Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Women in Cybersecurity e Ibraspd fazem parceria que inclui aperfeiçoamento profissional

O capítulo Brasil da Womcy LatamWomen in Cybersecurity LATAM e o Instituto Brasileiro de Segurança, Proteção e Privacidade de Dados (Ibraspd) fecharam uma parceria com foco no aperfeiçoamento profissional e consolidação das melhores práticas de segurança e proteção de dados.

As instituições trabalharão para apoiarem os programas uma da outra, o que contribui para uma melhoria do conhecimento e da aplicação de soluções de segurança cibernética no país.

“O Brasil e o mundo necessitam cada dia mais de recursos qualificados em segurança da informação e privacidade”, disse Andréa Thomé, líder do capítulo Brasil da Womcy Latam.

Com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) que vai entrar em vigor, há um grande potencial nas disciplinas de segurança, proteção e privacidade de dados, afirmou Alex Amorim, presidente do Ibraspd.

O instituto dará 50% de desconto aos associados da Womcy na taxa para ingressar ao Ibraspd, que também foi criado no ano passado.

Atividades da parceria

A Womcy tem nove programas para públicos como empresas, escolas, universidades e outras associações. As atividades incluem palestras, mentorias, mapeamento de vagas, informações sobre carreira e trabalhos sobre riscos cibernéticos específicos para crianças e adolescentes.

“Um dos nossos objetivos é buscar aprovação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para emissão de Certificações e de Selos de Excelência de melhores práticas para nossos associados e parceiros”, completou Amorim. A ideia é também encaminhar propostas de políticas de privacidade.

Pela parceria, uma das ações será a análise de práticas da Womcy por alguns grupos de trabalho do Instituto, o que será feito, inicialmente, de forma piloto.

Membros da Womcy também participarão de reuniões de Comissões de Trabalho (CTs) e farão consulta às obras catalogadas da biblioteca do Ibraspd. E poderão ser propostas atividades relacionadas ao empoderamento e qualificação da mulher.

Mais detalhes sobre o acordo estão em entrevista de Andréa Thomé ao site SocialSec em https://socialsec.com.br/?p=248

AES Tietê quer ser plataforma de produtos e serviços de energia

AES Tietê, geradora que atua no estado de São Paulo, tem passado por uma mudança drástica nos últimos anos para sair da commodity e se transformar numa plataforma de produtos e serviços para seus clientes. A afirmação é da chefe de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da AES Tietê, Julia da Rosa Rodrigues.

“A gestão das empresas era muito baseada nos grandes ativos. O produto era a energia e era transmitido dessa forma. A gente acredita que essa forma de negócio não vai mais ser tão rentável. Se nos basearmos apenas em energia, é real a possibilidade de nossa empresa sumir.”

A tendência de descentralização de venda de energia, com consumidores escolhendo de quem vão comprar e eles mesmos gerando e vendendo energia, colocou um alerta para empresas acostumadas a trabalhar com mercado cativo. No exterior o processo está mais acelerado, mas está chegando até aqui.

Balcão transformador

Vem desse movimento de transformação o desenvolvimento de um balcão de comercialização de energia livre e certificados de energia renovável (IREC). É o único da AES Tietê em blockchain e começou a partir um provocação da sede, a AES Corporation, dos Estados Unidos (EUA), para avaliar a tecnologia. A sede é membro da Energy Web Foundation (EWF), uma rede blockchain focado no setor.

“Eu mesma fui fazer um curso sobre blockchain para entender as aplicações da tecnologia”, disse Julia .

Nesse processo, tem sido um desafio explorar blockchain e outras tecnologias como inteligência artificial (AI), internet das coisas (IoT) e machine learning, completou.

O investimento no balcão é parte do que há na carteira de investimentos da AES Tietê no programa de P&D da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A regra do setor é de que as concessionárias devem investir 1% de suas receitas operacionais líquidas em pesquisas que ajudem a desenvolver o setor.

O objetivo é testar e que o conhecimento seja compartilhado com as outras empresas. Por isso, o que é muito estratégico, as empresas não fazem no programa.

Programa Aneel

Ocorre que o balcão, se implantado, poderá transformar a maneira como se negocia energia livre e IRECs no Brasil. O balcão seria uma empresa autônoma. Detalhes técnicos estão sendo trabalhados pela startup Fohat, do Paraná, especializada em soluções para o setor energético e que está desenvolvendo a plataforma.

A carteira de P&D da AES na Aneel tem cerca de 10 projetos todo ano. A obrigação de investimentos é de cerca de R$ 7,5 milhões ao ano. Em 2020, tem R$ 14 milhões aprovados.

Excluindo o programa de aceleração da AES lançado em 2016, mais da metade da carteira de P&D da empresa envolve o trabalho com startups. “Essas empresas têm o produto como foco principal, com testes de mercado muito rápidos. A gente passou da fase de pesquisa e precisa trazer produtos e serviços”, completou Julia.

Busca-se um banco para balcão de energia livre em blockchain

O primeiro balcão organizado de negociação de energia livre e de certificado de energia renovável (IREC) do país, que está sendo desenvolvido com tecnologia blockchain pela AES Tietê e Fohat, deve começar a ser testado com participantes no final do ano. Entre eles, deverá estar um banco, que será o garantidor dos contratos, além de consumidores e comercializadores.

“Já temos parceiros e clientes que se mostraram interessados. Estamos bastante animados”, disse ao Blocknews a chefe de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da AES Tietê, Julia da Rosa Rodrigues. Há interessados tanto no comércio de energia, quanto de IRECs.

A ideia é validar a tecnologia para contribuir com o setor e mostrar que é possível ter um balcão centralizado, o que torna o setor muito mais próximo do mercado financeiro e dá a confiabilidade que esse mercado tem em termos de garantias,  do que um mercado com negociação bilateral.

Energia livre é quando o consumidor compra o insumo da geradora que preferir, ao contrário das compras obrigatórias de uma concessionária, como acontece em residências e empresas de menor porte. Grandes consumidores podem atuar no mercado livre e com a competição pagam tarifas cerca de 30% menores.

No caso dos IRECs, também não há um balcão para isso no Brasil. Quem gera energia pode gerar o certificado, comprado por quem quer compensar o uso de não renováveis. “Um comprador vai numa empresa de seu relacionamento, pergunta quanto custa e não sabe se o valor é alto ou baixo. A ideia é ter um markeplace para isso”, segundo Julia. Com o balcão, o mercado de IRECs pode crescer no Brasil, o que é um incentivo à geração de energia renovável.

Mercado mais seguro

O balcão de energia livre, diz Julia, não substitui nenhum ator do mercado. Acontece que hoje as negociações são bilaterais e não há um ambiente organizado e com contraparte, como acontece na Europa, por exemplo, com a European Energy Exchange (EEE), que opera com uma clearing de 9 instituições financeiras .

O “Projeto AES Tietê de Energy Intelligence” é parte do programa de P&D da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). As empresas são obrigadas a investir 1% da receita operacional líquida em P&D.

Os projetos devem ser compartilhados com o setor para geração de conhecimento de toda a cadeia. Mas se virar um produto, ainda melhor. E é o que parece que vai acontecer com o balcão da AES e Fohat. O investimento é de R$ 3,4 milhões.

Para que um banco

De acordo com André Ferreira, diretor de tecnologia da Fohat, a ideia é que o balcão seja uma empresa independente, com a Fohat, a elétrica e outros participantes interessados. “A Fohat tem conversado com instituições financeiras, mas não podemos dar detalhes”, disse ele ao Blocknews. A empresa do Paraná está buscando conectar os elos para que o balcão se torne realidade. Um deles seria a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que precisaria aprovar o balcão.

Uma instituição financeira é fundamental num projeto de balcão. Esse agente é financiado pelas partes e garante o cumprimento do que foi acertado, como acontece em mercados como o de ações. Hoje, as partes assumem todo o risco da negociação – de não entrega da energia de um lado ou de não pagamento da entrega do outro.

Não seria novidade um banco participar de um projeto de energia livre. Instituições financeiras como Santander, BTG Pactual, Itaú e Bradesco já têm tradings ou estão comprando uma. É um mercado que deve crescer nos próximos com a esperada liberalização. Em 2019, o número de consumidores que usaram energia livre cresceu 24%, para 16.104, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Energy Web Foundation

O projeto vai do final de 2019 e julho de 2021 no que se refere ao programa da Aneel, ou seja, de testar a viabilidade da tecnologia. A potencial implantação total ainda não tem data para ocorrer, mas será depois disso.

O passo mais recente do projeto é a conexão da plataforma à rede blockchain da Energy Web Foundation (EWF) para validação da solução, o que ocorre até o final do ano.

Os testes com IREC e comercialização devem correr de forma paralela. Para IREC será necessário maior aprofundamento, porque o maior conhecimento da AES é em energia. É um produto mais simples, porém é um processo bem complexo de emissão, transferência e aposentadoria, afirmou Júlia. No entanto, o fato de a The International REC Standard ser parte da EWF deve ajudar a acelerar o processo.

De acordo com Ferreira, as negociações de contratos de energia serão feitas offchain, fora da plataforma blockchain, para evitar lentidão na rede. Normalmente é rápida, pode acontecer lentidão como em outras, afirmou. Feita a negociação, roda-se o smart contract e a validação em blockchain.

A negociação em si não depende da validação. Já a assinatura de contrato e validação, por exemplo, podem ter um pouco mais de tempo para serem registradas, disse ele.

Escalabilidade e integração

A preocupação, segundo Ferreira, é dar escalabilidade e segurança ao projeto. “Hoje, o volume do mercado é baixo, mas queremos estar preparados para o crescimento que visualizam com o mercado livre de energia.”

E é aí que entrou blockchain, segundo ele. Como as redes podem precisar de muito tempo para validarem as transações, a decisão foi a de construir parte da solução offchain. Se tudo fosse onchain, haveria muita dependência de velocidade da rede. Além da escalabilidade, a parte offchain permite maior conectividade.

A ideia é conectar à rede também plantas de energia renovável. O Instituto Totum, que emite IREC no Brasil, poderia ser outro membro a se conectar à rede, por exemplo, criando um ecossistema ainda mais completo no balcão.

O Instituto também passou a usar blockchain no começo do ano para garantir segurança aos certificados e espera que isso seja mais um fator para elevar para elevar dos 3 milhões, para 5 milhões, o número de certificados emitidos em 2020.

Proof of Authority

As validações na EWF são feitas por meio de Proof of Authority (PoA), parecido com o Proof of Work (PoW) do bitcoin, mas que não é aberto. Apenas os nós permitidos pela rede fazem as validações e isso é gerenciado pela EWF. Isso cria uma rede de confiança nos nós. Os nós incluem empresas como Shell, General Electric e AES internacional. O nó da Fohat deve começar a rodar em breve, segundo o diretor de tecnologia da empresa.

No futuro, a plataforma poderá ter outras aplicações, como assinaturas digitais e negociação de contratos de carbono.

Os custos de uso da plataforma de balcão ainda não estão definidos.

PayPal confirma à União Europeia que desenvolve soluções em criptoativos

A PayPal, que há um ano anunciou com o Facebook o lançamento da Libra e logo depois deixou o projeto, disse à Comissão Europeia que está desenvolvendo suas capacidades no segmento de criptoativos.

O PayPal tem mais de 300 contas ativas no mundo.

A empresa fez a declaração numa resposta à consulta pública do bloco europeu para desenhar um marco regulatório sobre criptoativos, publicada na LedgersInsight.

“Desde o início do projeto (Libra), a PayPal deu passos unilaterais e tangíveis para se desenvolver nessa área, portanto, – sem questionar o valor do projeto – tomou a decisão de participar da Associação Libra”.

A saída se deu provavelmente pela pressão dos reguladores sobre as participantes, porque não foram consultados sobre a Libra e disseram que não aprovariam a iniciativa.

FBI vê risco de segurança e investiga ataques a contas no Twitter, diz Wall Street Journal

O Federal Bureau of Investigation (FBI) abriu investigação sobre os ataques cibernéticos envolvendo bitcoins em contas de empresários, políticos e celebridades no Twitter, que aconteceu na quarta-feira passada (15), segundo informou o The Wall Street Journal. O FBI avalia que o ataque coordenado pode significar elevados riscos de segurança ao país.

O Departamento de Investigações de Serviços Financeiros do estado de Nova York também está investigando o caso

Os hackers tentaram atacar 130 contas, mas conseguiram atingir um grupo bem menor, segundo o Twitter. Isso deve ter gerado um crime avaliado em US$ 120 mil (cerca de R$ 600 mil).

O crime atingiu as contas de pessoas como o ex-presidente Barack Obama, o candidato à presidência dos EUA, Joe Biden, o fundador da Amazon, Jeff Bezos, e o fundador da Microsoft, Bill Gates. Por alguns minutos, foram inseridas mensagens nas perfis dizendo que essas pessoas dariam de volta o dobro de bitcoin depositadas em suas contas.

Funcionário suspeito

Logo após o ataque, o Twitter afirmou que bloqueou as contas atacadas e tomou outras medidas de segurança. Disse também que investigava se o crime, ocorrido usando seus sistemas de administração de contas, contou com a participação consciente de um funcionário.

Leia mais em:

Twitter investiga se funcionário foi pago para ajudar no ataque a contas de famosos

Um funcionário do Twitter teria sido pago para ajudar no ataque que aconteceu ontem (15) e que pedia o depósito de bitcoin em supostas contas de empresários, políticos e celebridades. A informação é do site Motherboard.

“Usamos uma pessoa que literalmente fez todo o trabalho para nós”, disse uma das duas fontes com quem o Motherboard falou, segundo o site Motherboard. Além disso, fotos dos sistemas internos do Twitter estariam circulando em redes. O Twitter disse à página que está investigando se o funcionário entrou nas contas ou se deu a hackers acesso a elas.

Se a participação foi consciente ou não, fato é que funcionários são um dos pontos mais sensíveis de uma empresa em segurança cibernética. É pela engenharia social que a maioria dos ataques acontecem, com os criminosos fazendo algum tipo de atrativo para convencer a pessoa a clicar num link ou passar uma senha, por exemplo, em geral sem perceber que está caindo numa armadilha.

O ataque aconteceu nos Estados Unidos, nas contas de pessoas como Jeff Bezos, CEO da Amazon e homem mais rico do mundo, Joe Biden, candidato a presidente dos Estados Unidos (EUA) e Bill Gates, fundador da Microsoft.

Falso “give back” em bitcoins

As mensagens diziam que esses pessoas queriam “give back”, dar um retorno à sociedade do que já ganharam. E por isso devolveriam em dobro os depositos de bitcoin que fossem feitos por seus seguidores.

Os tweets ficavam alguns minutos no ar, tempo suficiente para pegar uma audiência que acreditou na promessa. Este foi mais um ataque criminoso usando bitcoin, que por estar em blockchain dificulta o rastreamento.

Em seu perfil na sua própria rede social, na madrugada passada o Twitter informou o que sabia – e os dados ainda não foram atualizados.

“Detectamos o que achamos ter sido um ataque de engenharia social por pessoas que, com sucesso, focaram em nossos empregados para terem acesso a nossos sistemas internos e ferramentas”.

“Estamos verificando quais outras atividades maliciosas eles realizaram ou informações a que tiveram acessos e vamos informar isso quando soubermos”, disse a empresa.

A empresa tomou uma série de medidas que limitou o uso da plataforma e disse que liberaria os acessos conforme considerasse isso seguro.

Brasileiros desenvolvem projetos de tokens de energia no exterior

Num futuro que pode não ser muito distante, comprar e vender eletricidade pode passar longe de boletos das distribuidoras e pagamentos nos bancos. Se as regulações no país permitirem, tokens, espécie de fichas de quermesse, podem ser a moeda nesse mercado.

Essa foi a conclusão do painel “Tokenização e  Certificação” do 1º Simpósio – O Potencial da Blockchain no Setor Energético, realizado pelo Blocknews e pela Mentors Energy Consulting no último dia 7.

O token é digital, mas representa um ativo no mundo real, como um diamante, um pedaço de um imóvel ou a eletricidade. Ainda não se tem notícia de um projeto que use token em energia elétrica, porém há brasileiros trabalhando nisso no exterior.

Rocelo Lopes, fundador e CEO do Stratum Blockchain Group, que vai de mineração de criptomoedas a criação de tokens, está desenvolvendo um projeto a partir de energia solar na África do Sul. Como naquele país o sistema é descentralizado e a energia pode ser pré-paga, é possível criar uma “comunidade” que compra e vende eletricidade entre si.

Para isso, um relógio inteligente em teste em residências quem medem o quanto há de energia disponível para uso. Se for preciso comprar mais, digita-se um código e são descontados da carteira digital do proprietário os tokens Solars, gerados pela empresa na rede Ethereum e equivalentes à energia comprada. A ideia é que a residência também venda sua energia em excesso.

O mesmo token para geradora e supermercado

Entre as vantagens do token estão pagar pela energia um valor que não vai mudar mesmo que o governo aumente o preço da eletricidade. Lopes trabalha ainda para devolver sobras de energia ao sistema e para que o token seja aceito em locais como supermercados.

“Já que o supermercado também pode usar minha energia, isso vai fazer com que o ecossistema todo funcione”. Outras vantagens são rapidez, controle e registro mais seguro em blockchain de tudo o que foi transacionado.

Segundo Lopes, fazer algo do tipo no Brasil seria inviável hoje. Primeiro, porque não há o benefício fiscal para importação de equipamentos solares que existe na África do Sul – o imposto lá é de 14%. E a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) teria questionado o projeto. Isso porque o token de energia elétrica gera dividendos depositados na carteira do detentor de tokens, explicou.

A CVM não permitirá isso sem licença específica, diz ele, algo que na África do Sul também será necessário para a distribuição de dividendos. Outro motivo é que o sistema no Brasil não é descentralizado a ponto de se poder comercializar energia entre casas vizinhas, por exemplo. Tokenização vai ser um desafio muito grande no país, completa, porque além da regulação, “os brasileiros são acostumados a  lidar com CNPJ e 0800”. E completou: Será que os órgãos reguladores estão preparados para perder o poder da caneta? Acho difícil isso”.

Em 5 anos, tudo tokenizado

A questão regulatório também levou a Sppyns, marketplace de investimentos em criptoativos, a ter base no Crypto Valley, na Suíça, onde a legislação é receptiva a esse tipo de negócio.

Para o fundador e COO da empresa, Rodrigo Czismar Borges, a disrupção do mercado com os tokens será muito forte. E citou a frase do ex-presidente da Nasdaq, Roberto Greifeld, de que 100% das ações e bonds em Wall Street podem ser tokenizados e que em 5 anos, 100% será tokenizado. A frase é de novembro de 2017.

É a oportunidade de pegar ativos negociados de forma centralizada no mundo e passar a token e descentralizado, com custo mais baixo e redução da burocracia, afirmou.

A Sppyn tem dois projetos de financiamento de energia com criação de token. Ao comprar o ativo digital, ao comprador se torna sócio do projeto. Ele exemplificar a possibilidade de a fazenda onde passa a pandemia vender energia solar tokenizada para a vizinhança, citou que a infraestrutura, se possível no Brasil, poderia ser uma DAO (Descentralized Autonomous Organization).

Esse tipo de organização é uma rede em que os participantes fazem transações entre si, sem um ente central e um comando único. Tudo, claro, na blockchain.

Certificados em blockchain

A energia também pode fazer parte de um ecossistema de certificados de crédito de carbono, mostrou Heloisa Ceni, diretora de desenvolvimento de negócios da CoinFabrik, desenvolvedora de soluções em blockchain. Num projeto apresentado na Colômbia, a empresa criou um sistema em que uma indústria que emite dióxido de carbono compra créditos usando a plataforma.

Esse crédito pode vir, por exemplo, de um gerador de energia renovável, “abrindo um ecossistema lucrativo, cooperativo, sustentável onde qualquer integrante pode participar”, afirmou.

“Esse projeto é de uma plataforma B2B que poderia unir B2C, integrando os tokens do Rocelo e do Rodrigo”, completou. Como o sistema é auditável, controlável, transparente e acessível, o estado ou um consumidor pode saber se uma empresa cumprindo a redução de emissão de dióxido planejada pelo país. Os valores de um projeto como esse variam conforme suas características, segundo Heloísa.

O passo seguinte de um projeto como esses é haver um validador, que checa de onde vem o crédito, se é confiável, certifica e tokeniza, evitando a duplicação dos certificados. Essa validação está em linha com o que faz o Instituto Totum, emissor do IREC, certificado de energia renovável, que passou a usar blockchain neste ano.

Cada certificado representa 1 MWh, que é comprado por consumidores de energia. A usina tem que ser habilitada. Essa checagem e habilitação eram manuais. Registrada, havia a auditoria nos dados de geração enviados pela empresa, com checagens manuais e controle de saldo em excel. A cobrança era emitida manualmente.

Origem garantida

Com blockhain, a elegibilidade é manual, mas o resultado é registrado na rede da tecnologia. A auditoria de dado de geração está automatizada, com controle automático dos saldos. Os certificados são gerados com esses dados e tudo isso fica registrado em blockchain. A emissão do IREC fica no registro único. Ao final, cada emissão gera uma hash com os dados do certificado.

“Em um ano vamos convidar geradoras a serem nós validadores. Vamos captar dados por internet das coisas (IoT), o que hoje vem consolidado da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), com atraso de 45 a 60 dias”, disse Lopes.

As geradoras vão captar os dados em tempo real e o certificado será emitido imediatamente. “Estamos estudando tokenizar operações para que a compra e venda de certificados seja por token. E vamos criar um marketplace onde daremos acesso a B2B e B2C para quem quiser comprar IRECS”, completou.

Devem ser emitidos 5 milhões de IRECs neste ano no Brasil, quase o dobro do ano passado. A segurança que blockchain dá ao processo deve ajudar a fomentar esse mercado.  

Reportagem atualizada às 16h35 de 14/07/20 com novas informações sobre o projeto da Stratum na África do Sul.

Mais sobre o simpósio em :

Blockchain com IoT e IA podem criar caminho para cidades inteligentes

Novas tecnologias pressionam por mudança na regulação de energia

Registro de segredo empresarial em blockchain dispara na Espanha

O distanciamento social causado pelo Covid-19 disparou a procura pelo serviço de proteção de segredo empresarial em blockchain da consultoria espanhola Clarke Modet. Só em maio, o aumento foi de 40%, reporta o site de notícias Blockchain Economía.

“A ferramenta está disponível 24 horas por dia, todos os dias, reduz o custo do processo tradicional e evita sair de casa. Elimina o deslocamento a um cartório ou ao órgão do Registro de Propriedade Intelectual”, disse Dina Chaves, diretora da consultoria. Em pouco mais de um ano, a plataforma tem quase 100 usuários.

MCTI participará do último painel do simpósio sobre blockchain em energia

Estão abertas as inscrições do último painel do 1º Simpósio – O Potencial da Blockchain no Setor Energético, que será na próxima terça-feira (14). O tema será Modernização e Regulação.

Participarão Eduardo Soriano Lousada, Diretor do Departamento de Tecnologias Estruturantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Dayana Uhdre, Procuradora do estado de Paraná, Marcelo Eisele, Executivo de Contas da Microsoft, Cezar Taurion, da Kick Ventures, e Eduardo Pimazzoni, da Cyclicus.

A inscrição pode ser feita em https://bit.ly/2W696iw

O simpósio é realizado pelo Blocknews e pela Mentors Energy Consulting.

GrowthTech cria serviço para imóveis focado em empresas; CNJ acabou com atendimento a cartórios

Quando o Provimento 100 da Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) foi editado, em maio passado, jogou uma bomba sobre a GrowthTech, startup que se especializou em registros e contratos digitais por blockchain para o setor imobiliário.

A nova regra, que criou uma reserva de mercado, determinou que os cartórios passassem a usar serviços digitais só do Sistema de Atos Notariais Eletrônicos, o e-Notariado. Com isso, os serviços da empresa para mais de 100 cartórios foram interrompidos e o faturamento secou.

Mas, a startup, que em janeiro recebeu aportes da Gear Ventures e do grupo imobiliários RTSC, aproveitou o aumento das assinaturas digitais de contratos causado pela pandemia do Covid-19 e criou o PropLedgders. O serviço permite a geração, assinatura e registro de contratos imobiliários privados em blockchain e deve ser testado a partir de agosto.

 É a digitização do processo, disse ao Blocknews Hugo Pierre Furtado, fundador e CEO da empresa. É digitização porque tudo é feito eletronicamente, sem papel, inclusive o contrato. Ao contrário de digitalização, que é passar algo físico para o digital e que é o oferecido por seus concorrentes, diz ele.

Blockchain e foco no setor imobiliário

A digitização, o uso de blockchain e o fato de ser uma plataforma focada no mercado imobiliário são os diferenciais do PropLedgers em relação a seus concorrentes, afirma Furtado. “O que estamos fazendo já estava nos planos para o futuro. Mas estávamos dando prioridade para o segmento de cartórios, que era um nicho descoberto. “

Por ser focado no setor imobiliário, a plataforma tem  modelos pré- formatados de contratos e a possibilidade de uma incorporadora gerar o próprio contrato, exemplifica. O público alvo é o das incorporadoras, construtoras, fundos imobiliários e imobiliárias.

O plano da startup é atender o maior número possível de incorporadoras. Já há conversas avançadas para pilotos na seguinte quizena de agosto e espera-se recuperar o período sem faturamento por conta da interrupção dos serviços aos cartórios. A empresa chegou a faturar R$ 500 mil por mês.

“Tivemos que nos reinventar”

“O Provimento 100 teve um impacto absurdo e tivemos de nos reinventar, afirmou Furtado. Tínhamos 146 cartórios plugados em nossa plataforma, que não puderam mais usá-la. Entendemos que tínhamos de focar no mercado privado.”

A perspectiva com o PropLedgers é boa porque o movimento que a pandemia gerou de contratos e assinaturas eletrônicas não tem mais volta, mesmo que o mundo retorne a uma rotina normal, diz ele. Além diso, a empresa sempre acreditou na força do mercado imobiliário para seus produtos, que mesmo em épocas de crise responde por uma boa fatia do PIB.

Há mais um fator importante e que diminuiu os riscos: como o serviço é para atores privados, não precisa de regulação. Desde que as partes definam que o processo será eletrônico, tem valor, conforme diz o artigo 10 da Medida Provisoria nº 2.200-2 de 24 de Agosto de 2001.

Digitização de vendas

Para a startup, um outro passo do mercado será a digitização dos stands imobiliários. Ao invés de ir na imobiliária com uma pasta de papéis, tudo será feito no formato eletrônico. “Tem incorporadora que quer ter um portal onde o cliente escolhe imóvel e faz tudo de forma eletrônica nesse stand de vendas”, disse.

As empresas que vão utilizar o PropLedgers serão um nó da rede ou estarão sob um nó. Se for uma pessoa física que compra um imóvel, recebe uma notificação de um contrato eletrônico por email, cria uma identidade digital na rede e assina por certificado digital ou QR Code. “É o nó que paga o serviço para a GrowthTech. O custo será variável e está em estudo, mas para um contrato com assinatura deve ser de em média R$ 70.

Para criar o novo serviço, a Growthtech aproveitou a mão de obra que já tinha. Na parte técnica, a rede já tinha uma pre arquitetura definida para suportar esse serviço.