunicados. Por isso, acho que as empresas vão adotar a solução sem fazer grande barulho.


BN: Qual tem sido o maior apoio que os governos locais e o federal tem dado para promover criptoativos e blockchain?

TC: Claramente, o esclarecimento feito pelas autoridades do mercado financeiro, logo no início, foi extremamente útil. Além disso, a rápida e drástica intervenção sobre os golpistas e atores de má fé ajudou a evitar danos de reputação. O fato também de que o conselho federal oficialmente disse que a Suíça deveria ser uma Nação Cripto foi importante, apesar de muito debatida dentro da comunidade. E por último, mas não menos importante, as duas câmaras do parlamento aceitaram a nova lei que entra em vigor em agosto de 2021 (trata-se de um conjunto de emendas a leis financeiras e corporativas) . O conselho federal explicitamente convida a indústria a comentar os detalhes dessa implementação (há uma consulta publica que acaba de começar e segue até 2 de fevereiro). Basicamente, o Blockchain Act pretende dar mais segurança jurídica e fazer com que haja menos obstáculos para as aplicações blockchain, além de buscar minimizar abusos. Em outras palavras, pretende levar as criptomoedas e a tecnologia blockchain para uso o convencional. A lei cobre o comércio de ativos digitais e estabelece padrões para as bolsas de criptos.


BN: Qual é a importância de Zug nesse contexto?

TC: Zug é o lar da Fundação Ethereum e um hub para muitas companhias globais por vários motivos (inclusive brasileiras, como a Sppyns, e uma delas são os impostos. Mas as autoridades de Zug aceitaram muito cedo os pagamentos em bitcoin, o que, se você pensar sobre isso, foi uma ação muito radical. E havia ainda uma associação do setor desde o início, bem sucedida e influente, que promoveu o Blockchain Valley, o que foi um investimento efetivo e uma ferramenta de marca e marketing que possibilitou uma série de ações em todo o mundo.


BN: Como você descreveria o estágio atual de uso de criptomoedas e de blockchain em empresas no país?

TC: Eu acredito que há muito tempo nós passamos do estágio de criptomoedas e estamos olhamos para uma gama maior de aplicações. Há vários atores globais que trabalham num ou mais projetos. Os pequenos e médios ainda não estão implementando soluções. Há pioneiros interessantes como o Crowdlitoken, que granulou propriedades no mercado imobiliário europeu para 100 euros (cerca de R$ 675) e que resolveu um grande problema. A divisão europeia de riqueza é baseada no topo da pirâmide quando se fala em acesso a esse mercado. Outro caso interessante é o do setor de energia. A liberalização desse mercado exige novas ferramentas. A Thurgie AG, que usa blockchain para tokenizar painéis solares, com isso gera a adesão de clientes, independência de bancos e um potencial para terceirização de risco e colaterizaçao de ativos.

BN: Como você vê esse cenário em 5 anos?

TC: Eu não faço previsões. Acho que a maior bifurcação que acontecerá será o efeito do Covid-19 e o resultado disso é realmente difícil de se prever, porque será muito radical.


BN: Quais serão os principais movimentos da Federação Suíça de Blockchain nos próximos anos? O Blockchain Nation é um deles?

Um dos maiores focos é promover a inovação. Nos próximos 4 anos, a SBF ser conectará com startups, indústrias globais, governos e investidores num programa muito claro dentro do marco de uma inovação aberta, num esforço chamado Blockchain Nation Switzerland.

Outra entrevistas sobre os 12 anos de blockchain em:

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Moeda do JPMorgan Chase será usada comercialmente e banco cria unidade de blockchain

A JPM Coin, moeda do banco JPMorgan Chase, será usada comercialmente pela primeira vez nesta semana. Além disso, a instituição criou uma nova unidade, a Onyx, para cuidar da moeda e de outras iniciativas em blockchain disse Takis Georgakopoulos, líder global do JP para pagamentos no atacado.

A nova unidade tem mais de 100 profissionais, disse o executivo em entrevista à CNBC.

DBS quer ter bolsa

O DBS, maior banco em ativos do sudeste da Ásia, planeja ter uma bolsa digital, que terá negociações de bitcoin, bitcoin cash, ether e XRP contra os dólares dos Estados Unidos, Singapura, Hong Kong e do ien. A informação é do CoinDesk e, segundo o site, teria sido publicada por engano pelo DBS e depois retirada da internet. Também serão oferecidos serviços de tokenização para empresas.

O banco confirmou o plano da bolsa e informou que ainda não há aprovação regulatória para o negócio, que está sendo montado. Os serviços vão incluir tokenização.