Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

CoinShares cria índice que une ouro e criptoativos para equilibrar volatilidade

A CoinShares, que oferece investimentos em criptoativos, lançou o índice CoinShares Gold and Cryptoassets Index (CGCI), o primeiro que segue a regra EU Benchmark Regulations (EU BMR), da União Europeia, para a indústria de ativos digitais. Ao combinar ouro e criptoativos, o índice combina a baixa volatilidade e maior segurança do metal com a alta volatilidade do criptos.

No último rebalanço do índice, em 30 de abril, os criptos eram 31,75% do índice e o ouro representava os restantes 68,25%. O CGCI foi elaborado com o suporte do Imperial College London, que avaliou que aliar os dois ativos é menos arriscado do que ter um dos dois apenas. “O CGCI é o produto de quase dois anos de pesquisa, desenvolvimento e experiências com a CoinShares”, disse Will Knottenbelt, diretor do Imperial College Centre for Cryptocurrency Research and Engineering.

O índice pode ser acessado pelo Bloomberg Terminals and Refinitiv. O chairman executivo da CoinShares, Daniel Masters, afirmou que índices de produtos baseados em pesquisa e bem documentados foram os catalisadores da adoção das commodities como investimentos pelas empresas. A Coinshares criou, em 2014, o primeiro fundo de Bitcoin regulado.

Bitcoin Pizza Day, o dia em que uma pizza valeu o equivalente R$ 206 milhões

O dia 22 de maio é um marco para as comunidades de criptomoedas e blockchain. Há dez anos, o bitcoin foi usado pela primeiras vez numa transação para compra de um produto. Quem usou a criptomoeda foi Laszlo Hanyecz, que pagou 10 mil bitcoins, hoje equivalentes a R$ 511,5 milhões, por duas pizzas grandes. E daí nasceu o “Bitcoin Pizza Day”.

Se quem recebeu a moeda estiver com ela até hoje, imagine o lucro: naquela época, o bitcoin valia cerca e US$ 0,0025, ou R$ 0,015. Quem vendeu teria, na época, 70 mil bitcoins e foi aconselhado por pessoas do fórum a não fazer a transação.

Hanyecz fez um pedido num post no Bitcointalk, o maior fórum de discussões sobre a moeda. “Você pode fazer a pizza ou trazer até minha casa ou pedir para mim num delivery, mas o que eu quero é ter a comida entregue em troca de bitcoins para que eu não tenha que pedir ou preparar, tipo pedir um café da manhã num hotel ou algo do gênero, eles apenas te trazem alguma coisa para você comer e você fica feliz!”. disse ele no post. E também descreveu o que ele gostava no recheio da pizza.

Houve quem achasse a oferta muito alta, ja que significavam US$ 41 (cerca de R$ 240). O post foi feito no dia 18 de maio e depois de dois dias, uma pessoa que usava o apelido de Jercos fez o pedido no Papa John’s. As pizzas são as da foto desta matéria.

De lá para cá, o bitcoin cresceu em valor e uso, até ser aceito inclusive em operações de marcas famosas, como a Visa, de cartões de crédito. Blockchain também se expandiu e além das criptomoedas, sendo adotada por empresas e governos que usam a tecnologia para transacionar valores de forma mais eficiente, rápida e barata, mesmo que isso não inclua criptomoedas.

BTG Pactual emite ReitBZ na Tezos e diz que criará mercado secundário

O BTG Pactual, primeiro banco brasileiro e primeiro dos grandes bancos de investimentos do mundo a lançar um criptoativo, anunciou que emitiu seu token ReitBZ na rede blockchain Tezos e que nos próximos meses lançará um mercado secundário para dar mais liquidez ao ativo. O token é lastreado em imóveis e essa é a primeira emissão fora da plataforma Ethereum.

O ReitBZ foi lançado há um ano. Desde então, foi usado para a compra de 238 imóveis em agosto e 85 em dezembro. Dessas 323 unidades, 181 foram vendidas e a primeira distribuição de dividendos ocorreu neste mês.

O investimento mínimo no ReitBZ é de US$ 500. O banco afirma já ter superado o soft cap, que é o valor mínimo feito por investidores no seu lançamento, o chamado ICO (Initial Coin Offering). O soft cap é de US$ 3 milhões. O banco também diz que 100% da receita é distribuída.

Segundo André Portilho, sócio do BTG e responsável pelas iniciativa das chamadas security tokens no banco, a rede Tezos vai ser testada porque permite lançamentos mais complexos dessas moedas.

A Tezos é um rede pública em que os participantes decidem sobre mudanças no protocolo. A Fundação Tezos, baseada na Suíça, dá suporte à rede.

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Mercado Bitcoin planeja 8 ativos digitais alternativos em 2020; token de consórcio é o primeiro

Associação Libra contrata CEO especialista em assuntos regulatórios

Fundador do Telegram confirma fim do projeto da rede TON e cripto Gram

Cerca de um mês depois de garantir que estava tudo bem, Pavel Durov, o fundador do Telegram, anunciou ontem (12) o fim da TON (Telegram Open Network), plataforma blockchain por onde seria minerada a criptomoeda Gram. O projeto foi iniciado há 2,5 anos e causou muito burburinho no mercado porque permitiria que os mais de 400 milhões de usuários da rede social Telegram usassem a cripto para guardar e transferir recursos.

Com a contínua dispouta com reguladores dos Estados Unidos, Durov disse que lançaria a plataforma em abril de 2021 e fez oferta de devolução de dinheiro para os investidores.

O que acabou com a TON, segundo Durov, foi uma decisão da Corte Suprema dos Estados Unidos proibiu a comercialização da moeda. A Corte também proibiu que americanos comprassem a moeda em outros mercados.

Durov ainda disse em seu post anunciando o fim da TON que sites que usam o nome dele ou do Telegram ou TON para promover projetos não são confiáveis. “Nenhum membro do nosso time atual ou do passado está envolvido nesses projetos”. Podem ter surgido redes baseadas na tecnologia que criamos para TON, mas não temos nenhuma filiação com eles e provavelmente não daremos suporte a eles”.

Na semana passada, um grupo que se entitla Free TON Community anunciou que estava lançando a plataforma FREE TON com desenvolvedores do projeto de Durov.

Terceiro halving do bitcoin se concretiza; criptomoeda opera em baixa

O tão esperado terceiro halving do bitcoin aconteceu nesta segunda-feira (11), às 16h25, quando o bloco 630 mil foi completado e imediatamente a recompensa dos mineradores da criptomoeda caiu de 12,5 bitcoins por bloco para 6,25 bitcoins por bloco.

Às 18h30, o bitcoin era cotado a US$ 8.630 (cerca de R$ 50 mil), queda de 1% nas últimas 24 horas. Para brasileiros, o aumento da cotação do dólar neste ano ajudou muito e fez a cotação em reais subir cerca de 70%.

É incerto o que vai acontecer com o preço da criptomoeda. Há quem diga que o valor não terá grande variação, porque já teve alta neste ano com mineradores e investidores se antecipando ao halving. Há também quem diga que agora o preço tem tudo para explodir, dada a maior escassez da moeda.

A recompensa é dada a quem coloca seu computador para validar uma transação na rede. Com isso, formam-se blocos. É uma forma de emissão da criptomoeda, como se um governo emitisse moeda. Uma vez que a recompensa diminui, menos criptomoedas estarão disponíveis e os mineradores podem também ter menos ânimo de deixarem seus computadores gastando (muita) energia para validar transações.

O enigmático personagem Satoshi Nakamoto, desde que criou a rede bitcoin, estabeleceu que a cada 210 mil blocos formados haveria um halving. Por isso, a recompensa que era de 50 bitcoins no começo é hoje de 6,25 bitcoins.

Associação Libra contrata CEO especialista em assuntos regulatórios

A Associação Libra, criada em 2019 pelo Facebook com outras empresas para lançar a stablecoin Libra, contratou seu primeiro CEO, um executivo com passagens pelas áreas regulatórias do governo dos Estados Unidos e do mercado financeiro tradicional. Stuart Levey assumirá a posição no final do verão no hemisfério norte – por volta de agosto e setembro – e terá a missão de ajudar na aceitação e lançamento do controverso projeto da moeda, que recebeu fortes críticas de reguladores dos países desenvolvidos,

Levey é Chief Legal Officer do HSBC, que opera em 64 países, e foi sub-secretário do Tesouro para o Terrorismo e Inteligência Financeira nos governo Bush e Obama, além de trabalhar no Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Portanto, com larga experiência em assuntos regulatórios em diversos países do mundo, além de participar da criação de regulação contra lavagem de dinheiro e movimentações de recursos ligados ao terrorismo.

Recentemente, a associação anunciou uma mudança no projeto Libra, deixando de lado a criação de uma moeda atrelada a uma cesta de ativos para um sistema de pagamentos, para anunciar moedas Libra atreladas, cada uma, a uma moeda.

“Estou ansioso para trabalhar de perto com governos, reguladores e nossos acionistas para implantar sua visão” disse Levey. Para Katie Haun, sócia do venture capital californiano Andreessen Horowitz, que é membro da associação e investe em empresas de tecnologia, Levey levará conhecimento do sistema bancário, financeiro, regulatório e de segurança nacional ao projeto.

Projeto da moeda libra muda após pressão de governos

Depois de 9 meses do lançamento do projeto e de muita pressão de órgãos reguladores dos Estados Unidos (EUA) e da Europa, o projeto da moeda Libra, conhecida como a moeda do Facebook, mudou. Deu um passinho para trás no plano original, que era mais audacioso.

David Marcus, co-criador do projeto e responsável pela Calibra, a carteira da moeda desenvolvida por um grupo de empresas, anunciou hoje um white paper com mudanças dos planos iniciais.

E fez questão de dizer que as empresas pagam os custos da Associação Libra, responsável por tocar o projeto, e que o Facebook banca menos de 10% dos gastos.

A ideia inicial era ter uma moeda digital lastreada em outras moedas fiat e títulos de governos de baixo risco. Segundo Marcus, serão lançadas diversas moedas estáveis denominadas em outras moedas, como dólar e euro, além da libra, que por sua vez, será lastreada numa cesta dessas moedas digitais. A ideia inicial era ter uma moeda digital lastreada em outras moedas fiat e títulos de governos de baixo risco.

CBDCs na rede

E pelo que foi anunciado por Marcus, ficará mais fácil incluir moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) na rede Libra. CBDCs estão cada vez mais em estudo pelo mundo. Detalhe: se for lançada uma stablecoin “libra-dólar”, por exemplo, e houver uma CBDC nos EUA, essa tomará o lugar da “libra-dólar”.

Outra mudança: a ideia original era a rede da libra começar como permissionada e depois ser aberta. Agora, fala-se numa rede aberta e competitiva.  O que é isso, não se sabe.

Marcus falou ainda que o sistema terá proteções contra lavagem de dinheiro, combate ao financiamento do terrorismo e uso de sanções.

Volatilidade incentiva transações com criptomoedas

Corretoras de criptomoedas registraram um aumento expressivo de cadastro de novos clientes em março, de até 30% na comparação com a média mensal de 2019. E no mês passado, o volume negociado chegou a crescer 84,5% em relação a fevereiro, segundo reportagem do ValorInvest.

A volatilidade dos preços das moedas explica esse movimento, segundo corretores. De acordo com o ValorInvest, em geral, o número de investidores que de fato opera é de 30% dos registro.

Mercado de dispositivos blockchain é estimado em US$ 23 bi em 2030

O mercado global de dispositivos que usam blockchain ou tecnologias similares, como DLT, chegou a US$ 300 milhões em 2019 e pode ter um crescimento anual composto de 49% de 2020 a 2030, chegando a US$ 23 bilhões.

No ano passado, a  expansão foi puxada principalmente pelas carteiras de criptos de hardware, diz o um estudo da Prescient&Strategic Intelligence.

E nos próximos anos, mesmo com as carteiras de criptos falando alto, a aplicação desses dispositivos no mundo corporativo também vai crescer, e boa parte pela uso que as empresas farão dessas moedas.

Isso inclui ATMs de criptos e pontos de vendas que aceitam as moedas criptografadas, assim como outros dispositivos, como os telefones blockchain – a Samsung já lançou um.

Criptos no varejo

Essa tendência explica também porque o varejo deve ter o maior crescimento setorial nos próximos anos. Na Europa, mais de 80 mil lojas aceitam pagamento em criptos.

A América do Norte, de acordo com o estudo, foi a região com a maior expansão desse segmento devido ao uso casado com outras tecnologias, como inteligência artificial, realidade aumentada e realidade virtual.

Essa representatividade tem a ver também com o fato de que a regulação norte-americana do setor bancário, financeiro e de seguros demandar segurança e transparência, o que tem puxado o uso de blockchain

Segundo a Prescient&Strategic Intelligence, a região vai ter um mercado de dispositivos blockchain de US$ 11,7 bilhões em 2030, praticamente a metade do total global. O Reino Unido virá na sequência, com US$ 3,4 bilhões, seguido de Canadá, Alemanha e China.

A empresa estima que o mercado de blockchain na América do Norte será de US$ 58 bilhões em 2025.

Fechamento da XDEX é baque institucional para o segmento de criptos, diz mercado

O fechamento da XDEX, plataforma de compra e venda de criptomoedas, anunciado na terça-feira (31), é um baque institucional no mercado, segundo fontes ouvidas pelo Blocknews. Em termos de volume, sua representatividade era pequena.

Quando foi lançada, em outubro de 2018 pela XP Controle Participações e pelo private equity General Atlantic, que tem uma fatia da XP, dois atores do setor financeiro tradicional, o mercado entendeu que esses sócios de peso seriam uma chancela ao mundo das criptomoedas.

“A retirada da XDEX do mercado é um retrocesso no mercado”, disse ao Blocknews Courtney Guimarães, da BRQ Digital Solutions. Havia, segundo ele, muita esperança que a XP forte no mercado e pudesse guiar um pouco o adoção de criptoativos.

“Mas tem outro fator que é mais psicológico. A XP é uma das maiores marcas de investimentos de e ter seu nome associado a criptos seria quase um endosso ao mercado”, completou.

Além disso, o movimento poderia levar a alguma regulação do setor, tornando-o mais confiável aos olhos dos investidores e mais respeitado pelo setor tradicional.

Do ponto de vista do volume transacionado na plataforma, o impacto do fechamento será pequeno. Os números da XDEX não eram informados, mas o mercado estima que eram baixos. Há estimativas de que a plataforma representaria menos de 5% do mercado.

Porque parou

No comunicado do fechamento, a empresa alega que a “projeção do mercado, competição e os poucos avanços regulatórios diminuíram as oportunidades encontradas no início do projeto”.

A XDEX não deu nenhuma informação adicional sobre o fechamento, além do que está no comunicado. Mas questionada pelo Blocknews se havia tido algum problema com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), respondeu que não. A resposta veio por meio de sua assessoria de imprensa.

A falta de regulação é um ponto que fontes ouvidas pelo Blocknews afirmam que deve ter mesmo contado na decisão, visto que a XP vem do mercado tradicional e está acostumada a isso.

Um operador lembrou que após o IPO da XP, em dezembro passado, seu CEO e fundador, Guilherme Benchimol, disse que a empresa focaria no negócio e não abriria frentes paralelas. “Além disso, a equipe devia ser cara e a XDEX era um negócio complexo para a XP, mas pequeno”, completou.

“Eu torcia muito pela empresa porque tinha um grande potencial e era ligada à maior corretora tradicional do mercado. E se o mercado passasse a ser regulado, seria positivo porque os agentes autônomos indicariam a empresa”, disse Nicholas Gonçalves Sacchi, estrategista de criptomoedas da Empiricus.

Competição

Uma fonte disse ao Blocknews que para operar num mercado competitivo, “a XP teria que entrar pesado, do contrário, não faria muito sentido se manter operando”. Isso porque, além das bolsas em operação, outras planejam entrar aqui.

A XDEX não entregava criptomoedas ao cliente. Recebia e entregava a eles reais. “O produto dela era laboratorial, de exposição, um contrato indexado a um preço (de criptomoeda)”, disse Guimarães.

Segundo uma fonte, “era mais um negócio de arbitragem, e para isso, a XP não precisa de uma plataforma”, disse um operador.

É hora de sair?

O anúncio do fechamento pegou o mercado de surpresa. Um participante do setor disse ao Blocknews que imaginava alguma mudança após a saída do então CEO, Fernando Ulrich, há cinco meses.

Ulrich é um dos maiores promotores de criptomoedas do país. “Mas não imaginava o fechamento da operação, pensei que se manteria operando, mas de forma irrelevante”, completou essa fonte.

Uma das fontes entrevistas pelo Blocknews acha que este não é o momento de sair do mercado. “Há discussões bem aquecidas sobre stablecoins, uma provocação com as moedas fiat na condução da crise. Vai haver um hiper ou uma crise de moedas após a pandemia. Neste momento de ansiedade para entender como bitcoins e criptomoedas vão ficar, não é hora de sair. As exchanges qualificadas, por exemplo, fazem investimentos cada vez maiores.”

Para Sacchi, quem comprou criptomoeda a um valor maior do que o que vai receber agora da XDEX, fica no prejuízo, porém pode comprar moeda em outro local. “Mas isso é mais uma etapa de fricção para quem não tem experiência com o assunto”, completa.

Uma boa notícia é que vemos movimentações em outro sentido, afirma Guimarães. E dá como exemplo o Mercado Bitcoin, que “está capitalizado, tem governança sólida e quer atuar como banco”.