Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

IBM e S4, plataforma geoespacial, fecham parceria para rastrear produtos agrícolas

A IBM e a S4, empresa de dados agrícolas com base em imagens de satélite, fecharam parceria para combinar os serviços do IBM Food Trust, serviço de rastreamento de alimentos usando blockchain, e da plataforma geoespacial S4Go®.

A S4 é argentina e tem escritórios no Brasil e nos Estados Unidos. A Ambev é um de seus clientes.

A S4 vai usar dados da The Weather Company, que é da IBM desde 2016, para gerar informações sobre o impacto do clima na produção agrícola e isso será compartilhado no IBM Food Trust. Isso deve ajudar no planejamento da produção e na rastreabilidade de produtos, segundo a S4.

Outros membros da cadeia do agronegócio podem se conectar à plataforma, como bancos, para gerenciamento de carteiras de crédito.

Associação do agronegócio usa blockchain para compensar combustível fóssil

A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) utilizou blockchain para fazer sua primeira compra e aposentadoria de Créditos de Descarbonização (CBIO) na B3. Cada CBIO representa 1 tonelada de C02 que não foi para a atmosfera e terá de ser comprado por distribuidoras de combustíveis fósseis, mais poluidores, para incentivar a produção dos menos poluentes. Esse é um mercado que pode crescer de forma acelerada nos próximos meses e no qual blockchain é uma solução eficiente.*

A Abag não é obrigada a fazer a compra, mas adquiriu 55 para neutralizar a emissão de gases de efeito estufa gerada, por exemplo, em viagens de membros da associação.

O mercado desses certificados deve crescer neste ano, porque a obrigação de compensação de venda de produtos como gasolina e diesel será contabilizada a partir de 2021, com base nas vendas de 2020. Com isso, pode-se criar um mercado primário estimado em R$ 700 milhões.

A operação aconteceu na sexta-feira (31) e ajuda a promover um mercado que passa pelo agronegócio, com os biocombustíveis.

Plataforma Block C

O processo foi estruturado pela Block C, empresa criada em 2019 e focada em soluções para compensação e neutralização de crédito de carbono. Isso inclui a criação, negociação e rastreamento de ativos ambientais como CBIOs, Reduções Certificadas/Verificadas de Emissões (RCE/RVE) e os Certificados de Energia Renováveis (RECs).

A Abag usa a plataforma criada pela Block C, que pode ser usada por outras empresas também, criando um ecossistema. Adriano Nunes, sócio da empresa, disse ao Blocknews que o processo da Abag foi feito da lavoura à B3 e aposentadoria do certificado. Quando o emissor do certificado consegue a aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biodiesel (ANP) para emitir o certificado, a Block C inicia a geração do ativo digital.

O CBIO é tokenizado, é feita escrituração da compra pela StoneX e a auditoria da neutralização pela SGS Sustentabilidade. Depois, segue para a B3 para registro e pode ser comercializado ou aposentado. No caso da Abag, foi aposentado, ou seja, não será vendido e vai valer para compensar sua emissão de gases de efeito estufa.

Plataforma Hyperledger Fabric

Blockchain foi escolhida para os processos da Block C porque cria ecossistemas de membros que precisam ter confiança dos dados compartilhados. Um banco de dados exigiria um controle centralizado, com políticas de governança que não seriam suficientes para eliminar toda a desconfiança entre os participantes, disse Eduardo Terzariol, gerente sênior técnico da Logicalis, parceira da Block C nos projetos. “Blockchain se encaixou como uma luva”, completou.

Mas há um ganho de tempo, diz Nunes, porque a plataforma sistematiza o processo, permite o compartilhamento das informações entre os participantes e substituiu os processos manuais.

A plataforma usada é a Hyperledger Fabric. No caso da Abag, a capacidade de transação por segundo da plataforma não é um problema, porque a demanda maior não é por operações muito rápidas, em tempo real. O que conta são outras funcionalidades, como o uso simultâneo por vários participantes, afirmou Terzariol.

Outro ponto que pesou na escolha da Hyperledger foi a maior facilidade de encontrar especialistas nessa plataforma, disse o gerente da Logicalis. Há alguns anos, a empresa chegou a usar a Quorum, do JP Morgan, mais difícil de achar especialistas.

O custo de uso da plataforma para um membro com um volume pequeno de certificados é de R$ 2 mil a R$ 4 mil ao ano. Esse valor inclui inventário, escolha de ativos, certificação e emissão.

Um mercado para blockchain

“Estamos vendo o nascimento de um ativo novo”, afirmou Nunes. E há muito espaço aí para blockchain. Segundo a B3, a projeção do governo de que as distribuidoras terão de comprar 14 milhões para compensar a venda de combustível fóssil deste ano vai acelerar esse mercado.

As negociações de CBIOs na B3 começaram no final de abril, mas o volume ainda é pequeno, alcançando até agora cerca de 145 mil certificados. O valor dos certificados, hoje, é de em média R$ 20 (por volta de US$ 4). Mas as usinas esperam que chege a R$ 50 (em torno de US$ 10). Ou seja, se esse valor for confirmado, seria um mercado primário de R$ 700 milhões.

No caso do certificado tokenizado, a intenção da Block C é enviar, no futuro, o certificado já digitalizado para a B3 por meio de uma carteira digital. Outro ponto ainda pendente na digitalização do processo é a aposentadoria do certificado.

A empresa aguarda receber da B3 o comprovante de aposentadoria dos CBIOs da Abag para saber como isso será feito pela bolsa. “A B3 nunca fez isso porque ninguém nunca aposentou ou neutralizou CBIOs”, completou Nunes.

“Estamos trabalhando para ter uma solução em blockchain para isso também”. Com isso, ficarão registradas a transação e a aposentadoria em blockchain com o uso de hashes. A aposentadoria de certificados na plataforma deve ser possível até o final do ano.

O que pode surgir também é um mercado secundário de CBIOs, diz o sócio da Block C. Isso porque empresa podem comprar só para fazerem dinheiro, tentando vender mais caro quando as distribuidoras correrem atrás dos certificados para baterem suas metas.

Esse mercado secundário também interessa à empresa, que começou pensando em oferecer serviços desde o pedido de certificação, mas percebeu que boa parte dos emissores, as usinas de biocombustíveis, já fazem isso sozinha.

Biogás e Anjos do Brasil

Novos projeto, similares ao da Abag, incluem a Anjos do Brasil. O aeroporto de Viracopos (Campinas, SP) foi o primeiro a usar a plataforma da Block C, para 40 mil RECs, certificados de energia renovável, no primeiro semestre de 2019.

Nunes afirmou que a empresa está criando módulos que devem se conectar. Além do negócio B2B, a empresa criou a ZCO2, uma plataforma para B2C que funciona como um programa de fidelidade. Quem emite créditos de carbono vende para cidadãos que querem incentivar a economia sustentável. Em troca, ganham pontos para usarem nas empresas parceiras do projeto. A 99 em Manaus fez parceria. Tudo em blockchain. A ZCO2 nasceu antes da plataforma B2B, mas ainda é um MVP tentando se provar, disse o sócio.

No final, o que a Block C quer é conectar diversos ecossistemas e suas plataformas.

A empresa tem 6 funcionários e trabalha em parceria com a StoneX e a Logicalis. Imagina que pode chegar superar a meta de faturamento de R$ 1 milhão em 2020 com o desenvolvimento do mercado de CBIOs.

O CBIO é parte do RenovaBio, a Política Nacional de Biocombustíveis que faz parte do compromisso do Brasil feito na COP-21 para reduzir a emissão de carbono no setor de combustíveis e aumentar o uso de bioenergia na matriz energética brasileira para cerca de 18% até 2030.

*Errata: O CBIO não equivale a 1 tonelada de biocombustível, como informado anteriormente. Correção feita às 21h13.

Ethereum faz 5 anos com lista respeitável de empresas como usuários

Das mãos, ou melhor, da mente de um rapaz de 19 anos, saiu uma das mais conhecidas plataformas blockchain do mundo e que ontem (30) completou 5 anos. Vitalik Buterin, russo-canadense, já era um apaixonado por bitcoin, quando lançou um whitepaper para uma nova solução descentralizada. Isso foi em 2013. Em 2014, ganhou uma bolsa e se dedicou só a isso. E em 2015, com outros parceiros, implantou a Ethereum.

Com suas características que resolvem diversos problemas para as empresas, como os smart contracts (contratos inteligentes), e aceita aplicativos financeiros (decentralized finance, os DeFis), a plataforma ganhou empresas como usuárias, além de usuários da sua cripto Ether.

Segundo um artigo da Consensys, empresas de soluções blockchain de Joseph Lubin, um dos fundadores da Ethereum, a lista de empresas que usam blockchain inclui 32 das que estão na Forbes Blockchain 50, um agregado de quem tem receita de pelo menos U$1 bilhão ao ano ou é avaliada em mais de US$ 1 bilhão.

A lista de usuários tem de tudo, de bancos a empresas do agronegócio. A Depository Trust & Clearing Corporation, que processa transações avaliadas em cerca de US$2 quadrilhões ao ano (algo como a bagatela de R$ 12 quadrilhões) também anunciou que vai testar um protótipo testar um protótipo com Ethereum para gerenciamento de ativos, diz a Consensys.

Numa live para falar do aniversário, Ken Seiff, que investiu na ideia que nem todo mundo acreditava, disse que neste ano a plataforma ganhou uma segunda vida.

O motivo é o boom dos DeFis, que permitem, por exemplo, empréstimos em cirptomoedas. Há um valor equivalente a bilhões de dólares de criptomoedas em produtos financeiros baseados na Ethereum, completou.

A rede também está conseguindo se sair bem na disputa entre sua moeda Ether e Bitcoin. Na semana passada, a Ethereum superou a Bitcoin como plataforma com mais valor de transações por dia. Isso inclui de Ether (ETH) e tokens.

Nada mal para algo que começou desacreditado por muito gente.

Alibaba e China lideram rankings de patentes de blockchain pedidas e concedidas

A Alibaba (Alipay) foi a empresa que mais pediu patentes para soluções blockchain entre janeiro e junho de 2020, com 1.457, número quase igual ao do mesmo período de 2019, quando foram 1.505. As também chinesas Tencent (serviços de internet) e Inspur (cloud) vêm em seguida no ranking, com 872 e 274 pedidos, respectivamente.

Os números são de um relatório do site sobre propriedade intelectual IPR Daily e do incoPat Research Center for Innovation Index, ambos da China. Considerando as 100 primeiras posições, foram 5.889 pedidos, dos quais 46% de empresas chinesas.

A Alibaba também é a empresa com mais patentes concedidas desde 2014, quando esse movimento começou. Foram 212 de um universo de  3.924 patentes. Isso é mais uma confirmação de que o governo da China não está brincando quando diz que quer ser hub global de blockchain, incentivando o uso na esfera pública e privada e investindo em centros de pesquisa.

Pedidos feitos

A primeira empresa não chinesa que aparece na lista de pedidos de patentes é a IBM, com 251 patentes, no quarto lugar, seguida pela nChain, do Reino Unido, com 250. Depois disso, só na 10ª posição aparece outra não chinesa, a alemã Siemens, com 99.

O “Ranking Global de Patentes de Invenção de Blockchain para Empresas Globais do Primeiro Semestre de 2020” mostra que atrás da China (bem atrás) na lista das 100 empresas que mais fizeram pedidos de patentes, outros países que se destacaram foram os Estados Unidos (25%), Coréia do Sul e Japão (ambos com 7%), Alemanha (5%) e Suécia (2%). Nenhuma empresa brasileira aparece nessa lista.

Pedidos aceitos

A primeira patente foi dada em 2014 e o número de concessões começou a acelerar em 2017, quando as empresas também descobriram a tecnologia, segundo estudo da Derwent Innovation, empresa de pesquisa sobre propriedade intelectual. Só em 2019, foram 1.799 . Neste ano, até maio, foram 1.257, o que indica que 2020 pode superar o ano passado.

No ranking das patentes concedidas desde 2014, a IBM está em segundo lugar, com 136, e a sul-coreana Coinplug está na terceira posição, com 107. Nesse grupo, os Estados Unidos lideram com 39%, seguido por Coréia do Sul (21%) e China (19%). Entre as empresas que mais ganharam patentes e que não são chinesas estão Accenture, Bank of America, NChain e Mastercard.

Aliança de grandes empresas de blockchain criará padrão para token de crédito de carbono

InterWork Alliance (IWA), instituição fundada por empresas e governos do mundo blockchain no mês passado para promover o uso de tokens, decidiu incentivar o uso desses ativos em negócios sustentáveis. A decisão acontece em meio a um movimento global de maior cobrança por políticas de preservação do meio ambiente e de negócios sustentáveis.

Para isso, a IWA anunciou, hoje (29), a criação do Grupo de Trabalho de Negócios Sustentáveis. O grupo vai criar padronizações e um programa de certificação com foco nesse segmento e será formado por empresas como Microsoft, R3, Accenture, Nasdaq e a Climate Chain Coalition.

Os tokens vão representar a posse de direitos de carbono e, sendo digitais, poderão ser negociados em diferentes plataformas. A ideia é criar padrões para tokenização, extensões contratuais, fluxos de trabalho e funções analíticas para emissão de gases de efeito estufa e para compensações. O foco principal será em arquiteturas de mercado voluntários e numa fase posterior, os mercados regulados.

“A tokenização pode simplificar e reduzir de forma significativa o número de intermediários, papéis e trabalho envolvido na troca, conversão, reconversão de certificados de carbono e gerenciamento de um sistema global de contabilidade de redução de carbono”, diz a aliança em um comunicado.

Faltam soluções simples

As empresas que querem adotar medidas relacionadas a mudanças climáticas não encontram soluções simples para o registro confiável dos resultados de ações, diz a IWA. Para consumidores e investidores, isso coloca em xeque a confiança nessas ações, já que cobram resultados confiáveis

A aliança acredita que ao criar um padrão agnóstico em relação às tecnologias existentes para a tokenização de emissões e compensações, junto com requisitos contratuais para operar com esses tokens, poderá aumentar de forma significativa a implementação e a integração de mercados de carbono.

Mais sobre a aliança no blog Standardizing Sustainability – How the IWA Will Make This Happen 

Haverá um webinar sobre o tema: Unlocking the Business of Sustainability Through Tokenization 

Chegou agora a blockchain? Então corra para entender o uso da tecnologia

Para quem está chegando agora ao mundo da tecnologia blockchain, o ideal é fazer uma pesquisa do que aconteceu nos últimos anos para ver o que funcionou e ganhar tempo. “A gente tem uma janela de tempo se estreitando com a pandemia”, disse Liliane Tie, consultora e community builder da Women in Blockchain Brasil, em evento da Rede Brasileira de APL’s de TI.

Com as demandas online criadas pela pandemia, espera-se uma aceleração em projetos digitais. E quem sabe isso pode chegar até ao processo de reembolso de consultas médicas, que levam tempo com as checagem de dados. Nayam Hanashiro, diretor de Alianças na América Latina da R3, afirmou que esse é um dos casos em que a confiança de blockchain pode ser usada.

O vídeo do webinar está em https://www.youtube.com/watch?v=W7CfiS_YAGA&feature=youtu.be

Women in Cybersecurity e Ibraspd fazem parceria que inclui aperfeiçoamento profissional

O capítulo Brasil da Womcy LatamWomen in Cybersecurity LATAM e o Instituto Brasileiro de Segurança, Proteção e Privacidade de Dados (Ibraspd) fecharam uma parceria com foco no aperfeiçoamento profissional e consolidação das melhores práticas de segurança e proteção de dados.

As instituições trabalharão para apoiarem os programas uma da outra, o que contribui para uma melhoria do conhecimento e da aplicação de soluções de segurança cibernética no país.

“O Brasil e o mundo necessitam cada dia mais de recursos qualificados em segurança da informação e privacidade”, disse Andréa Thomé, líder do capítulo Brasil da Womcy Latam.

Com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) que vai entrar em vigor, há um grande potencial nas disciplinas de segurança, proteção e privacidade de dados, afirmou Alex Amorim, presidente do Ibraspd.

O instituto dará 50% de desconto aos associados da Womcy na taxa para ingressar ao Ibraspd, que também foi criado no ano passado.

Atividades da parceria

A Womcy tem nove programas para públicos como empresas, escolas, universidades e outras associações. As atividades incluem palestras, mentorias, mapeamento de vagas, informações sobre carreira e trabalhos sobre riscos cibernéticos específicos para crianças e adolescentes.

“Um dos nossos objetivos é buscar aprovação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para emissão de Certificações e de Selos de Excelência de melhores práticas para nossos associados e parceiros”, completou Amorim. A ideia é também encaminhar propostas de políticas de privacidade.

Pela parceria, uma das ações será a análise de práticas da Womcy por alguns grupos de trabalho do Instituto, o que será feito, inicialmente, de forma piloto.

Membros da Womcy também participarão de reuniões de Comissões de Trabalho (CTs) e farão consulta às obras catalogadas da biblioteca do Ibraspd. E poderão ser propostas atividades relacionadas ao empoderamento e qualificação da mulher.

Mais detalhes sobre o acordo estão em entrevista de Andréa Thomé ao site SocialSec em https://socialsec.com.br/?p=248

AES Tietê quer ser plataforma de produtos e serviços de energia

AES Tietê, geradora que atua no estado de São Paulo, tem passado por uma mudança drástica nos últimos anos para sair da commodity e se transformar numa plataforma de produtos e serviços para seus clientes. A afirmação é da chefe de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da AES Tietê, Julia da Rosa Rodrigues.

“A gestão das empresas era muito baseada nos grandes ativos. O produto era a energia e era transmitido dessa forma. A gente acredita que essa forma de negócio não vai mais ser tão rentável. Se nos basearmos apenas em energia, é real a possibilidade de nossa empresa sumir.”

A tendência de descentralização de venda de energia, com consumidores escolhendo de quem vão comprar e eles mesmos gerando e vendendo energia, colocou um alerta para empresas acostumadas a trabalhar com mercado cativo. No exterior o processo está mais acelerado, mas está chegando até aqui.

Balcão transformador

Vem desse movimento de transformação o desenvolvimento de um balcão de comercialização de energia livre e certificados de energia renovável (IREC). É o único da AES Tietê em blockchain e começou a partir um provocação da sede, a AES Corporation, dos Estados Unidos (EUA), para avaliar a tecnologia. A sede é membro da Energy Web Foundation (EWF), uma rede blockchain focado no setor.

“Eu mesma fui fazer um curso sobre blockchain para entender as aplicações da tecnologia”, disse Julia .

Nesse processo, tem sido um desafio explorar blockchain e outras tecnologias como inteligência artificial (AI), internet das coisas (IoT) e machine learning, completou.

O investimento no balcão é parte do que há na carteira de investimentos da AES Tietê no programa de P&D da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A regra do setor é de que as concessionárias devem investir 1% de suas receitas operacionais líquidas em pesquisas que ajudem a desenvolver o setor.

O objetivo é testar e que o conhecimento seja compartilhado com as outras empresas. Por isso, o que é muito estratégico, as empresas não fazem no programa.

Programa Aneel

Ocorre que o balcão, se implantado, poderá transformar a maneira como se negocia energia livre e IRECs no Brasil. O balcão seria uma empresa autônoma. Detalhes técnicos estão sendo trabalhados pela startup Fohat, do Paraná, especializada em soluções para o setor energético e que está desenvolvendo a plataforma.

A carteira de P&D da AES na Aneel tem cerca de 10 projetos todo ano. A obrigação de investimentos é de cerca de R$ 7,5 milhões ao ano. Em 2020, tem R$ 14 milhões aprovados.

Excluindo o programa de aceleração da AES lançado em 2016, mais da metade da carteira de P&D da empresa envolve o trabalho com startups. “Essas empresas têm o produto como foco principal, com testes de mercado muito rápidos. A gente passou da fase de pesquisa e precisa trazer produtos e serviços”, completou Julia.

Busca-se um banco para balcão de energia livre em blockchain

O primeiro balcão organizado de negociação de energia livre e de certificado de energia renovável (IREC) do país, que está sendo desenvolvido com tecnologia blockchain pela AES Tietê e Fohat, deve começar a ser testado com participantes no final do ano. Entre eles, deverá estar um banco, que será o garantidor dos contratos, além de consumidores e comercializadores.

“Já temos parceiros e clientes que se mostraram interessados. Estamos bastante animados”, disse ao Blocknews a chefe de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da AES Tietê, Julia da Rosa Rodrigues. Há interessados tanto no comércio de energia, quanto de IRECs.

A ideia é validar a tecnologia para contribuir com o setor e mostrar que é possível ter um balcão centralizado, o que torna o setor muito mais próximo do mercado financeiro e dá a confiabilidade que esse mercado tem em termos de garantias,  do que um mercado com negociação bilateral.

Energia livre é quando o consumidor compra o insumo da geradora que preferir, ao contrário das compras obrigatórias de uma concessionária, como acontece em residências e empresas de menor porte. Grandes consumidores podem atuar no mercado livre e com a competição pagam tarifas cerca de 30% menores.

No caso dos IRECs, também não há um balcão para isso no Brasil. Quem gera energia pode gerar o certificado, comprado por quem quer compensar o uso de não renováveis. “Um comprador vai numa empresa de seu relacionamento, pergunta quanto custa e não sabe se o valor é alto ou baixo. A ideia é ter um markeplace para isso”, segundo Julia. Com o balcão, o mercado de IRECs pode crescer no Brasil, o que é um incentivo à geração de energia renovável.

Mercado mais seguro

O balcão de energia livre, diz Julia, não substitui nenhum ator do mercado. Acontece que hoje as negociações são bilaterais e não há um ambiente organizado e com contraparte, como acontece na Europa, por exemplo, com a European Energy Exchange (EEE), que opera com uma clearing de 9 instituições financeiras .

O “Projeto AES Tietê de Energy Intelligence” é parte do programa de P&D da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). As empresas são obrigadas a investir 1% da receita operacional líquida em P&D.

Os projetos devem ser compartilhados com o setor para geração de conhecimento de toda a cadeia. Mas se virar um produto, ainda melhor. E é o que parece que vai acontecer com o balcão da AES e Fohat. O investimento é de R$ 3,4 milhões.

Para que um banco

De acordo com André Ferreira, diretor de tecnologia da Fohat, a ideia é que o balcão seja uma empresa independente, com a Fohat, a elétrica e outros participantes interessados. “A Fohat tem conversado com instituições financeiras, mas não podemos dar detalhes”, disse ele ao Blocknews. A empresa do Paraná está buscando conectar os elos para que o balcão se torne realidade. Um deles seria a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que precisaria aprovar o balcão.

Uma instituição financeira é fundamental num projeto de balcão. Esse agente é financiado pelas partes e garante o cumprimento do que foi acertado, como acontece em mercados como o de ações. Hoje, as partes assumem todo o risco da negociação – de não entrega da energia de um lado ou de não pagamento da entrega do outro.

Não seria novidade um banco participar de um projeto de energia livre. Instituições financeiras como Santander, BTG Pactual, Itaú e Bradesco já têm tradings ou estão comprando uma. É um mercado que deve crescer nos próximos com a esperada liberalização. Em 2019, o número de consumidores que usaram energia livre cresceu 24%, para 16.104, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Energy Web Foundation

O projeto vai do final de 2019 e julho de 2021 no que se refere ao programa da Aneel, ou seja, de testar a viabilidade da tecnologia. A potencial implantação total ainda não tem data para ocorrer, mas será depois disso.

O passo mais recente do projeto é a conexão da plataforma à rede blockchain da Energy Web Foundation (EWF) para validação da solução, o que ocorre até o final do ano.

Os testes com IREC e comercialização devem correr de forma paralela. Para IREC será necessário maior aprofundamento, porque o maior conhecimento da AES é em energia. É um produto mais simples, porém é um processo bem complexo de emissão, transferência e aposentadoria, afirmou Júlia. No entanto, o fato de a The International REC Standard ser parte da EWF deve ajudar a acelerar o processo.

De acordo com Ferreira, as negociações de contratos de energia serão feitas offchain, fora da plataforma blockchain, para evitar lentidão na rede. Normalmente é rápida, pode acontecer lentidão como em outras, afirmou. Feita a negociação, roda-se o smart contract e a validação em blockchain.

A negociação em si não depende da validação. Já a assinatura de contrato e validação, por exemplo, podem ter um pouco mais de tempo para serem registradas, disse ele.

Escalabilidade e integração

A preocupação, segundo Ferreira, é dar escalabilidade e segurança ao projeto. “Hoje, o volume do mercado é baixo, mas queremos estar preparados para o crescimento que visualizam com o mercado livre de energia.”

E é aí que entrou blockchain, segundo ele. Como as redes podem precisar de muito tempo para validarem as transações, a decisão foi a de construir parte da solução offchain. Se tudo fosse onchain, haveria muita dependência de velocidade da rede. Além da escalabilidade, a parte offchain permite maior conectividade.

A ideia é conectar à rede também plantas de energia renovável. O Instituto Totum, que emite IREC no Brasil, poderia ser outro membro a se conectar à rede, por exemplo, criando um ecossistema ainda mais completo no balcão.

O Instituto também passou a usar blockchain no começo do ano para garantir segurança aos certificados e espera que isso seja mais um fator para elevar para elevar dos 3 milhões, para 5 milhões, o número de certificados emitidos em 2020.

Proof of Authority

As validações na EWF são feitas por meio de Proof of Authority (PoA), parecido com o Proof of Work (PoW) do bitcoin, mas que não é aberto. Apenas os nós permitidos pela rede fazem as validações e isso é gerenciado pela EWF. Isso cria uma rede de confiança nos nós. Os nós incluem empresas como Shell, General Electric e AES internacional. O nó da Fohat deve começar a rodar em breve, segundo o diretor de tecnologia da empresa.

No futuro, a plataforma poderá ter outras aplicações, como assinaturas digitais e negociação de contratos de carbono.

Os custos de uso da plataforma de balcão ainda não estão definidos.

PayPal confirma à União Europeia que desenvolve soluções em criptoativos

A PayPal, que há um ano anunciou com o Facebook o lançamento da Libra e logo depois deixou o projeto, disse à Comissão Europeia que está desenvolvendo suas capacidades no segmento de criptoativos.

O PayPal tem mais de 300 contas ativas no mundo.

A empresa fez a declaração numa resposta à consulta pública do bloco europeu para desenhar um marco regulatório sobre criptoativos, publicada na LedgersInsight.

“Desde o início do projeto (Libra), a PayPal deu passos unilaterais e tangíveis para se desenvolver nessa área, portanto, – sem questionar o valor do projeto – tomou a decisão de participar da Associação Libra”.

A saída se deu provavelmente pela pressão dos reguladores sobre as participantes, porque não foram consultados sobre a Libra e disseram que não aprovariam a iniciativa.