Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Mercado de dispositivos blockchain é estimado em US$ 23 bi em 2030

O mercado global de dispositivos que usam blockchain ou tecnologias similares, como DLT, chegou a US$ 300 milhões em 2019 e pode ter um crescimento anual composto de 49% de 2020 a 2030, chegando a US$ 23 bilhões.

No ano passado, a  expansão foi puxada principalmente pelas carteiras de criptos de hardware, diz o um estudo da Prescient&Strategic Intelligence.

E nos próximos anos, mesmo com as carteiras de criptos falando alto, a aplicação desses dispositivos no mundo corporativo também vai crescer, e boa parte pela uso que as empresas farão dessas moedas.

Isso inclui ATMs de criptos e pontos de vendas que aceitam as moedas criptografadas, assim como outros dispositivos, como os telefones blockchain – a Samsung já lançou um.

Criptos no varejo

Essa tendência explica também porque o varejo deve ter o maior crescimento setorial nos próximos anos. Na Europa, mais de 80 mil lojas aceitam pagamento em criptos.

A América do Norte, de acordo com o estudo, foi a região com a maior expansão desse segmento devido ao uso casado com outras tecnologias, como inteligência artificial, realidade aumentada e realidade virtual.

Essa representatividade tem a ver também com o fato de que a regulação norte-americana do setor bancário, financeiro e de seguros demandar segurança e transparência, o que tem puxado o uso de blockchain

Segundo a Prescient&Strategic Intelligence, a região vai ter um mercado de dispositivos blockchain de US$ 11,7 bilhões em 2030, praticamente a metade do total global. O Reino Unido virá na sequência, com US$ 3,4 bilhões, seguido de Canadá, Alemanha e China.

A empresa estima que o mercado de blockchain na América do Norte será de US$ 58 bilhões em 2025.

Fechamento da XDEX é baque institucional para o segmento de criptos, diz mercado

O fechamento da XDEX, plataforma de compra e venda de criptomoedas, anunciado na terça-feira (31), é um baque institucional no mercado, segundo fontes ouvidas pelo Blocknews. Em termos de volume, sua representatividade era pequena.

Quando foi lançada, em outubro de 2018 pela XP Controle Participações e pelo private equity General Atlantic, que tem uma fatia da XP, dois atores do setor financeiro tradicional, o mercado entendeu que esses sócios de peso seriam uma chancela ao mundo das criptomoedas.

“A retirada da XDEX do mercado é um retrocesso no mercado”, disse ao Blocknews Courtney Guimarães, da BRQ Digital Solutions. Havia, segundo ele, muita esperança que a XP forte no mercado e pudesse guiar um pouco o adoção de criptoativos.

“Mas tem outro fator que é mais psicológico. A XP é uma das maiores marcas de investimentos de e ter seu nome associado a criptos seria quase um endosso ao mercado”, completou.

Além disso, o movimento poderia levar a alguma regulação do setor, tornando-o mais confiável aos olhos dos investidores e mais respeitado pelo setor tradicional.

Do ponto de vista do volume transacionado na plataforma, o impacto do fechamento será pequeno. Os números da XDEX não eram informados, mas o mercado estima que eram baixos. Há estimativas de que a plataforma representaria menos de 5% do mercado.

Porque parou

No comunicado do fechamento, a empresa alega que a “projeção do mercado, competição e os poucos avanços regulatórios diminuíram as oportunidades encontradas no início do projeto”.

A XDEX não deu nenhuma informação adicional sobre o fechamento, além do que está no comunicado. Mas questionada pelo Blocknews se havia tido algum problema com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), respondeu que não. A resposta veio por meio de sua assessoria de imprensa.

A falta de regulação é um ponto que fontes ouvidas pelo Blocknews afirmam que deve ter mesmo contado na decisão, visto que a XP vem do mercado tradicional e está acostumada a isso.

Um operador lembrou que após o IPO da XP, em dezembro passado, seu CEO e fundador, Guilherme Benchimol, disse que a empresa focaria no negócio e não abriria frentes paralelas. “Além disso, a equipe devia ser cara e a XDEX era um negócio complexo para a XP, mas pequeno”, completou.

“Eu torcia muito pela empresa porque tinha um grande potencial e era ligada à maior corretora tradicional do mercado. E se o mercado passasse a ser regulado, seria positivo porque os agentes autônomos indicariam a empresa”, disse Nicholas Gonçalves Sacchi, estrategista de criptomoedas da Empiricus.

Competição

Uma fonte disse ao Blocknews que para operar num mercado competitivo, “a XP teria que entrar pesado, do contrário, não faria muito sentido se manter operando”. Isso porque, além das bolsas em operação, outras planejam entrar aqui.

A XDEX não entregava criptomoedas ao cliente. Recebia e entregava a eles reais. “O produto dela era laboratorial, de exposição, um contrato indexado a um preço (de criptomoeda)”, disse Guimarães.

Segundo uma fonte, “era mais um negócio de arbitragem, e para isso, a XP não precisa de uma plataforma”, disse um operador.

É hora de sair?

O anúncio do fechamento pegou o mercado de surpresa. Um participante do setor disse ao Blocknews que imaginava alguma mudança após a saída do então CEO, Fernando Ulrich, há cinco meses.

Ulrich é um dos maiores promotores de criptomoedas do país. “Mas não imaginava o fechamento da operação, pensei que se manteria operando, mas de forma irrelevante”, completou essa fonte.

Uma das fontes entrevistas pelo Blocknews acha que este não é o momento de sair do mercado. “Há discussões bem aquecidas sobre stablecoins, uma provocação com as moedas fiat na condução da crise. Vai haver um hiper ou uma crise de moedas após a pandemia. Neste momento de ansiedade para entender como bitcoins e criptomoedas vão ficar, não é hora de sair. As exchanges qualificadas, por exemplo, fazem investimentos cada vez maiores.”

Para Sacchi, quem comprou criptomoeda a um valor maior do que o que vai receber agora da XDEX, fica no prejuízo, porém pode comprar moeda em outro local. “Mas isso é mais uma etapa de fricção para quem não tem experiência com o assunto”, completa.

Uma boa notícia é que vemos movimentações em outro sentido, afirma Guimarães. E dá como exemplo o Mercado Bitcoin, que “está capitalizado, tem governança sólida e quer atuar como banco”.

XDEX, da XP, encerra suas operações por competição e falta de regulação

A XP encerrou hoje as atividades da XDEX, sua plataforma de transação de criptoativos. O aviso está na página “Institucional” do site da XDEX, que alega que “a projeção do mercado, competição e os poucos avanços regulatórios diminuíram as oportunidades encontradas no início do projeto.”

O projeto durou 17 meses e era uma parceria da XP com o fundo de private equity General Atlantic.

Segundo a empresa, os clientes receberam a comunicação completa do cronograma de encerramento. Eles devem encerrar suas posições em criptomoedas e sacar o saldo em reais em 30 dias a partir de hoje. Ao pedir a retirada, os recursos vão para a conta bancária cadastrada na XDEX em até 1 dia útil.

Se o cliente não fizer a venda de ativos em 30 dias, a XDEX vai fazer a operação e enviar o dinheiro para a conta cadastrada em até 3 dias úteis.

A empresa diz que pode ser contatada para dúvidas de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, pelo site, aplicativo e telefone.

Mercado Bitcoin planeja 8 ativos digitais alternativos em 2020; token de consórcio é o primeiro

O Mercado Bitcoin lançou, ontem (25), o primeiro de oito ativos digitais alternativos, em formato de token, que pretende distribuir neste ano. Os R$ 816 mil em tokens de cotas de consórcio serão são vendidos ao preço unitário de R$ 100. O retorno esperado é de cerca de 190% a 209% do CDI, algo como de 8,11% a 8,9% ao ano, com o investidor recebendo o valor num prazo de 5 a 6 meses.

A empresa esperar lançar R$ 500 milhões em ativos digitais alternativos em 2020. Outros lançamentos que pretende fazer incluem um token relacionado a fluxo de pagamentos, semelhante a uma operação de recebíveis, e um token de direitos que clubes de futebol têm de receber sobre a venda de jogadores que formou, o chamado mecanismo de solidariedade. O Mercado Bitcoin já está conversando com 4 clubes da Série A para isso, disse ao Blocknews Reinaldo Rabelo, CEO da empresa.

No caso desse token, o clube antecipa potenciais valores de vendas futuras ao longo da carreira do jogador. Como não se sabe quantas serão, o investidor tem de planejar um número ao investir. Se houver mais vendas do que imaginava, sai ganhando. Do contrário, pode ficar no empate ou perder.

Entendendo o mercado

O preço do token representa 0,012% de uma cota. O valor total de recebimento do crédito da cota é calculado em cerca de R$ 845 mil, portanto, o investidor pode receber cerca R$ 103,61.

Essas cotas são de quem desistiu do negócio, inclusive porque não consegue mais pagar. A taxa de desistência no Brasil é de em torno 50%, segundo o Mercado Bitcoin. O prazo de retorno está relacionado ao fato de que as cotas são compradas, quitadas e o que é tokenizado é a carta de crédito, que deve ser paga em até 180 dias, segundo norma do Banco Central.

“Estamos lançando o primeiro lote para entender a percepção do mercado, fazer a leitura dos clientes, e depois vamos lançar volumes maiores”, disse Rabelo.

Tokens imobiliários e de energia

A empresa também avalia lançamento de tokens relacionados ao mercado imobiliário, “sem oferender nenhuma norma da CVM (Comissão de Valores Mobiliários)”, disse Rabelo. E olha ainda para oportunidades no mercado de energia e de  ativos bancários, como contratos “estressados”.  

O Mercado Bitcoin está distribuindo o que considera investimentos alternativos com algum risco, variável conforme o tipo de token, mas com possíveis retornos maiores do que os investimentos tradicionais. E são ativos que apenas grandes investidores costumam ter acesso. Nos consórcios, o risco é o da Caixa Consórcios, que é da Caixa Econômica Federal (CEF) e quem paga a cota contemplada, quebrar. Portanto, bem baixo.

Acontece que ao tokenizar, a empresa muda também lógica das negociações tradicionais, completa Rabelo, e isso pode ser mais interessante para quem vende e quem compra o ativo.

Tanto em precatórios como em consórcios, há mais dinheiro de investidor disponível do que ativos no mercado tradicional, afirma. Porém, o grupo de investidores é limitado e com muito dinheiro em caixa. A partir dos fundos levantados se vai atrás dos ativos. O resultado é que o dono do ativo o vende por um deságio alto e quem compra, como FDICs, ficam com tudo encarteirado e não distribuem.

Nova lógica de mercado

Na lógica do Mercado Bitcoin, a Concash vai atrás de ativos de quem quer vender, esse ativo é tokenizado e distribuído a investidores pequenos. Segundo Rabelo, se consegue reduzir em cerca de 50% o deságio de venda pelo dono do ativo. Esse deságio é de 40% a 80% no caso de consórcio.

“Como temos propósito de democratizar o mercado, estamos provocando a distribuição. Então, o volume disponível para comprar não é o problema”, afirma Rabelo. “Vamos ver se com o novo mercado que estamos abrindo haverá mais opções e redução de spread no mercado tradicional”.

Coronavirus

Há uma expectativa de empresas de consórcio de que pode haver um aumento de inadimplência ou desistência de detentores de cotas devido ao impacto econômico da pandemia do coronavírus. “Mas não é nossa função buscar spreads mais altos. Pode até haver aumento, mas não seria saudável para o ecossistema. Não é onde esperamos ganhar”, disse o executivo.

O Mercado Bitcoin distribui as cotas que o Mercado Bitcoin Digital Asset (MBDA) tokeniza. A plataforma usada é Ethereum O token pode ficar custodiado numa carteira digital de quem compra e ser pago na moeda criptografada Ether.

Rabelo diz que o Mercado Bitcoin sabia que o mercado alternativos era promissor e tem investido nele. “Foi interessante encontrar originadores de ativos que se beneficiaram também disso”. Do lado difícil está trazer inovação para um mercado conservador de investimento, completou.

O Mercado Bitcoin é pioneiro no lançamento de ativos digitais alternativos. Em precatórios, lançados no ano passado, já foram vendidos cerca de R$ 25 milhões de tokens.

Mulheres são 11% das investidoras do Mercado Bitcoin

As mulheres representam 11% dos investidores em criptoativos do Mercado Bitcoin, segundo um levantamento feito pela empresa. É um percentual bem abaixo, por exemplo, dos 20% apurados por uma pesquisa feita na Europa. Mas o percentual está acima da média internacional, de 5%.

Segundo o Mercado Bitcoin, 60% das mulheres pensam em investir até 25% de sua renda mensal e 44% buscam investimentos seguros, mas topam correr algum risco para terem mais retorno.

Das investidoras, 32,5% têm de 35 e 44 anos, enquanto as mulheres de 45 a 55 anos representam 21,5% do total.

Digitalização e falta de ação de governos da AL alimentam crimes com criptomoedas

Grupos de crime organizado na América Latina estão utilizando criptomoedas para lavar dinheiro e usam a dark web para contratar hackers e realizar crimes cibernéticos, segundo um estudo da IntSights, empresa de inteligência cibernética e blockchain, e da CipherTrade, empresa de inteligência de criptomoedas. Esse cenário é resultado da rápida adoção de tecnologias digitais e da falta de respostas dos governos aos crimes na internet, o que ajuda a fazer da região a pior em termos de lavagem de dinheiro no mundo,

Segundo o estudo, o Brasil é o país da América Latina que melhor está se preparando, em termos de legislação, para garantir a privacidade de dados. Há mais de 40 regulações nesse sentido e está prevista a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) em agosto próximo.

A América Latina tem cerca de 460 milhões de usuários de internet, o equivalente a 70% da população da região. O Brasil e Colômbia respondem pela maior parte desse número e são, respectivamente, o segundo e o quarto no mundo no ranking de tempo que o usuário fica internet diariamente.

Sppyns, startup criada por brasileiros, obtém licença de órgão regulador suíço

A Sppyns, startup criada em 2017 por brasileiros da área de tecnologia e que negocia criptoativos, conseguiu a licença de operação da Autoridade Supervisora do Mercado Financeiro da Suíça (FINMA, na sigla em inglês).

A licença é opcional, mas a Sppyns quer ter reconhecimento global, disse o diretor geral e co-fundador da empresa, Rodrigo Csizmar Borges, em comunicado. A startup tem um marketplace de criptoativos e uma plataforma de tokenização de ativos.

A Suíça é a base de outras empresas de criptoativos por ter criado um ambiente regulatório que facilita o desenvolvimento e a operação desses negócios. A Associação Libra, por exemplo, criada pelo Facebook para a o lançamento da stablecoin Libra, escolheu o país como sede.

Em Zug, uma região conhecida como paraíso fiscal, o governo local incentiva a instalação dessas empresas, o que criou o chamado “crypto valley”. A Sppyns é parte da Crypto Valley Association, que tem o apoio do governo e mais de

FC Barcelona entra na plataforma blockchain de esportes Socios.com

O FC Barcelona aderiu à blockchain. O clube espanhol, que estima ter 300 milhões de fãs em todo o mundo, entrou na maior base de engajamento de fãs de esportes e entretenimento em blockchain do mundo, a Chiliz. Por meio do aplicativo Socios.com, fãs podem votar e participar de pesquisas relacionadas ao time. Quanto maior o engajamento, mais prêmios os fãs ganham.

Em entrevista recente ao Blockchain Economia, o CEO da Chiliz e Socios.com, Alexandre Dreyfus, disse que a plataforma oferece aos clubes receitas adicionais e uma maior participação dos torcedores. Como a plataforma é digital, e portanto global, pode ser acessada por fãs de todo o mundo.

O lançamento comercial da plataforma foi no último trimestre de 2019 e já tem cerca de 50 clubes de 20 países, como o Atlético de Madrid, Paris St German, Juventus, West Ham United e o Galatasaray.

Na Socios.com, o Barcelona poderá emitir os $BAR Fan Token Los, que os fãs ganham conforme se engajam na plataforma e podem trocar por produtos e serviços do clube.

Chiliz é uma moeda digital que impulsiona a Socios.com. A Binance.com., trader de criptomoedas, é umas das sócios da empresa.

Agenda: Evento em SP vai discutir blockchain e criptoativos

A BRQ Digital Solutions, especializada em transformação digital de empresas, e a Redpoint eventures, fundo que investe em empresas digitais, vão realizar na próxima terça-feira (18), em São Paulo, o evento “Década Nova, Novos Mercados – Blockchain, State of the Market & Foresights, 2020”. O evento vai discutir as perspectivas sobre blockchain, DLT e criptoativos.

Entre os palestrantes estão Courtney Guimarães, da BRQ e especialista em blockchain e criptoativos, Anderson Thees, sócio diretor da Redpoint, Marcelo Sampaio, co-fundador da HashDex, Taynaah Reis, fundadora do Banco Moeda Seeds e Maria Alice Frontini, do MIT e investidora.

As inscrições podem ser feitas pelo http://bit.ly/38lbUN4

Mercado Bitcoin Digital Assets vai lançar token de consórcios

A MB Digital Assets (MBDA), braço do Mercado Bitcoin para ativos digitais atrelados a ativos reais, vai iniciar neste semestre a venda de tokens de cotas de consórcios excluídas. Essas cotas são de pessoas que deixam de pagar o consórcio. Os ativos estão sendo definidos e devem ser de até R$ 50 mil, como carros e motos. O piloto poderá ser na faixa de R$ 5 milhões.

O projeto é comprar com desconto a parte já paga pelo consorciado, terminar de pagar o que falta e depois resgatar o valor cheio. De acordo com a MBDA, há cerca de 15 milhões de cotas de consórcio no país, mas praticamente a metade é cancelada.

É um processo semelhante ao que a MBDA faz com os tokens de precatórios que começou a vender em agosto de 2019. Os ativos da MBDA são negociados pela plataforma do MB, a maior do país para criptoativos.

“Estamos pegando o que funcionou na nossa experiência com precatórios, como vender frações de R$ 100,00, valor inspirado nos fundos imobiliários”, disse ao Blocknews Fabrício Total, diretor de OTC (mercado de balcão), do MB.

A operação será em conjunto com a Concash, que compra cotas de consórcios inadimplentes ou canceladas, e que será a originadora dos ativos. O teto de R$ 50 mil das cotas a serem tokenizadas se deve ao fato de que até aí, o cotista aceita perder parte do que pagou.

A MBDA, que tem entre seus sócios pessoas que já foram do mercado financeiro, tem ainda uma lista de cerca de 7 ativos em análise. Em 2018, a empresa começou a identificar o que poderia fazer com a tecnologia e o conhecimento que tem com as criptomoedas para diversificar seu negócio.

“Olhamos em especial os tokens e estudamos o que a regulação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) permitia e não permitia, o que tem representatividade e é útil para o investidor e o detentor do ativo real. Vimos que sobrava muita coisa interessante”, completou Tota. A concentração é em ativos grandes e de mercados conhecidos dos executivos da MBDA.

“Inovação não pede licença, mas fazemos com muito cuidado”, disse Tota. A empresa busca se garantir de que o ativo não tem valor mobiliário. No caso dos precatórios, já houve conversas com a CVM e, segundo o executivo, “até agora, tudo bem”.

Esse levantamento é ajudado pelo fato de a empresa contar com executivos que passaram pelo mercado financeiro, em empresas como a Cetip ( Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos), que foi comprada pela B3.

Tota afirma que embora os investidores da MBDA sejam em boa parte os da base de clientes em criptomoedas. Mas são pessoas em geral que conhecem sobre investimento de forma mais abrangente. “Miramos um público que busca alternativa à renda fixa, que busca uma alocação mais estratégica, não tanto de especulação”. O investidor de criptomoedas, em geral, é alguém que está mais interessado em no sobe e desce do mercado.

Uma outra diferença entre os dois segmentos é o esforço exigido para estruturar a venda de tokens, muito mais trabalhosa do que o negócio da bolsa de criptomoedas.

Precatórios

No caso dos precatórios, a empresa consegue descontos na compra do ativo de cerca de 15% a 20% em títulos federais. É desses títulos que deve vir o primeiro pagamento aos investidores, já que se espera o pagamento pela união ainda neste ano, segundo Tota. Quem compra uma fração, consegue ver exatamente qual precatório ela representa, disse a MBDA.

Em estaduais o desconto é maior, podendo chegar a 40%, porque os atrasos de pagamento também são.

A MBDA calcula que o retorno para o investidor é de cerca de 16% ao ano bruto, porque considera o desconto na compra do ativo e as correções e juros do título quando é pago.

A empresa vendeu 4 tokens de precatórios da união e dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, num valor de R$ 25 milhões. Em novembro começou a negociação do mercado secundário dos títulos. A preferência é pelo precatório alimentar, de salário não pago, porque tem prioridade no pagamento dos governos.

O plano para 2020 é fechar o ano com um volume total de negócios – tokens e criptomoedas – de R$ 9 bilhões, o dobro de 2019, e com 3 milhões de clientes, ante os 1,8 milhão do ano passado. A empresa não revela números de transações em criptomoedas.