Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Protocolo Baseline testa integração entre Google Sheets e Microsoft 365

O Protocolo Baseline , um projeto open source lançado em março por Consensys, EY e Microsoft, e que conta agora com 14 empresas, anunciou uma prova de conceito (PoC) que permite a verificação de dados de sistemas de planejamento de recursos das empresas, os ERPs, e planilhas.

Na prática, significa a integração para Google Sheets e Microsoft 365. Há duas semanas, o Baseline lançou uma integração entre SAP e Dynamics 365.

As empresas gastam milhões de dóalres em sistemas de registros de dados como ERP e CRM, mas não conseguem sincronizá-los perfeitamente com outras organizações. Isso leva a problemas como disputas, perdas de inventários e ações regulatórias, o que na prática, significa perda de dinheiro e até de mercado.

Segundo o grupo, as soluções atuais criam uma camada de integração que só as grandes empresas podem pagar. No entanto, o Baseline usa a plataforma pública Ethereum Mainnet como camada de referência, a qual opera todo o tempo, não pode ser derrubada pelas empresas e os participantes pagam conforme usam.

O protocolo pode ser usado por empresas de todos os tamanhos e com todos os tipos de sistemas de informação. “Muitas empresas pequenas ainda usam planilhas para monitorar contratos e pedidos de compras, disse George Spasov, da LimeChain, que ajudou a desenvolver a PoC.

Fazer a linha de base é permitir que um registro em um sistema seja verificável da mesma forma em seu registro correspondente em outro sistema. Isso permite que a informação continue num database tradicional, com uma fonte única de informação que seja confiável para as empresas envolvidas.

Em 2020, mandamos a SpaceX ao espaço, mas ainda matamos George Floyd(s)

SpaceX mandando astronauta para a estação espacial internacional; o Covid-19 (ele, de novo) e a morte de George Floyd. Misturando os assuntos das últimas semanas, a gente acha uma grande correlação entre eles. Quer ver?

O assassinato de George Floyd foi o estopim de uma onda de protestos varrendo os Estados Unidos (EUA) e se propagando por outros países. As imagens mostram claramente que a abordagem policial foi completamente enviesada, desumana e inconcebível. Racismo em sua essência.

Não é razoável que a cor da pele, local de nascimento, gênero, opção sexual ou crença religiosa seja motivo para tratamento diferente. Foi assim desde que o mundo é mundo. É assim em pleno século XXI. Conseguimos tantos avanços tecnológicos, mas ainda precisamos nos esforçar para lidar bem com nosso semelhante e sermos uma sociedade mais inclusiva, o que inclui também a área de tecnologia, onde claramente há um desequilíbrio de raças.

Obviamente há todo um histórico de racismo. O modus operandi da escravidão, promovida pelos europeus, continuou operando na América mesmo depois da independência. Um histórico tão carregado, que apesar de direitos civis iguais pelas leis, ainda não há igualdade para todos.

Além de toda a questão política e social, ainda há a humana: o preconceito implícito, em que o inconsciente das pessoas tenta simplificar o entendimento de sua realidade, gerando pré-conceitos para rápida – e muitas vezes erroneamente – tentar entender os fatos ao redor. Esse “entendimento” gera um conforto e também preconceitos e esteriótipos, o que deve ser combatido.

Não vou me estender sobre as origens e motivos do racismo, um problema que precisa ser encarado de frente e resolvido. Mas deixo 2 links no final deste artigo de ícones que admiro da NBA, a liga norte-americana de basquete. Um é do Kareem Abdul-Jabbar, lenda como jogador, e o outro é de Masai Ujiri, presidente do Toronto Raptors e responsável pelo atual título da NBA de seu time.

Covid e racismo

Junte-se a esse contexto as restrições impostas pelo Covid-19, que colocaram a situação das famílias no limite. E nas famílias com menos oportunidades, boa parte delas negras, o limite é muito mais restritivo. Nos EUA, passou-se o número de 40 milhões de desempregados, com taxa de desemprego de 14,7% ao fim de abril. Nas populações negras e hispânicas esses percentuais foram piores: 16,7% e 18,9%, respectivamente.

Nesse caldeirão de desespero, a morte chocante de George Floyd foi o estopim para demonstrar as inequalidades e o racismo que foram severamente catalisados pelo Covid-19. Para piorar a cena política americana, seu presidente jogou mais lenha na fogueira (qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência…)

Dragon Crew

E eis que no meio desse mar de notícias ruins, surge a Dragon Crew e seu envio exitoso de dois astronautas americanos para a estação espacial internacional. A mídia deu bastante atenção a esse fato, especialmente a americana. Desde 2011, a maior potência mundial e espacial tinha que  vexatoriamente pedir uma “carona” para a agência espacial russa, arqui-inimiga da guerra-fria, para levar seus astronautas à estação espacial.

Se a mídia mundial destacou essa última informação acerca do lançamento, e a americana o fez com um tom patriótico, destacaria outras 2 características muito mais relevantes.

A primeira grande característica é que o foguete Falcon 9, que venceu a gravidade terrestre para colocar os astronautas em órbita, voltou à Terra, num pouso milimétrico. Isso mesmo, estamos acostumados a ver foguetes historicamente colocarem tripulações em órbita para em seguida virarem lixo espacial. O Falcon 9, como boa parte dos foguetes da SpaceX, não só retornou à Terra, como será reutilizado em futuras missões. Que bela forma de aplicação da tecnologia: mais barata e com menos consumo de recurso.

A segunda grande característica da missão é que pela primeira vez uma empresa privada levou gente para fora do nosso planeta. Reparem: uma startup com menos de 20 anos conseguiu esse feito com segurança, menor custo e menor uso de recursos. Acompanho a Spacex há algum tempo e vi que o sucesso não veio repentinamente. Foram feitos vários testes, missões não tripuladas e foguetes explodidos no meio do caminho.

O maior simbolismo para mim é o do acesso às tecnologias revolucionárias. Esse acesso não está mais restrito aos programas militares, agências nacionais e universidades de ponta. Pessoas comuns estão fazendo coisas extraordinárias.

E como juntar as histórias de Elon Musk (fundador da Spacex) e George Floyd? Personagens tão distintos, mas que orbitaram sentimentos tão antagônicos simultaneamente em nós recentemente.

A realização de Musk nos fez sentir sucesso, orgulho, euforia. O trágico assassinato do George nos fez sentir raiva, indignação, consternação. Acredito que precisaremos usar tudo isso para de fato melhorarmos.

Musk chegou até o espaço porque Katherine Johnson, junto com Mary Jackson e Dorothy Vaughan, as três matemáticas afro-americanas que ficaram conhecidas como “computadores de saia”, trabalharam nos programas espaciais Redstone, Mercury e Apollo para a Nasa.

Isso tudo lá na década de 60, em plena era de segregação racial nos EUA. Elas trabalhavam na divisão segregada de computadores da área oeste da Nasa. Mesmo esse absurdo de segregação não foi capaz de tirar a confiança de John Glenn, reconhecido astronauta branco da Apollo 11, em fazer questão de ouvir Katherine mostrar seus cálculos e confiar neles.

Naquela época, o cálculo era quase todo manual, o poder computacional era ínfimo comparado aos dias atuais. Hoje, a tecnologia está aí e acessível. As inequalidades e o racismo infelizmente também continuam aí e visíveis. Se o viés implícito muitas vezes é inconsciente, o menor acesso dos negros às oportunidades, não é.

Do que adianta aula virtual para quem não tem microcomputador e nem acesso à internet? Que tal lockdown sem água tratada nem esgoto? Se o acesso à infra-estrutura sempre foi importante, imagina nos tempo de Covid? E no pós-Covid?

Cada vez mais os empregos no futuro se deslocarão para setores de tecnologia. Mesmo os tradicionais terão uma pitada maior de tecnologia, tipo home-office – acho que a essa altura muitos já entendem isso, certo? E estes empregos cada vez mais se distanciarão dos empregos estritamente manuais, o que aumentará cada vez mais o abismo de renda e oportunidades entre as pessoas.

Dados nos Estados Unidos mostram que 20% dos formados em ciência da computação nos são negro e latinos. Mas eles são apenas 6% dos indústria de tecnologia.

O caminho deverá passar por uma universalização do acesso a infra-estrutura e tecnologia. Isso de fato dará condições a populações que vêm sofrendo racismo sistêmico a se colocarem de melhor forma no novo mercado de trabalho que se desenha. E de empreender. Afinal de contas, empreendedorismo e criatividade já são marcas dessas populações que têm que driblar a falta de recursos e oportunidade com muito “jogo de cintura” e com os mais variados negócios próprios. Imaginem todo esse potencial, esse diamante bruto de criatividade, com os devidos recursos?

O próprio setor de tecnologia deveria repensar seu papel. Não só no acesso, mas na representatividade. Quantos venture capitalists, fundadores, executivos do setor são negros, mulheres e nordestinos?

Acesso e combate ao viés implícito com diretrizes de acesso, oportunidades de trabalho, fundos específicos para populações menos favorecidas empreenderem podem ser bons caminhos.

Além disso, foi muito legal ver a união da sociedade civil para atacar a pandemia. Mais do que doações em dinheiro, doações em máscaras, luvas, equipamentos, seria mais legal ainda estender essa boa vontade, por exemplo, em doações de computadores e acesso à internet para as crianças que não têm condições. Algo que seria usado para além da pandemia. Uma máscara salva a vida no pico da pandemia. Um computador pode transformar uma vida para sempre.

Artigo de Kareem Abdul-Jabbar no LA Times: https://www.latimes.com/opinion/story/2020-05-30/dont-understand-the-protests-what-youre-seeing-is-people-pushed-to-the-edge

Artigo de Kareem Masai Ujiri no The Globe and Mail: https://www.theglobeandmail.com/opinion/article-masai-ujiri-to-overcome-racism-we-need-to-be-more-than-merely-good/

Link de artigo muito sucinto com dados de desemprego dos EUA em tempos de Covid: https://www.theguardian.com/business/2020/may/28/jobless-america-unemployment-coronavirus-in-figures

https://www.theguardian.com/business/2020/may/28/jobless-america-unemployment-coronavirus-in-figures

Stephan Krajcer trabalhou por mais de 15 anos no setor bancário e em 2018 fundou a Cuore, startup baseada no Canadá que desenvolve soluções tecnológicas de digitalização e automação para mercado financeiro, além de outras iniciativas com uso de tecnologias emergentes como AI e blockchain.

Federação de agro do RS cria portal para estimular digitalização do setor

A Comissão de Inovação da Farsul, a Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul, lançou o portal HackatAgro.com, para promover uma rede que estimule a digitalização do setor, de produtores a investidores e associações, para aumentar a renda, eficiência e sustentabilidade da agricultura.

Segundo o líder da comissão, Donário Lopes de Almeida, “o processo de digitalização do agro já vinha acontecendo e o distanciamento social provocado pelo Covid-19 abriu oportunidades nessa área nas cadeias de produção. “Vamos estimular o ecossistema de inovação a direcionar esforços para a solução dos problemas do agro”, completou.

Esse movimento começou há cerca de dois anos com a sensibilização do setor, o que incluiu as empresas focadas em tecnologia para agricultura, as agritechs. O HackatAgro.com terá webinars, vídeo e podcasts, e-books, e a segunda edição do Hackathon do agro em dezembro.

Blocknews e Mentors Energy realizam 1º Simpósio sobre blockchain em energia

Controle em tempo real de milhões de dados de distribuição, emissão de certificados confiáveis de energia renovável e venda direta entre pessoas (P2P) são algumas das soluções inovadoras que blockchain está permitindo no setor de energia no mundo, em especial na Europa e Ásia. E é nítido o ganho de eficiência que esses movimentos geram nos sistemas e nas empresas.

No Brasil, geradoras e distribuidoras começam a testar e usar blockchain. As oportunidades de avanço aqui são enormes pelo tamanho do mercado, pela necessidade real de modernização do setor e porque está em curso a aprovação do novo marco regulatório que vai mudar a forma como as empresas vão operar.

“Percebemos a necessidade imediata no desenvolvimento de soluções blockchain para acelerar os processos internos e externos junto a clientes, parceiros e fornecedores, propondo aumento da qualidade das informações e redução de custos”, diz João Carvalho, fundador da consultoria Mentors Energy.

Para discutir sobre os casos de uso e as possibilidades para o Brasil, o Blocknews e a consultoria Mentors Energy vão realizar o “1º Simpósio sobre o Potencial da Blockchain no Setor de Energia”, no próximo dia 9 de junho (terça-feira), às 14h00. O evento terá a participação de Carlos Rischioto, líder técnico de blockchain da IBM, Luiz Rolim, especialista de sistemas de energia do CPqD, Igor Ferreira, CEO da Fohat, e Alexandre Boschi, gerente sênior de supply chain, logística e manufatura da EY. O evento será online e gratuito. As inscrições podem ser feitas pelo link https://bit.ly/2ABow6M .

As próximas edições do simpósio serão nos dias 16, 23 e 30 de junho, sempre às terça-feiras, das 14h às 15h.

Mercado em transformação

“O mercado de energia está passando por uma transformação, com a expansão das fontes de energias limpas e renováveis, além do crescimento da micro-geração e dos prosumers,, que são os consumidores que também geram energia. A complexidade nos controles e registros das transações é cada vez maior e blockchain surge para aumentar a confiabilidade e segurança nas transações”, diz Rischiotto.

Além do movimento global de descarbonização, o novo marco regulatório, proposto no PLS 232/2016 que está no Senado Federal, vai fazer “o Brasil abrir seu mercado de energia e novas oportunidades surgirão”, afirma Ferreira. Até a pandemia do Covid-19 está influenciando as empresas do setor, que estão repensando suas operações, completa o CEO da Fohat.

A perspectiva de aumento dos investimentos em blockchain no setor preevem crescimento de dois dígitos nos próximos anos. Há estudos que estimam que os investimentos globais vão saltar de US$ 156 milhões em 2016, para US$ 34,7 bilhões em 2025.

“A aplicação de blockchain no setor pode ser um catalisador para o modelo de negócio e a mudança de processos em toda a empresa. No Brasil, os líderes empresariais e o poder público já vêm acompanhando a discussão e entendem todo potencial do blockchain e os seus benefícios para o desenvolvimento da energia no país”, afirma Boschi.

Por isso, é preciso entender que não se trata apenas de uma tecnologia ou de um processo de transformação digital. Se trata também da introdução de novos modelos de operação e de arranjos regulatórios comerciais, que deverão fomentar o desenvolvimento do mercado de energias renováveis, em sintonia, por exemplo, com a geração distribuída, o armazenamento de energia e iniciativas em mobilidade elétrica”, completa Rolim, do CPQD.

Na vizinhança, o Chile escolheu o setor de energia para começar a usar blockchain e nesse sentido está mais adiantado do que o Brasil. Há dois anos, a Comissão Nacional de Energia (CNE) anunciou um projeto em que, na primeira etapa, foram incluídas na rede informações de dados como capacidade elétrica instalada, geração em usinas e residências, preços médios do mercado, custos marginais o cumprimento de regras do setor.

BMW avança em blockchain com mais uma iniciativa, um programa de vantagens

A BMW anunciou mais uma iniciativa em blockchain. Sua unidade na Coréia do Sul disse ontem (1) que vai iniciar os testes de um programa de recompensas que usa a tecnologia e que a montadora pretende implantar no resto do mundo. O objetivo é gerar mais atividades de relacionamento com o cliente.

Pelo BMW Vantage, os participantes poderão acumular moedas e usá-las empagamentos e descontos de serviços e produtos em diversos setores, incluindo viagens e educação.

A montadora tem diversas iniciativas em blockchain. Uma delas é o rastreamento de peças de fornecedores. Uma outra é o MOBI, um consórcio de empresas, governos e organizações não governamentais (ONGs) que estudam o uso da tecnologia em mobilidade.

Fraude na quilometragem

E tem ainda uma iniciativa para combater fraudes nos odômetros, com a manipulação dos dados de quilômetros rodados pelo veículo. Essa solução foi desenvolvida pela VeChain, uma startup que teve apoio da BMW.

O lançamento do BWM Vantage está previsto para o final do ano e agora a montadora está convidando voluntários. Os primeiros mil voluntários receberão 30 mil moedas pelo aplicativo do programa.

Os pontos são acumulados quando se compra um carro, um produto ou serviço BMW ou em outros atividades, como pagamentos.

Leia mais sobre blockchain na indústria automotiva em:

Mercedes-Benz rastreia emissão de C02 em cadeia de cobalto usao em baterias

Amazon obtém patente para rastrear cadeia de fornecedores por blockchain

A Amazon patenteou no USPTO, órgão dos Estados Unidos responsável por fazer os registros, um sistema que usa blockchain para rastreamento e monitoramento de sua cadeia de suprimentos. Segundo a empresa, até agora só era possível rastrear uma parte limitada da cadeia, em geral aquela que era de interesse de quem criou a solução.

É fato que os monitoramentos, quando existem, em geral são dos fornecedores diretos dos fabricantes de produtos ou elaboradores de serviços. Pouco se monitora os fornecedores dos fornecedores.

Para Maurício Magaldi, da comunidade Hyperledger (capítulo Brasil), mentor de startups baseadas em blockchain e host do BlockDrops Podcast, o pedido de patente tem um significado grande porque além de a Amazon ser o maior site de compras, a iniciativa evita casos de produtos falsificados.

Em seu pedido, a Amazon exemplifica que quando um item é adicionado no sistema de catálogos, sua informação é incluída no começo do registro da cadeia para esse item. Uma certificadora pode fazer parte do sistema para verificar se os produtos correspondem ao que está no catálogo, baseado em uma ou mais regras de certificação.

Se os requerimentos forem cumpridos, a informação é registrada para indicar transferência de um produto de um fornecedor para o sistema de catálogo. A informação da certificação pode se apresentada com a descrição do item quando houve busca por ele no catálogo.

As características de registro distribuído e certificação fornecem uma confirmação melhorada de certificações de terceiros, disse a Amazon.

“Os usuários podem pedir informação sabendo que um produto se movimentou na cadeia de suprimentos e manteve sua autenticidade, como verificado em alguns casos por requerimentos estabelecidos por uma terceira-parte independente”, diz o pedido de registro.

No novo normal, quase tudo terá versão digital melhorada, da educação escolar ao dinheiro

A virtualização massificada das interações humanas que a atual pandemia vai nos deixar de legado foi o tema de meu artigo anterior – publicado em 25/05. Obviamente, as relações não serão apenas virtuais quando todas as restrições cessarem, mas a experimentação e a perda do medo em operar virtualmente trarão mais amplitude e profundidade no uso das tecnologias.

Um dos subprodutos dessa nova realidade é o que chamo de Omni-content (omni, tudo em latim). Nada novo, mas que será amplificado.

Se para reuniões se falou muito no Zoom, sua prima para propagação de conteúdo foi a live. Live para isso, live para aquilo, uma enxurrada de lives. Aqui foi outra explosão. Pessoas se reúnem virtualmente não só para trabalho, mas também para entretenimento, conteúdo e educação. Virtualizou-se quase tudo.

Se mais de 3 milhões de espectadores assistiram a live de Marília Mendonça no Youtube, mais de 12 milhões de pessoas viram a performance virtual de Travis Scott, um rapper americano, dentro do Fortnite, um dos games mais famosos atualmente. Imaginem os novos modelos de negócio que evoluirão… Imaginem acrescentar realidade virtual a isso tudo…

Chuva de lives

A chuva de lives nessa quantidade talvez não seja sustentável. Mas com certeza irá nos fazer repensar se um evento deve ser físico. Não só de entretenimento, mas de discussão de temas, como seminários e conferências.

Lives de conteúdo estão sendo muito utilizadas. Em geral, são gratuitas. O que é bom, pois traz mais audiência e dá acesso a conteúdos e discussões que muitas pessoas antes não teriam, quer seja pela questão financeira, quer seja pela questão física – a de rearranjos de escritórios, home office, onde empresas se estabelecerão e o impacto disso na dinâmica das cidades é assunto vasto para outra discussão.

A indústria de entretenimento, eventos, feiras de negócio serão chacoalhadas com a viabilidade desses novos formatos e como eles irão conviver com os mais tradicionais. Sem dúvida, essas indústrias precisarão rever seu modelo de negócio.

No banco da escola?

Daí chegamos a uma outra conjunção de extrema relevância: conteúdo e interação humana na educação. E esse é um campo fértil, não só na educação profissional, mas principalmente na educação escolar. Ainda são usados métodos do século passado na educação escolar.

Vivemos uma oportunidade única para evoluir o modelo educacional, aliando o que a tecnologia tem para agregar. Mas na medida correta, pois se por um lado o que se vive atualmente de aulas virtuais não é saudável no longo prazo, por outro há uma grande constatação de que a educação precisa evoluir.

Na maioria dos casos, simplesmente se jogou conteúdo de sala de aula num portal. Isso torna o processo oneroso para todos: alunos, professores e pais de alunos. Realmente espero que educadores, escolas e professores agarrem essa oportunidade e deem uma turbinada de fato em metodologia, conteúdo e ferramentas, em vez de usar a tecnologia para fazer uma gambiarra com o material do século passado para tapar a necessidade que a pandemia nos trouxe.

E quase integre isso a uma verdadeira experiência física, em que se valorize a proximidade e riqueza nas trocas entre alunos, professores, orientadores, dentre outros.

O ensino a distância (EAD), que teve grande crescimento nos últimos anos, deve reforçar sua relevância nos próximos anos. Seu crescimento será pautado por modelos de negócio, quão integrado estará, qualidade no conteúdo, experiência dos alunos e como massificar, dadas as questões de acesso a infraestrutura.

No mundo omni content, empresas terão de rever modelos de negócio

Como já vinha acontecendo no varejo com o conceito de omni channel (integração dos canais físicos e online), teremos o omni content não só na educação, mas em todas as plataformas de conteúdo e entretenimento.

Dado que o digital tem abocanhado um espaço relevante das interações físicas, haverá a necessidade de se pensar numa melhor intersecção de meios. É verdade que há várias iniciativas, inclusive antes da pandemia, mas isso precisará se intensificar.

O distanciamento social também reforçou transações sem contato.

Voltando para as lives de artistas, outra coisa que me chamou a atenção foram os QR Codes no canto da tela. Talvez seja um excelente indicativo da massificação no uso de novos meios de pagamento.

As transações em geral, e os meios de pagamentos dentre eles, devem ganhar um elemento de desburocratização, já que se perdeu o medo “na marra”. Alguém sentiu falta de não ter firma reconhecida em documento? Ou melhor, documentos assinados digitalmente, alguma reclamação? Esse movimento já vinha de antes, mas ainda tímido. Acelerou. E espero que seja mantido e incorporado a esse tal de novo normal.

Papel para quê?

Voltando aos pagamentos, os instantâneos já estavam na agenda. Prova disso eram que o projeto PIX do Banco Central já estava “no forno” e previsto para lançamento em novembro. A proliferação daquelas plaquetas com QR code no pequeno comércio crescendo exponencialmente assim como a profusão de wallets. Wallets das mais variadas: de varejistas, patinete, bancão, big tech, cripto…

A pandemia forçou um uso cada vez maior de pagamentos sem contato, relegando as notas físicas, que já vinham perdendo espaço, a perder ainda mais força. Mesmo o cartão de crédito ou débito teve um reforço para transações por aproximação, evitando que consumidores tenham que tocar nos POS, as maquininhas. Já perdemos o hábito de usar cheques, estamos perdendo o hábito das notas, perderemos no futuro hábito de carregar cartões (por menores e leves que sejam).

Terreno fértil para uma infra-estrutura mais moderna, não só o PIX, mas imaginem virtualizar as moedas nacionais, já que as notas físicas perdem relevância. Nos últimos anos, o debate das CBDCs (sigla em inglês para moedas digitais de bancos centrais), vem evoluindo e o momento atual reforça a relevância. Uma idéia que parecia maluca há alguns anos atrás, parece bastante razoável atualmente… Para quê o apego ao papel moeda?

Vale lembrar que isso já ocorreu, por exemplo, na indústria da informação impressa. Jornais e revistas consistentemente diminuindo circulação de seus veículos impressos, com o avanço e popularização de novas mídias. Portanto, hoje parece bem razoável que esse movimento chegue ao dinheiro também.

Houve um choque de costumes, perdeu-se o medo do virtual e há incentivos em vários participantes dessa indústria de se ganhar eficiência, além do medo de novos formatos ganharem força. Transações mais baratas, rápidas e eficientes. Menos impressão de papel moeda, menos logística e segurança para armazenamento das notas, ou seja, a tecnologia trazendo eficiência para as transações financeiras.

Carteiras que não ficam no bolso

E sobre as cripto moedas? É importante separar o joio do trigo. Sem o Bitcoin, não estaríamos discutindo CBDC, que são moedas tokenizadas por bancos centrais e distribuídas em blockchain, em vez de papel. As cripto foram fundamentais também na forma que as wallets de cripto evoluíram e influenciaram as de moedas fiduciárias, as fiat. Também deverão ganhar relevância e mais adoção, mas as pessoas precisam perder o medo.

Isso significa diminuição de fraudes, uma experiência de usuário menos técnica e mais simples para o usuário comum, além da diminuição de volatilidade para um uso mais corriqueiro (desassociando do investimento que beira especulativo). CBDC’s e stablecoins (criptomoedas atreladas a moedas ou cesta de moedas nacionais que mitigam a volatilidade) serão elementos fundamentais para uma nova primavera cripto.  Sem contar o potencial que projetos como a Libra (cripto moeda do Facebook) podem gerar quando (e por que não se) forem lançados.

Independente de quais sejam os modelos de negócio e tecnologia vencedoras, pagamentos instantâneos e sem contato vieram par ficar e o distanciamento social apenas acelera o ritmo de adoção.

Stephan Krajcer trabalhou por mais de 15 anos no setor bancário e em 2018 fundou a Cuore, startup baseada no Canadá que desenvolve soluções tecnológicas de digitalização e automação para mercado financeiro, além de outras iniciativas com uso de tecnologias emergentes como AI e blockchain.

Discovery Science exibe primeiro seriado financiado com criptomoeda

O Discovery Science dos Estados Unidos vai ser o primeiro canal a cabo a transmitir o primeiro documentário 100% financiado com criptomoedas. Como não poderia deixar de ser, o tema é o mundo cripto, mais especificamente a historia da plataforma blockchain Dragonchain, desenvolvida pela The Walt Disney Company em 2014 e que depois se tornou open source e foi lançada em 2017. O seriado Open Source Money estreia dia 4 de julho.

A produção de cinco capítulos custou US$ 1 milhão. De acordo com a Vision Tree Media, Open Source Money conta a história de Joe Roets, fundador da Dragonchain, empresa que ajudou a aumentar o interesse mundial por criptomoedas. Para isso, será contada também a história da blockchain e das criptomoedas e entrevistará outros empreendedores do mundo cripto, incluindo o Facebook.

A Vision Tree, que há 65 anos produz filmes, também é co-produtora do filme “Atari: Fistful of Quarters”, junto com a produtora do ator Leonardo di Caprio. O filme foi tokenizado pela TZERO. Os tokens Bushnell dão direito a parte dos ganhos do filme e outros benefícios, como votar no trailer e ajudar a escolher o elenco. A produção é sobre um dos criadores do primeiro vídeo game do mundo, Nolan Bushnell. O Atari, para quem não se lembra ou não sabe, é o pai dos jogos eletrônicos.

Programa da Telefónica dará acesso gratuito a soluções para startups e PMEs

A Telefónica anunciou o lançamento do Activation Programme, que selecionará startups e pequenas e médias empresas que poderão ter acesso gratuito a novas tecnologias, incluindo Internet das Coisas (IoT), blockchain, big data e inteligência artificial, para que se desenvolvam. Segundo a empresa, o programa será lançado também no Brasil, mas ainda não há data anunciada.

O programa inclui a realização de pilotos para a Telefónica e seus clientes e até investimento do Wayra, hub de inovação da empresa.

Em blockchain, será dado acesso à sua solução TrustOS.

Google Cloud se torna nó validador da rede de distribuição de vídeos Theta

O Google, por meio do Gloogle Cloud, deu um passo de aproximação com blockchain. A empresa fechou um acordo com a Theta Labs, plataforma global de distribuição descentralizada (P2) de vídeo e que tem nós inclusive no Brasil. O Google Cloud vai ser um nó validador na rede Theta na Europa, a partir da Irlanda, e vai oferecer um serviço que permite aos usuários da plataforma para implantarem nós da rede Theta.

O nó validador aprova se uma transação pode ser fechada – outros tipos de nós têm outras funções. Segundo o Google, esse é um dos seus primeiros nós validadores e é um passo além da inclusão de dados do Bitcoin, Ethereum e outras 6 cripto moedas através de seu programa público.

Com a entrada do Google Cloud, redes da Theta em diversas partes do mundo estarão mais livres para os vídeos. Nela, os vídeos estão distribuídos a partir de diversos pontos e não apenas a partir de um banco de dados centralizado, de onde se “puxa” o vídeo quando alguém quer acessar, como acontece com Netflix, por exemplo. Cada vez que um grupo de usuários assiste ao mesmo vídeo praticamente ao mesmo tempo, apenas o primeiro acessa o banco de dados e a imagem passa de um para outro. Isso reduz custos de infraestrutura.

Por isso, quanto mais usuários, mais eficiente é a rede. E ainda é possível “alugar” sua banda larga na rede blockchain, com pagamento feitos com o token Gamma. Samsung e Sony são alguns dos nós validadores, que agora são 12. Samsung é também um dos investidores na empresa.