Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Multiledgers lançará plataforma em blockchain única no mundo

Nas próximas semanas, a Multiledgers vai anunciar sua plataforma IaaS (Infrastructure as a Service) e BaaS (Blockchain as a Service) para testes pelas empresas. Segundo a startup, essa é a única plataforma no mundo em governança duas funções em blockchain.

A Multiledgers busca soluções e faz a gestão da infraestrutura computacional das empresas. Para isso, conecta fornecedores de infraestrutura global de cloud aos seus clientes. Isso permite buscar as melhores relações custo/benefício.

 Além disso, “tudo é feito em blockchain e com isso os clientes têm uma clara noção do que estão contratando, do investimento feito e das tarefas executadas”, disse ao Blocknews o CEO da empresa, Pedro Souza. Além de redução de custos, há uma flexibilidade operacional maior da infraestrutura de TI das empresas.

A plataforma permite implantar e gerenciar diferentes protocolos, tecnologias e plataformas que integram redes de provedores de nuvens, blockchain e DLT (distributed ledger technology). A empresa, de segurança da informação, pretende atender clientes de diferentes setores.

“Em 2019 tivemos várias POCs (provas de conceito), parcerias e testes. 2020 é o ano da consolidação”, afirmou Henrique Klier, diretor de desenvolvimento de negócios da Multiledgers.

 A empresa tem 15 projetos em andamentos e um deles é com o Banco Maré, fintech do Rio de Janeiro focada num projeto de impacto social. A Multiledgers também foi uma das apoiadoras do Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (Lift), iniciativa do Banco Central e da Federação Nacional das Associações dos Servidores do Banco Central (Fenasbac), que resultou em 17 projetos em inovação que chegaram a finalizar o desenvolvimento de protótipos.

A Multiledgers já se internacionalizou, mudando sua sede para Delaware, nos Estados Unidos.

Começar pequeno em blockchain também gera valor, afirma Stefanini

A Stefanini, empresa referência em soluções digitais, acredita que o desenvolvimento de projetos pequenos de blockchain podem ser um bom começo para deslanchar o uso dessa tecnologia em empresas.  

“Isso fecha buracos, gera bom retorno, não assusta o usuário e nem o expõe ao risco”, afirmou ao Blocknews o vice-presidente executivo global da empresa, Ailtom Nascimento.

Instituições como o Bradesco começaram a assim, testando a tecnologia para transferências entre o Brasil e o Japão e entre o país e suas filiais em Nova York e Ilhas Cayman.

Nascimento espera que em 2020, o país comece a soltar o freio de mão da transformação digital, que foi principalmente afetada pela crise econômica dos últimos anos e, em alguns casos, por receio de usuários do que é novo. Empresas e governos devem considerar blockchain nessa virada, se querem benefícios como aceleração de processos e redução de custos, completou o executivo, afirmou.

No caso de blockchain, tem ainda os casos de quem confunde a tecnologia com criptomoedas como bitcoin e acha que é isso que vai entrar na empresa.

A Stefanini faz a arquitetura e desenvolvimento dos projetos. Tem iniciativas em áreas como trade finance e transferências internacionais de moedas, com ações de backoffice de gestão de documentos, por exemplo, que podem ser digitalizados e validados com hashses. 

“Mas queremos ir além”, afirmou. Um exemplo é que a Stefanini criou um grupo de trabalho com a bolsa de valores brasileira, a B3, para tratar do uso da blockchain e de projetos para o sandbox da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Fora do financeiro, Nascimento também vê potencial da blockchain em cadeias produtivas longas, como a indústria automotiva, conectando fornecedores e as montadoras. Em casos assim, o uso de tokens – espécie de fichinha da quermesse que representa um valor – poderia também ser aplicado para facilitar as transações.

Isso abriria a possibilidade, por exemplo, de se trocar apenas saldos entre agentes da rede – você paga ou recebe o saldo entre o que comprou o que vendeu.

A criação dos tokens é considerada a fase seguinte à da criação das moedas criptografadas e em 2019 foi vista como o próximo grande passo. O uso em projetos de empresas e sociais têm crescido em todos os cantos do mundo. Em casos como o citado por Nascimento, circula entre os membros de uma rede permissionada especifica de blockchain e, portanto, não é especulativa.  

Para o VP da Stefanini, blockchain deveria também ser considerada em planos de desburocratização. Setores altamente regulados poderiam se tornar mais simples e menos custos. “Há setores em que a regulação não permite a inovação.”

É uma opinião semelhante à de Dante Disparte, Vice-Chairman da Associação Libra, que está estruturando o lançamento da stablecoin (lastreada em títulos de governos) do Facebook. Os governos precisam estar atentos para não impedir que inovações sejam barradas por regulações, diz ele. “Regulem a atividade, não a tecnologia”, diz Disparte.  

No exterior, há iniciativas como a de para registros de imóveis, o que torna o processo mais transparente, mais barato e mais rápido.

A Stefanini é considerada uma das 5 empresas mais internacionalizadas do país pela Fundação Dom Cabral (FDC). Está presente em 41 países, incluindo Estados Unidos, Austrália, Singapura, Reino Unido e Espanha. Em 2019, faturou cerca de US$ 3,3 bilhões.

Facebook abre 33 vagas para a Calibra, carteira da Libra

Numa demonstração de que está progredindo na parte técnica de lançamento da stablecoin Libra, o Facebook abriu 33 vagas de emprego para o projeto Calibra, a carteira digital da moeda. As vagas são principalmente técnicas, como as de engenheiro de dados, cientista de dados e para a área de segurança e em algumas o conhecimento de blockchain está logo na descrição da posição. Mas tem também vagas em comunicação e compliance, por exemplo.

Das 33 vagas, 22 são na sede do Facebook em Menlo Park (Califórnia), 1 em Sunnyvale (Califórnia) e outras 7 em Tel-Aviv (Israel), 2 em Dublin (Irlanda) e 1 em Seul (Coréia do Sul).

É um prato cheio para quem quer trabalhar com blockchain e num projeto novo em folha que pode mudar o sistema de pagamentos internacional. A previsão oficial é de que a Libra será lançada ainda neste ano, mas a Associação Libra afirma que só fará o lançamento nos mercados em que a moeda for regulada. E isso pode atrasar os planos.

As vagas estão em http://bit.ly/37KqlJJ

Blocknews faz parceria com Blockchain Economía, site da Espanha

O Blocknews já nasceu com uma parceria de conteúdo com o Blockchain Economía, site espanhol também especializado na cobertura do uso de blockchain em empresas, governos e projetos socias. A Espanha tem diversas iniciativas de uso da tecnologia e se destacado na União Europeia (UE). Tanto que em 2019 foi uma das organizadoras da primeira edição do Convergence – The Global Blockchain Congress, maior evento sobre a tecnologia, que teve como organizadora também a UE.

A fundadora do Blockchain Economía é Susana Blázquez, experiente jornalista de economia e negócios, que fez sua carreira no El País.   

Blocknews e Blockchain Economía vão fazer um intercâmbio de conteúdo, já que ambos compartilham do objetivo de falar de economia digital e blockchain. Queremos contribuir para o desenvolvimento dessa tecnologia, porque ela pode revolucionar diversos processos, trazer mais eficiência, transparência e inclusão social.

Ontem, o Blocknews publicou uma reportagem do Blockchain Economía sobre uma prova de conceito (POC) para o uso de dinheiro solidário digital para dar suporte à ONG Salva un Cavallo (Salve um Cavalo).  De seu lado, o Blockchain Economía noticiou a estreia do Blocknews e as suas principais notícias do dia, como as entrevistas exclusivas com o Vice-chairman e Head de Políticas e Comunicações da Associação Libra, Dante Disparte, e com o diretor de Roberto Medeiros Paula, diretor da área internacional do Bradesco.

Empresas precisam de regras, diz especialista

Iniciativas do governo são necessárias para que a blockchain se desenvolva entre as empresas de um país. A afirmação é do italiano Enrico Camerinelli, que assessora empresas interessadas em usar a tecnologia. “É verdade que a definição inicial de blockchain é a de que não é preciso ter intermediários para realizar operações, uma vez que elas são validadas pelo sistema. Mas são necessárias regulações para se estabelecer as regras, uma vez que estamos falando de transações comerciais e de uso de contratos inteligentes”, afirmou ao Blocknews.

É fato que para um negócio ser sustentável, vale pouco resolver um problema de processo com uma tecnologia nova, por exemplo, e depois ter de prestar contar à justiça ou aos reguladores.

“Nesse sentido, a União Europeia (UE) parece estar indo no caminho certo”, afirma o especialista. Em primeiro lugar, não faz muito sentido ter iniciativas específicas em países, é preciso olhar blockchain por um ângulo internacional, porque a natureza da tecnologia é a de cruzar fronteiras, diz o especialista. Além disso, a falta de regulação deixaria muitas startups e empresas felizes e facilitaria as provas de conceito (POC), mas daí a transformá-las em operacionais, seria uma outra história, completa.

Sobre a UE há ainda um ponto: o bloco está acostumado a criar regras de boa convivência entre seus membros, por isso, a construção das regras para blockchain em empresas na região pode ter mais apoio do que em outros mercados. O interesse do bloco em tentar não ficar para trás na tecnologia está explícito na criação do European Blockchain Observatory and Forum para acelerar o desenvolvimento do ecossistema na região.

Mas assim como em qualquer lugar do mundo, há um obstáculo importante quando se fala em blockchain em empresas na Itália e me touros países europeus em que Camerinelli transita. Muita gente não sabe bem o que é a tecnologia e em quais casos usá-la. “Há ainda muita confusão. Tem quem confunde com Distributed Ledger Technology (DLT, a tecnologia distribuída de livro razão).” E tem quem está fazendo projetos em blockchain, mas pede para não torná-los públicos, porque receia que os menos entendidos achem que a empresa está investindo em criptomoedas, que carregam o estigma de serem algo instável. É por isso que neste momento, educação é fundamental, diz o assessor que também é professor nos cursos da 101 Blockchain, de Israel.

Mas quem adota blockchain, diz ele, se depara com o benefício de pensar fora da caixa, com novos modos de fazer as coisas e de fazer coisas novas com o que a tecnologia pemite além das tradicionais. Há um outro ponto crucial: maior colaboração com seus parceiros de negócios. E o fato de que mesmo adotando a tecnologia, pode-se continuar usando os sistemas tradicionais, há um aumento da sustentabilidade do negócio.

O lado ruim? Muitos protocolos não se falam, o que é comum em novas tecnologias. É preciso também investir em formas de aumentar a eficiência reduzindo o consumo de energia para as provas de conceito. Mas faz uma ressalva em relação à visão habitual sobre esse ponto: “há uma ineficiência no uso de energia, mas não é tão perigosa como se supõe”.

Twitter investe em mídia social descentralizada

Jack Dorsey, CEO do Twitter, anunciou hoje que a empresa está patrocinando um time de cinco arquitetos de código-fonte aberto, engenheiros e designers para o desenvolvimento de uma mídia social de padrão aberto e descentralizado.

A ideia é que o Twitter use esse sistema. “Queremos que esse time encontre um padrão descentralizado já existente para levar adiante ou, se não conseguir, que crie um. Esse é o único direcionamento que nós do Twitter vamos dar”, disse Dorsey.

Segundo o executivo, novas tecnologias emergiram para tornar a descentralização mais viável e a blockchain aponta para uma série de soluções para o armazenamento, governança e monetização aberta e durável.

Além de desenvolver um padrão descentralizado para as mídias sociais, o grupo deve construir uma comunidade aberta que vai incluir empresas, organizações, pesquisadores, sociedade civil e quem mais pensa sobre as consequências desse modelo.

ALGORITMOS PROPRIETÁRIOS

A previsão é a de que esse trabalho durará anos para chegar a um padrão que possa ser usável e escalável e que solucione diversos desafios.  O executivo justificou o investimento afirmando que soluções centralizadas têm dificuldades para resolver novos desafios.

Outra questão é que o valor das mídias sociais está de armazenamento e exclusão de conteúdo, para o direcionamento das pessoas por meio de algoritmos.

“Infelizmente, esses algoritmos são tipicamente proprietários e ninguém pode escolher ou desenvolver alternativas. Ainda”. Por fim, as mídias sociais, com frequência, geram atenção em conteúdos e conversas que envolvem controvérsia e raiva, ao contrário dos que informam e promovem a saúde.

“O Twitter era tão aberto no começo que muitos viram seu potencial para ser um padrão de internet descentralizada, como o SMTP (o protocolo usado para envio de e-mails). Por uma série de razões, que na época faziam sentido, tomamos um caminho diferente e aumentamos a centralização. Mas muito mudou nos últimos anos”, disse o CEO em sua conta no Twitter.  

Essa iniciativa, segundo Dorsey, vai permitir ao Twitter acessar e contribuir num grupo maior de conversas, focar os esforços em algoritmos de recomendação aberta, que devem levar a conversas mais saudáveis, e vai forçar a empresa a ser mais inovadora.

Deloitte terá laboratório de blockchain no Brasil

A Deloitte Brasil vai inaugurar em São Paulo, no início de 2020, um laboratório para desenvolvimento e provas de conceito de soluções que usam a tecnologia blockchain. Com isso, a cidade se junta à rede de laboratórios que começou a ser criada em 2017 e inclui Dublin (para EMEA), Nova York (Americas) e Hong Kong (Ásia). “Estamos montando um time multidisciplinar de 20 pessoas focadas em blockchain, com profissionais de áreas como jurídica, fiscal, programação e codificação”, afirma Raul Miyazaki, diretor de Serviços Financeiros da Deloitte.

No uso da blockchain, um time multidisciplinar é necessário porque se trata de uma tecnologia que abrange diversas áreas de uma empresa. Mas não só isso. Para habilitar algo novo que não tem regulação, cuidar muito bem da governança e de questões fiscais e jurídicas são necessárias para evitar que os projetos não avancem por estarem fora das regras existentes, completa o executivo.

Uma pesquisa qualitativa da Deloitte com altos executivos mostra interesse razoável do Brasil na tecnologia, mesmo que os profissionais não entendam sobre o assunto em profundidade. Dos 103 entrevistados brasileiros para a 2019 Global Blockchain Survey, 79% indicou que blockchain está entre as 5 prioridades estratégicas nos próximos 2 anos. Quando questionados sobre a possibilidade de investirem no uso em 12 meses, mais de 90% responde que há essa possibilidade, sendo que um terço fala em investir de US$ 500 mil a US$ 1 milhão.

Acontece que Blockchain gera ainda muitas dúvidas e receios, sendo uma tecnologia tão nova e que implementa uma mudança significativa na forma de empresas trabalharem com outras que fazem parte de seus negócios, como produtores, fornecedores, distribuidores, transportadores e agentes aduaneiros. Por conta disso, não surpreende que a pesquisa, tanto global, quanto no Brasil, mostre que a maior barreira de adoção seja o receio de que a adaptação e a integração dos sistemas interrompam os negócios – ou seja, mudar e haver panes.

A segunda barreira, também aqui e fora, é a insegurança, apesar de ser uma tecnologia que coloca no chinelo boa parte do que existe no mercado. “Mas como envolve compartilhamento de dados com terceiros, há receios sobre estratégias do negócio e outras questões, como adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), diz Miyazaki.

A terceira barreira é capacitação. Difícil encontrar profissionais especializados e as empresas estão treinamento seus funcionários, em geral com apoio de especialistas externos. Essa é uma observação clássica de quem está investindo em blockchain. A Superintendência de Seguros Privados (Susep), por exemplo, que está investindo num time poder para tomar decisões regulatórias e estudar a aplicação da tecnologia, também comentou, num evento recente de seguros, que pessoal capacitado é uma barreira a vencer. 

Setor de seguros flerta com blockchain

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) está fomentando um time interno de pesquisadores sobre o uso de blockchain, para tomar decisões regulatórias e estudar a aplicação da tecnologia pela própria autarquia. Por enquanto, a decisão é deixar o mercado se desenvolver e encontrar suas soluções. “Uma regulação agora pode sufocar o setor”, afirmou Leonardo José de Carvalho, Chefe do Departamento de TI e Comunicação da Susep, durante o 13º Insurance Service Meeting, promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), nesta quarta-feira (6), em São Paulo. 

Blockchain é uma tecnologia que permite gravar, compartilhar e rastrear informações, como transações financeiras, contratos, dados logísticos e origem de produtos, numa rede distribuída. Surgiu com a criptomoeda Bitcoin, mas as empresas perceberam seu valor e decidiram experimentar.

Entre as suas principais características estão o compartilhamento entre todos os participantes da rede ao mesmo tempo, o fato de os dados registrados serem imutáveis, evitando fraudes, e transparência. Por isso, pode ajudar a indústria de seguros a se tornar mais ágil e mais confiável, o que não é pouca coisa para quem enfrenta a concorrência de insurtechs e de atores de fora do mercado.

O contato com essa inovação ainda engatinha no Brasil. O setor de seguros está aquém do financeiro, que viu e ainda vê na blockchain uma ameaça, mas estudou onde poderia usá-la e está fazendo isso em diversas iniciativas. Porém, a questão não é simplesmente usar blockchain. “Não se pode buscar um problema para uma tecnologia”, disse Denise Ciavatta, diretora de TI da HDI Seguros. O importante é entender qual é a dor do cliente e a melhor tecnologia para acabar com essa dor. Blockchain serve para muita coisa, mas não para tudo.

Faltam profissionais

“A recomendação de quem já usa blockchain é começar com um projeto pequeno, explorar um processo para ser ver se ele encaixa no que a empresa precisa”, disse Lucas Aristides Mello, diretor de Inovação & Estratégia do IRB Brasil RE. É assim mesmo que a tecnologia está sendo usada pela maioria das empresas. Idealmente, essa tentativa deve desembocar uma grande rede de players.

Para inovar, a Susep reconhece que terá de enfrentar desafios como integrar uma nova tecnologia com o seu legado, conseguir a coexistência com soluções existentes e, no caso de blockchain, ter pessoal que entenda do assunto. Adotar a apólice eletrônica em blockchain, por exemplo, gera questões de governança.

A autarquia está repensando a arquitetura do Formulário de Informações Periódicas (FIP), que é cara e pesada, e entende que é preciso simplificar a comunicação com o mercado e as regulações, afirmou Carvalho. A Susep está conversando com a R3, consórcio global que desenvolve a plataforma open source Corda. Sendo um membro, poderá acessar as experiências que deram certo e às que deram errado.

IRB Brasil no B3i

O IRB Brasil Re se associou ao B3i, consórcio global de seguradoras que desenvolvem soluções em blockchain. Foi a primeira empresa da América Latina a se juntar ao grupo. Em janeiro de 2020, deve ser lançado o primeiro produto do consórcio, um resseguro de Excesso de Danos Catastróficos (Catastrophe Excess of Loss), que é um seguro complicado, envolvendo muitas empresas para se fechar um contrato, disse Mello.

A tecnologia de registro distribuída (DLT), como blockchain, permite que todos estejam conectados ao mesmo tempo, reduzindo, por exemplo, drasticamente o número de mensagens trocadas. Esse novo resseguro é global, mas no Brasil não tem mercado, porque se trata de questões como terremotos e tsunamis.

Para Mello, as empresas precisam levar em conta que o conceito de transação como conhecemos hoje vai desaparecer e os princípios de blockchain se encaixam nas dores dos clientes das seguradoras. Sua recomendação: a experiência do cliente de seguros não é boa por questões como custo e dificuldades na hora da contratação, por isso, as seguradoras devem fazer como empresas do GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft), ou seja, ter o cliente como foco. “Fechei um seguro e me perguntaram se meu portão era manual ou elétrico. Isso em pleno 2019”, completou.

Blockchain no Canadá: falta profissional e salário é alto

Saiu o primeiro estudo do ecossistema de blockchain de um país, no caso, o Canadá, de Vitalik Buterin, fundador do Ethereum. Dentre os achados está a falta de profissionais e os altos salários. O Canadian Blockchain Census 2019 Part I é do Blockchain Research Institute (BRI) e da Câmara de Comércio Digital do Canadá, com 158 empresas, governos, startups e acadêmicos.

Há uma corrida no mundo para saber quem vai ser o líder global de blockchain, disse Don Tapscott num artigo.

Alguns dos dados do censo são:

• O salário anual em blockchain é de 98 mil CAD, cerca de R$ 300 mil, dobro da média do país, e 60% dos contratados vêm do exterior;

• Há mais de 400 empresas com foco em blockchain, sendo 50% em Ontário;

• 30% delas oferecem produtos baseados em blockchain, 26% oferecem consultoria, 26%, infraestrutura e aplicações;

• Investimentos no Canadá deverão ter crescimento anual composto em 5 anos de 73%, o maior do mundo, atingindo US$ 644 mi;

• Além da falta de profissionais, os entrevistados apontaram como dificuldades as questões regulatórias e legais; falta de financiamentos – Buterin lançou Ethereum na Suíça – e restrições de bancos e auditorias em trabalhar com um segmento que acham criminoso. O estudo está em