Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Tecnologia é um dos principais temas discutidos em Davos

De governança a tokens, blockchain vai ser um dos temas mais discutidos de hoje (21) a sexta-feira (24), na estação de esqui de Davos (Suíça), onde boa parte do PIB global se reúne para debater sobre o que está mexendo e o que vai mexer com a economia e a política do planeta.

O tema vai ser pauta tanto no World Economic Forum (WEF) 2020, como no GBBC Blockchain Central Davos, organizado pelo Global Blockchain Business Council (GBBC), onde o sócio do BTG Pactual, André Portilho, vai ser um dos debatedores no painel sobre tokenização.

Durante o WEF 2020, o foco será principalmente em tokens (o tema é From token assets to a token economy) e moedas digitais (com o tema Creating a credible and trusted digital currency).

Tanto os tokens (espécie de fichas de quermesse que representam a fração do valor de um ativo), quanto as criptomoedas, estão gerando uma série de discussões econômicas e regulatórias mundo afora, com os países discutindo se aceitam esses ativos e como aceitá-los. Dentre os participantes estarão representantes do Bank for International Settlements (BIS) e da Calibra, a carteira digital da moeda Libra, um projeto liderado pelo Facebook.

No evento do GBBC, os temas serão mais amplos, de governança e regulação a transparência em cadeias de suprimentos. Além de Portilho, entre os debatores estão Brian Behlendorf, diretor executivo do projeto Hyperledger, da Fundação Linux, Dante Disparte, Vice-Chairman da Associação Libra, e Matt Sorum, ex-baterista do Guns N’Roses e CCO e um dos fundadores da Artbit, plataforma de shows ao vivo e de pagamentos aos artistas baseada na “filosofia descentralizada”, segundo seu site.

Sorum ainda vai dar um show no dia 23, mesmo dia do painel em que vai participar, porque afinal, ninguém é de ferro.

Tambem no dia 23, a CV VC, uma venture capital que investe em start ups que usam blockchain, vai realizar o CV Summit Davos 2020. Portilho também participa desse evento.

Desta segunda-feira até sexta-feira, a bolsa de criptomoedas Latoken vai realizar o Blockchain Economic Forum. Um dos destaques é a participação de Chris Giancarlo, que foi chairman da comissão de negociação da U.S. Commodity Futures e que tem defendido que os Estados Unidos criem uma moeda digital.

Ontem, o co-fundador da Ethereum e head da ConsenSys, Joe Lubin, liderou o CryptoMountain Rocks, focado na descentralização financeira (DeFi), stablecoins e perspectivas de 2020.

Brasil tem uma das maiores redes blockchain da Telefónica

O Brasil tem uma das três maiores redes blockchain do mundo em produção pela Telefónica, que aqui é dona da Vivo. O cálculo é feito com base no número de transações, disse o diretor de Políticas Públicas e Internet da Telefónica, o alemão Christoph Steck. em entrevista ao site Blockchain Economía, da Espanha, veículo parceiro do Blocknews.

“Gerenciamos 5 milhões de equipamentos ao ano, controlando as rotas de entregas do depósito até a casa do cliente, com as subcontratadas e os instaladores”, afirmou. Os dados e passos de cada roteador é gravado em blockchain. A rede foi lançada em março.

Segundo o diretor, dados de operações de entrega melhoraram muito e os custos caíram ao ponto de terem financiado o investimento em menos de um ano. Segundo ele, a empresa quer usar blockchain em toda a cadeia de fornecimento de roteadores no Brasil.

A entrevista completa está em http://bit.ly/2sNviCQ

Como a blockchain poderia evitar a contaminação da cerveja Backer

Até agora estão tentando entender como aconteceu a contaminação dos produtos da Cervejaria Backer. Se blockchain fosse usada no processo de produção, esse enigma possivelmente já teria sido descoberto, ou bem perto disso.

Para saber como a tecnologia pode dar mais segurança à produção, garantindo qualidade, e desvendar a origem de problemas sérios, como o da Backer, que já causou a morte de 4 pessoas, escute o podcast
#BlockDropsPodcast
, do Maurício Magaldi. Além do podcast, Magaldi é coordenador da comunidade Hyperledger no Brasil e mentor de startups que usam blockchain.

Setor de energia do Brasil patina no uso de blockchain

O setor de energia brasileiro ainda precisa descobrir a blockchain. A tecnologia pode dar mais eficiência não apenas à cadeia de produção energética, mas também a processos internos das concessionárias. “Ficamos mais de um ano pesquisando as empresas que estavam envolvidas em blockchain no Brasil e são raríssimas as que usam a tecnologia”, disse ao Blocknews João Carvalho, CEO da Mentors Energy, consultoria na área de gestão de ativos em energia e organizador do 1º Fórum Brasileiro Blockchain Energia, que aconteceu em São Paulo, em novembro passado.

No exterior há projetos em todos os cantos e a startup brasileira Fohat está desenvolvendo um na Austrália.

 A EDP foi a primeira do setor a usar blockchain no país. O projeto tem foco em medição e registro do consumo de energia solar. Na sequência, fez um acordo com a Accenture para a criação do Smart Energy Lab, que vai desenvolver soluções e um dos focos é blockchain.

A AES Tietê anunciou em 2019 um investimento de R$ 3,4 milhões para usar blockchain no primeiro balcão organizado no Brasil para comercialização de energia elétrica. A Petrobras também tem dois projetos anunciados, um referente a pagamentos de clientes, com o Banco do Brasil, e outro para assinaturas de relatórios internos, em conjunto com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

Na entrevista a seguir, Carvalho fala sobre o cenário de blockchain no setor de energia.

BN: Qual o panorama do uso de blockchain no setor de energia brasileiro?

JC: Há algum tempo percebi que não se falava praticamente nada da tecnologia no mercado de energia, inclusive no de óleo e gás. Em 2018, organizamos evento bem pequeno para discutir o assunto num grupo com algumas pessoas do setor, e no ano passado fizemos algo mais encorpado. Achei que seria interessante o momento para iniciar uma provocação do setor para acordá-lo para o assunto. O 1º Fórum Brasileiro Blockchain em Energia durou dois dias e teve a participação de 100 pessoas, inclusive de 4 palestrantes internacionais de empresas da Europa e América do Norte.

BN: Quais usos de blockchain em energia você destacaria?

JC: Sendo bem generalista, é possível usar em todo o setor. Quando falamos em geração, estamos falando de vários tipos, como hídrica, solar, eólica e biomassa, e cada uma tem sua particularidade. Na área de transmissão, trata-se de conectar as unidades geradoras e transmitir para o pátio de distribuição e daí para os consumidores, então pode haver um número menor de aplicações. Quando se entra em distribuição, estamos falando de smart grid (rede elétrica de inteligência), de a energia chegar nas subestações, em sistemas inteligentes de medição de energia, por exemplo. Há vários processos nessa fase.  Mas acho que o setor onde pode haver um pouco mais de interesse é o de comercialização, podendo ser criado um modelo mais justo na composição de valores de forma descentralizada, o que ajudaria a melhorar a volatilidade dos preços. Uma solução seria a implantação de um modelo padrão para todo o mercado buscando maior segurança e transparência nas transações, trazendo um pouco mais de calma e preços um pouco mais justos. É um pouco difícil fazer isso, mas dá para fazer, envolvendo agentes como as concessionárias, câmara de comercialização e Aneel, visando um modelo mais moderno e inteligente.

BN: Quais são os principais projetos em energia que você nominaria no Brasil?

JC: Ficamos mais de um ano pesquisando as empresas envolvidas em blockchain no Brasil e são raríssimas as que usam a tecnologia. Garimpamos muito, prospectando diariamente quais poderiam falar no fórum. O que mais destaco é o caso da EDP, que está muito à frente das outras empresas de energia. Foi a primeira a adotar blockchain no Brasil. A Petrobras também está utilizando em dois projetos e a AES Tietê, com a Fohat, tem um projeto de comercialização.

BN: Fala-se em consumo de energia excessivo em mineração de criptomoedas, porque os computadores ficam ligados horas nesse processo. Há algum tipo de consumo excessivo quando a blockchain é usada no mundo corporativo?

JC: A forma como foi estruturada a mineração de criptomoedas exige o consumo de muita energia e não dá para fugir disso. Mas nas empresas não é assim. Blockchain vem para gerar facilidades para processos internos, administrativos, inclusive das concessionárias.

BN: Uma outra discussão no exterior sobre blockchain em energia é o comércio peer to peer (P2P). Qual sua opinião sobre isso?

JC: Esse é um conceito que está sendo muito bem-vindo dentro de um modelo mais descentralizado. A Fohat apresentou no fórum um case que estão construindo na Austrália, com implantação de comercialização P2P. É preciso uma regulamentação muito forte para isso, mas é viável e acho que é o futuro da energia em todo o mundo. Acho que o Brasil pode utilizar esse tipo de tecnologia. O P2P tem ainda um efeito de sustentabilidade, porque o parque de geração, transmissão e distribuição de energia afetam muito o meio ambiente e é muito discutido nas concessionárias formas de diminuir o impacto ambiental.

BN: A cultura das empresas, em geral, é de silos. De que forma a blockchain pode mudar isso no setor energético?

JC: Visitamos muito clientes e quando vemos o ERP deles, vemos um grande ambiente de dados desconectados do sistema central. Vemos que há duplicação de dados em ambientes diferentes. Se implantarem blockchain com contratos inteligentes, sistemas inteligentes de gestão corporativa, integrarem os sistemas de ERP, colocarem os processos em uma grande rede blockchain com tudo registrado, autenticado, com registro de segurança que não pode ser mudado, isso vai gerar uma grande economia na própria administração da empresa.  Quando cada um fica no seu quadrado, as áreas não deixam ninguém colocar a mão do que é delas e não há integração. Recomendo a todas as empresas de energia que também deem destaque a isso, que os CEO’s e C-levels olhem blockchain para melhorar a administração de processos e a eficiência administrativa.

Blockchain ganha espaço em segurança cibernética

Se a transformação digital de empresas e governos está dando um impulso aos negócios e à carreira em segurança cibernética, a blockchain chegou para ajudar ainda mais nesse movimento. Para quem trabalha com segurança, é um novo filão a ser explorado.

“Há uma forte interação entre blockchain e segurança cibernética e por isso queremos ter conosco pessoas interessadas nessa tecnologia”, disse ao Blocknews Andréa Thomé, líder Brasil da Womcy (Women in Cybersecurity). A instituição foi criada em 2019 para promover a inclusão de mulheres em segurança cibernética na América Latina e nos Estados Unidos.

O trabalho da Womcy em 2020 terá foco em mentoria, eventos e palestras em empresas, faculdades e outros locais onde se possa encontrar gente interessada em trabalhar ou dar um salto na carreira em segurança cibernética. Blockchain deve aparecer nesse processo.

Para a segurança cibernética, blockchain contribui em questões cruciais. Um exemplo é que a descentralização do DNS (Domanin Name System) permite a distribuição de dados entre os nós da rede e praticamente impossibilita o ataque de hackers.

Além disso, os hashes inseridos pela tecnologia tornam mais segura a identificação de atualizações e downloads de softwares.  “É uma evolução em termos de proteção e preservação de integridade de informações”, diz Andréa.

O que blockchain não resolve são os erros humanos, como compartilhamento de chaves de segurança. Porque essa tecnologia é muito inovadora, mas não faz milagres.

Entre os exemplos recentes mais emblemáticos da confiança em blockchain para segurança cibernética está o contrato recém anunciado da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) e do Departamento de Defesa americano com a Xage Security, que vai trabalhar com a segurança relacionada a membros, uso e dados da rede.

Também a PricewaterhouseCoopers (PwC) da Suíça anunciou que fez um acordo com a ChainSecurity para melhorar sua capacidade de oferecer serviços nessa área.

Nesta semana, o LinkedIn divulgou um ranking em que blockchain aparece como a habilidade técnica mais procurada na rede – há demanda para poucos profissionais, enquanto num ranking de empregos em ascensão apareceu engenheiro de segurança cibernética. Pelo visto, oportunidades não faltam no mercado.

Seguros que as empresas com blockchain devem fazer

Fernando Saccon,  Head de Linhas Financeiras da seguradora Zurich, afirma que o uso de blockchain pelas empresas poderá gerar negócios em dois tipos de seguros: um deles é o cibernético, porque é preciso proteger os dados que a empresa segurada operacionaliza. O outro é o de responsabilidade civil profissional, que protege empresas na execução de seus serviços.

O outro é o de responsabilidade civil profissional, que protege empresas na execução de seus serviços.

A entrevista completa com Saccon está em http://bit.ly/38b7eIZ, página do site Sonho Seguro, focado na cobertura do setor.

Perguntas para sua empresa avaliar se adota blockchain, segundo Maurício Magaldi

Adotar uma nova tecnologia é um processo sensível nas empresas, governos e instituições sociais, ainda mais quando se trata de algo tão novo como blockchain. Essa tecnologia tem várias utilidades e pode transformar processos de uma forma profunda, mas é preciso avaliar bem quando e como usar.

Maurício Magaldi, coordenador da comunidade Hyperledger (capítulo Brasil), mentor de startups baseadas em blockchain e host do BlockDrops Podcast, explica como avaliar a melhor solução sem se deixar levar nem pela moda, nem pelo medo.

BN: Quais são as 5 perguntas básicas que uma empresa deve fazer ao avaliar se deve adotar a tecnologia blockchain?
MM: A primeira pergunta a ser feita é: o problema a ser resolvido é um problema de negócios? Adotar tecnologia pela tecnologia raramente resolve um problema de negócios de uma maneira sustentável.
A pergunta seguinte é: esse problema envolve um ecossistema de participantes? Uma rede blockchain para um único participante tem baixas chances de escalar e há outras tecnologias que podem ser mais facilmente utilizadas
Outro ponto fundamental: existe um “ativo” bem definido que é transacionado entre os participantes? Isso porque o produto ou serviço ou valor que os participantes trocam entre si nessa cadeia de valor precisa estar definido e acordado entre eles (modelo de dados).
A quarta pergunta é: o processo de negócios requer um nível de confiança que não existe atualmente? Se os processos geram disputa entre os participantes, existe valor a ser capturado na primeira interação da rede pelo blockchain.
E por fim, é preciso saber: não há nenhuma outra tecnologia que já resolva esse problema de uma outra maneira? Porque aprender e desenvolver uma solução em uma nova tecnologia pode ser menos eficiente e mais caro do que adotar uma tecnologia já provada

BN: Quem deve ser envolvido nos processos de decisão e acompanhamento de uma eventual implantação de blockchain na empresa?
MM: As empresas devem criar um grupo multidisciplinar que tenha profissionais de negócios de todos os participantes fundadores, os nós da rede, porque sem benefícios de negócio não se justifica um projeto. Os profissionais de tecnologia que também entrarem nesse grupo devem dominar as tecnologias envolvidas, porque nunca se trata apenas de blockchain. É sempre blockchain mais alguma outra solução. E os reguladores devem ser incluídos, se a mudança for um caso de uso muito disruptivo para aquela indústria.

BN: Quais os 3 pontos básicos para se considerar ao escolher com qual plataforma trabalhar?
MM: São a versatilidade, ou seja, flexibilidade x especificidade; a disponibilidade da plataforma comparando cloud e on premise; e a comunidade de suporte e desenvolvimento, levando em conta as diferenças entre tecnologia proprietária e open source.

Blockchain lidera ranking de habilidades procuradas

Pela primeira vez, blockchain apareceu não apenas na lista, mas também no topo da lista das habilidades técnicas (hard skills) que as empresas mais deverão procurar em 2020. O levantamento é do LinkedIn Learning com base em mais de 660 milhões de profissionais e mais de 20 milhões de empregos.

Segundo a empresa, “o pequeno número de profissionais disponíveis com essa habilidade está com alta demanda”. O estudo está em http://bit.ly/2QR0Dxs

Das outras 9 habilidades, muitas estão diretamente ligadas a tecnologia, incluindo cloud computing, em segundo lugar, inteligência artificial (que caiu duas posições, para o quarto lugar), UX design e ciência da computação, em nono lugar.

Quem quiser aprender alguma das 10 habilidades, incluindo blockchain, o LinkedIn Learning fornece os links para cursos nesses temas.

Mas não é só isso que as empresas buscam. Elas querem também quem tenha soft skills, ou seja, habilidades relacionadas a comportamento. As 5 primeiras do ranking são criatividade, persuasão, colaboração, adaptabilidade e inteligência emocional.

É sempre bom lembrar que um bom técnico muitas vezes perde o emprego por suas atitudes na empresa.

Nesta semana, o LinkedIn também noticiou as profissões mais em alta no Brasil. A reportagem está em http://bit.ly/2TqZ5Mf

Empresas de atum do RN usarão blockchain em rastreamento

A partir de março, um grupo de empresas do Rio Grande Norte (RN) que pescam, processam e distribuem atum, deve começar a usar ferramentas em blockchain para dar mais transparência à rastreabilidade do produto, permitir o comércio eletrônico do peixe e gerar recursos para pesquisas com foco na sustentabilidade.*

As ferramentas são a Tracktuna, de rastreamento, o market place Tunalert e a Tuna Intelligence, empresa de soluções tecnológicas e consultoria, que a Companhia Industrial Atuaneira vai lançar, disse ao Blocknews Rodrigo Hazin, executivo da empresa. A companhia arrendou a unidade produtiva de atuns da Norte Pesca, da qual Rodrigo é CEO. O RN é líder nacional na pesca desse peixe.

Essas ferramentas serão usadas pela Aliança do Atlântico para o Atum Sustentável, formada por empresas que já trabalham juntas: Companhia Industrial Atuneira, Mar Aberto, Natal Pesca e Transmar, cada um com participação de 25%. O grupo responde por cerca de 60% das exportações brasileiras de atuns frescos para o mercado premium de sushi e sashimi

A Aliança também vai utilizar a Tunacoin, moeda da Companhia Industrial Atuaneira que terá pré-lançamento em fevereiro (mais detalhes sobre a Tunacoin estão na reportagem do Blocknews em http://bit.ly/36SU975).

Todas essas ações fazem parte do Open Tuna Initiative, inspirado em iniciativas semelhantes no exterior, disse Hazin.

A Tunalert é um investimento de R$ 90 mil da Companhia. Na Tunacoin foram investidos R$ 240 mil. A Tracktuna é um investimento compartilhado com a NBC Bomesp (Bolsa de Bolsa de Moedas Virtuais Empresariais de São Paulo). A Tuna Intelligence será sócia da Bomesp nesse projeto. O investimento é de R$ 350 mil.

Segundo o executivo, o rastreamento já é demandado e feito, mas a blockchain dará mais confiabilidade. “Faremos isso de forma mais organizada e com inviolabilidade de dados. Estamos adicionando o aperfeiçoamento tecnológico e a transparência à nossa pesca, que já é sustentável”. A blockchain usada é a Ethereum.

O rastreamento é feito desde a pesca, com detalhes como característica do barco, localização, tripulação, e segue pelas etapas seguintes. O cliente final poderá ver, por celular, o percurso do peixe que está comendo, já que é gerado um QR Code.

O Tunalert será um comércio eletrônico que poderá simplificar o processo de vendas do atum desde a pesca até a venda final.

Em relação à Tunacoin, parte dos recursos obtidos com a moeda serão usados para viabilizar projetos de sustentabilidade. A ideia é fazer parcerias também com instituições de pesquisa e de preservação de animais que são pegos junto com os peixes, por se aproveitarem das iscas ou serem fisgados por elas.

Diversas ONGs, inclusive internacionais, não indicam o atum brasileiro para consumo por questões de sustentabilidade. Mas no RN, diz Hazin, a preocupação com sustentabilidade já existe, com o uso de equipamentos corretos, por exemplo. Por isso, a Aliança quer se juntar a instituições de pesquisa que vão mostrar de forma científica a qualidade do pescado e de seu manuseio.

Hazin afirma que a Aliança quer estender o conceito da Open Tuna Initiative para outros barcos, clientes e partes da cadeia do atum e de outros pescados, para criar um grupo preocupado com produto de qualidade.

“Podemos trabalhar melhor e ter diferencial maior. É fundamental para nosso futuro”, completou.

*Esta é segunda e última parte da reportagem sobre o lançamento da Tunacoin, Tunatrack, Tunalert e Tuna Intelligence.

Dapps criam soluções que ajudam de ONGs a partidos políticos

Os Aplicativos Descentralizados (Dapps) estão crescendo em número e embora continuem muito concentrados em usos como games, exchange e apostas, surgem novidades em outras áreas, como eleitoral, inclusive aqui ao lado, no Uruguai, industrial e para doações.

Dapps são aplicativos que podem ser para blockchain e são vistos como uma promessa para um uso maior dessa tecnologia, porque podem ter um número sem fim de finalidades. Eles permitem ações descentralizadas, peer to peer (P2P) e, portanto, sem intermediários. O dapp Bitcoin é o primeiro e mais conhecido deles.

O DappReview contabilizou mais de 4.000 dapps em 2019, com 1.955 novos entrando na conta. Os de games são 47% do total, seguidos pelos relacionadas a exchanges (21%). Esses aplicativos movimentaram US$ 23 bilhões e a maior parte usa a rede Ethereum.

O Partido Digital do Uruguai, que como o próprio nome diz, prega o uso de ferramentas digitais para transparência, anunciou que fará eleições internas usando um dapp. Numa primeira fase, “contratos inteligentes e tokens serão usados para a governança interna do partido”, como votação de propostas pelos seus membros, segundo a Aerternity, que está desenvolvendo o projeto.

Outra aplicação, que cai como uma luva para as empresas, é o da Chainyard, que foca na validação de informações sobre fornecedores para que uma empresa decida se quer incluí-lo em sua cadeia de suprimentos. Nisso, consegue aumentar a qualidade da validação e reduzir o temo de aprovação e inclusão na cadeia – no final das contas, pode aumentar sua eficiência de forma mais ágil.

Na área social, doadores se preocupam se as instituições vão usar direito seu dinheiro, e as instituições se preocupam em como provar que fizeram bom uso dele. Confiança é fundamental para manter a entrada de recursos para os projetos sociais. A TRACEDonate permite ao doador acompanhar como sua doação foi usada e vai além, permitindo que o doador decida como o dinheiro deve ser usado – por exemplo, se para construir um laboratório numa escola ou se para pagar novos professores.

Quem quiser saber mais sobre a evolução dos dapps, a 2ª IEEE International Conference on Decentralized Applications and Infrastructures, em abril, vai apresentar diversos casos de uso dos aplicativos. A IEEE é a maior organização de técnicos do mundo e o evento reúne pesquisadores e usuários em Keble College da Universidade de Oxford, na Inglaterra.

O maior uso dos dapps em serviços financeiros – para atividades além de negociações com criptomoedas – podem deslanchar com a regulamentação de produtos e serviços que usam blockchain.

Em outras áreas, o uso pode crescer com o compromisso das instituições com transparência e com a maior confiança no impacto que o compartilhamento de dados causa. E em todos os casos possíveis de uso, dapps ficarão mais populares com o famoso boca a boca: “ouvi falar, usei e gostei”.