Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Empresa que usa blockchain passa mais confiança a clientes, diz especialista em cybersegurança

Flávia Brito, fundadora e CEO da BIDWEB, empresa de soluções para segurança cibernética, conheceu blockchain e primeiro, achou que não passava de algo para criptomoedas. Foi mais a fundo e descobriu sua utilização para as empresas e sua relação com o mundo da segurança da informação. Na entrevista abaixo, a executiva fala dessa relação, ainda pouco explorada pelos profissionais da área de segurança cibernética e parte de sua fala de amanhã (5) no Cyber Inteligênia, evento do Womem in Cybersecurity (Womcy)

BN: Como você conheceu blockchain e qual sua avaliação sobre a tecnologia?  

FB: Conheci quando cursava Direito Digital no Insper. De início, eu achava que blockchain não aparentava ter muita utilidade que não fosse aplicado a moedas virtuais. Entretanto, com o tempo, através de inúmeras pesquisas e expansão da área, gostei bastante do assunto e comecei a pesquisar e estudar sobre Smart Contracts e vi que poderia utilizar blockchain para agilizar negócios, melhorar  entregas e democratizar o uso da tecnologia. Fui percebendo os vários benefícios que podem ser alcançados com o emprego de tecnologia blockchain,  onde esta, para nossos objetivos, envolve contextos relacionados a área de segurança, tais manutenção segura da integridade de dados e compartilhamento distribuído de ameaças de segurança detectados e ou informados por inúmeras fontes diferentes.

BN: Desde quando trabalha com você trabalhar com Segurança da Informação (SI)? 

FB: Há 20  anos comecei a me interessar por segurança e resolvi fundar a BIDWEB. Desde então respiro, durmo e sonho com cybersecurity  e agora  blockchain,

BN: Como blockchain pode ajudar as empresas em suas estratégias de segurança da informação? Blockchain não serve para tudo, mas como pode ser usada cybersecurity?

FB: Através do emprego da blockchain, empresas podem aperfeiçoar seus procedimentos adotados no tratamento das informações geradas tanto internamente, quanto externamente pela empresa. Sendo assim, diversos tipos de atuação podem ser empregados, como armazenamento de eventos gerados de forma distribuída entre todos os participantes envolvidos na blockchain e manutenção da integridade de backups realizados através do registro do identificador gerado sobre o backup (hash) na blockchain. Tais aperfeiçoamentos podem não só acarretar na redução de custos operacionais, como também na expansão da empresa, devido à agilidade adotada para procedimentos que antes eram considerados trabalhosos. Além disso, novas soluções podem passar a ser fornecidas e negociadas, como também pode existir um melhoramento na reputação da empresa. Com um propósito bem definido, explicado e divulgado abertamente para clientes, empresas que empregam blockchain para garantir assertividade em processos críticos podem passar sensações de conforto e segurança para seus clientes, tanto teoricamente quanto na prática.

BN: O que essa tecnologia muda em relação às tecnologias existentes em segurança cibernética?

FB: Diferentemente de muitas tecnologias empregadas hoje em dia, com o uso correto da blockchain, vários benefícios podem ser alcançados, como a rastreabilidade de todo o processo de produção, onde é possível saber a origem dos produtos, empresas participantes, produtores e inúmeras outras informações que, no geral, são inviáveis de serem centralizadas em um único sistema. Atualmente, existem diversas empresas, startups e aplicações que tem como base o uso de tecnologia blockchain como forma de solucionar problemas complexos. A CertCoin por exemplo, é um projeto que visa o uso de blockchain como forma de eliminar a necessidade de autoridades certificadoras para geração de certificados digitais. Um outro exemplo se dá com a startup Xage Security, que utiliza blockchain para proteger o acesso a dispositivos localizados em domínios tecnológicos de borda. E tem a OriginalMy, que provê diferentes tipos de soluções alcançadas através de diferentes tecnologias blockchain, como por exemplo, autenticação segura de documentos e assinaturas digitais.

BN: Em que estágio de conhecimento as empresas e governos estão sobre o potencial dessa tecnologia em estratégias de segurança?

FB: Ainda não existe um consenso geral das empresas e governos sobre o uso da blockchain como forma de garantir e assegurar uma segurança mais fortalecida. Isso se deve principalmente pelo fato da forte associação que é feita entre criptomoedas e blockchain. Muitas empresas veem o uso de blockchain voltado apenas para questões financeiras, enquanto que em outros casos, devido à falta de conhecimento, diferentes órgãos governamentais e empresas da área de segurança ainda encontram-se céticas sobre o real potencial que a blockchain pode vir a acarretar. Entretanto, é possível perceber que existe uma grande corrida tecnológica envolvendo o desenvolvimento de diferentes casos de uso relacionados a blockchain, bem como existem diversas provas concretas de casos bem sucedidos com a aplicação da tecnologia. Existem diversos meios de contornar todo este ceticismo, onde dentre eles podem-se destacar a divulgação em massa, em formato educacional, sobre os conceitos, tecnologias, aplicações reais e contextos de englobamento do uso da blockchain, bem como explicações sobre possíveis ataques e ou vulnerabilidades que também podem vir junto com a implantação da blockchain. Quanto mais conhecimento pessoas e organizações no geral tiverem, maior será o poder de adoção desta tecnologia.

BN: No caso de SI e Cyber, blockchain é em geral associada a quais tecnologias para potenciar os resultados?

FB: A depender dos objetivos, inúmeras tecnologias podem ser empregadas juntamente com blockchain para alcançar o resultado esperado. Em casos como integridade de documentos, deve existir uma criptografia fortemente empregada juntamente com procedimentos seguros e distribuídos para armazenamento de documentos, onde no geral, são utilizados tecnologias de grandes provedores em nuvem, como a AWS Elastic Block Store e a Google Cloud Storage, para tal finalidade. Outras tecnologias como biométricas e relacionadas a QR-Code também estão sendo utilizadas para geração de dados que posteriormente serão armazenados na blockchain. Eventos como acesso de funcionários autorizados a áreas restritas geram dados de suma importância, como data e identificadores, que devem ser armazenados de forma segura.

BN: Inserir blockchain numa estratégia de segurança da informação e Cyber exige muitas mudanças numa empresa?

FB: Existem diversos pontos a serem analisados neste caso, mas o principal está relacionado ao propósito e a viabilidade de implantação da tecnologia blockchain na empresa. Caso os estudos feitos sobre os benefícios do emprego da blockchain sejam de extrema relevância, as mudanças que podem vir a surgir, mesmo que sejam complexas de início, podem vir a trazer vantagens competitivas consideráveis no futuro. Por estas e outras, o estudo da viabilidade é extremamente importante, pois é nesta fase que são postos na balança todos os benefícios e malefícios, dificuldades e vantagens que venham a surgir com as melhorias a serem aplicadas. Entretanto, caso a implantação da blockchain seja basicamente irrelevante, ou então que não faça muito sentido para a empresa, no quesito solucionar problemas existentes que não são possíveis solucionar com as tecnologias tradicionais existentes, então a empresa deve repensar o uso de blockchain, pois inúmeras alterações poderão ser necessárias para que o real objetivo seja alcançado. Diversas adaptações e novas features podem ser necessárias para implementar blockchain em uma empresa. Dentre elas, desenvolvimento de diversas novas aplicações distribuídas para operar sobre a blockchain e necessidade de profissionais da área, que tenham conhecimento sobre todos os aspectos da tecnologia.

BN: O LinkedIn disse que neste ano, profissionais capacitados em blockchain estariam entre os mais procurados do mercado. No Brasil, é muito difícil achar profissionais capacitados em blockchain e profissionais que saibam usar blockchain em segurança da informação?

IN: Apesar da demanda por profissionais da área de blockchain estar crescendo cada vez mais, diversos atuantes na área não possuem a expertise requisitada por grande parte das empresas. Isto acontece devido à tecnologia ser relativamente nova, complexidade inicial de aprendizado, inúmeras tecnologias blockchain existentes no mercado e consequentemente a especialização torna-se um trabalho um bem centralizado, pois em grande parte é focado nas tecnologias mais abrangentes do mercado como a Ethereum. Existe também o fato de profissionais da área estarem trabalhando por conta própria, em startups, pois o escopo financeiro da blockchain ainda é algo muito forte e rentável atualmente, para quem deseja desenvolver a própria tecnologia, tais como criptomoedas. Como forma de contornar o problema, empresas interessadas em novos profissionais têm comparecido a conferências relacionadas a blockchain, como a blockchain EXPO, têm feito buscas em comunidades blockchain e também contratado profissionais freelancer. Além disso, algumas empresas também vêm desenvolvendo incentivos, tais como hacktoons e investimentos desde a base, de forma a ser um atrativo para que novos membros sintam-se interessados por esta área.

BN: Esse seria, portanto, outro segmento em que profissionais de Cyber, em especial as mulheres, que são menos de 25% da força de trabalho, deveriam olhar como potencial forma de se desenvolver na carreira?

FB: Apesar de blockchain ser uma tecnologia bem promissora, esta é mais uma das tecnologias que recentemente começaram a ser empregadas no contexto de Cyber, sendo que não existe somente blockchain para atuar, mas também diversas outras tecnologias, com diferentes propósitos e características que poderiam ser integradas para trabalhar em conjunto com blockchain, ou até mesmo se tornem mais interessantes e eficazes que a blockchain. Sendo assim, profissionais de SI/Cyber, devem prestar atenção não somente na tecnologia blockchain, mas em áreas que também as deixe encantadas, acredito que qualquer profissional precisa selecionar o caminho que mais se adequa a seu propósito e pensar como usar blockchain como ponte para viabilizar o projeto e assim por diante.

BN: Blockchain e LGDP são antagônicas ou uma apoia a outra?

FB: Essa é uma preocupação comum e levanta muitas dúvidas entre as pessoas. Devemos nos lembrar do princípio do Blockchain, uma vez efetuado o registro de uma informação no bloco, tal registro não só é transparente como se torna imutável. Todavia, imutabilidade não é obstáculo direto ao atendimento às exigências das leis de proteção de dados pessoais. Para tanto, é necessário ter em mente que a blockchain é alicerçada em criptografia como meio de assegurar a intangibilidade das informações. Em outras palavras: inserido determinado dado em um bloco, não só o dado é imutável como ele será criptografado. Por sua vez, o conteúdo dos dados inseridos na blockchain, em sua grande maioria, diz respeito a transações ou a como transações são representadas. Blockchain apresenta um ambiente relativamente seguro para o armazenamento de informações pessoais e, mais, permite o gerenciamento do dado por meio de seu titular. Nesse sentido os dados quando forem anonimizados mediante o uso de criptografia assimétrica, de sorte que a sua autenticidade pode ser aferida mediante o confrontamento de chaves públicas e privadas, indicadas de acordo com a conveniência do titular do dado.

Vale poderá testar mais plataformas no futuro; Corda foi usada na emissão de carta de crédito

Atualização de reportagem publicada em 3 de setembro, agora com dados da Vale exclusivos para o Blocknews.

A Vale realizou, no dia 3 de setembro, a primeira venda de minério de ferro usando blockchain para emissão de carta de crédito. Para essa operação, a empresa usou a plataforma Contour, rede formada por bancos e focada em comércio exterior, que é baseada na solução Corda da R3. Mas poderá usar outras plataformas no futuro, disse a empresa ao Blocknews.

“A Vale trabalha com vários prestadores de serviços de blockchain. Continuaremos a implementar a nossa estratégia digital e é possível que realizemos testes com outras plataformas num futuro próximo”, afirmou a Vale.

A carta de crédito foi feita para um carregamento de 176 mil toneladas do Brazilian Blend Fines (BRBF) que partiu do Terminal Marítimo Teluk Rubiah, na Malásia, e teve como destino final a China onde foi entregue para a Nanjing Iron & Steel Group International Trade Co. Ltd..

No processo tradicional, há dezenas de trocas de e-mails, inclusive para a discussão de cláusulas e emendas. Além disso, não há visibilidade de quando a a carta de crédito é emitida e os documentos são impressos e enviados em papel por serviço de entrega.

Fonte: Vale.

Com blockchain, há menos e-mails, as emendas são rastreadas e acordadas por todos na rede, não h´auso da Swift, a confirmação da carta é feita pela plataforma e há transparência em tempo real, disse a empresa (ver infográficos) nesta reportagem.

Fonte: Vale.

“O prazo de conclusão das transações provavelmente será reduzido, mas o mais importante para a Vale é que a tecnologia blockchain oferece mais segurança, transparência e visibilidade em tempo real para todas as partes envolvidas, além de reduzir a quantidade de e-mails e documentos compartilhados”, disse a empresa com exclusividade ao Blocknews.

Enquanto a carta de crédito foi emitida por blockchain, os documentos de navegação e embarque foram enviado por eSS DOCS, uma solução financeira SaaS (Software as a Service) e de tecnologia para cadeia de suprimentos focada em exportação e logística.

“Este é um marco importante rumo à digitalização do processo de vendas ao trazer inovação para as transações que normalmente demandam um grande uso de papel e ao oferecer um nível de serviço mais elevado para os clientes, além de previsibilidade na cadeia de valor do aço”, afirmou a empresa em comunicado.

A transação teve o suporte dos bancos DBS Bank Ltd e Standard Chartered Bank Malaysia Berhad, dois dos bancos que fazem parte da Contour.

Mais sobre a Contour:

HDBank se associa à Contour, rede de bancos para comércio exterior

Citibank adere à Contour, rede de bancos que usam blockchain em comércio exterior

Don Tapscott e fundo alemão de venture capital lançam BRI na Europa

O Blockchain Research Institute (BRI), maior think-tank independente de estudos sobre a tecnologia, e o Blockwall, fundo alemão de capital de risco focado em blockchain, anunciaram hoje o lançamento do Blockchain Research Institute Europe (BRIE).

O BRI foi fundado por Don Tapscott, um dos precursores no estudo e defesa do uso de blockchain por empresas e governos, portanto fora do mundo das criptomoedas. Esse é o terceiro braço do instituto. O segundo é o brasileiro, o Blockchain Research Institute Brasil (BRI Brasil), baseado em São Paulo

Além de pesquisas sobre oportunidades, desafios e implicações da blockchain nos negócios, governos e sociedade da Europa, o BRIE vai realizar eventos e cursos e dar consultoria sobre estratégia de uso da tecnologia. O objetivo é incentivar o uso da solução no continente. O BRIE está chamando as empresas a participarem do projeto.

Lista de fintechs mais promissoras do mundo tem 6 startups brasileiras

Creditas, Ebanx, Gorila Invest – plataforma de controle financeiro, Nubank, QuintoAndar e Xerpade pagamento de salários – são as seis startups brasileiras na lista das 250 fintechs mais promissoras do mundo. O ranking é feito pela CB Insights. São duas empresas a menos do que no ranking anterior, anunciado no final de 2018.

Naquela lista estavam Toro InvestimentosGuiabolsoNubankNeonContaAzulCreditas, QuintoAndar Contabilizei.

Ebanx, Nubank e QuintoAndar também estão entre os 32 unicórnios da lista “The 2020 Fintech 250”. A Creditas é vista como uma fintech que pode chegar a ou superar US$ 1 bilhão (cerca de R$ 6 bilhões) em valor.

A empresa analisou 16 mil startups. A escolha foi feita com base nas informações que as fintechs deram, modelos de negócios, cenário de mercado e pela nota que tiveram no Mosaic, um algoritmo da CB Insights que mede a performance, situação e potencial de crescimento das startups.

Mais da metade estão nos EUA

Das 250 fintechs, praticamente metade, ou 54% delas estão baseadas no Estados Unidos (EUA). Em seguida vem o Reino Unido, com 38 empresas, ou 15% do total. O primeiro país emergente a aparecer na lista em termos de número de fintechs promissoras é a ìndia, com 20 (8%). As 6 fintechs brasileiras representam 2,5%.

O Nubank é o banco digital da lista que mais recebeu investimentos, um valor que outras listas também mencionam. É também a única startup brasileira que aparece entre as mais investidas por categoria.

A Coinbase é a que mais recebeu fundos no segmento de criptoativos.

US$ 49,2 bilhões em investimentos

Desde 2015, as fintechs da lista receberem US$ 49,2 bilhões (cerca de R$ 300 bilhões) em investimentos em 900 rodadas. O Nubank recebeu US$ 1,395 bilhão (cerca de R$ 9,5 bilhões). Em 12 meses, até o final de agosto, as fintechs levantaram US$ 10,3 bilhões (R$ 60 bilhões) em 120 transações.

O Ribbit Capital foi o investidor mais ativo na lista deste ano. Ele é um dos investidores do Nubank.

Calcular custo de blockchain via cloud é empecilho, dizem desenvolvedores de soluções

A tecnologia blockchain esbarra em problemas típicos das soluções emergentes para ser adotada pelas empresas, como a desconfiança gerada falta de conhecimento. Um dos outros fatores que também tem sido um obstáculo, segundo os desenvolvedores de soluções com a tecnologia, é a cobrança do serviço blockchain em nuvem, uma conjugação que faz cada vez mais sentido por questão, por exemplo, de custo.

“As grandes empresas globais ainda não sabem comercializar blockchain via cloud”, disse Eduardo Figueiredo, fundador e CEO da SBR Prime, focada em rastreabilidade e monitoramento no setor agrícola. É possível mensurar um banco de dados, mas a aplicação, não, afirmou.

“O cara vai fumar, deixa aberta a aplicação e é cobrado por dados e pelo minuto da aplicação. Como você vai negociar com o cliente que o taxímetro está ligado a todo o momento? Aqui no Brasil não temos essa cultura”, completou ele durante o 2° Meetup Live BlockmeetMT – Blockchain, IoT e o Agronegócio, organizado no último dia 17 pelo Blockmeet MT e que teve apoio do Blocknews.

Esse cenário, diz ele, dificulta o planejamento de custo e a cobrança do serviço. O que se faz hoje é instalar a solução na máquina, virtualizar e cobrar um custo fixo para ter garantia de viabilização do projeto.

Cobrança

Bernardo Madeira, fundador e CEO da Interchains, afirmou que estão se exercitando os modelos de cobrança por volumetria e aderência nas redes privadas (permissionadas). Pode-se, por exemplo, começar com uma taxa baixa de aderência e à medida que o volume cresce, o cliente investe em infraestrutura e se gera uma taxa de volumetria.

Mas o grande empecilho hoje sobre a visão de custo do projeto com blockchain é o exercício que o próprio cliente precisa fazer para saber quando perde com ineficiência. “As empresas não têm medido o custo operacional de ineficiência. Antes de falar de custo, precisam pensar onde sangra dinheiro na cadeia produtiva e, a partir, daí fazer um exercício de ROI (retorno sobre investimento). Isso é o mais importante para saber qual é o ganho que se tem com a eficiência operacional”, completou.

Figueiredo afirmou que distribui os custos entre os participantes da rede no formato use e pague, sem cobrança de implementação e manutenção. Grãos, por exemplo, é por tonelada. Monitoramento de área é por tamanho. Se os números forem muito altos, é cobrado um percentual sobre o total. “Até os fundos de investimentos procuram modelo de recorrência”, completou.

O 2° Meetup Live BlockmeetMT – Blockchain, IoT e o Agronegócio pode ser assistido na íntegra pelo canal do BlockmeetMT no Linkedin.

Passaporte de saúde, algoritmos de confiança e IA são as tendências, diz Gartner

A pandemia ajudou a aumentar a tendência de uso de algumas tecnologias emergentes, como os passaportes digitais de saúde, mudando o ranking das soluções que, hoje, parece que mudarão a forma como vivemos e trabalhamos nos próximos cinco a dez anos.

De acordo com o Gartner, soluções que identificam quem tem ou teve Covid-19 e se estão autorizadas e estar em determinados ambientes já são usados na Índia e na China e fizeram com que o uso essa tecnologia aumentasse de 5% para 20% do mercado nos dois dos países mais populosos do planeta. É um número sem precedentes para uma solução emergente, afirma a empresa.

Essa é uma das conclusões do Hype Cycle for Emerging Technologies 2020, que indica cinco tendências gerais, que incluem arquiteturas compostas, algoritmos, crescimento além da teoria de Moore, inteligência artificial formativa e “eu digital” (digital me).

As características dessas tendências são:

  • Arquiteturas compostas: com as mudanças rápidas e a descentralização das operações, as empresas precisam mudar para arquiteturas mais ágeis e responsivas. Essa arquitetura é modular e permite às empresas se recomporem quando necessário, como na pandemia. Outras tecnologias dessa tendência incluem, por exemplo, inteligência artificial (AI) e rede 5G privada.
  • Confiança nos algoritmos – a avalanche de dados de consumo, notícias e vídeos falsos e AI tendenciosa levaram as empresas a confiarem menos em dados centrais, como de governos, e mais em algoritmos. O uso de blockchain tem sido usado para autenticar origem de produtos, por exemplo, mas o Garter afirma que embora isso aumente a opções de verificação, se um dado errado for colocado na rede, será sempre considerado verdadeiro. O ideal é desenvolver maneiras de controlar essa etapa de inserção de dados.
  • Além do Vale do Silício – a Lei de Moore fala que o número de transistores num circuito integrado denso dobra a cada dois anos, mas já se vê cada vez mais materiais com capacidade para conseguir tecnologias menores e mais rápidas. Soluções para alterar e armazenar dados no DNA é um exemplo, embora ainda seja algo muito novo e caro.
  • IA Formativa – É um tipo de IA que pode fazer mudanças para dar uma resposta a uma situação, alterando dados de um produto ou vídeo. Serve para o bem e para o mal, ou seja, como criar remédios ou vídeos falsos.
  • Digital me – É o que representa cada um de nós. Pode ser um passaporte de saúde ou uma interface entre cérebro e máquina. Pode ser sua identidade digital para acessar um edifício ou para fazer um exoesqueleto funcionar.

Starbucks passa a informar clientes sobre origem do café rastreado com blockchain

A Starbucks começou ontem (25) a dar informação aos clientes dos Estados Unidos (EUA) sobre a procedência do café que estão tomando. Com um QR code é possível saber de onde vêm os grãos e onde foram torrados. Esse rastreamento é feito com blockchain.

Os produtores dos grãos também poderão rastrear onde foram parar seus produtos.

A Microsoft forneceu a solução.

A vice-presidente sênior de vendas de café e chá da Starbucks, Michelle Burns anunciou no Twitter da empresa que isso gera confiança dos consumidores na empresa.

Os mais jovens e a geração do milênio aceitam pagar um valor mais alto por produtos sustentáveis, o que levou a um aumento de torradores artesanais, disse a executiva. Essa pressão por produtos sustentáveis é cada vez maior.

Pagamento em bitcoin

No ano passado, a empresa anunciou que testaria, final do primeiro semestre de 2020, o pagamento de café com bitcoin. O projeto é uma parceria com a Intercontinental Exchange. Sobre isso, a empresa não deu nenhuma informação nova.

Espera-se que esse tipo de rastreamento de alimentos por grandes empresas gere também pagamentos mais altos aos produtos, já que é possível diferenciar com certeza quem vendeu o que. Alguns projetos sociais trabalham para isso.

ConsenSys compra Quorum do J.P e banco investe na empresa

A ConsenSys, que desenvolve softwares de blockchain e foi fundada por Joe Lubin, co-fundador da Ethereum, acaba de anunciar a compra, hoje (25), da compra da plataforma Quorum, do J.P. Morgan. Desde o início do ano as empresas vêm discutindo o assunto, segundo fontes que acompanhavam a negociação.

O banco criou a rede de pagamentos Interbank Information Network (INN), que tem mais de 300 bancos, na plataforma Quorum e esse projeto continua, disse o J.P. numa entrevista nesta manhã, segundo a Reuters. Os brasileiros Bradesco, Banco do Brasil, Itaú e Daycoval usam a IIN. Santander também está na rede.

Desde o final de 2019, a Consensys reduziu em cerca de 25% seu número de empregados e separou a parte de software da área de venture capital, indicando uma dificuldade de mercado. Ao mesmo tempo, poderia estar se preparando para a chegada do J.P. de alguma forma. Além de comunicar a compra da plataforma, a empresa anunciou que o J.P fará um investimento na empresa para que desenvolvedores criem as redes da próxima geração e empresas tenham infraestrutura financeira mais robusta.

Informações divulgadas há duas semanas afirmavam que o J.P. preparava um investimento de US$ 20 milhões (cerca de R$ 120 milhões), que seriam parte de um acordo de conversão de US$ 50 milhões (cerca de R$ 180 milhões) em dívida.

Suporte à Quorum

Com o acordo, a ConsenSys diz que passa a oferecer produtos, serviços e suporte para a Quorum, o que vai acelerar a capacidade da plataforma de oferecer, por exemplo, funcionalidades relacionadas a ativos digitais e documentação.

Os mapas de engenharia dos protocolos das duas empresas serão combinados para se usar o melhor de ambos, afirmou a Consensys. Todo o protocolo do Enterprise Ethereum da empresa ficará sobre a marca ConsenSys Quorum. Os desenvolvedores poderão fazer suas escolhas.

A Quorum continuará sendo de código aberto e será interoperável com outros produtos da Consensys. O banco J.P. Morgan será cliente da ConsenSys para os aplicativos na Quorum.

Amigos de longa data

Alguns pontos facilitaram a negociação, como o fato de ambas trabalharem juntas nos primórdios da rede Ethereum, quando ainda nem havia blocos formados, usarem essa solução e criarem a Enterprise Ethereum Alliance. Chegaram inclusive a atender clientes juntos, caso da Covantis, empresa de exportadores de grãos que lançaram um projeto em blockchain no Brasil, como noticiou o Blocknews.

“A criação da Quorum foi a primeira do J.P. em termos de desenvolvimento de seu próprio protocolo blockchain e de um software de código aberto para a comunidade de desenvolvedores”, disse Umar Farooq, responsável global de Blockchain do banco.  De acordo com Lubin, a ideia é unificar a base de clientes em Hyperledger Besu com a Quorum.

Recentemente, o head de ativos digitais do banco foi para o Goldman Sachs, que anunciou um novo executivo global para a área e planos de desenvolver soluções blockchain e potencialmente, uma moeda criptografada.

SBR Prime rastreia carga e com leilão de frete evita crime no transporte

A SBR Prime está fazendo o rastreamento de grãos da plantação até a entrega ao porto, com blockchain e IoT, com um sistema que inclui ainda um leilão de fretes que conecta produção e logística. O resultado é um acompanhamento de todo o trajeto da carga, checagem dos veículos que fazem o transporte, maior facilidade para emissão de notas e redução de risco de roubo ou adulteração dos grãos.

“Começamos na cadeia de grãos porque é o que tem mais receita e está entre as grandes culturas do país”, disse Eduardo Figueiro, fundador e CEO da empresa durante o 2º Meetup Live Blockmeet MT – Blockchain, IoT e Agronegócio, que aconteceu na terça-feira passada (17). Mas, diz ele, muitas empresas ainda não usam as tecnologias por desconhecimento.

Além disso, o próprio Mato Grosso não incentiva o uso de tecnologias criadas no estado. A empresa já tem projetos implantados e diz que continua provocando grandes cias mato-grossenses e grandes tradings. “Não combina produzir muito e não ter tecnologia de ponta”, completou.

Sua empresa, diz ele, vai do planejamento agrícola à classificação do produto na saída da porteira. Depois acompanha a parte logística, o que é possível com a parceria feita em 2019 com a Guep, de soluções digitais para transporte.

Leilão conecta produção e caminhão

“Tudo vira um QR code registrado em blockchain, com dados como o movimento logístico, qual semente está no caminhão – com dados de produção e do produto -, em qual caminhão está e quem é o motorista. Para isso, há uma combinação de blockchain e internet das coisas (IoT). Os dados vêm de aparelhos como drones e câmeras.

Todo os sistema inclui um leilão reverso de fretes criado na plataforma. “O dono da carga escolhe quem vai transportar. Isso democratizou o frete com inteligência de dados, além de rastrear o transporte, motorista, veículo, com um machine learning que verifica mais de 400 bases de dados de transporte em 15 minutos”, explicou Figueiredo.

Ao abrir a ordem de serviço, o sistema já abre a certificação de grão, com a ida à fazenda para coleta de amostras. O motorista, uma vez escolhido no leilão, recebe informação online sobre onde vai coletar a carga e seu acesso à propriedade é verificado. Dados como nome, número da carteira de habilitação, foto e placa do veículo são verificados com os dados do Denatran por meio de uma câmera na porta de entrada. Nesse momento é que começa a fusão de trabalho com a Guep.

Um outro problema que o sistema resolve é o da emissão da nota fiscal na retirada da carga. Como isso nem sempre é possível, muita carga roda sem nota e é trocada por outra de pior qualidade. Para evitar fraudes, há troca de informações com a Secretaria da Fazenda. “Isso tudo permite que a carga siga viagem com documento fiscal e rastreabilidade até o porto”, afirmou Figueiredo.

Carreira em segurança cibernética é tema de painéis da Womcy nesta semana

A Latam Womcy (Women in Cibersecurity) continua nesta semana sua série de webinars sobre segurança cibernética e deste vez o tema será carreira no setor. Os painéis acontecem amanhã (25) e quinta-feira (27).

Nesta terça-feira, os temas serão ” Propósito e Carreira: Poderosos agentes de transformação” e “O que é burnout e quais os cuidados para não se chegar a ele”. Na quinta-feira as discussões serão “Sucesso profissional depende de formação ou atitude profissional?” e “Conflitos de gerações: como as diferenças fazem a diferença?”.

O evento é gratuito. Mais informações e inscrições estão disponiveis no site do Womcy.