Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Uso de tecnologias como blockchain e AI, aumenta o lucro, diz estudo da Oracle

As empresas que adotaram Inteligência Artificial (IA), blockchain e outras das novas tecnologias em seus processos operacionais e financeiros estão experimentando um aumento de suas receitas líquidas num ritmo 80% maior do que as que não usam nenhuma delas, segundo um estudo da Enterprise Strategy Group (ESG) e da Oracle em 13 países, incluindo o Brasil.

De acordo com o “Emerging Technologies: The competitive edge for finance and operations“, o uso dessas tecnologias criou vantagens competitivas nas empresas.

Foram entrevistadas 700 pessoas em áreas financeiras e operacionais, sendo 98 do Brasil e do México.

Segundo o estudo, 87% das empresas que usam blockchain atingiram ou excederam suas expectativas de ROI e 82% viram um valor significativo em seus negócios num período de um ano.

Estabelecer um ROI no uso de blockchain é um dos pontos mais difíceis do uso da tecnologia. Dentre os motivos está o fato de que não há dados suficientes dos processos antes do uso de blockchain para se estabelecer um objetivo, como disse Carlos Rischioto da IBM, em entrevista recente ao Blocknew. Outro motivo é que nem sempre o ROI de uso de blockchain é ligado a redução de custos e tempo ou aumento de vendas.

Outra conclusão do estudo é que 78% dos executivos acreditam que o uso do blockchain no monitoramento da cadeias de suprimentos reduzirá incidentes e fraudes em pelo menos 50% nos próximos cincos.

De acordo com o levantamento, 84% das empresas entrevistadas usam pelo menos uma das novas tecnologias: IA, internet das coisas (IoT), blockchain ou assistentes digitais na produção. E 82% das que usam três ou mais delas estão à frente de seus competidores, enquanto 45% das empresas não usam nada.

Parece que caminhamos para a maturidade em blockchain, diz Rischioto, da IBM

O mercado brasileiro para blockchain parece estar mudando desde meados do ano passado, com projetos mais sólidos, maior número de participantes e mais focados nas atividades centrais das empresas. “Parece que caminhamos para uma maturidade”, disse ao Blocknews Carlos Rischioto, líder técnico de blockchain da IBM.

A empresa é um dos nomes de maior destaque no ecossistema blockchain. É uma das fundadores da plataforma Hyperledger, usa a versão Fabric, à qual acrescenta uma camada de gestão, o que a empresa chama de IBM Blockchain Platform. Suas soluções incluem de projetos de rastreamento de alimentos, como a IBM Food Trust usada pelo Carrefour, à TradeLens, feita com a Maersk para transporte de contêineres, e projetos com a CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos). Na entrevista a seguir, Rischioto fala das outras possibilidades de blockchain no Brasil.

BN: O que mudou no cenário brasileiro de blockchain nos últimos anos?

CR: Agora, começamos a ter projetos com testes de produção maiores. Até metade de 2019, ainda era muita experimentação, com testes, provas de conceito (PoC), mas pouca coisa para valer. Da metade do ano para cá, vemos os primeiros projetos indo para produção, um uso mais intensivo, com mais participates. O Brasil está mais ou menos um ano atrasado em relação ao exterior, mas há uma evolução do cenário. Se vê um momento até meio paradoxal. Parece ter havido uma diminuição do número de projetos, com a diminuição do hype sobre a tecnologia. Mas agora há projetos mais sólidos, com mais sentido, o que reflete a diminuição da curva do hype e o caminho para a estabilização. Parece que caminhamos par uma maturidade.

BN: Quais são os números de projetos na IBM?

CR: Divulgamos os números mundiais. Participamos de mais de 600 projetos em 2018 e 2019. Desses, a maioria ainda funciona em testes, PoCs ou evoluíram. No nosso ambiente de nuvem, onde hospedamos blockchain, temos um pouco mais de 1.100 redes ativas, que têm mais de dois participantes transacionando com certa frequência. Dessas, cerca de 50% foram projetos que a IBM desenvolveu e a outra metade foi desenvolvida por nossos parceiros ou pelo próprio cliente. No Brasil, dentre os projetos temos o da CIP, que deve se expandir, o da Tecban e os da GrowthTech, que faz soluções para serviços cartorários. Temos projetos para serem lançados, mas só podemos divulgar com a autorização dos clientes.

BN: Qual a representatividade do Brasil em blockchain na IBM?

CR:   O Brasil é expressivo em número de iniciativas. Apesar do timing do mercado, estamos evoluindo com o interesse dos clientes. É um mercado visto pela IBM como um foco, porque é referência em diversas áreas, como a financeira e em outras em que blockchain fazem sentido.

BN: Com que cenário vocês trabalham para 2020?

CR: Vamos ter projetos de maior volume, com maior impacto nos clientes. TEu brinco que todo mundo faz uma prova de conceito para reservar uma sala de reunião, que não tem impacto na empresa. Mas vamos ver protótipos em processos core das empresa, atrelados a atividades fim, com maior impacto, mais participantes, 10, 15 membros. Vai ter uma velocidade um pouco menor do que os últimos dois anos em compra de projetos, mas projetos com mais impactos e mais maduros. blockchain vai encontrar seu espaço e trazendo resultado para as empresas.

BN: Energia é um mercado promissor para a IBM no Brasil?

CR: Temos vários projetos em energia na Europa, em especial na Holanda em energia limpa, renovável, e que estamos tentando trazer para o Brasil. Temos projetos avançados nessa área e no ano passado houve o 1º Fórum Brasileiro Blockchain em Energia (em novembro, em São Paulo), porque o mercado começa a mudar. Há uma ligação muito forte com energia renovável, sustentável. Temos iniciativas no Brasil, alguns fazendo pilotos, criando laboratórios par testes. Mas a velocidade nessa área depende de regulação. É difícil criar coisas novas porque depende da área regulatória e há uma certa instabilidade regulatória, com uma série de projetos de tramitando no Congresso, em especial ligados às energias renováveis e aos micro geradores, como a pessoa gerar em casa e compartilhar na rede. Ainda tem coisas acontecendo. É uma área que tem uma interação muito grande com blockchain, onde há possibilidade de muitos microgeradores, com uma rede grande de geradores. Mas isso ainda não foi muito explorada no Brasil.  Hoje o mercado livre é apenas para grandes consumidores. 

BN: Para serviços financeiros, área em que vocês atuam, há fornecedores exclusivos para esse setor. Como vocês tentam se diferenciar?

CR: Há plataformas feitas com foco no mercado financeiro. A IBM é fundadora do Hyperledger, que tem uma visão de ser uma solução para as várias indústrias. Foi concebida para ser customizada para qualquer indústria e por isso consegue ser bem utilizada na área financeira e outras como a de rastreamento, serviços médicos, energia. Nasceu para ser uma plataforma agnóstica de indústria. Nosso principal foco é customizar e resolver qualquer tipo de problema, entregando privacidade, performance e uma plataforma de fato aberta, tanto no código quanto na governança. A IBM não é dona da Hyperpleder, mas dá palpite no desenvolvimento. Não podemos mudar algo da noite para o dia. E está tudo disponível na Fundação Linux. Temos uma série de diferenciais na nossa plataforma,  facilidades, sistema mais simples, mais rápidos, a camada de suporte, o cliente pode montar a estrutura como precisar. Quando se fala de blockchain, é preciso uma governança aberta e de acesso aberto, isso é muito importante.

BN: ROI ainda é um problema?

CR: Sim, esse ainda é o maior desafio, provar o retorno, porque muitas vezes vocês não se tem as métricas do projeto bem determinadas porque não se capturava dados antes. Mas está melhorando. A IBM tem uma metodologia que ajuda a calcular o retorno. Mas um grande desafio ainda para as redes é também o modelo de governança, se definindo quem vai fazer o que, quem vai coordenar, que entra, quem sai, modelo de custeio e de incentivos econômicos, que vou ganhar com isso…

BN: Existe um número mágico para ROI em blockchain?

CR: Não tem. Tem projetos em que o ROI (retorno sobre investimento) não é o financeiro, como o Walmart, que rastreia com a preocupação com segurança alimentar, que lá na frente pode evitar processos. Isso é muito complexo. A Tecban, por exemplo, reduziu o custo de gestão de numerário. Às vezes o ganho é de imagem. Por exemplo, um banco reduziu o tempo de revisão de dados de clientes, o que muda a satisfação de clientes, além do giro de negócios. Não está exatamente sempre em reduzir custo e aumentar receita.

BN: Blockchain vai superar o desafio das transações por minuto, que impede o seu uso por diversas indústrias?

CR: Esse é um desafio para redes públicas (não-permissionadas), em que a performance de velocidade e capacidade são um desafio, como transações por segundo na rede bitcoin. Nesse caso, a capacidade de validação das operações (por segundo) é baixa. Numa rede permissionada (fechada), criamos a rede conforme a capacidade do negócio. Para rastreamento de alimento, por exemplo, com empresas sendo um nó, esse problema não existe, porque a rede permissionada tem outros mecanismos de validação, em que se consegue uma resposta melhor. Temos projetos com blockchain permissionado com cerca de 6 mil transações por segundo. Isso é o mesmo nível de validações para grandes volumes de cartões de crédito. E temos outras projetos em piloto de laboratório, controlado, com mais de 20 mil, um projeto da Universidade de Waterloo. Para o mundo do blockchain permissionado, numa rede com menos participantes, a performance não é um problema hoje, porque seus algoritmos são mais eficientes.

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Indústria de aviação lança plataforma blockchain para rastrear partes

Empresas do setor de aviação lançaram a MRO Blockchain Alliance, a primeira plataforma da indústria para monitorar, rastrear e registrar partes e peças de aeronaves. Com isso, vão digitalizar diversos processos hoje registrados em papel, o que nem combina com um setor que utiliza máquinas cheias de tecnologia.

MRO é a sigla em inglês para manutenção, reparo e revisão. A iniciativa é da SITA, formada por cerca de 400 empresas, como a Latam, e outros membros da cadeia da aviação, como provedores de logística e de contratos inteligentes.

O objetivo é criar um padrão global de uso de blockchain para rastrear partes dos aviões, que podem ter milhares de delas e todas devem ser registradas desde o fornecedor à empresa de aviação.

É preciso lembrar que as peças não passam apenas por uma companhia áerea, porque aviões são vendidos entre elas e peças vão e vêm de manutenção. Se não houver registro confiável de uma parte, é preciso pesquisar todo seu histórico e se isso for impossível, é preciso fazer testes para classificar sua origem e condição.

Por isso, no fim da linha, a adoção de blockchain na indústria pode facilitar o registro e compartilhamento de dados, melhorar o conhecimento das empresas sobre o estado do avião e suas necessidades de manutenção e aumentar a qualidade dessa manutenção em relação ao período correto de fazê-lo, tempo gasto nisso e as reais necessidades de reparos. Com a plataforma global, haverá informações mais confiáveis.

Segundo um estudo da PwC, blockchain pode cortar os custos da indústria aeroespacial com MRO em até 5%, o equivalente a US$ 3.5 bilhões.

A prova de conceito (PoC) vai acontecer nos próximos meses. O rastreamento vai se dar em duas vertentes: na chamada linha digital haverá um status em tempo real, cadeia de custódia e rastreamento da parte. O passaporte digital terá a identidade da parte com dados das certificações que provam quem é o dono dela.

ONGs premiarão mulheres em segurança cibernética, o que inclui blockchain

A Latam Women in Cybersecurity (Womcy) e a Women in Security & Resilience Alliance (Wisecra) vão premiar juntas, pela primeira vez, as mulheres que se destacaram em segurança da informação na América Latina. As indicações para o “Top Women in Cybersecurity” serão abertas no próximo dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

O prêmio busca reconhecer uma ala pouco representada no segmento de segurança cibernética. Apenas 8% das mulheres que trabalham em tecnologia na região estão focadas em segurança cibernética, segundo a Organização dos Estados Americanos (OEA). Dentro desse percentual, a fatia de mulheres atuam também com blockchain é certamente ainda muito pequeno. Exige um bom esforço encontrá-las no mercado brasileiro.

A presidente da Womcy, Leticia Gammill, e a coordenadora internacional da Wisecra, Bonnie Butlin, vão liderar a eleição, que terá um painel de juízes da comunidade latino-americana de segurança cibernética.

As duas instituições informaram que detalhes sobre o prêmio serão revelados nas próximas semanas.

Dados vão melhorar com smart contracts, mas quantidade cairá, diz Gartner

Empresas que utilizam contratos inteligentes (smart contracts), que estão inseridos em plataformas blockchain, vão aumentar em 50% a qualidade de dados até 2030. Ao mesmo tempo, a quantidade de informações disponível vai cair 30%, segundo estudo do Gartner.

Com dados de maior qualidade, as empresas terão um ambiente mais seguro para a tomada de decisões. Os smart contracts podem conter dados como os contratos do mundo real, mas são codificados de forma que não é possível a mudança das informações. São, portanto, imutáveis e irrevogáveis. Além disso, podem conter o que acontecerá numa data específica, como fechamento de uma operação ou execução de dívida, e isso acontece automaticamente no momento previsto.

Mas, os mesmos motivos que tornam os contratos inteligentes atraentes, podem afetar de forma negativa seu uso. Regras de governança das redes de blockchain ou os termos e condições dos contratos poderão levar a uma redução dos dados que os participantes da rede se sintam seguros de incluir nos acordos.

Para Lydia Clougherty Jones, pesquisadora sênior do Gartner, os responsáveis por dados e análises nas empresas deveriam focar em contratos inteligentes imediatamente, por conta da troca de dados quase totalmente confiável e pela possibilidade de se eliminar intermediários como bancos e escritórios de advocacia. Em geral, esses intermediários funcionam como garantidores do que foi acordado entre as partes. Com contratos imutáveis e mais seguros, isso não é mais necessário.

Mercedes-Benz rastreia emissão de CO2 em cadeia de cobalto usado em baterias

A Mercedes-Benz está realizando um projeto piloto com a solução blockchain para rastrear emissões de CO2 emitidas na cadeia de suprimento do cobalto.

O produto aumenta a eficiência das baterias dos carros, mas sua mineração envolve problemas sociais, como trabalho em condições indecentes e mão de obra infantil.

O piloto vai rastrear as emissões de gases relevantes do ponto de vista de impacto climático e materiais secundários. E está começando com as baterias porque há emissão significativa de CO2 em seu processo produtivo.

Paralelamente, o rastreamento vai dizer se a cadeia respeita os padrões de sustentabilidade da Daimler. A empresa tem a meta de ser neutra na emissão de CO2 em carros novos em 2039.

O projeto de rastreamento faz parte da Startup Autobahn, uma plataforma de aceleração. A startup Circulor, que faz o rastreamento de cadeias de produção, faz parte do projeto.

Bancos não estão mais isolados na liderança do uso de blockchain, diz Accenture

Ricardo Polisel Alves é diretor executivo da área de estratégia de tecnologia da Accenture. Nesta semana completa 20 anos na empresa e desde 2015 trabalha com blockchain. Naquele ano, seu chefe perguntou se ele sabia o que era essa tecnologia. A resposta foi “não”. Teve a missão de estudar o assunto e a partir daí apresentar blockchain a clientes e tocar projetos. “No começo, tinha muito que explicar a diferença entre bitcoin e blockchain. De dois anos para cá isso mudou, começamos a fazer projetos com clientes e alguns já estão em produção”.

Na entrevista exclusiva ao Blocknews, o executivo conta que o cenário no Brasil está mudando um pouco devagar, em especial se olharmos para China e Europa. “Mas já está mudando, as empresas já começam a nos chamar porque têm verba e querem investir em blockchain.”

Abaixo, a entrevista com o diretor da Accenture.

BN: Qual a diferença entre o uso de blockchain na Europa, Ásia, EUA e Brasil?

RPA: Os Estados Unidos estão muito ativos nos setor financeiro. Temos visto muitos casos em outras indústrias, como automotiva, logística e de viagens na Europa e na Ásia. No Brasil ainda são mais os bancos que usam blockchain, mas eles não estão mais isolados. Estamos discutindo com clientes de áreas como saúde, utilities e energia. Em energia fizemos um projeto com uma empresa que queria lançar um novo serviço de comercialização de energia solar e já vieram até nós perguntando se seria possível usar blockchain.

Blockchain é um esporte de equipe. Só tem grande valor quando há entidades diferentes resolvendo um problema comum. No Brasil, há uma resistência das empresas de não fazerem projetos colaborativos para esse fim. No mercado financeiro há mais disso nas associações. Nos EUA não se vê tantas parcerias ou alianças de empresas, como se vê na Europa se associando para resolver problemas comuns.

BN: Como é esse projeto em energia solar?

RPA: empresa queria lançar um novo serviço de comercialização de energia solar e já vieram até nós perguntando se seria possível usar blockchain. Isso é um caso clássico de uso. Montamos um piloto que já está em produção, estamos num soft launch em que o cliente pode comprar cota de um painel solar usando plataforma em blockchain e o cliente não faz ideia que blockchain está por trás.

Conseguimos fazer em 6 semanas uma primeira prova de conceito (PoC). Gastamos mais tempo com a experiência do cliente do que com a parte de blockchain, que foi relativamente rápida.

BN: As empresas ainda acham que blockchain é algo para ser falado com a área de TI?

RPA: Isso está mudando, mas ainda é assim. Uma pesquisa nossa de 2019 mostra que 64% das iniciativas de blockchain são financiadas por TI ou uma área de pesquisa e inovação. O caso da energia solar veio da área de inovação e trabalhamos com a área de negócios, TI entrou mais para frente. Antes, o assunto, principalmente nos bancos, nascia muito mais na área de tecnologia. Em outras empresas, o que tenho visto é isso nascer mais nas outras áreas, como negócios, comerciais, risco e inovação.

BN: Qual a estratégia da Accenture em blockchain?

RPA: Nossa pretensão é ser líder em soluções de blockchain para negócios específicos. Temos 13 indústrias alvo, dentre elas automotiva, bens de consumo, serviços públicos, saúde e viagens e temos três áreas de mercado em blockchain, que são infraestrutura financeira, identidade, como o projeto ID 2020, feito com a ONU para registro de imigrantes sem documentos, e supply chain, para questões como rastreabilidade, redução de custos e redução de uso de papel.

BN: Como vocês tentam se diferenciar?

RPA: Normalmente fazemos workshops com clientes sobre tecnologias como blockchain, analytics e inteligência artificial e desenhamos com eles onde há oportunidade de usá-las. O passo seguinte é, definido o caso de negócio, vermos o valor da tecnologia e então decidimos com o cliente qual plataforma de blockchain vamos usar. Nosso time de inovação e TI cria o protótipo ou MVP para exercitar com o cliente. Somos agnósticos em termos de plataforma a ser usado. Temos profissionais trabalhando com várias delas e parcerias com startups para a interoperabilidade entre as soluções, além de parcerias com provedores de tecnologia e participação em 15 alianças estratégicas que envolvem vários consórcios.

BN: Vocês têm time dedicado a essa solução?

RPA: Temos uma área de blockchain com pessoas dedicadas. No mundo, temos profissionais especializados em blockchain por indústria.

BN: Qual o mercado de blockchain no Brasil e quantos projetos a Accenture tem no Brasil.

RPA: Estimamos que o investimento mundial em soluções de blockchain vai ser de US$ 12,4 bilhões em 2022. Cada vez que revisamos esse número, ele aumenta. No Brasil não temos esse número. Mas o país não está nos top 5 referências, como EUA, Austrália e China, que são os que mais usam.

A Accenture não revela número de projetos no Brasil e a participação de blockchain nos negócios da empresa. O podemos dizer é que do nosso faturamento, projetos “in the new”, que usam tecnologias e métodos inovadores, em 2011 fazíamos muita implantação de SPA e sistemas e eram cerca de 10$% nessa categoria. Em 2019, ultrapassamos os 70%.

BN: O que mudou em conhecimento e adoção de blockchain no Brasil?

RPA: O mercado financeiro não está mais isolado. Talvez continue na frente porque naturalmente têm mais recursos para projetos em tecnologias inovadoras, pela própria natureza do setor, mas não está mais isolado na frente. Em quantidade, temos discutido com mais clientes de fora do setor financeiro. Nessas outras indústrias, temos discussões, em especial com áreas de negócios, temos algumas PoCs e alguns projetos em produção.

BN: A área de saúde não deveria estar mais interessada em blockchain, o que tem sido muito usado no exterior para bancos de sangue e prontuários únicos, por exemplo?

RPA: Eu diria que o uso de blockchain nessa área está demorando para sair. Não faz sentido ter dados em diferentes laboratórios, hospitais e clínicas e ninguém se conversa. Chegamos a conversar com um governo há dois anos para fazermos algo orientado para banco de sangue, porque às vezes você é doador num banco A e um banco B precisa do seu sangue, mas não consegue te contatar.

BN: Qual a dificuldade que existe em governança?

RPA: Esse é talvez o principal desafio quando se faz um projeto. Blockchain é um esporte de equipe, tem que colocar várias instituições ou empresas diferentes em acordo com as regras. São regras como quem entra na rede, quem diz se pode ou não entrar alguém, como é o onboading, se precisar atualizar o sistema, quem pede isso, quem atualiza primeiro… enfim, há uma série de regras que precisam ser definidas e que tomam tempo. Eu não diria que é tão complexo, mas toma tempo por conta das discussões entre os participantes. De um projeto, a discussão e implantação do modelo de governança toma cerca de 30% do total. Pode-se fazer isso paralelamente a outras ações. O que não pode é subestimar esse ponto. A nossa recomendação é olhar isso desde o começo. Concebido o projeto, já se começa a discutir o assunto para não atrasar o programa por conta de governança.

BN: Qual a sua visão para blockchain nos próximos anos?

RPA: Em 2015, a discussão era sobre a o que era blockchain, a diferença entre blockchain e bitcoin. E, 2016 a pergunta era qual era o valor. Agora não é mais sobre para que serve. Começamos a caminhar para a questão sobre como usa-la blockchain. Em 2021 e 2022, a pergunta que vai começar a aparecer é como podemos escalar essa solução. Muitas empresas já fazem pilotos e colando soluções no ar. A próxima questão é como colocar para funcionar com muitas transações. Por exmeplo, transação d e cartão de crédito. O número mágico que se fala nessa caso é de 10 mil a 15 mil transaçõs por segundo. Para blockcahin ainda é dificil chegar a siso. A Accenture fez provas nos EUA e conseguiu chegar. Mas a grande onda é chegar a plataformas que consigam processar nessa escala. E daí vamos perguntar como transformar uma industria ou mercado usando blockcahin com inteligencia artigicificak. internet das coisasseguança e analytics. conjunção delas é que vai trazer grande valor., porque o benefício é potencializado. E em 3 anos a pergunta é como crio produto ou mercado usando blockchain.

BN: Um estudo da Accenture afirma que para 58% dos gerentes de riscos entrevistados, os riscos associados a tecnologias disruptivas têm impacto maior em seus negócios hoje do que há dois anos. O que é esse risco da tecnologia disruptiva?

RPA: Cada vez mais se usam sistemas digitais, armazenamento de dados pessoais em mais sistemas e mais lugares. Isso aumenta sua exposição a risco e disso vazar e criar problemas. Numa loja de roupas, por exemplo, há entre 30 e 40 pontos de interação, como quando o cliente entra na loja e se conecta ao wi-fi, para captação de dados dele se a empresa tiver tecnologias para isso. Uma empresa aérea tem 80 pontos de contato, desde o momento em que uma pessoa compra a passagem.

BN: As empresas estão atentas à questão da segurança?

RPA: Estimamos que a falta de segurança de dados pode custar até US$ 5,2 trilhões nos próximos 5 anos e só 30% dos executivos estão confiantes na sua estrutura de dados. O grande problema que blockchain resolve é a questão da confiança e segurança. A tecnologia nasceu ao redor da preocupação com a segurança.

Bomesp lança plataforma de rastreabilidade que funciona em sidechain

A Bomesp (Bolsa de Moedas Virtuais Empresariais de São Paulo) está lançando um sistema de rastreabilidade para logística que funciona em uma sidechain, ou seja, uma rede blockchain que valida dados de outras redes blockchain.

Niolog, como é chamado o sistema, pode melhorar os índices de entregas corretas e melhorar o controle de jornadas de trabalho, além de reduzir o uso de papel, dentre outros benefícios, segundo a Bolsa.

A plataforma é própria e utiliza a solução Ethereum, integrando apenas a rede blockchain Ethereum para gravação e consistência dos metadados”, disse a Bomesp ao Blocknews. O cliente decide se grava as informações da sidechain no IPFS (InterPlanetary File System, rede peer-to-peer de armazenagem e compartilhamento de dados), no Amazon S3 ou no próprio servidor.

Segundo o diretor executivo da Niolog, Vinicius Hernandes, é possível ter na plataforma dados de toda a rastreabilidade, como relatórios, histórico de temperatura, tempo de armazenagem, trajeto, localização, assinaturas digitais, tentativas de entrega e fotografias.

Fernando Barrueco, CEO da Bomesp, afirmou que as empresas pagam por planos para uso da plataforma e o valor começa em R$ 300,00. A plataforma pode ser acessada pelo site ou aplicativo no celular. Consumidores poderão acompanhar suas entregas por meio de QR CODE.

Time de futebol Roma entra em blockchain para jogos e figurinhas de torcedores

O time de futebol italiano Roma entrou para a plataforma de jogos digitais em blockchain Sorare. Outros times, como o Atletico de Madrid e o West Ham também estão na plataforma.

Na Sorare, é possível colecionar e trocar figurinhas digitais de jogadores com o mundo todo, montar seu próprio time e participar de jogos semanais. É uma gamificação do torcedor.

A Consensys é investidora na Sorare, que está baseada na França.

O Roma também tem um acordo com a plataforma Socios.com que criou o fan token do clube, o AS Roma Fan Token. Quanto mais o torcedor participa da plataforma, mais ganha recompensas, com acesso a um marketing exclusivo.