Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Com Covid-19, WEF recomenda digitalizar cadeias de suprimentos agora

Blockchain é uma das ferramentas que podem ajudar as cadeias de suprimentos a serem mais resilientes em crises como a do Covid-19.

A afirmação é do World Economic Forum, que defende a digitalização dos processos, hoje ainda muito baseados em papel e trânsito de documentos impressos entre escritórios.

As fabricantes de produtos finais, em geral, sabem o que acontece nos seus fornecedores imediatos, mas têm pouca ideia do que acontece antes, nos fornecedores dos fornecedores, ou seja, em todas as etapas da cadeia.

Visão geral

Com uma crise como a da pandemia do coronavírus, muitas empresas estão fechadas e o transporte em todos os modais foi afetado. É nessa hora que a visibilidade da cadeia de fornecimento é fundamental para se planejar o que fazer.

O WEF recomenda 4 ações para uma empresa ter visibilidade em toda a cadeia: uma delas é a digitalização de processos hoje feitos no papel – é bom lembrar que a internet continua funcionando e ninguém precisa sair de casa para entregar algo que esteja digitalizado.

Outra é  garantir que os fornecedores compartilhem os dados necessários e que não vão colocar suas estratégias de negócios em risco – e é aí que entra blockchain.

É comum empresas não quererem usar blockchain com medo de que precisam compartilhar tudo. Não é assim no mundo corporativo, há dois tipos de redes blockchain que garantem compartilhamentos limitados.

Outra recomendação é incentivar os fornecedores a compartilhar dados e para isso pode-se, por exemplo, usar a rede blockchain. Um formato é o de dar financiamentos mais baratos aos fornecedores do que o que eles encontrariam em outras fontes. Para isso, é possível usar dados compartilhados pela rede, como receita esperada.

E o WEF recomenda também que as indústrias adotem agora programas de financiamento na cadeia de suprimentos, para que os fornecedores compartilhem seus dados e todos estejam numa posição mais confortável num futuro choque.

Afinal, é consenso que novos choques virão, inclusive no formato de pandemia. E o pior é que ninguém sabe quando.

Mercado de dispositivos blockchain é estimado em US$ 23 bi em 2030

O mercado global de dispositivos que usam blockchain ou tecnologias similares, como DLT, chegou a US$ 300 milhões em 2019 e pode ter um crescimento anual composto de 49% de 2020 a 2030, chegando a US$ 23 bilhões.

No ano passado, a  expansão foi puxada principalmente pelas carteiras de criptos de hardware, diz o um estudo da Prescient&Strategic Intelligence.

E nos próximos anos, mesmo com as carteiras de criptos falando alto, a aplicação desses dispositivos no mundo corporativo também vai crescer, e boa parte pela uso que as empresas farão dessas moedas.

Isso inclui ATMs de criptos e pontos de vendas que aceitam as moedas criptografadas, assim como outros dispositivos, como os telefones blockchain – a Samsung já lançou um.

Criptos no varejo

Essa tendência explica também porque o varejo deve ter o maior crescimento setorial nos próximos anos. Na Europa, mais de 80 mil lojas aceitam pagamento em criptos.

A América do Norte, de acordo com o estudo, foi a região com a maior expansão desse segmento devido ao uso casado com outras tecnologias, como inteligência artificial, realidade aumentada e realidade virtual.

Essa representatividade tem a ver também com o fato de que a regulação norte-americana do setor bancário, financeiro e de seguros demandar segurança e transparência, o que tem puxado o uso de blockchain

Segundo a Prescient&Strategic Intelligence, a região vai ter um mercado de dispositivos blockchain de US$ 11,7 bilhões em 2030, praticamente a metade do total global. O Reino Unido virá na sequência, com US$ 3,4 bilhões, seguido de Canadá, Alemanha e China.

A empresa estima que o mercado de blockchain na América do Norte será de US$ 58 bilhões em 2025.

Medo de Covid-19 no dinheiro pode incentivar lançamento de moeda digital de banco central

A pandemia do coronavírus levou a um aumento sem precedentes de buscas no Google sobre contaminação por meio de notas bancárias e moedas. E esse tipo de preocupação pode levar a um forte crescimento do interesse por moedas digitais de bancos centrais (CBDC, na sigla em inglês).

A afirmação é do Bank for International Settlements (BIS, o banco central dos bancos centrais), no relatório “Covid-19, cash, and the future of payments”.  

Segundo o BIS, esse movimento realçaria o valor de se ter diversos tipos de pagamentos e a necessidade de que qualquer que seja o modelo adotado, que seja resiliente contra uma longa lista de ameaças.

“Infraestruturas de pagamentos resilientes e acessíveis operadas por bancos centrais poderiam rapidamente se tornar mais proeminentes, incluindo as moedas de varejo de banco central (as CBDCs). Essas infraestruturas teriam de suportar um número grande de choques, incluindo pandemias e ataques cibernéticos”, afirma o banco.

Abismo

O risco de contaminação por cédulas ou moedas é muito baixo comparado a outras possibilidades, segundo o BIS. Mas, se o dinheiro vivo começa a ser negado como forma de pagamento por causa do coronavírus, isso pode criar um abismo entre os que não têm e os que não têm acesso a pagamentos digitais.

Isso vai ser um problema em especial em países emergentes, onde o número de pessoas não bancarizadas é alto, e dentro do grupo de pessoas com mais idade e pouco ou nada acostumadas ao mundo digital.

Investimentos em energia podem crescer 83% ao ano e chegar a US$ 35 bi em 2025

Os investimentos em blockchain no setor de energia devem crescer a uma taxa anual de 83% entre 2018 e 2025, chegando a US$ 34,7 bilhões, segundo previsão da Premium Market Insights (PMI). O aumento acontece à medida em que as empresas encontram soluções que reduzem seus custos operacionais, mais segurança da informação e redução de riscos.

A estimativa é de que em 2016 os investimentos eram de cerca de US$ 156,6 milhões. Desde então, diversas empresas têm investido em blockchain em ações como controle de dados e transações financeiras, inclusive no Brasil. Entre elas estão a AES Tietê, EDP e Endesa.

Usuários como o mercado de Queen Victoria Market, em Melbourne. Blockchain é uma das tecnologia que ajuda o mercado a armazenar e vender energia no mercado livre australiano. A Fohat, empresa brasileira, participa do projeto.  

GM pede patente para sistema de navegação que usa blockchain

A General Motors (GM) entrou, ontem (2), com um pedido de patente para um sistema de atualização de mapa de navegação descentralizado que usa blockchain. O objetivo é reduzir os altos custos com a atualização dos sistemas atuais de navegação.

Várias montadoras estão testando e usando blockchain em seus processos de produção. A BMW, por exemplo, divulgou nesta semana que em 2020 vai usar a tecnologia com 10 fornecedores, após um teste bem sucedido com o rastreamento de lanterna de um fornecedor.

A GM, em 2018, já havia pedido a patente para que carros autônomos armazenem dados numa rede distribuída. E a Mercedes-Benz anunciou em janeiro passado que vai testar a tecnologia para monitorar emissão de CO2.

De acordo com o pedido de ontem da GM ao US Patent & Trademark Office (USPTO), o sistema de atualização do mapa descentralizado de navegação é composto por um ou mais sensores que avaliam o espaço em volta do carro.

Diferenças validadas

Um detector de discrepâncias identifica as diferenças de dados nesse espaço, comparando com um mapa de negação baseado em informações recebidas de um ou mais sensores. As diferenças são transmitidas para uma rede blockchain de mapeamento.

As diferenças colocadas na rede são comparadas com o mapa de navegação que já está na rede blockchain de mapeamento. As transmissões transmitidas pelos diferentes veículos são validadas para serem inseridas na rede.

Segundo a montadora, muitos veículos usam algum tipo de sistema de navegação. Ocorre que os custos são altos para manter dinâmicos e atualizados esses sistemas de mapeamento

Blockchain é usada no combate à violência contra as mulheres

A tecnologia blockchain pode ajudar no combate à violência contra as mulheres e no período pós-trauma de um ataque.

Uma das iniciativas nesse sentido é do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a fundação everis e do ecossistema LaCChain, que lançaram um desafio para encontrar projetos a serem apoiados. E na Índia, o aplicativo Smashboard torna menos traumática a denúncia de casos.

O desafio Blockchangel (Blockchain – Challenge – Angel) é aberto a pessoas, empresas e instituições da América Latina e Caribe e os projetos devem ser aplicáveis em toda a região.

O número de mulheres assassinadas por feminicídio na região nos últimos dois anos chegou a 8 mil, o dobro do que se vê em outras partes do mundo.

Punição e apoio

Esses projetos devem entregar soluções em quatro áreas: prevenção, como registro de comportamentos violentos; atuação, para maior facilidade de registro e autenticação online e legal; controle, para ajudar a identificar vítimas e o que pode ser feito para protegê-las; e restauração, de assistência às vítimas.

Os projetos escolhidos terão apoio econômico,  empresarial e tecnológico. As inscrições podem ser feitas até o próximo dia de junho pelo site da LaCChain.

O Smashboard usa blockchain para que as vítimas façam denúncias online, de forma privada e criptografada. Muitas vezes, diz a criadora do aplicativo, a jornalista Noopur Tiwari, muitas vezes, denunciar é arriscado para as mulheres. O aplicativo dá também apoio mental e legal para as mulheres.  

O anonimato permitido pela blockchain ajuda as mulheres a terem as primeiras conversas pós-ataque, o que pode ajudá-las a procurar um advogado, jornalista ou terapeuta, diz Noopur.

Fechamento da XDEX é baque institucional para o segmento de criptos, diz mercado

O fechamento da XDEX, plataforma de compra e venda de criptomoedas, anunciado na terça-feira (31), é um baque institucional no mercado, segundo fontes ouvidas pelo Blocknews. Em termos de volume, sua representatividade era pequena.

Quando foi lançada, em outubro de 2018 pela XP Controle Participações e pelo private equity General Atlantic, que tem uma fatia da XP, dois atores do setor financeiro tradicional, o mercado entendeu que esses sócios de peso seriam uma chancela ao mundo das criptomoedas.

“A retirada da XDEX do mercado é um retrocesso no mercado”, disse ao Blocknews Courtney Guimarães, da BRQ Digital Solutions. Havia, segundo ele, muita esperança que a XP forte no mercado e pudesse guiar um pouco o adoção de criptoativos.

“Mas tem outro fator que é mais psicológico. A XP é uma das maiores marcas de investimentos de e ter seu nome associado a criptos seria quase um endosso ao mercado”, completou.

Além disso, o movimento poderia levar a alguma regulação do setor, tornando-o mais confiável aos olhos dos investidores e mais respeitado pelo setor tradicional.

Do ponto de vista do volume transacionado na plataforma, o impacto do fechamento será pequeno. Os números da XDEX não eram informados, mas o mercado estima que eram baixos. Há estimativas de que a plataforma representaria menos de 5% do mercado.

Porque parou

No comunicado do fechamento, a empresa alega que a “projeção do mercado, competição e os poucos avanços regulatórios diminuíram as oportunidades encontradas no início do projeto”.

A XDEX não deu nenhuma informação adicional sobre o fechamento, além do que está no comunicado. Mas questionada pelo Blocknews se havia tido algum problema com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), respondeu que não. A resposta veio por meio de sua assessoria de imprensa.

A falta de regulação é um ponto que fontes ouvidas pelo Blocknews afirmam que deve ter mesmo contado na decisão, visto que a XP vem do mercado tradicional e está acostumada a isso.

Um operador lembrou que após o IPO da XP, em dezembro passado, seu CEO e fundador, Guilherme Benchimol, disse que a empresa focaria no negócio e não abriria frentes paralelas. “Além disso, a equipe devia ser cara e a XDEX era um negócio complexo para a XP, mas pequeno”, completou.

“Eu torcia muito pela empresa porque tinha um grande potencial e era ligada à maior corretora tradicional do mercado. E se o mercado passasse a ser regulado, seria positivo porque os agentes autônomos indicariam a empresa”, disse Nicholas Gonçalves Sacchi, estrategista de criptomoedas da Empiricus.

Competição

Uma fonte disse ao Blocknews que para operar num mercado competitivo, “a XP teria que entrar pesado, do contrário, não faria muito sentido se manter operando”. Isso porque, além das bolsas em operação, outras planejam entrar aqui.

A XDEX não entregava criptomoedas ao cliente. Recebia e entregava a eles reais. “O produto dela era laboratorial, de exposição, um contrato indexado a um preço (de criptomoeda)”, disse Guimarães.

Segundo uma fonte, “era mais um negócio de arbitragem, e para isso, a XP não precisa de uma plataforma”, disse um operador.

É hora de sair?

O anúncio do fechamento pegou o mercado de surpresa. Um participante do setor disse ao Blocknews que imaginava alguma mudança após a saída do então CEO, Fernando Ulrich, há cinco meses.

Ulrich é um dos maiores promotores de criptomoedas do país. “Mas não imaginava o fechamento da operação, pensei que se manteria operando, mas de forma irrelevante”, completou essa fonte.

Uma das fontes entrevistas pelo Blocknews acha que este não é o momento de sair do mercado. “Há discussões bem aquecidas sobre stablecoins, uma provocação com as moedas fiat na condução da crise. Vai haver um hiper ou uma crise de moedas após a pandemia. Neste momento de ansiedade para entender como bitcoins e criptomoedas vão ficar, não é hora de sair. As exchanges qualificadas, por exemplo, fazem investimentos cada vez maiores.”

Para Sacchi, quem comprou criptomoeda a um valor maior do que o que vai receber agora da XDEX, fica no prejuízo, porém pode comprar moeda em outro local. “Mas isso é mais uma etapa de fricção para quem não tem experiência com o assunto”, completa.

Uma boa notícia é que vemos movimentações em outro sentido, afirma Guimarães. E dá como exemplo o Mercado Bitcoin, que “está capitalizado, tem governança sólida e quer atuar como banco”.

BC, CVM e Susep trocam carta ofício por blockchain para checagem de dados comuns

O Banco Central (BC), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Superintendência de Seguros Privados (Susep) iniciaram hoje (1) o uso da Plataforma de Integração de Informações das Entidades Reguladoras (PIER), uma rede blockchain para o compartilhamento de bases de dados e aceleração de processos de autorização e de registro do sistema financeiro.

A PIER vai reduzir custos, tempo, fraudes e erros, segundo as instituições. Evita-se, por exemplo, redundâncias em pedidos de informações a regulados em comum, afirma a CVM. E com a descentralização das informações, a chances de fraudes também cai.

A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) está começando a testar a plataforma. Além disso, outras instituições de fora do sistema financeiro poderão se juntar à rede, como o Judiciário e juntas comerciais, disse o BC.

Do papel para o digital

A plataforma foi desenvolvida e é mantida pelo Bacen. Há algum tempo o BC vem buscando alternativas tecnológicas para tornar o sistema financeiro mais eficiente. O presidente do banco, Roberto Campos Neto, já disse no ano passado que é um apaixonado por tecnologia.

Até agora, as checagens de dados entre as instituições eram feitas por carta ofício. Processo mais lento e aberto a erros. Pela PIER, uma instituição consegue checar dados inserindo CPF ou CNPJ do regulado.

A plataforma checa dados relacionados a três itens: informações de processos punitivos e de restrições de empresas e administradores para checagem de idoneidade, histórico de atuação no sistema financeiro para verificação de conduta e de capacidade técnica e  participações de pessoas físicas e jurídicas no capital social e no controle acionário de empresas.

BMW vai expandir para 10 fornecedores rastreamento de peças e matérias-primas

A BMW Group testou no ano passado o uso de blockchain em sua cadeia de suprimentos com um fornecedor e decidiu que em 2020 vai expandir uso para 10 deles.

Segundo a empresa, o projeto PartChain será aplicado no rastreamento de componentes e matéria prima, inclusive a partir de minas, como a do cobalto, usado em baterias e foco de trabalho escravo em alguns locais.

O teste começou com lanternas, segundo Andreas Wendt, membro do conselho de administração da BMW AG e responsável pela rede de compras e fornecedores. Participaram duas das 31 fábricas da empresa, em Spartanburg (EUA) e em Dingolfing (Baviera), além de três unidades da Automotive Lighting, fornecedora das lanternas.

A indústria automotiva tem uma das maiores e mais complexas cadeias de fornecimento industriais. Não é à toa que também é apontada como um ator importante nas economias.

Mas no que se refere à comunicação entre as empresas da cadeia, há diversas falhas que atrapalham o processo. Em geral, cada um faz o rastreamento da sua fase, sem compartilhamento de dados. Para isso, é preciso muito trabalho, inclusive manual. Com o PartChain, o rastreamento é visível para todos e é automatizado.