Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Artigo: Cidadãos são um aglomerado de dados pessoais nas calçadas da internet

Ousei escrever esse artigo depois de obsevar as pessoas caminhando nas ruas de São Paulo e de repente, eu não as enxerguei como seres autônomos, com liberdade de ir e vir, mas sim um aglomerado de dados pessoais trafegando nas calçadas da internet, onde o entretenimento da rede os consome com ofertas de jogos gratuitos para desenhar os seus perfis. Então, me perguntei: até onde eu tenho privacidade e controlo o que eu desejo dos meus dados a ponto de não deixar os sapatos simplesmente calçarem os meus pés.  

Nem estou falando sobre vazamento ou sequestro de dados, mas de como você pode ser manipulado por meio de técnicas de engenharia social (manipulação de pessoas para que entreguem seus dados) ou pouco conhecimento sobre quem está por trás daquela linda promoção piscando na tela do seu celular.

Em tempos de transformação digital, a palavra de ordem é analisar os dados e extrair tudo que diz respeito ao consumidor. No entanto, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) mudou o jogo das relações, garantindo que o dono do dado escolha se quer fornecer suas informações para as empresas.

Mas como avaliar algo sem uma cultura de uso de dados? Hoje mesmo fui à farmácia e o rapaz do caixa pediu meu CPF porque, segundo ele, somente com o número do meu documento é possível checar as promoções do estabelecimento. Claro que se eu não quiser fornecer, ele não me obrigará. Fato é que de um lado há uma corrida forte para que as empresas cada vez mais busquem o êxtase da agilidade nos negócios e sucesso nas vendas e do outro lado da margem, os clientes, que consomem produtos e serviços trafegando na rede sem proteção.

Mas será mesmo que nós somos consumidores? Talvez sejamos consumíveis porque cada célula do nosso corpo está armazenada num repositório de dados espalhado em diversos ecossistemas da economia. E com a Inteligência Artificial e o Machine Learning, a agilidade e o conhecimento computacional sobre as suas preferências, influenciadas pelos cookies que explodem na tela de seus celulares, apenas corroboram para que você seja o sapato, e não os pés que os vestem. E o pior: corre um grande risco de estar sendo estudado para o próximo ataque cibernético, porque pode ser induzido a clicar num phishing ou navegar numa página fake criada por um criminoso digital.

Abismo entre transformação digital e proteção

O fato é que há um grande abismo entre a transformação digital e as regras de proteção e privacidade de dados nas organizações, uma deficiência cultural sobre segurança cibernética. Quanto menos as pessoas têm educação digital, maior o risco de usarem a internet de forma a expor as suas vidas, de seus filhos, das pessoas ao seu redor e dos negócios.  Então aqui temos um ecossistema frágil. Se uma parte dessa cadeia de relações for atingida ou quebrar, pode derrubar diversas economias simultaneamente, porque tudo está conectado e interligado.

Mas quem sabe a solução para garantir a confidencialidade e a segurança de certas informações esteja em tecnologias disruptivas como blockchain. Sim. Afinal, blockchain gera mais eficiência, redução de custos e transparência em toda a cadeia produtiva. E o que isso tem a ver com as pessoas comuns que circulam nas ruas? Informação. Se aplicado em uma cadeia de alimentos, é possível obter todo o histórico do produto, quem produziu e o transportou, além da garantia de que as normas de qualidade foram respeitadas e a validade não foi adulterada. Isso é apenas um exemplo.  Pensando em segurança dos dados, aposto que essa seja ainda uma grande solução, mas requer um esforço colaborativo e macroeconômico.

Por outro lado, estamos próximos da chegada do 5G e IoT (Internet das Coisas), aumentando as possibilidades do mundo cada vez mais conectado e, obviamente, dos riscos de ataques cibernéticos numa proporção muito maior comparado ao poder “bélico” das organizações. Isso porque os atacantes usam técnicas das mais variadas como a engenharia social e sabem aproveitar o deep learning, a Inteligência Artificial e observam as brechas da tão sonhada transformação digital nas empresas. 

Independente dos avanços da tecnologia, desenvolver uma nação sobre as bases da cultura de dados é educá-las para não cair em armadilhas bem comuns no Brasil e talvez uma das mais usadas: a engenharia social, com suas facetas para ludibriar as pessoas e praticar golpes e roubos de informações guardadas naqueles tais repositórios das organizações.


A Agência da União Europeia para a Cibersegurança (ENISA) publicou no ano passado um relatório que compreende quatro análises baseadas em evidências dos aspectos humanos da segurança cibernética: duas baseadas no uso e na eficácia de modelos das ciências sociais, uma em estudos qualitativos e outra na prática atual nas organizações. Foi encontrado um número relativamente pequeno de modelos, nenhum deles particularmente adequado para entender, prever ou alterar o comportamento de segurança cibernética. 

Muitos ignoraram o contexto em que ocorre muito comportamento de segurança cibernética – ou seja, o local de trabalho – e as restrições e outras demandas no tempo e nos recursos das pessoas que ele causa. Ao mesmo tempo, havia evidências de que os modelos que enfatizavam maneiras de permitir um comportamento apropriado de segurança cibernética eram mais eficazes e úteis do que aqueles que procuravam usar a conscientização ou punição de ameaças para incentivar os usuários a adotarem comportamentos mais seguros.


A não conscientização sobre cibersegurança e privacidade gera um efeito cascata: o consumidor é o mesmo funcionário de uma empresa e esse mesmo agrupamento de dados (humanos) também pode impactar governos e até comprometer diversos serviços governamentais e a iniciativa privada.  Afinal, quem está por trás daquela oferta: seu interesse, o da empresa que quer vender os sapatos e detém seus dados ou apenas uma isca para um criminoso digital roubar suas informações ou invadir o sistema corporativo da empresa onde trabalha?

*Paula Zaidan é jornalista, consultora especializada em segurança da informação e awareness e líder de marketing da Womcy (Women in Cybersecurity).  

Banco e empresa de agronegócio do Equador aderem à blockchain para controle de qualidade de dados

Duas das maiores empresas do Equador – a El Ordeño, do agronegócio, e o Banco Guayaquil – , anunciaram a adoção de blockchain para estabelecer redes de controle de qualidade de dados. Os dois projetos são feitos com a IBM, que usa Hyperledger.

Os dois projetos chamam a atenção porque mostram um movimento positivo das empresas no país, que em geral não é apontado como um dos líderes no uso de blockchain para empresas na América Latina. Brasil e Colômbia estão entre os mercados de maior interesse das empresas fornecedoras de serviços dessa tecnologia.

A El Ordenõ capta leite de mais de 6 mil pequenos e médios produtores, que passa por um processo industrial e depois é distribuído para o varejo. A empresa vai usar blockchain na linha TRÜ, que têm um código QR na embalagem. Ao acessar o código com celular, o consumidor vai obter dados do produtor até as prateleiras dos mercados. A empresa vai colocar e gerenciar as informações pelo IBM Food Trust, rede de blockchain para rastreamento de alimentos que tem outras empresas como Carrefour – inclusive no Brasil – e Walmart.

No Banco Guayaquil, a tecnologia será usada gerenciar trocas de pontos acumulados pelos clientes, por recompensas como voos, hotéis e compras de produtos. Segundo o banco, isso permite registrar tanto o acumulo, quanto o uso dos pontos em tempo real e de forma confiável. As empresas que fornecem os produtos trocados pelos pontos são nós da rede, por exemplo.

A El Ordeño, assim como outros empresas que tomaram o mesmo caminho em blockchain, afirma que a tecnologia atende à demanda crescente dos consumidores de garantia de sustentabilidade dos produtos que consomem.

Para o banco, o objetivo com a blockchain é reduzir fraudes, erros e custos, além de acelerar o processo de troca de pontos.

ArcBlock lança iniciativa para treinamento de desenvolvedores e usuários

A startup ArcBlock, plataforma blockchain de desenvolvimento de aplicações descentralizadas, lançou a I DID IT, uma iniciativa focada em aplicações e treinamentos para desenvolvedores, empresas e usuários.

“Queremos que as empresas comecem a ver o valor de dar aos usuários o controle de seus próprios dados”, disse o CEO da ArcBlock, Robert Mao. Segundo ele, o objetivo é também mostrar como essas aplicações são de baixo custo e alto retorno e, ao mesmo tempo, reduzem riscos de segurança e geram novas aplicações que podem levar a novas receitas.

O caso de uso que será mostrado nesta semana é o Cash App, que permite que uma pessoa monte seu próprio aplicativo de pagamentos, o que é diferente de soluções como PayPal ou Venmo, que exigem valores altos de investimentos, disse a ArcBlock.

Artigo Stefanini: Blockchain não é criptomoeda. É preciso desmistificar ambos

A tecnologia blockchain está em um processo inicial de validação de alguns conceitos. Ainda que esteja neste grau de maturidade em formação, o blockchain pode resolver alguns tipos de situações no campo dos negócios. É importante ter, pelo menos, três partes envolvidas neste processo, ou seja, a empresa, o cliente e uma delas vai ser externa. Neste ciclo, a desconfiança é um grande aliado, afinal, tudo deve ser checado e rechecado para evitar dores de cabeça futuras. Um caso prático, por exemplo, pode ser visto na reforma trabalhista, no termo de quitação, que vai exigir que empresas recolham anualmente uma certidão positiva de todos os colaboradores todo ano. Então, por ter muita papelada, e por ser uma relação que vai ser auditada pelo Ministério do Trabalho, há muita desconfiança. Porém, como os dados são invioláveis, o blockchain pode atestar que são confiáveis.

Outra aplicação comum é na indústria, na área de suprimentos como um todo, com a rastreabilidade de carnes e grãos. Atualmente, já vemos um trabalho sendo realizado com provas de conceito (PoC). Hoje, a questão tecnológica é simples de implementar, tem um custo das plataformas, que ainda está nessa fase de validação, e poderemos ver o amadurecimento disso a curto prazo.

Enxergo um grande potencial no blockchain. Olhando para o agrobusiness, que responde por uma boa parte do PIB (Produto Interno Bruto), é onde eu acredito que há uma oportunidade de garantia para que a produção e suprimento, como carnes e grãos, tenham qualidade. Ainda mais em uma era de conscientização, em que a população quer mais informações, quer ter garantia de qualidade, ainda mais com maior adoção de alimentos orgânicos.

Outro setor com espaço para uso da nova tecnologia é a indústria têxtil, que tem muitas questões complexas envolvidas. Ali, o blockchain pode ser uma aplicação importante, obviamente combinado com outras tecnologias como reconhecimento de imagens e verificação se em uma fábrica os trabalhadores não operam em regime de escravidão. Tudo isso pode ser alimentado na blockchain para trazer uma segurança. Vemos que o Brasil tem um potencial muito bom nessa indústria de produção. O de peças também, onde o blockchain pode ajudar o mercado de reciclagem de produtos. 

Creio que os grandes projetos, na prática, vão começar a ganhar escala em 2021 e teremos um ano de muitas provas de conceito. As plataformas estão prontas. Basta identificar novas possibilidades e oportunidades de negócios para a utilização efetiva da tecnologia.

Há, sim, um futuro promissor para o mercado de criptoativos se considerarmos a questão da confiança, mas, na minha opinião, as criptomoedas precisam ser desmistificadas, pois elas são moedas, e não um investimento. Você não investe em moeda, moeda é moeda. Você investe em investimentos, em um portfolio, entre outras ações. Estamos caminhando para atingir uma maior aderência. É possível que no ano que vem, o Banco Central vai permitir que o brasileiro tenha multimoedas, como é no Uruguai. Aí, então, teremos em conta dólar, real, euro e outros tipos de criptomoedas que possam entrar ali para acelerar o processo, por diversas questões. Isso pode desmistificar um pouco as criptomoedas e acelerar a adoção no Brasil e fora.

Todo o mercado, de alguma forma, está olhando para encontrar o business. Os bancos não enxergam as criptomoedas como investimento, dentro de um portfólio que faça sentido figurar ali nas instituições, mas é fundamental formar uma rede.

Mas qual é o benefício real para o cidadão, de uma moeda como bitcoin, que hoje já é aceita por alguns lojistas do varejo? Entendo que ainda há uma quebra de mudança de mindset, de que as criptomoedas são confiáveis e da real aplicabilidade delas. O custo para você usar bitcoin para tomar um café, por exemplo, ainda não se paga. Essa evolução precisa acontecer para viabilizar o seu uso de uma forma mais cotidiana. Os bancos estão tentando resolver e trazer isso para o dia a dia das pessoas. As criptomoedas ainda não permitem isso.

        * Breno Barros é diretor global de inovação e negócios digitais da Stefanini 

Combinação de blockchain, AI, IoT e edge computing deve avançar em 2020

Um dos principais temas relacionados ao uso de blockchain em 2020 será o da combinação dessa tecnologia com outras como inteligência artificial, internet das coisa e edge computing, segundo um estudo da IBM com 1 mil profissionais das áreas de negócios e tecnologia.

Para 88% das instituições, garantir padrões de comunicação de dados é um fator importante para se juntar a uma rede blockchain. Por isso, uma das combinações de tecnologias será para validação de dados, na tentativa de ser evitar a inclusão de informações erradas ou fraudulentas na rede por uma atitude desavisada ou intencional.

Essa combinação de tecnologia deverá não apenas turbinar o resultado que cada uma delas poderia entregar sozinha. Um passo seguinte deverá ser a criação de soluções até hoje inexistentes nem no mundo analógico, nem no digital. Em entrevista recente ao Blocknews, Ricardo Polisel Alves, diretor executivo de estratégia de tecnologia da Accenture, afirmou que essa fase deve chegar em cerca de 3 anos.

Governança e moedas digitais

Um outro tema importante deste ano deverá ser a solução para o que parece ser o maior calcanhar de Aquiles das redes privadas de blockchain: a criação de novos modelos de governança que permitam a implantação e eficiência dessas redes.

A pesquisa mostra que 41% das organizações dizem que a falta de padrões entre os parceiros é o desafio mais importante para fazer a prova do conceito (PoC) ou o ecossistema mínimo viável (MVE).

Chegar a um consenso sobre a governança é uma das maiores dificuldades que os participantes de uma rede têm encontrado para usar blockchain, disse ao Blocknews Carlos Rischiotto, líder técnico de blockchain da IBM .

A pesquisa indica ainda algo que claramente se vê todos os dias no universo blockchain, que é o avanço de moedas digitais criptografadas, sejam as privadas, como as de bancos centrais.

Hoje mesmo o Riskbank, banco central da Suécia anunciou que fará testes de uma moeda digital. Para 58% dos entrevistados, essas moedas podem gerar novas fontes de receita com a tokenização de ativos em blockchain.

Redes públicas devem chegar a US$ 11,8 bilhões até 2025, estima estudo

As redes públicas (não permissionadas) deverão crescer 51,3% até 2025, chegando a US$ 11,8 bilhões até 2025. Enquanto isso, o mercado global de tecnologia blockchain deverá crescer US$ 14,3 billões, numa expansão composta de 47,3%. Os dados são de um estudo da ReportLinker.

O crescimento do mercado nos EUA deve ser de 52,7%. Na Europa, a Alemanha vai registrar um crescimento de US$ 359 milhões nos próximos 5 anos. O restante da Europa responderá por projetos avaliados emr US$ 655 milhões.

No Japão, as redes públicas de blockchain terão um mercado de US$ 742,4 milhões no período, enquanto na China deve registrar crescimento de 45%, com projetos de US$ 2,3 bilhões.

Operadoras de telecom testam blockchain para contratos de roaming

A Deutsche Telekom anunciou que um grupo que inclui a empresa e a T-Mobile US, a Telefònica, a Orange and a GSMA, estão testando uma solução em blockchain que permite às operadoras desenvolver e assinar contratos de descontos em roaming entre as operadoras.

A intenção é abrir o código da plataforma para que possa ser usado por toda a indústria. A plataforma usada é a Hyperledger Fabric. A solução foi iniciada pelo Deutsche Telekom Laboratories (T-Labs) e a Deutsche Telekom Global Carrier, a unidade de atacado da empresa alemã.

Segundo a empresa, a solução diminui as etapas do atual processo que é manual. Com blockchain, não apenas há uma digitalização do processo e compartilhamento para todos os membros da cadeia ao mesmo tempo e a segurança da imutabilidade dos dados. A solução permite ainda a automação do processo de roaming no atacado, com processos implantandos entre as operadoras, disse a empresa num comunicado.

Artigo: Blockchain para dar segurança às relações entre empresas e trabalhadores

Como todos sabem, a lei 13.467/2017, comumente chamada de “Reforma Trabalhista”, trouxe inúmeras mudanças na relação de trabalho e no próprio sistema sindical brasileiro.

Valorizando ainda mais a negociação coletiva através da prevalência do princípio do negociado sobre o legislado, a novel legislação que este ano completará seu primeiro triênio também trouxe certos despautérios que, até o momento, não foram capazes de solução por parte do judiciário brasileiro.

Com o fim da contribuição sindical compulsória, o chamado “ imposto Sindical”, as entidades sindicais que devem obediência ao artigo 8º da Constituição Federal, atualmente possuem o “ônus” de representar toda a categoria mas, pela interpretação literal da lei – o que diga-se de passagem é um verdadeiro equívoco – apenas recebem suas contribuições daqueles que desejarem contribuir de livre e espontânea vontade.

Mas o que tudo isso tem a ver com a tecnologia blockchain? Como esta ferramenta pode ajudar neste cenário jurídico-político de incertezas e inseguranças? A resposta é fácil: trazendo a segurança jurídica e aproximando as partes envolvidas na relação capital x trabalho.

Algumas entidades sindicais, tanto de representação patronal, quanto de representação laboral, estão unindo esforços no sentido de transformar as relações entre elas. O que antes limitava-se em realizações de assembleias e discussões de pautas de negociações visando a concretização de acordo ou convenção coletiva, hoje a abrangência de atuação destes protagonistas integrantes do sistema sindical brasileiro é muito maior, buscando se utilizarem de todas as novas possibilidades trazidas pela reforma trabalhista.

Câmara Intersindical usa blockchain para negociações e contratos

Até pouco tempo atrás, seria inimaginável que a entidade sindical pudesse, com a concordância do trabalhador representado, promover quitação de verbas decorrentes de contrato de trabalho; quitação anual de obrigações trabalhistas; flexibilizar jornada de trabalho como também fixar compensação de horas e instituir de banco de horas; além de outras possibilidades decorrentes da relação entre patrão e empregado que não infrinjam os dispositivos constitucionais vigentes.

E para implementar todas estas novas possibilidades, com segurança jurídica e transparência das relações, muitas entidades já se utilizam da tecnologia blockchain que permite, entre tantas benesses, registrar e tornar inalterável todos os passos dados pelos usuários do sistema.

É o caso da Câmara Intersindical de Mediação e Conciliação (Cimec), que visa promover a mediação de conflitos entre empresas e empregados, com a supervisão das entidades sindicais representativas das suas categorias e com a segurança jurídica prevista em convenção coletiva de trabalho firmada perante o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região,

Esta câmara, localizada no centro da cidade de São Paulo, é capaz de atender empregadores e empregados pessoalmente ou através da utilização de uma plataforma digital que, mediante o uso da tecnologia blockchain, permite que os usuários do sistema e em todo o estado de São Paulo negociem, transijam, firmem compromissos, deem quitações recíprocas, por exemplo. Tudo isso com a segurança de registro e imutabilidade de toda a negociação realizada e, ainda, com a chancela das entidades sindicais representatividade de ambos os lados.

A importância da utilização desta tecnologia reside justamente no fato de que é impossível, ao menos até o momento, alterar o que foi tratado, discutido ou lançado no ambiente de negociação. É uma espécie de “cartório digital” através do qual os usuários têm a certeza de que tudo aquilo que foi ajustado não poderá sofrer mudanças pois, para cada hash code criado, toda e qualquer alteração feita pelas partes ou por um terceiro não é capaz de modificá-lo; senão com a criação de um novo hash code.

Esta mudança de paradigma por parte das entidades sindicais que sofrem com as incertezas por parte da legislação trabalhista atual está fazendo com que as entidades se transformem, que partam em busca de novas tecnologias capazes de fornecer a seus representados mais transparência, segurança, produtos e serviços que atendam as expectativas dos envolvidos que não querem mais, apenas e tão somente, saberem em sua data-base qual será o índice de reajuste aplicável em seu contrato de trabalho.

*Sócio-fundador do Zanão e Poliszezuk Advogados.

Uso de tecnologias como blockchain e AI, aumenta o lucro, diz estudo da Oracle

As empresas que adotaram Inteligência Artificial (IA), blockchain e outras das novas tecnologias em seus processos operacionais e financeiros estão experimentando um aumento de suas receitas líquidas num ritmo 80% maior do que as que não usam nenhuma delas, segundo um estudo da Enterprise Strategy Group (ESG) e da Oracle em 13 países, incluindo o Brasil.

De acordo com o “Emerging Technologies: The competitive edge for finance and operations“, o uso dessas tecnologias criou vantagens competitivas nas empresas.

Foram entrevistadas 700 pessoas em áreas financeiras e operacionais, sendo 98 do Brasil e do México.

Segundo o estudo, 87% das empresas que usam blockchain atingiram ou excederam suas expectativas de ROI e 82% viram um valor significativo em seus negócios num período de um ano.

Estabelecer um ROI no uso de blockchain é um dos pontos mais difíceis do uso da tecnologia. Dentre os motivos está o fato de que não há dados suficientes dos processos antes do uso de blockchain para se estabelecer um objetivo, como disse Carlos Rischioto da IBM, em entrevista recente ao Blocknew. Outro motivo é que nem sempre o ROI de uso de blockchain é ligado a redução de custos e tempo ou aumento de vendas.

Outra conclusão do estudo é que 78% dos executivos acreditam que o uso do blockchain no monitoramento da cadeias de suprimentos reduzirá incidentes e fraudes em pelo menos 50% nos próximos cincos.

De acordo com o levantamento, 84% das empresas entrevistadas usam pelo menos uma das novas tecnologias: IA, internet das coisas (IoT), blockchain ou assistentes digitais na produção. E 82% das que usam três ou mais delas estão à frente de seus competidores, enquanto 45% das empresas não usam nada.