Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Eventos: Semana tem fórum da OCDE e webinar da Growth Tech sobre blockchain e open banking

Fórum Global da OCDE

Começa hoje (16) e vai até sexta-feira (20) o Global Blockchain Policy Forum 2020 da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Devido à pandemia, neste ano o evento é online. As discussões incluem temas como finanças, uso da tecnologia pelos governos e identidade digital. Vanessa Almeida, responsável pela iniciativa de blockchain do BNDES, participa hoje do painel “Unlocking financing for biodiversity – The role of distributed ledger technology”. O painel vai das 12h40 às 11h30, horário do Brasil. Fernando Lavrado, CIO do banco, participa, nesta terça-feira (17), do painel “Blockchain as a service: Centralised infrastructure for a decentralised future” As inscrições para o evento ainda podem ser feitas pelo site https://bit.ly/2UJSOLr

Blockchain e open banking

A Growth Tech, que cria soluções em blockchain para o mercado imobiliário, realiza hoje (16), às 19h30, o webinar Open banking + blockchain: Mercados e perspectivas. A discussão terá a participação de Hugo Pierre, CEO da Growth Tech, Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin, Edísio Neto, CEO do Z.ro Bank, e Joaquim Campos, vice-presidente da IBM para IBM Cloud e Cognitive. O webinar será transmitido pelo canal da Growth Tech no YouTube, o bit.ly/YT_GT.

Blockchain for Energy é o novo nome de consórcio de empresas de óleo e gás

Blockchain for Energy é o novo nome do antigo OOC Oil & Gas Blockchain Consortium, que reúne empresas como Chevron, Exxon e Repsol. O objetivo do grupo, criado em 2019, continua o mesmo: construir uma rede de empresas que cooperem para a identificação e desenvolvimento de soluções para o setor, disse o consórcio num comunicado.

O grupo pretende agora focar atenção no desenvolvimento de soluções para as áreas de transporte de commodities, gerenciamento integrado de joint-ventures e soluções referentes a direitos sísmicos. segundo Rebecca Hofmann, chairman do Blockchain for Energy.

Leitor do Blocknews tem desconto no curso Blockchain & Smart Contracts na Prática

Leitores do Blocknews têm desconto no curso “Blockchain & Smart Contracts na Prática”, que acontece nesta terça-feira (17) e quarta-feira (18), das 19h às 21h30. As aulas serão online e cobrirão as características de uma rede blockchain, como tipos de rede, criação de blocos, criptomoedas e esquemas de pirâmides, e o que são os smart contracts, abordando pontos como a criação desses contratos inteligentes e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Haverá também simulações de atividades em blockchain.

O curso será dado por Daniele Remoaldo Pegoraro, secretária-geral da Comissão de Liberdade de Imprensa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e advogada-sênior da Fundação Cásper Líbero. “É um curso para quem quer conhecer, na prática, o funcionamento de blockchain e smart contracts, por isso, pode ser feito por iniciantes ou por quem tem algum conhecimento sobre o assunto”, diz Daniele.

As inscrições podem ser feitas pela plataforma Sympla em https://bit.ly/35BcUgW.  Para ter desconto de 10%, os leitores do Blocknews devem usar o cupom BLOCKNEWS2020. Quem fizer o curso terá acesso ao material usado e dicas.

Vivo e Santander implantarão em mais países redes blockchain que operam no Brasil

A Vivo vai expandir para mais países sua rede blockchain para monitoramento da cadeia de suprimentos de routers, que foi implantada no Brasil. A rede monitora desde os fornecedores dos centenas de componentes dos routers, que são chineses, até a instalação final na casa do cliente. A blockchain está em produção e registra mais de 2 milhões de movimentos do processo ao ano

“Podemos ver até os problemas dentro da equipe. Um router tem até 300 peças e podemos saber qual está ruim e sua procedência. Utilizamos os dados para melhorar os processos. Baixaram as queixas dos clientes e os custos da empresa”, afirmou Christoph Steck, diretor de Políticas Públicas e Internet da Telefónica na Espanha, durante a II Jornada Blockchain Economía, realizada pelo hub espanhol de informações Blockchain Economía, parceiro do Blocknews.

Durante o evento, o Santander também informou que o One Pay Câmbio, serviço de transferências internacionais em blockchain que já opera em seis países, incluindo o Brasil, será estendido para o México.

A cobertura completa sobre a expansão dos serviços da Vivo e do One Pay e sobre seus laboratórios para desenvolvimento de soluções em blockchain está no Blockchain Economía e o painel pode ser visto no vídeo abaixo.

Leitor do Blocknews tem 50% de desconto no ingresso do Blockchain Connect 2020

Os leitores do Blocknews têm 50% de desconto no ingresso de um dos maiores eventos sobre blockchain do país, o Blockchain Connect 2020, que acontece hoje (11) e amanhã (12), em versão online, a partir das 18h15h.

Para isso, o leitor deve acessar a página de inscrição e usar o cupom BLOCKNEWS50. Com ele, o ingresso custará R$ 39,50.

O Blockchain Connect 2020 terá três salas simultâneas com a discussão sobre blockchain em diversos setores e modalidades de uso, como segurança, identidade digital, tokenização, regulamentação e cidades inteligentes.

Corrente de Mulheres é o novo podcast do Women in Blockchain Brasil

O Women in Blockchain (WIB) Brasil, comunidade voltada ao apoio e inclusão das mulheres na nova economia, tem agora o podcast Corrente de Mulheres.

A apresentação e produtora do podcast é Liliane Tie, líder também do WIB Brasil.

Lançado em 21 de outubro, o podcast está no terceiro episódio e o último, disponível desde o último dia 1, inclui comentários sobre as reportagens do Blocknews sobre o mercado de trabalho em blockchain e a baixa participação das mulheres nesse segmento.

O programa está em que está nas plataformas Anchor, Spotify, Radio Public, Pocket Casts, Overcast e Breaker.

R3 premia grupos que desenvolveram soluções no Innovation Challenge da FIAP

Um plataforma para emissão, escrituração e comercialização de CBIO (Crédito de Descarbonização, cujo uso passará a ser obrigatório a partir de 2021), outra otimização dos processos de doação de órgãos, interligando hospitais parceiros, empresas de logísticas, bancos de doadores e o operador do BNO (Banco Nacional de Órgãos) e uma solução unificadora dos registros dos votos em formato de Livro-Razão e integrada ao órgão regulador. Esses foram os projetos que vencerem em primeiro, segundo e terceiro lugar do desafio proposto pela R3 no Innovation Challenge FIAP 2020.

Para os vencedores, a R3 ofereceu o suporte de sua área de Venture Development, liderada por Ivar Wiersma, para quem quiserem prosseguir com o desenvolvimento das aplicações.

O desafio reúne empresas de diferentes setores a propor desafios reais de negócios para que os alunos a desenvolverem soluções.

O desafio da R3 para os alunos de MBA em Engenharia de Software e Arquitetura de Soluções foi identificar uma oportunidade ou dor do mercado que pudesse ser resolvida com blockchain. O desafio era ainda formatar o modelo de negócio, desenvolver o protótipo da solução e demonstrá-lo.

Mas não era só isso. Era preciso sair do zero em conhecimento da plataforma Corda para, em três meses, entregar um CorDapp (Corda Distributed Application). “Nem todos os grupos conseguiram terminá-lo. Além disso, analisamos o fator inovador do projeto, a aplicabilidade no mercado local e comparamos com as demandas que temos recebido de nossos clientes”, diz o diretor de alianças estratégicas da R3, Nayam Hanashiro.

“Definimos quatro verticais: setor financeiro, seguros, energia e saúde”, completa Hanashiro. Diversas áreas da R3 apoiaram os alunos, que participaram também de uma sessão técnica.

Quem venceu

O primeiro grupo premiado, da plataforma para CBIO, foi formado por Albo Borges Vieira, Guilherme Augusto do Amaral, Marcelo Umberto Ferreira da Silva e Rainer Henrichsen. O segundo lugar, da solução para doação de órgãos, ficou com Jorge Rodrigues, Paulo Troyano e Rodrigo Nakamura de Brito. E Delcio Torres, Thiago Gonçalves, William Arsenio e William Medrades levaram o terceiro lugar com a plataforma para a melhoria nos processos de votação das empresas.

O que as plataformas fazem

O protótipo para CBIO tem um aplicativo que consome APIs de microsserviços e permite solicitar a emissão, a comercialização de créditos e conferir o extrato das transações.

A solução de banco de órgãos interliga hospitais, empresas de logísticas, bancos de doadores e o operador do BNO (Banco Nacional de Órgãos) e pode ser acessada via internet. Com Corda, cada membro participante da plataforma tem seu ledger atualizado a cada transplante realizado, com acesso apenas aos seus contratos.

A plataforma de votação em empresas permite a integração de portais de votação, garantindo a validade e a privacidade dos votos. A solução permite redução de custos e apuração imediata das votações.

“À medida que aumentamos o ecossistema global de startups com base na plataforma Corda, o Brasil continua a brilhar como um importante centro de inovação – estamos muito felizes por ter a oportunidade de trabalhar com organizações como a FIAP e startups no Brasil construindo a próxima geração de empresas”, líder de Venture Development da R3 para a América Latina e Costa Oeste dos Estados Unidos.

Parceria entre empresas e governo fez da Suíça um hub em criptos e blockchain

Uma bem sucedida parceria entre empresas e governos e ações do ecossistema para evitar a atuação de golpistas, logo no início do mundo cripto, foram alguns dos fatores que tornaram a Suíça um dos principais centros das finanças tradicionais do mundo, também em um dos principals hubs de negócios ligados a criptoativos e blockchain.

Essa é uma das mudanças no mundo dos negócios causadas pelo whitepaper de Satoshi Nakamoto sobre a bitcoin, divulgado há 12 anos. E quem conta essa história ao Blocknews é Toni Caradonna, membro fundador da Federação Suíça de Blockchain (SBF em inglês), por meio da Fundação Porini, ONG que usa tecnologia em projetos de impacto social, e que lidera o grupo de trabalho de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU na federação.

Esta entrevista é parte de uma série que o Blocknews publicará em celebração à divulgação do whitepaper, em 31 de outubro de 2008.

BN: Quais foram os maiores fatores que levaram a Suíça a se tornar um dos maiores promotores de blockchain e criptoativos?

TC: Na minha percepção, foi um exemplo perfeito de uma parceria público-privada. Houve uma adoção empreendedora muito cedo em meio a uma incerteza jurídica. Então, os stakeholders se juntaram a tomadores de decisão do governo, que viam o potencial que a tecnologia oferece. Pessoalmente, também acho que o fato de a Fundação Ethereum estar em Zug e ter tido a consultoria de um time de advogados muito competente e com excelente reputação, acelerou a credibilidade do setor. Além disso, acho que o aspecto autoregulatório dos stakeholders que queriam uma separação clara entre os atores complacentes e os golpistas, foi um grande motivador para a adoção.


BN: Esse movimento significa que a Suíça acredita que o setor financeiro tradicional será substituído, no futuro, pelos criptoativos?

TC: Não acredito que vivemos num mundo binário, nem em relação à sociedade e nem em relação aos negócios. Porém, eu realmente acredito que muitos participantes do setor vejam um potential massivo, o potencial de disrupção. A Suíça não tem recursos naturais e é altamente dependente de inovação. Por isso é que existe um grande interesse e apoio dos tomares de decisão em todos os níveis.


BN: Tem havido várias ações para promover os criptoativos, como a criação do Cryto Valley em Zug e o uso de criptomoedas para pagamento de impostos. Há também um movimento para promover o uso de blockchian em empresas e no governo? 

TC: Eu vejo isso como um desafio de percepção. A Suíça é uma federação, portanto há vários níveis de governo, com muita independência e que podem atuar e comunicar de forma rápida e efetiva. O apoio a tecnologias usadas pelas empresas, em geral, acontece nas diretorias daquelas de grande porte, que precisam prestar contas a reguladores e comitês de padronização. Isso leva tampo e o foco é no negócio e não no marketing, em especial quando se pensa na indústria de infraestrutura. A maior provedora de energia do país, a Axpo, por exemplo, trabalha há dois anos numa missão federal crítica em blockchain, com seu braço Axpo WZ Systems e a solução SwissDLT (rede suíça criada pela rede BCTS, da qual a Axpo faz parte), sem soltar comunicados. Por isso, acho que as empresas vão adotar a solução sem fazer grande barulho.


BN: Qual tem sido o maior apoio que os governos locais e o federal tem dado para promover criptoativos e blockchain?

TC: Claramente, o esclarecimento feito pelas autoridades do mercado financeiro, logo no início, foi extremamente útil. Além disso, a rápida e drástica intervenção sobre os golpistas e atores de má fé ajudou a evitar danos de reputação. O fato também de que o conselho federal oficialmente disse que a Suíça deveria ser uma Nação Cripto foi importante, apesar de muito debatida dentro da comunidade. E por último, mas não menos importante, as duas câmaras do parlamento aceitaram a nova lei que entra em vigor em agosto de 2021 (trata-se de um conjunto de emendas a leis financeiras e corporativas) . O conselho federal explicitamente convida a indústria a comentar os detalhes dessa implementação (há uma consulta publica que acaba de começar e segue até 2 de fevereiro). Basicamente, o Blockchain Act pretende dar mais segurança jurídica e fazer com que haja menos obstáculos para as aplicações blockchain, além de buscar minimizar abusos. Em outras palavras, pretende levar as criptomoedas e a tecnologia blockchain para uso o convencional. A lei cobre o comércio de ativos digitais e estabelece padrões para as bolsas de criptos.


BN: Qual é a importância de Zug nesse contexto?

TC: Zug é o lar da Fundação Ethereum e um hub para muitas companhias globais por vários motivos (inclusive brasileiras, como a Sppyns, e uma delas são os impostos. Mas as autoridades de Zug aceitaram muito cedo os pagamentos em bitcoin, o que, se você pensar sobre isso, foi uma ação muito radical. E havia ainda uma associação do setor desde o início, bem sucedida e influente, que promoveu o Blockchain Valley, o que foi um investimento efetivo e uma ferramenta de marca e marketing que possibilitou uma série de ações em todo o mundo.


BN: Como você descreveria o estágio atual de uso de criptomoedas e de blockchain em empresas no país?

TC: Eu acredito que há muito tempo nós passamos do estágio de criptomoedas e estamos olhamos para uma gama maior de aplicações. Há vários atores globais que trabalham num ou mais projetos. Os pequenos e médios ainda não estão implementando soluções. Há pioneiros interessantes como o Crowdlitoken, que granulou propriedades no mercado imobiliário europeu para 100 euros (cerca de R$ 675) e que resolveu um grande problema. A divisão europeia de riqueza é baseada no topo da pirâmide quando se fala em acesso a esse mercado. Outro caso interessante é o do setor de energia. A liberalização desse mercado exige novas ferramentas. A Thurgie AG, que usa blockchain para tokenizar painéis solares, com isso gera a adesão de clientes, independência de bancos e um potencial para terceirização de risco e colaterizaçao de ativos.

BN: Como você vê esse cenário em 5 anos?

TC: Eu não faço previsões. Acho que a maior bifurcação que acontecerá será o efeito do Covid-19 e o resultado disso é realmente difícil de se prever, porque será muito radical.


BN: Quais serão os principais movimentos da Federação Suíça de Blockchain nos próximos anos? O Blockchain Nation é um deles?

Um dos maiores focos é promover a inovação. Nos próximos 4 anos, a SBF ser conectará com startups, indústrias globais, governos e investidores num programa muito claro dentro do marco de uma inovação aberta, num esforço chamado Blockchain Nation Switzerland.

Outra entrevistas sobre os 12 anos de blockchain em:

Negócio todo baseado em blockchain está próximo de surgir e trará enxurrada de possibilidades, diz Magaldi

Governança continua um dos maiores desafios de projetos com blockchain

É na governança que está um dos maiores desafios de redes blockchain permissionadas (privadas, fechadas), mas isso ainda é uma parte na qual as empresas em projetos com essa tecnologia prestam pouca atenção, segundo Felipe Chobanian, co-fundador e CEO da empresa de soluções BBChain.

A governança da rede talvez seja o maior desafio do projeto de blockchain da Vale, disse Daniel Fisman, analista sênior da mineradora que usou a tecnologia para emissão de carta fiança numa exportação.

Chobanian e Fisman participaram, hoje (27), da sessão “Challenges to implement blockchain in Brazil”, do Blockchain Revolution Global (BRG) 2020, que acontece nesta semana afirmou. O evento é realizado pelo Blockchain Research Institute (BRI) e a sessão foi organizada pelo BRI Brasil.

Segundo Fisman, a empresa está usando a metodologia ágil para o desenvolvimento do projeto e é preciso que haja assessorias, no país, que possam dar suporte às empresas para a questão da governança.

Para Chobanian, apesar de o mercado brasileiro estar em processo de amadurecimento para blockchain, mas a elaboração de um proposito único entre os diversos atores da rede precisa de mais cuidado.

Abordagem pelas associações

Isso fez a empresa mudar sua aproximação com o mercado. Agora, a abordagem é com associações, com uma mobilização comum. ” Muito se falava do ganho do pioneiro, mas isso não se demonstrou, de fato, com valor. Há valor quando se começa debaixo do grande guarda-chuva da associação, com padronização, definição de propósito comum, a partir uma governança consensual”, completou.

A questão, afirmou ele, não é mais a solução, mas como o mercado se mobiliza. A empresa participa de dois projetos que serão anunciados no segundo semestre de 2021. Será um no setor financeiro e outro na indústria, “com todos os participando desde o início e não um pioneiro tentando atrair os outros para entrar numa rede com governança escrita pela concorrência direta”.

“Em blockchain, você deixa de precisar de um maestro e passa a ter um coreógrafo. A governança é o que ganha e conquista consenso de uma coreografia única. Esse é o grande desafio. Muitos me perguntam porque ainda não temos redes de padrão de mercado. É porque não tem investimento correto em propósito e governança, para depois se aplicar em tecnologia.”

Vale adotou blockchain para evitar perda de informações e de dinheiro

Foi a partir da constatação de que informações, e até dinheiro, estavam sendo perdidos pela falta de um sistema mais eficiente de registro de dados, que a Vale decidiu olhar blockchain para resolver esse problema. Foi assim que Daniel Fisman, analista sênior da empresa, explicou como uma das maiores mineradoras do mundo e uma das maiores exportadoras do país aderiu à solução.

Uma empresa como a Vale tem uma série de processos e contratos que contam com garantias financeiras, muitas delas fianças e seguros, que são de longo prazo de duração, completou.

“Cheguei a ver garantias de 1990. Em 30 anos acontece muita coisa, mudam equipes, sistemas mudam, um banco adquire outro e a essência da operação pode se perder, porque os controles são em planilhas excel ou sistemas sem confiabilidade grande, o que traz prejuízos para as empresas”, afirmou Fisman, hoje (27), durante a sessão “Challenges to implement blockchain in Brazil”, do Blockchain Revolution Global (BRG) 2020, que acontece nesta semana afirmou. O evento é realizado pelo Blockchain Research Institute (BRI) e a sessão foi organizada pelo BRI Brasil.

No início de setembro, a empresa anunciou que havia emitido, pela primeira vez, uma carta de crédito em blockchain. Foi para uma exportação de minério de ferro da Malásia à China.

Empresas não calculam perdas

Segundo o analista da mineradora, a Vale implementou blockchain para todo o processo de garantia e com isso consegue monitorar seu ciclo de vida e dar à contraparte a mesma visão que tem, “o que a gente considera um ganho de transparência”.

Com isso, a empresa consegue, por exemplo, saber se contratos foram feitos e se cartas de fianças estão em ordem e não corre riscos de perder documentações. “O histórico está todo salvo numa plataforma”, completou.

O cálculo de perdas já provisionadas nos balanços e a dinâmica de negociações que já estão em voo de cruzeiro torna difícil, para as empresas, saber o quanto a tecnologia blockchain pode trazer de valor e reduzir perdas, diz Felipe Chobanian, co-fundador e CEO da BBChain, provedora de soluções.

Harpia no Paraná

O painel contou ainda com a participação de Raul Siqueira, controlador-geral do Paraná, que afirmou que para buscar evitar corrupção em licitações, o estado está desenvolvendo o projeto Harpia, que vai registrar em blockchain todos os dados do processo.

De acordo com Siqueira, 97% dos casos de corrupção estão ligados a licitações em diferentes fases, do preço ao direcionamento de vencedores. O projeto inclui também inteligência artificial. Blockchain dá uma camada de certeza de que o registro da informação é imutável, do edital à contratação, disse o controlador-geral.

O painel foi moderado pelo presidente da Câmara de Comércio Brasil-Canadá, Paulo Perrotti, e teve também a participação de George Marcel Santana, especialista em blockchain do departamento de pesquisa e inovação do Bradesco, Carl Amorim, executivo do BRI Brasil e desta editora do Blocknews.