Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Twitter investe em mídia social descentralizada

Jack Dorsey, CEO do Twitter, anunciou hoje que a empresa está patrocinando um time de cinco arquitetos de código-fonte aberto, engenheiros e designers para o desenvolvimento de uma mídia social de padrão aberto e descentralizado.

A ideia é que o Twitter use esse sistema. “Queremos que esse time encontre um padrão descentralizado já existente para levar adiante ou, se não conseguir, que crie um. Esse é o único direcionamento que nós do Twitter vamos dar”, disse Dorsey.

Segundo o executivo, novas tecnologias emergiram para tornar a descentralização mais viável e a blockchain aponta para uma série de soluções para o armazenamento, governança e monetização aberta e durável.

Além de desenvolver um padrão descentralizado para as mídias sociais, o grupo deve construir uma comunidade aberta que vai incluir empresas, organizações, pesquisadores, sociedade civil e quem mais pensa sobre as consequências desse modelo.

ALGORITMOS PROPRIETÁRIOS

A previsão é a de que esse trabalho durará anos para chegar a um padrão que possa ser usável e escalável e que solucione diversos desafios.  O executivo justificou o investimento afirmando que soluções centralizadas têm dificuldades para resolver novos desafios.

Outra questão é que o valor das mídias sociais está de armazenamento e exclusão de conteúdo, para o direcionamento das pessoas por meio de algoritmos.

“Infelizmente, esses algoritmos são tipicamente proprietários e ninguém pode escolher ou desenvolver alternativas. Ainda”. Por fim, as mídias sociais, com frequência, geram atenção em conteúdos e conversas que envolvem controvérsia e raiva, ao contrário dos que informam e promovem a saúde.

“O Twitter era tão aberto no começo que muitos viram seu potencial para ser um padrão de internet descentralizada, como o SMTP (o protocolo usado para envio de e-mails). Por uma série de razões, que na época faziam sentido, tomamos um caminho diferente e aumentamos a centralização. Mas muito mudou nos últimos anos”, disse o CEO em sua conta no Twitter.  

Essa iniciativa, segundo Dorsey, vai permitir ao Twitter acessar e contribuir num grupo maior de conversas, focar os esforços em algoritmos de recomendação aberta, que devem levar a conversas mais saudáveis, e vai forçar a empresa a ser mais inovadora.

Deloitte terá laboratório de blockchain no Brasil

A Deloitte Brasil vai inaugurar em São Paulo, no início de 2020, um laboratório para desenvolvimento e provas de conceito de soluções que usam a tecnologia blockchain. Com isso, a cidade se junta à rede de laboratórios que começou a ser criada em 2017 e inclui Dublin (para EMEA), Nova York (Americas) e Hong Kong (Ásia). “Estamos montando um time multidisciplinar de 20 pessoas focadas em blockchain, com profissionais de áreas como jurídica, fiscal, programação e codificação”, afirma Raul Miyazaki, diretor de Serviços Financeiros da Deloitte.

No uso da blockchain, um time multidisciplinar é necessário porque se trata de uma tecnologia que abrange diversas áreas de uma empresa. Mas não só isso. Para habilitar algo novo que não tem regulação, cuidar muito bem da governança e de questões fiscais e jurídicas são necessárias para evitar que os projetos não avancem por estarem fora das regras existentes, completa o executivo.

Uma pesquisa qualitativa da Deloitte com altos executivos mostra interesse razoável do Brasil na tecnologia, mesmo que os profissionais não entendam sobre o assunto em profundidade. Dos 103 entrevistados brasileiros para a 2019 Global Blockchain Survey, 79% indicou que blockchain está entre as 5 prioridades estratégicas nos próximos 2 anos. Quando questionados sobre a possibilidade de investirem no uso em 12 meses, mais de 90% responde que há essa possibilidade, sendo que um terço fala em investir de US$ 500 mil a US$ 1 milhão.

Acontece que Blockchain gera ainda muitas dúvidas e receios, sendo uma tecnologia tão nova e que implementa uma mudança significativa na forma de empresas trabalharem com outras que fazem parte de seus negócios, como produtores, fornecedores, distribuidores, transportadores e agentes aduaneiros. Por conta disso, não surpreende que a pesquisa, tanto global, quanto no Brasil, mostre que a maior barreira de adoção seja o receio de que a adaptação e a integração dos sistemas interrompam os negócios – ou seja, mudar e haver panes.

A segunda barreira, também aqui e fora, é a insegurança, apesar de ser uma tecnologia que coloca no chinelo boa parte do que existe no mercado. “Mas como envolve compartilhamento de dados com terceiros, há receios sobre estratégias do negócio e outras questões, como adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), diz Miyazaki.

A terceira barreira é capacitação. Difícil encontrar profissionais especializados e as empresas estão treinamento seus funcionários, em geral com apoio de especialistas externos. Essa é uma observação clássica de quem está investindo em blockchain. A Superintendência de Seguros Privados (Susep), por exemplo, que está investindo num time poder para tomar decisões regulatórias e estudar a aplicação da tecnologia, também comentou, num evento recente de seguros, que pessoal capacitado é uma barreira a vencer. 

Setor de seguros flerta com blockchain

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) está fomentando um time interno de pesquisadores sobre o uso de blockchain, para tomar decisões regulatórias e estudar a aplicação da tecnologia pela própria autarquia. Por enquanto, a decisão é deixar o mercado se desenvolver e encontrar suas soluções. “Uma regulação agora pode sufocar o setor”, afirmou Leonardo José de Carvalho, Chefe do Departamento de TI e Comunicação da Susep, durante o 13º Insurance Service Meeting, promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), nesta quarta-feira (6), em São Paulo. 

Blockchain é uma tecnologia que permite gravar, compartilhar e rastrear informações, como transações financeiras, contratos, dados logísticos e origem de produtos, numa rede distribuída. Surgiu com a criptomoeda Bitcoin, mas as empresas perceberam seu valor e decidiram experimentar.

Entre as suas principais características estão o compartilhamento entre todos os participantes da rede ao mesmo tempo, o fato de os dados registrados serem imutáveis, evitando fraudes, e transparência. Por isso, pode ajudar a indústria de seguros a se tornar mais ágil e mais confiável, o que não é pouca coisa para quem enfrenta a concorrência de insurtechs e de atores de fora do mercado.

O contato com essa inovação ainda engatinha no Brasil. O setor de seguros está aquém do financeiro, que viu e ainda vê na blockchain uma ameaça, mas estudou onde poderia usá-la e está fazendo isso em diversas iniciativas. Porém, a questão não é simplesmente usar blockchain. “Não se pode buscar um problema para uma tecnologia”, disse Denise Ciavatta, diretora de TI da HDI Seguros. O importante é entender qual é a dor do cliente e a melhor tecnologia para acabar com essa dor. Blockchain serve para muita coisa, mas não para tudo.

Faltam profissionais

“A recomendação de quem já usa blockchain é começar com um projeto pequeno, explorar um processo para ser ver se ele encaixa no que a empresa precisa”, disse Lucas Aristides Mello, diretor de Inovação & Estratégia do IRB Brasil RE. É assim mesmo que a tecnologia está sendo usada pela maioria das empresas. Idealmente, essa tentativa deve desembocar uma grande rede de players.

Para inovar, a Susep reconhece que terá de enfrentar desafios como integrar uma nova tecnologia com o seu legado, conseguir a coexistência com soluções existentes e, no caso de blockchain, ter pessoal que entenda do assunto. Adotar a apólice eletrônica em blockchain, por exemplo, gera questões de governança.

A autarquia está repensando a arquitetura do Formulário de Informações Periódicas (FIP), que é cara e pesada, e entende que é preciso simplificar a comunicação com o mercado e as regulações, afirmou Carvalho. A Susep está conversando com a R3, consórcio global que desenvolve a plataforma open source Corda. Sendo um membro, poderá acessar as experiências que deram certo e às que deram errado.

IRB Brasil no B3i

O IRB Brasil Re se associou ao B3i, consórcio global de seguradoras que desenvolvem soluções em blockchain. Foi a primeira empresa da América Latina a se juntar ao grupo. Em janeiro de 2020, deve ser lançado o primeiro produto do consórcio, um resseguro de Excesso de Danos Catastróficos (Catastrophe Excess of Loss), que é um seguro complicado, envolvendo muitas empresas para se fechar um contrato, disse Mello.

A tecnologia de registro distribuída (DLT), como blockchain, permite que todos estejam conectados ao mesmo tempo, reduzindo, por exemplo, drasticamente o número de mensagens trocadas. Esse novo resseguro é global, mas no Brasil não tem mercado, porque se trata de questões como terremotos e tsunamis.

Para Mello, as empresas precisam levar em conta que o conceito de transação como conhecemos hoje vai desaparecer e os princípios de blockchain se encaixam nas dores dos clientes das seguradoras. Sua recomendação: a experiência do cliente de seguros não é boa por questões como custo e dificuldades na hora da contratação, por isso, as seguradoras devem fazer como empresas do GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft), ou seja, ter o cliente como foco. “Fechei um seguro e me perguntaram se meu portão era manual ou elétrico. Isso em pleno 2019”, completou.

Blockchain no Canadá: falta profissional e salário é alto

Saiu o primeiro estudo do ecossistema de blockchain de um país, no caso, o Canadá, de Vitalik Buterin, fundador do Ethereum. Dentre os achados está a falta de profissionais e os altos salários. O Canadian Blockchain Census 2019 Part I é do Blockchain Research Institute (BRI) e da Câmara de Comércio Digital do Canadá, com 158 empresas, governos, startups e acadêmicos.

Há uma corrida no mundo para saber quem vai ser o líder global de blockchain, disse Don Tapscott num artigo.

Alguns dos dados do censo são:

• O salário anual em blockchain é de 98 mil CAD, cerca de R$ 300 mil, dobro da média do país, e 60% dos contratados vêm do exterior;

• Há mais de 400 empresas com foco em blockchain, sendo 50% em Ontário;

• 30% delas oferecem produtos baseados em blockchain, 26% oferecem consultoria, 26%, infraestrutura e aplicações;

• Investimentos no Canadá deverão ter crescimento anual composto em 5 anos de 73%, o maior do mundo, atingindo US$ 644 mi;

• Além da falta de profissionais, os entrevistados apontaram como dificuldades as questões regulatórias e legais; falta de financiamentos – Buterin lançou Ethereum na Suíça – e restrições de bancos e auditorias em trabalhar com um segmento que acham criminoso. O estudo está em

A blockchain já é uma realidade, não adianta mais tentar fugir dela

Continuando minhas andanças pelo mundo de blockchain e criptomoedas, participei do Blockcrypto Expo 2019, evento de dois dias em São Paulo, na semana passada. O que vi foi uma ebulição que está mudando o dia a dia das empresas e das pessoas. Por isso, você pode correr, se esconder, se disfarçar, mas não vai adiantar, porque a tecnologia blockchain vai te pegar.