Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Women in Cybersecurity cria capítulo no Nordeste e terá apoio do Porto Digital

A Latam Women in Cybersecurity (Womcy), organização que trabalha para a educação, desenvolvimento e aumento do número de mulheres no segmento de segurança cibernética, lança amanhã (28) seu capítulo Nordeste. Criada em maio do ano passado por Leticial Gamill, da Cisco, o capítulo brasileiro acaba de completar um ano de atuação com um grande grupo de participantes – mulheres e homens – e de parcerias.

Na entrevista a seguir, Andréa Thomé, líder do capitulo Brasil, fala sobre a expansão do movimento no país e o novo papel que o capítulo São Paulo terá nesse processo.

BN: A Womcy começará a ter capítulos em todo o Brasil?

AT: À medida que identificarmos líderes preparados para gerir capítulos locais, vamos abrindo as células que nos permitirão chegar a públicos que precisam de nosso auxílio e que poderão usufruir de nossos benefícios.
Já temos um capítulo em Minas Gerais, liderado por universitárias da IFSULDEMINAS, e agora chegaremos ao Nordeste.

BN: Qual a importância dessa expansão?

AT: É alcançar toda e qualquer mulher que queira evoluir em sua carreira em cibersegurança, passar por transição para essa área ou iniciar no segmento, independente de sua localização geográfica.
Nossa missão de aumentar a participação de mulheres e de reduzir o gap de conhecimento entre gêneros em cibersegurança não se restringirá aos profissionais de São Paulo. Hoje já temos membros e voluntários registrados na Womcy de diversos estados do país, e por isso, sempre que entendermos que estiver a nosso alcance, unidades locais serão desenhadas e instaladas para melhor atender a todos.

BN: Quais as iniciativas que vocês esperam desenvolver no Nordeste?

AT: Vamos localizar e registrar voluntários e membros, definir o corpo de líderes para os programas (WOMCY, Talks, WOMCY Mentoring, WOMCY Talent, WOMCY Girls, WOMCY Geek, WOMCY Tech, WOMCY Jobs, WOMCY Give e WOMCY Back) e equipes (WOMCY Marketing, WOMCY Legal, WOMCY Alliance, WOMCY Membership, WOMCY Volunteering e WOMCY He for She) e desenhar o modelo de integração do capítulo Nordeste com o capítulo São Paulo, que passará a atuar como um incubadora de disseminação de conhecimento sobre ações e projetos para o time do Nordeste.

Na entrevista a seguir, Flávia Brito, líder do capítulo Nordeste, fala sobre a falta de mão-de-obra especializada em cibersegurança na região e o apoio do Porto Digital à iniciativa local da Womcy.

Flávia, líder no Nordeste, é CEO da BIDWEB, de soluções no setor Foto: BIDWEB.

BN: Como é o mercado de trabalho em cibersegurança no Nordeste?
FB: Existe uma falta de mão-de-obra muito grande na região e apoio para o desenvolvimento de novos profissionais. Comparado ao Sudeste, por exemplo, acredito que a escassez de especialidades em cibersegurança é maior ainda. Quando falamos de mulheres nesse mercado, a situação é parecida com o restante do Brasil, porque falta estímulo para que elas avancem seus estudos na área. Do ponto de vista de educação, o Nordeste precisa estimular mais a formação dessas meninas. O Porto Digital, em Recife, é uma ótima oportunidade para o empreendedorismo. Eu mesma comecei no Porto Digital há 18 anos e tive vários desafios, mas não desisti.

BN: Como a Womcy pode ajudar a melhorar esse quadro?
FB: A chegada do Capítulo WOMCY Nordeste será amparado com o apoio do Porto Digital e também já temos várias mulheres interessadas em desenvolver os programas da WOMCY na região. Acredito muito nessa comunidade de mulheres em cibersegurança, porque a prática do trabalho da WOMCY Brasil demonstra sua seriedade, amparando e contribuindo para o desenvolvimento das mulheres. Inicialmente, estamos criando no capítulo Nordeste um corpo de voluntariado alinhado com os programas da WOMCY Brasil.

BN: As empresas do Nordeste estão bem preparadas para combater os ataques cibernéticos? Como a Womcy pretende ajudar nessa conscientização?
FB: Em relação ao combate aos ciberataques aqui no Nordeste, acredito que, assim como em todo o Brasil, há diferenças entre grandes empresas, que já investem em segurança da informação, e as médias e pequenas, que precisam de esclarecimento e conscientização sobre como se proteger. Certamente, a WOMCY contribuirá com a conscientização, dado que seus programas contribuem em vários aspectos de proteção de dados, privacidade e segurança da informação, com as melhores práticas do mercado.

Negócio todo baseado em blockchain está próximo de surgir e trará enxurrada de possibilidades, diz Magaldi

No dia 31 de outubro, é aniversário da blockchain e das criptomoedas: serão 12 anos da data de divulgação do white paper “Bitcoin: Um sistema de dinheiro eletrônico peer-to-peer” , de Satoshi Nakamoto. Por isso, nos próximos dias, o Blocknews divulgará uma série de entrevistas com especialistas sobre blockchain e criptoativos para falar do que aconteceu até agora no mundo dos blocos e o que vem pela frente.

A primeira entrevista da série é com Mauricio Magaldi, criador e apresentador do BlockDrops Podcast, membro do capítulo Brasil do Projeto Hyperledger, mentor de startups que trabalham com blockchain e palestrante. Para ele, “um modelo de negócios unicamente baseado nas capacidades das tecnologias blockchain está na iminência de surgir e vai vir como uma enxurrada de novas possibilidades econômicas”. A seguir, a entrevista:

BN: Como você resumiria os primeiros 12 anos de blockchain?

MM: Com a tecnologia entrando na sua adolescência, vejo que passamos pela criação de novos mercados, como no caso das criptomoedas e criptoativos, e até mesmo pela criação de novos tipos de profissionais. Apesar de todo hype ao redor das tecnologias, me alegra ver que cada vez mais há interesse em aplicações menos óbvias e que passam a gerar valor real, mudando a perspectiva de uso da tecnologia do âmbito especulativo para soluções práticas e que afetam o dia a dia dos mercados e até das pessoas. Nos últimos 5 anos, saímos de um mercado que tinha muitos eventos para falar do potencial do assunto, para diversos eventos onde se mostram os resultados reais das aplicações construídas com a tecnologia. Muita educação ficou disponível para todos os níveis de conhecimento, a mídia abraçou blockchain como um tema recorrente, os reguladores entenderam seus riscos e potenciais e diversas indústrias começam a se reinventar calcadas nos benefícios únicos que blockchain oferece.


BN: Em que estágio estamos de uso de blockchain no Brasil?
MM:
Em alguns aspectos estamos pari passu com o resto do mundo, tanto nas soluções que têm sido desenvolvidas no país, quanto nos profissionais de destaque. Ficamos atrás em educação: apesar da oferta ser muito ampla, ainda devemos muito, tanto no nível técnico, quanto no nível executivo. Quanto melhor educados – e em maior número – forem os executivos das empresas, mais numéricas e maiores serão as oportunidades de aplicar a tecnologia para transformar as indústrias. A vasta maioria das soluções ainda não estão funcionando a pleno vapor,e isso é uma diferença em relação a países onde o hábito de ser “first mover” ou “early adopter” é mais comum.


BN: Há ainda muito para se testar e descobrir em blockchain no mundo?
MM:
Creio que os casos de uso mais óbvios já têm sido apreciados e testados em diversas partes do mundo. Além das criptos, creio que ainda não surgiu um modelo de negócios unicamente baseado nas capacidades das tecnologias blockchain. Esse momento está na iminência de surgir e vai vir como uma enxurrada de novas possibilidades econômicas.


BN: Qual é a característica da tecnologia que fez você se dedicar a enterprise blockchain?
MM:
A capacidade de colocar competidores para colaborar por uma indústria mais eficiente sem abrir mão de suas vantagens competitivas. Não conheço outra tecnologia que permita esse tipo de colaboração no nível da indústria e ao entender esse aspecto da tecnologia, as indústrias passarão a finalmente ter acesso às grandes transformações habilitadas pelas demais características da tecnologia.


BN: Quais são os 3 casos de blockchain mais interessantes que você já viu?
O primeiro que cito é a rede Ethereum, que surgiu como a primeira moeda programável e hoje impulsiona os mais variados casos de uso no mundo corporativo: de validação de contratos de compra a rastreamento de vacinas e prontuários médicos. Há também os casos de identidade auto-soberanas (SSI na sigla em inglês). No ambiente digital é fundamental saber com quem você está transacionando e também ter domínio sobre sua própria identidade e seus dados e metadados. Num ambiente digital como as redes sociais, em que somos levados a abrir mão da nossa privacidade, SSIs são uma nova maneira de retomarmos o controle sobre aquilo que é nosso e, porque não, monetizar nossos dados em benefício próprio. Por fim, cito os casos relacionados a gestão de direitos no ambiente digital: de filmes a música a videogames. Os modelos de gestão de ativos digitais têm se mostrado muito interessantes e podem finalmente gerar valor real para quem transaciona nesses ambientes.


BN: Você acredita que as empresas vão aderir com mais força aos tokens/stablecoins/utility coins?
MM:
Os movimentos recentes me fazem crer que sim e eles incluem as Moedas Digitais de Bancos Centrais (CDBCs, na sigla em inglês) e os casos de tokenização bem sucedidos realizados pelo MB Digital Assets com consórcios e precatórios e pelo banco BTG com o ReitBZ. As CDBCs são um movimento forte e sem volta, com a China liderando essa frente através do iuan digital, que já tem mais de 80 milhões emitidos para efeito de teste. A tokenização de ativos reais é outro, em que a paridade digital traz um aumento de liquidez ao ativo tokenizado, o que não seria possível de outra maneira. O movimento “tokenize everything” vai mudar a experiência de posse dessa e das próximas gerações.


BN: Como você imagina blockchain em 12 anos ou nos próximos anos? 
MM: Creio que nos próximos anos as tecnologias blockchain passarão a ser encaradas como aquilo que são: tecnologias de infraestrutura programáveis que incorporam mecanismos de confiança para a realização de trocas de valor no ambiente digital. A partir do momento em que os mercados entenderem esse aspecto, aí teremos de fato uma ampla utilização dessas tecnologias de maneira que não mais falaremos delas como algum feito de mágica, mas serão tratadas como hoje tratamos o TCP/IP (Protocolo de Transmissão de Comunicação/Protocolo de Internet) das nossas máquinas.

B3 e IRB Brasil Resseguros lançarão plataforma blockchain em 2021

A B3 e o IRB-Brasil Resseguros vão lançar, em 2021, uma plataforma blockchain para conectar corretores, seguradoras e resseguradoras, para realização digital de contratos de seguros e resseguros. Será a primeira em blockchain no setor, segundo a B3. A rede usará a Corda, da R3, e tem potencial para ser uma das maiores do mundo com essa solução.

A parceria vai permitir operações em tempo real de um mercado bilionário – em 2019, só as seguradoras arrecadaram R$ 270 bilhões, excluindo os segmentos de saúde e o DPVAT.

A BBChain, que desenvolve soluções blockchain, também foi escolhida para participar do projeto.

A adoção de DLT em seguros poderá ser quase uma revolução na maneira como o setor operada. Com frequência é apontado como um dos que mais tem potencial para uso de blockchain, porque é pouco digitalizado, as operações envolvem muito papel, idas e vindas de elaboração e aprovação de documentos – ou seja, confirmações de confiança – , diversos participantes no processo e muito dinheiro nos contratos.

Precisa de aprovação

Segundo o comunicado assinado pelo Vice-Presidente Executivo Financeiro e de Relações com Investidores do IRB, Werner Romera Süffer, o projeto poderá estar sujeito à apreciação dos órgãos reguladores, “a depender do desenvolvimento a ser realizado”.

“Trabalhamos isso há mais de um ano, disse ao Blocknews Felipe Chobanian, co-fundador e CEO da BBChain. A rede, segundo ele, permitirá transações em tempo real, indo de ponta a ponta nas transações, da cotação à gestão de risco de seguro.

A B3, recentemente, iniciou a operação de uma plataforma de tecnologia de registro distribuído (DLT) para registro de duplicatas, com outras três registradoras. A tecnologia também é a Corda, da R3, e a BBChain também participou do projeto.

Um dos pontos mais interessantes do comunicado da B3 é que a bolsa, que se auto-intitula uma empresa de infraestrutura do mercado financeiro, afirma que a parceria faz parte da estratégia de diversificação dos seus negócios e “visa ampliar e fortalecer a oferta de soluções da B3 no mercado de seguros e resseguros”, diz Daniel Sonder Vice-Presidente Financeiro, Corporativo e de Relações com Investidores da bolsa no comunicado.

O IRB foi a primeira empresa da América Latina a fazer parte da B3i, um consórcio global de seguradoras e resseguradoras que desenvolve soluções DLT para o setor.

Mais sobre a B3 e blockchain em:

B3, Cerc, CIP e CRDC colocam em operação plataforma blockchain de registro de duplicatas

Digitalização levará 50% dos profissionais a passar por requalificação até 2025

Profissionais com algum tipo de dificuldade em auto-gerenciamento, aprendizado ativo, tolerância ao estresse e flexibilidade devem ficar muito atentos. Essas são algumas das habilidades que empregadores indicaram dentre as principais na terceira edição do relatório Futuro dos Empregos (Future of Jobs Report), do World Economic Forum (WEF).

Além disso, o relatório aponta que metade dos profissionais terão de passar por algum tipo de requalificação até 2025 por conta da aceleração tecnológica provocada pela pandemia do Covid-19.

A estimativa é de até 2025, 85 milhões de empregos sejam perdidos por conta da substituição de pessoas por máquinas, mas 97 milhões de empregos podem ser criados ou adaptados para uma nova divisão de trabalho que inclui pessoas, máquinas e algoritmos.

These are the top 10 skills for 2025.Image: World Economic Forum

“Temos as ferramentas a nossa disposição. Os retornos da inovação tecnológica que definem esta era podem ser impulsionados para desencadear o potencial humano”, diz Klaus Schwab, fundador e chairman executivo do WEF.

Segundo o Futuro dos Empregos (Future of Jobs Report), quem não tem essas habilidades pode consegui-las com treinamentos de no máximo seis meses.

Pensamento crítico e capacidade de resolver problemas continuam na lista desde a primeira edição, em 2016.

Prêmio Digitalks | Profissional do Mercado Digital tem categoria blockchain; votação é até dia 28

A 7ª edição do Prêmio Digitalks | Profissional do Mercado Digital está aberto até o próximo dia 28 para a indicação de profissionais. São 13 categorias e uma delas é blockchain.

Para indicar um profissional, basta acessar o link Prêmio Digitalks 2020

Serão eleitos 3 finalistas de acordo com os mais indicados e com a avaliação do júri, com base nos projetos desenvolvidos pelos indicados. A segunda fase será a de votação popular para escolha de um vencedor em cada categoria. A premiação irá acontecer no Digitalks Global Summit, no dia 15 de dezembro, em evento online.

Não é necessário preencher todas as categorias, mas é importante responder todos os itens do profissional da categoria indicada.

BBChain é primeira brasileira em novo grupo de parceiros criado pela R3

A R3 criou um programa global de parceiros para treinar e educar essa rede em sua solução Corda e promover o desenvolvimento de soluções e serviços da plataforma Corda para o mercado. A startup brasileira BBChain, que desenvolve soluções usando Corda, é a única brasileira no lançamento do grupo.

A iniciativa, chamada de Partner Connect, dará apoio a vendors independentes de software (ISV), integradores de sistemas e operadores de redes de negócios que desenvolvem aplicados em Corda.

Também estão neste grupo inicial empresas como Accenture, Capgemini, Cognizant, Deon Digital e Nasdaq e novos membros entrarão em 2021.

“A R3 tem um grande número de parceiros estratégicos globalmente e vários no Brasil. A BBChain é um dos nossos parceiros de destaque e foi responsável pela implementação do Corda Enterprise no projeto de interoperabilidade das registradoras de duplicadas com a B3, CERC, CIP e CRDC, lançado em agosto”, disse ao Blocknews Keiji Sakai, diretor-geral da R3 no Brasil. 

O objetivo com essas alianças estratégicas é expandir a adoção do Corda Enterprise nas mais distintas indústrias onde acreditamos que atransformação digital será impulsionada com a tecnologia blockchain, completou Keiji.

“Fazer parte desse seleto grupo consolida o posicionamento do Brasil, representado pela BBChain, como referência no desenvolvimento de soluções de alcance global baseadas na tecnologia Corda”, disse ao Blocknews Felipe Chobanian, co-fundador da empresa.

Até agora concorrentes, IBM e R3 fecham parceria para oferta de Corda no IBM LinuxONE

A IBM e a R3, duas das principais concorrentes em soluções blockchain no mercado global e que trabalham com plataformas distintas, fecharam um acordo para que a “Gigante Azul” forneça a rede Corda Enterprise da R3 a seus clientes no IBM LinuxONE, em nuvem híbrida – em premissas e IBM Cloud.

A R3 gerou um programa beta aberto para a Corda estar no IBM LinuxONE. Isso começa a funcionar no próximo dia 2 de novembro. A previsão é que a disponibilidade-geral comece no primeiro trimestre de 2021. O serviço se dará por meio do IBM Cloud Hyper Protect Services.

“As conversas sobre uma parceria estavam acontecendo já há um bom tempo, inclusive aqui no Brasil”, disse ao Blocknews Keiji Sakai, diretor-geral da R3 no país.

Centro de excelência R3 na IBM

Até então, a IBM trabalhava basicamente com a Hyperledger, iniciativa open source ligada à Fundação Linux. A R3, que de consórcio de bancos se tornou uma empresa, criou a solução de tecnologia de registro distribuído (DLT) Corda. Essa última, é muito associada a clientes financeiros – embora já tenha se expandido para outros setores -, que buscam mais privacidade em suas operações.

O acordo inclui ainda um centro de excelência R3 da IBM Services, devido ao aumento das oportunidades no mercado de nuvem híbrida, disse o comunicado das empresas. O objetivo será prover serviços como treinamento e consultoria de design para clientes que pretendem ou planejam usar soluções Corda.

“É um centro para inovar e incubar ideias de clientes e casos de uso”, disse Jason Kelley, gerente geral do IBM Blockchain Services. O centro de excelência dará maior poder aos clientes para subir o nível de suas transformações digitais, afirmou David Rutter, CEO da R3.

Acordo já era negociado há algum tempo também no Brasil, diz Sakai, da R3.

“A parceria com a IBM na região aumenta o leque de opções de utilização da nossa plataforma Corda Enterprise, com alguns diferenciais super relevantes – o IBM Hyper Protect Service, além da IBM Cloud e o LINUX-ONE, que já são amplamente utilizados no mundo corporativo”, afirmou Sakai.

  Além disto, a IBM vem capacitando e certificando sua equipe de arquitetos e engenheiros de software em CORDA.  Estes profissionais serão de extrema importância para direcionar e implementar soluções CORDA na base de clientes que a IBM tem na América Latina.

Por enquanto, nenhum dos dois lados fala em aquisição de uma pela outra no futuro. E também não se deu informações sobre como funcionará o marketing.

Interoperabilidade

A IBM já tem outros acordos nessa área e participa de diferentes iniciativas que estudam soluções blockchain. O acordo com a R3 pode ser um novo passo em direção à interoperabilidade entre infraestruturas.

Blockchain, por princípio, deve ser utilizada pelo maior número de stakeholders de um negócio, com a conversa de participantes de uma ou várias cadeias de fornecedores de produtos e serviços. Esse é um formato ainda distante no mundo dos blocos.

Para a Gigante Azul, o acordo adiciona uma solução que atrai setores como o financeiro, no qual já perdeu concorrências para a R3. A R3, por sua vez, se alia a um dos maiores provedores do segmento no mundo e que conta com outras soluções que podem interessar às empresas.

Nova York de olho

O setor financeiro pode parecer lento na adoção de DLT, mas é fato que está aumentando seu uso e Nova York, por exemplo, está cada vez mais convencida de que tecnologias como essa são o futuro do setor. Se NY abraçar a causa, pode arrastar o restante do planeta para o mesmo caminho.

A IBM LinuxONE e IBM Cloud Hyper Protect Services já oferecem um serviço de interesse de quem tem dados muito sensíveis para proteger, o Confidential Computing . Isso também pode interessar à R3.  

Agenda: CordaCon, inovação e Blockchain Revolution Global

CordaCon – O CordaCon, evento anual da R3, continua hoje (21) e amanhã (22). Neste ano, é online e gratuito. Os painéis abordarão o uso de DLT em setores como seguros, comércio exterior (a plataforma Marco Polo), tokens para pagamentos, moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), aplicação no mercado de carbono, títulos de governo e identidade digital. Informações em Cordacon.com.

Inovação – A Movements realiza hoje (21) o Webinar #02 – Inovação pra que? O tema é Porque falamos tanto sobre inovação? Isso é realmente importante? Dê onde vem a inovação? Hoje, entre 19h e 20, serão discutidos conceitos e esclarecimento de dúvidas sobre o programa de aprendizagem Inovação, Metadesign e Complexidade. Inscrição pela plataforma Sympla.

Blockchain Revolution Global – O maior evento do Blockchain Research Institute, e um dos maiores do mundo sobre blockchain, acontece entre 26 e 30 de outubro e desta vez terá painéis brasileiros. Serão 12 trilhas sobre temas como serviços financeiros, cidades inteligentes, plataformas e transporte e comércio. Informações e inscrições em Blockchainrevolution.com.


JBS lança programa que inclui blockchain para rastrear gado da Amazônia

Acusada em 2017 de vender carne de gado criado em áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia, a JBS anunciou hoje o lançamento do ‘Juntos pela Amazônia’, um programa que usará blockchain para a verificação da origem da carne e com um fundo para incentivar a conservação e o desenvolvimento do bioma da Amazônia.

Por conta de produção na Amazônia, clientes em outros países deram o recado e seus governos afirmaram que não comprariam carne vinda ilegalmente da floresta. Investidores estão cada vez mais atentos a esses movimentos, que ao final podem ter impacto no balanço financeiro das empresas.

O uso de blockchain tem sido citado por ambientalistas como uma forma de garantir que produtos sejam rastreados para que não venham de áreas de desmatamento ilegal.

Blockchain é a parte crucial

O programa do frigorífico tem quatro pilares: desenvolvimento da cadeia de valor, conservação e reflorestamento da floresta, apoio às comunidades e desenvolvimento científico e tecnológico.

No primeiro pilar – o mais crucial em relação ao negócio da JBS – , será usada blockchain para registro e checagem de informações sobre o gado em etapas anteriores à dos fornecedores diretos. Será feita uma campanha para que os fornecedores entrem na sua Plataforma Verde.

A empresa diz que analisa mais de 50 mil propriedades de fornecedores de gado para sua produção na região amazônica, uma área maior do que a Alemanha.

Os outros três pilares serão operacionalizados com o Fundo JBS para a Amazônia. Serão investidos R$ 250 milhões nos próximos 5 anos e espera-se conseguir contrições de terceiros, elevando o valor para US$ 1 bilhão em 2030.

O fundo será dirigido por Joanita Maestri Karoleski, ex-CEO do também frigorífico Seara. O conselho consultivo terá profissionais como Carlos Nobre, cientista e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Caio Magri, CEO do Instituto Ethos, Marcelo Britto, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e o presidente do Carrefour, Noël Prioux.

Indústria brasileira prevê mais de 3 anos para adotar tecnologias 4.0

Deve levar mais de 3 anos para que a indústria brasileira adote de forma disseminada tecnologias que a farão entrar no mundo 4.0. Mas no agronegócio, as tecnologias da informação e inteligência artificial já são uma realidade. Essas são duas das várias conclusões do estudo Radar Conecte-se ao Novo | 2020, que o CPQD acaba de lançar.

O centro de inovação conversou com executivos, acadêmicos e analistas de diversos setores e em diversas posições corporativas para fechar um diagnóstico sobre a maturidade, o potencial de impacto e a perspectiva de adoção de 28 tecnologias no país no pós-pandemia. As tecnologias são as consideradas relevantes hoje e no futuro.

De acordo com o relatório, o setor de telecomunicações prevê usar inteligência artificial (IA) em até dois anos, se estiverem maduras nesse prazo. E os governos indicaram que vão usar mais ferramentas tecnológicas, algo que já tem sido visto.

As tecnologias foram divididas conforme seus setores de atuação: rede e conectividade; Ia; confiança, privacidade e segurança – na qual está blockchain – , computação avançada; mobilidade e veículos autônomo; e IoT e dispositivos Inteligentes.

Prazo de adoção para a maioria é de até 5 anos. Fonte: Radar

Segundo os entrevistados, em confiança, privacidade e segurança: “há setores que não perceberam a necessidade da proteção de suas transações ou da possibilidade de ampliarem seus negócios com a adoção de tecnologias nesta área”, diz o estudo.

Essa tem sido uma percepção clara tanto de quem trabalha com blockchain, quanto de especialistas em segurança cibernética. As empresas – e seus funcionários – ainda não se deram conta da importância de proteção de dados em níveis elevados.

Em relação a blockchain, é vista por 33% como uma tecnologia nascente e por 29% como inicial. Além disso, 37% dos entrevistados avalia que é uma tecnologia de alto impacto, enquanto 21% a considera disruptiva e 28% avalia como médio impacto. Para 33%, o prazo de adoção no país está em até 2 anos e para 41% em de 3 a 5 anos.

Mais sobre tecnologia na indústria em:

Falta de crédito e de sensibilidade das indústrias emperram uso de tecnologia 4.0