Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Alibaba cria plataforma para pequenas e micro empresas explorarem tecnologia

A Ant Financial, fintech antes conhecida como AliPay, do grupo Alibaba, lançou a OpenChain, uma plataforma blockchain para desenvolvedores e pequenas e micro empresas.

A empresa foi a líder no ranking global de patentes de aplicações blockchain nos últimos três anos, segundo a IPRdaily. E é a maior plataforma de blockchain em produtividade na China, ao conseguir processar 1 bilhão de contas de usuários e 1 bilhão de transações por dia.

A OpenChain é um consórcio que vai permitir a esses membros usarem os contratos inteligentes e aplicativos descentralizados da Ant Financial. O objetivo é permitir a essas empresas e desenvolvedores explorar possibilidades com blockchain nos próximos três anos, disse Jin Ge, diretor-geral de plataformas blockchain Platforms da fintech.

Fibree faz webinar sobre blockchain no setor imobiliário

A Fibree, organização que discute o uso de blockchain no setor imobiliário, faz, nesta terça-feira (14), um webinar para o mercado brasileiro.

O evento acontece das 19h00 às 20h30 e vai mostrar projetos implantados e as perspectivas para o mercado.

Rubens Neistein, diretor-executivo do grupo Digitalks e organizador do Fórum BlockMaster, vai intermediar a discussão.

As inscrições podem ser feitas no link https://bit.ly/3ecGWtP

A Fibree foi criada em 2018 na Bélgica e hoje agrega mais de 30 redes regionais.

Nestlé vai rastrear café brasileiro vendido na Suécia

A Nestlé, que usa blockchain desde 2017, vai agora utilizar a tecnologia para rastrear o café da linha Zoégas, vendido na Suécia. Com isso, o consumidor poderá saber por onde o produto passou desde sua origem até a fábrica de torrefação em Helsingborg.

A edição “Summer 2020”, da linha Zoégas, é feita com uma mistura de grãos do Brasil, Ruanda e Colômbia. O café é vendido e grãos ou torrado e moído.

A plataforma usada é a Food Trust, da IBM e da qual a Nestlé é uma das primeiras a participar.

As embalagens do café têm um código QR. Ao acioná-lo, os consumidores vão ver informações sobre os agricultores, época da colheita, dados do embarque nos navios e período de torrefação.

A Nestlé anunciou que está também testando o monitoramento e informação ao público de dados sobre leite e azeite de palma. A empresa já usa blockchain no purê Mousline e o produto infantil Guigoz, na França.

Os grãos de café da linha Zoégas são certificados pela The Rainforest Alliance.

Após teste com carros Tesla, CargoSmart vai expandir experimento

Depois de testar com sucesso o uso de blockchain na liberação de um carregamento da Tesla no porto de Xangai, a CargoSmart, que fornece tecnologia para o gerenciamento de cargas, vai agora fazer o teste em Xiamen e Qingdao, ambos na China, e em Laem Chaban, na Tailândia.

Segundo a empresa, o teste ocorreu com o Shanghai International Port Group (SIPG) e a Cosco Shipping. O objetivo foi reduzir as etapas de checagem de dados dos agentes de navegação e dos destinatários da carga.

Isso possibilita que uma retirada mais rápida. Na ponta final, facilita a entrega na data acordada com o dono da carga e, se for algo que faça parte de uma cadeia de fornecimento, ajuda a evitar atraso no processo industrial

A aplicação vai ser desenvolvida para os membros do consórcio de blockchain Global Shipping Business Network (GSBN), que está em fase de implementação. O grupo é formado por nove armadores e terminais portuários. 

A Tesla está num setor que a cada dia anuncia testes com blockchain para diferentes objetivos. Recentemente, houve anúncios da General Motors, BMW e Mercedes-Benz.

Com Covid-19, WEF recomenda digitalizar cadeias de suprimentos agora

Blockchain é uma das ferramentas que podem ajudar as cadeias de suprimentos a serem mais resilientes em crises como a do Covid-19.

A afirmação é do World Economic Forum, que defende a digitalização dos processos, hoje ainda muito baseados em papel e trânsito de documentos impressos entre escritórios.

As fabricantes de produtos finais, em geral, sabem o que acontece nos seus fornecedores imediatos, mas têm pouca ideia do que acontece antes, nos fornecedores dos fornecedores, ou seja, em todas as etapas da cadeia.

Visão geral

Com uma crise como a da pandemia do coronavírus, muitas empresas estão fechadas e o transporte em todos os modais foi afetado. É nessa hora que a visibilidade da cadeia de fornecimento é fundamental para se planejar o que fazer.

O WEF recomenda 4 ações para uma empresa ter visibilidade em toda a cadeia: uma delas é a digitalização de processos hoje feitos no papel – é bom lembrar que a internet continua funcionando e ninguém precisa sair de casa para entregar algo que esteja digitalizado.

Outra é  garantir que os fornecedores compartilhem os dados necessários e que não vão colocar suas estratégias de negócios em risco – e é aí que entra blockchain.

É comum empresas não quererem usar blockchain com medo de que precisam compartilhar tudo. Não é assim no mundo corporativo, há dois tipos de redes blockchain que garantem compartilhamentos limitados.

Outra recomendação é incentivar os fornecedores a compartilhar dados e para isso pode-se, por exemplo, usar a rede blockchain. Um formato é o de dar financiamentos mais baratos aos fornecedores do que o que eles encontrariam em outras fontes. Para isso, é possível usar dados compartilhados pela rede, como receita esperada.

E o WEF recomenda também que as indústrias adotem agora programas de financiamento na cadeia de suprimentos, para que os fornecedores compartilhem seus dados e todos estejam numa posição mais confortável num futuro choque.

Afinal, é consenso que novos choques virão, inclusive no formato de pandemia. E o pior é que ninguém sabe quando.

Investimentos em energia podem crescer 83% ao ano e chegar a US$ 35 bi em 2025

Os investimentos em blockchain no setor de energia devem crescer a uma taxa anual de 83% entre 2018 e 2025, chegando a US$ 34,7 bilhões, segundo previsão da Premium Market Insights (PMI). O aumento acontece à medida em que as empresas encontram soluções que reduzem seus custos operacionais, mais segurança da informação e redução de riscos.

A estimativa é de que em 2016 os investimentos eram de cerca de US$ 156,6 milhões. Desde então, diversas empresas têm investido em blockchain em ações como controle de dados e transações financeiras, inclusive no Brasil. Entre elas estão a AES Tietê, EDP e Endesa.

Usuários como o mercado de Queen Victoria Market, em Melbourne. Blockchain é uma das tecnologia que ajuda o mercado a armazenar e vender energia no mercado livre australiano. A Fohat, empresa brasileira, participa do projeto.  

GM pede patente para sistema de navegação que usa blockchain

A General Motors (GM) entrou, ontem (2), com um pedido de patente para um sistema de atualização de mapa de navegação descentralizado que usa blockchain. O objetivo é reduzir os altos custos com a atualização dos sistemas atuais de navegação.

Várias montadoras estão testando e usando blockchain em seus processos de produção. A BMW, por exemplo, divulgou nesta semana que em 2020 vai usar a tecnologia com 10 fornecedores, após um teste bem sucedido com o rastreamento de lanterna de um fornecedor.

A GM, em 2018, já havia pedido a patente para que carros autônomos armazenem dados numa rede distribuída. E a Mercedes-Benz anunciou em janeiro passado que vai testar a tecnologia para monitorar emissão de CO2.

De acordo com o pedido de ontem da GM ao US Patent & Trademark Office (USPTO), o sistema de atualização do mapa descentralizado de navegação é composto por um ou mais sensores que avaliam o espaço em volta do carro.

Diferenças validadas

Um detector de discrepâncias identifica as diferenças de dados nesse espaço, comparando com um mapa de negação baseado em informações recebidas de um ou mais sensores. As diferenças são transmitidas para uma rede blockchain de mapeamento.

As diferenças colocadas na rede são comparadas com o mapa de navegação que já está na rede blockchain de mapeamento. As transmissões transmitidas pelos diferentes veículos são validadas para serem inseridas na rede.

Segundo a montadora, muitos veículos usam algum tipo de sistema de navegação. Ocorre que os custos são altos para manter dinâmicos e atualizados esses sistemas de mapeamento

BMW vai expandir para 10 fornecedores rastreamento de peças e matérias-primas

A BMW Group testou no ano passado o uso de blockchain em sua cadeia de suprimentos com um fornecedor e decidiu que em 2020 vai expandir uso para 10 deles.

Segundo a empresa, o projeto PartChain será aplicado no rastreamento de componentes e matéria prima, inclusive a partir de minas, como a do cobalto, usado em baterias e foco de trabalho escravo em alguns locais.

O teste começou com lanternas, segundo Andreas Wendt, membro do conselho de administração da BMW AG e responsável pela rede de compras e fornecedores. Participaram duas das 31 fábricas da empresa, em Spartanburg (EUA) e em Dingolfing (Baviera), além de três unidades da Automotive Lighting, fornecedora das lanternas.

A indústria automotiva tem uma das maiores e mais complexas cadeias de fornecimento industriais. Não é à toa que também é apontada como um ator importante nas economias.

Mas no que se refere à comunicação entre as empresas da cadeia, há diversas falhas que atrapalham o processo. Em geral, cada um faz o rastreamento da sua fase, sem compartilhamento de dados. Para isso, é preciso muito trabalho, inclusive manual. Com o PartChain, o rastreamento é visível para todos e é automatizado.

Covantis, de exportadores do agronegócio, nomeia CEO e vai usar blockchain na rota Santos-China

A Covantis, iniciativa para uso de blockchain no comércio exterior das gigantes do agronegócio ADM, Bunge, Cargill, COFCO, Louis Dreyfus Company e Glencore, deu um passo fundamental para entrar em funcionamento. Hoje (31), anunciou que recebeu todas as aprovações regulatórias para operar e se tornou uma entidade legal baseada na Suíça – em Genebra -, um dos países mais amigáveis ao blockchain. Também anunciou que Petya Sechanova, executiva com 11 anos de Cargill, será a CEO da empresa.

A iniciativa vai começar pelo Brasil, no transporte de soja na rota Santos-China. O lançamento está previsto para este ano, mas ainda não foi informada a data. “É um fluxo com representatividade global e com um processamento complexo, exatamente o que todos os negócios internacionais de commodities procuram executar sem dificuldade”, afirma a empresa em seu site.

De acordo com o grupo, o carregamento de grãos e oleaginosas, foco da Covantis, gera mais de 25 mil e-mails para cada um dos carregamentos marítimos feito num ano, ou mais de 275 milhões de emails anuais. Fora as toneladas de papel usadas. Por se basear na comunicação por email e papel, a indústria sabe que precisa se digitalizar para reduzir tempo, custos e tarefas repetitivas.

Com o uso de blockchain, a estimativa é de que 60% das execuções de tarefas sejam automatizadas e que haja um aumento de até 70% da velocidade das transações. O grupo calcula também que haverá uma redução de 90% na colocação repetida de dados no sistema, hoje manual, e corte de 80% nos erros de informações trocadas.

Espera-se também uma redução de 7 a 10 dias no tempo de espera dos navios para embarque e desembarque, com a maior eficiência na preparação dos documentos.

Plataforma Quorum

A Covantis é uma rede blockchain permissionada, portanto fechada, que vai admitir outros membros da cadeia de exportação de grãos e oleaginosas.

A empresa usa a plataforma Quorum, do J.P. Morgan, que trabalha com Ethereum. Isso, afirma o grupo, garante a segurança e a privacidade de dados que existem em transações com instituições financeiras.

A Consensys vai ser o parceiro tecnológico principal no desenvolvimento da plataforma da Covantis.   

Como funciona

A plataforma vai começar a operar com avisos, instruções sobre documentos, indicação de fornecedores, elaboração de rascunhos de documentos, emissão de documentos originais e apresentações. É onde estão as maiores ineficiências nas transações e oportunidades de automações, diz a Coventis.

Na plataforma, os membros verão as informações dos navios e das documentações em tempo real. Tudo começa com a nomeação do navio pelo fretador. A partir daí se colocam os dados dos navios e outros como os da carga, vendedor, comprador e provedores de serviços. As informações são compartilhadas em tempo real.

O sistema também avisa os provedores de serviços, como os agentes, sobre como preencher uma documentação e verifica se foi feito corretamente.  

Como é possível ver todo o processos e eventuais mudanças, o sistema dá maior garantia aos contratos. Mas os detalhes das transações de um usuário ficam visíveis apenas a ele e os outros nem saberão que ocorreu.

Board de diretores

O conselho de diretores terá um membro de cada uma das empresas fundadoras e vai ser presidido por um desses diretores a cada ano. O primeiro será da Louis Dreyfus Company.

A ideia é que façam parte da iniciativa outros membros, como traders de commodities, compradores, vendedores, agentes, empresas de supervisão e associações do setor,

A empresa informou que vai adotar uma estratégia de desenvolvimento e implantação “linha por linha”.