Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

MCTI participará do último painel do simpósio sobre blockchain em energia

Estão abertas as inscrições do último painel do 1º Simpósio – O Potencial da Blockchain no Setor Energético, que será na próxima terça-feira (14). O tema será Modernização e Regulação.

Participarão Eduardo Soriano Lousada, Diretor do Departamento de Tecnologias Estruturantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Dayana Uhdre, Procuradora do estado de Paraná, Marcelo Eisele, Executivo de Contas da Microsoft, Cezar Taurion, da Kick Ventures, e Eduardo Pimazzoni, da Cyclicus.

A inscrição pode ser feita em https://bit.ly/2W696iw

O simpósio é realizado pelo Blocknews e pela Mentors Energy Consulting.

GrowthTech cria serviço para imóveis focado em empresas; CNJ acabou com atendimento a cartórios

Quando o Provimento 100 da Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) foi editado, em maio passado, jogou uma bomba sobre a GrowthTech, startup que se especializou em registros e contratos digitais por blockchain para o setor imobiliário.

A nova regra, que criou uma reserva de mercado, determinou que os cartórios passassem a usar serviços digitais só do Sistema de Atos Notariais Eletrônicos, o e-Notariado. Com isso, os serviços da empresa para mais de 100 cartórios foram interrompidos e o faturamento secou.

Mas, a startup, que em janeiro recebeu aportes da Gear Ventures e do grupo imobiliários RTSC, aproveitou o aumento das assinaturas digitais de contratos causado pela pandemia do Covid-19 e criou o PropLedgders. O serviço permite a geração, assinatura e registro de contratos imobiliários privados em blockchain e deve ser testado a partir de agosto.

 É a digitização do processo, disse ao Blocknews Hugo Pierre Furtado, fundador e CEO da empresa. É digitização porque tudo é feito eletronicamente, sem papel, inclusive o contrato. Ao contrário de digitalização, que é passar algo físico para o digital e que é o oferecido por seus concorrentes, diz ele.

Blockchain e foco no setor imobiliário

A digitização, o uso de blockchain e o fato de ser uma plataforma focada no mercado imobiliário são os diferenciais do PropLedgers em relação a seus concorrentes, afirma Furtado. “O que estamos fazendo já estava nos planos para o futuro. Mas estávamos dando prioridade para o segmento de cartórios, que era um nicho descoberto. “

Por ser focado no setor imobiliário, a plataforma tem  modelos pré- formatados de contratos e a possibilidade de uma incorporadora gerar o próprio contrato, exemplifica. O público alvo é o das incorporadoras, construtoras, fundos imobiliários e imobiliárias.

O plano da startup é atender o maior número possível de incorporadoras. Já há conversas avançadas para pilotos na seguinte quizena de agosto e espera-se recuperar o período sem faturamento por conta da interrupção dos serviços aos cartórios. A empresa chegou a faturar R$ 500 mil por mês.

“Tivemos que nos reinventar”

“O Provimento 100 teve um impacto absurdo e tivemos de nos reinventar, afirmou Furtado. Tínhamos 146 cartórios plugados em nossa plataforma, que não puderam mais usá-la. Entendemos que tínhamos de focar no mercado privado.”

A perspectiva com o PropLedgers é boa porque o movimento que a pandemia gerou de contratos e assinaturas eletrônicas não tem mais volta, mesmo que o mundo retorne a uma rotina normal, diz ele. Além diso, a empresa sempre acreditou na força do mercado imobiliário para seus produtos, que mesmo em épocas de crise responde por uma boa fatia do PIB.

Há mais um fator importante e que diminuiu os riscos: como o serviço é para atores privados, não precisa de regulação. Desde que as partes definam que o processo será eletrônico, tem valor, conforme diz o artigo 10 da Medida Provisoria nº 2.200-2 de 24 de Agosto de 2001.

Digitização de vendas

Para a startup, um outro passo do mercado será a digitização dos stands imobiliários. Ao invés de ir na imobiliária com uma pasta de papéis, tudo será feito no formato eletrônico. “Tem incorporadora que quer ter um portal onde o cliente escolhe imóvel e faz tudo de forma eletrônica nesse stand de vendas”, disse.

As empresas que vão utilizar o PropLedgers serão um nó da rede ou estarão sob um nó. Se for uma pessoa física que compra um imóvel, recebe uma notificação de um contrato eletrônico por email, cria uma identidade digital na rede e assina por certificado digital ou QR Code. “É o nó que paga o serviço para a GrowthTech. O custo será variável e está em estudo, mas para um contrato com assinatura deve ser de em média R$ 70.

Para criar o novo serviço, a Growthtech aproveitou a mão de obra que já tinha. Na parte técnica, a rede já tinha uma pre arquitetura definida para suportar esse serviço.

BRI Brasil envia carta a governador do Paraná sobre gastos com projeto Harpia

O Blockchain Research Institute (BRI) Brasil enviou, hoje (9), uma carta ao governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD), em que defende que o modelo adotado para o projeto Harpia, de combate à fraude nas compras públicas com o uso de blockchain, terá um custo desnecessário de R$ 25 milhões para o estado e vai limitar a adoção do uso pelo setor privado.

A carta é assinada por Carl Amorim, representante do BRI Brasil, e diz que o modelo definido pelo estado “encarece o processo, inibe a formação de um ecossistema de inovação e desenvolvimento de soluções e reduz a possibilidade de adoção da tecnologia pela iniciativa privada, apresentando alto risco de disputas legais para isonomia de competição.”

O modelo prevê que a Celepar vai desenvolver a plataforma em parceria com a IBM.

“É nosso entendimento que o custo de R$ 25 milhões anunciado é fruto de um modelo inadequado, ineficiente e caro de contratação. Adotar um modelo de negócios tradicional (de compra e venda de produtos e serviços) transfere todo o custo do sistema para o Estado, deixando de explorar a capacidade do blockchain custear o uso do sistema, distribuindo os custos para os usuários e para a iniciativa privada ao invés de suportado pelo Estado”, diz a carta.

Comitê de governança

O BRI Brasil tem tido reunião com o Paraná há 16 meses, segundo a carta. O instituto tem recomendado a criação de um comitê de governança para o desenvolvimento e implantação do Harpia, assim como um hub de blockchain no estado. Para isso, apresentou um projeto para o comitê, que poderia ser contratado por concorrência ou inexigibilidade.

A criação de governança de redes blockchain é sempre recomendada por especialistas, porque ajuda a definir regras por consenso dos membros e a fazer com que os projetos, depois de implantados, rodem de forma mais acelerada, sem atritos.

No caso do Harpia, a sugestão do BRI é que o comitê seja formado por participantes como o governo estadual e instâncias como a agência de desenvolvimento do estado, empresas estatais a autarquias, como Copel, Porto de Paranaguá e Celepar, os poderes legislativo e judiciário e o Ministério Público, além de representantes do setor privado, como empresas de tecnologia, e representantes de outros estados e da união.

O hub seria responsável pela disseminação de conhecimento, pesquisa, treinamento e incentivo de criação de empresas de tecnologia.

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Paraná deve evitar solução proprietária e ter consórcio de governança, diz BRI Brasil

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O Governo do Paraná deveria evitar uma solução proprietária para o Projeto Harpia, que usa blockchain e inteligência artificial para combate à corrupção em compras de produtos e serviços do estado. Dessa forma, não ficará refém de um único fornecedor de tecnologia e será mais inclusivo. A opinião é de Carl Amorim, representante do Blockchain Research Institute (BRI) no Brasil.

O governo anunciou que o Harpia começará a ser implantado neste mês em parceria com a IBM. O projeto Harpia foi concebido pela Controladoria Geral do Estado do Paraná e será implantado pela Celepar.

A tecnologia blockchain é feita para ser usada em rede, com um ecossistema o mais amplo possível, incluindo todos os envolvidos num determinado negócio ou atividade. Mais do que tecnologia, blockchain ajuda a criar novos modelos de negócios, tanto que empresas e governos descobriram isso numa solução criada inicialmente para a criptomoeda Bitcoin.

Consórcios de governança

O BRI Brasil, segundo Amorim, tem realizado discussões desde 2019 com órgãos de administração do Paraná para apresentar o que é, como funciona e como idealmente deve ser estruturada uma rede blockchain. E apresentou um projeto de consórcio de governança que trata da criação de padrões de dados, escolhas das plataformas e envolvimento dos nós nas redes, diz Amorim. O valor do projeto não foi revelado.

A Celepar, empresa de tecnologia do Paraná, foi convidada a ser membro do BRI, que abriu escritório em Curitiba, além da sede em São Paulo.

Esse é o modelo adotado por consórcios como o Blockchain in Transport Alliance, o Oil & Gas Blockchain Consortium, a Chamber of Digital Commerce e a Government Blockchain Association, que são apoiados pelo BRI, segundo Amorim. No Paraná, o serviço poderia ser contratado por licitação ou inexigibilidade, segundo ele.

Dessa forma, o Harpia teria um consórcio envolvendo CGE, as instâncias do poder executivo, agencias reguladoras, poderes legislativo e judiciário, ministério público e setores da iniciativa privada que firmam contratos com a administração pública, afirma. Até mesmo outros estados poderiam ser acoplados à plataforma.

O consórcio de governança pode reduzir a velocidade do projeto na fase de desenvolvimento, mas acelera a implantação. Especialistas em blockchain sempre recomendam que o modelo de governança esteja definido logo na início, enquanto se discutem outros pontos do projeto. Isso porque toma muito tempo. Mas é o que ajudar a garantir o sucesso da rede.

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BRI Brasil envia carta a governador do Paraná sobre gastos com projeto Harpia

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O Projeto Harpia, anunciado pela Controladoria Geral do Paraná como uma ferramenta para combater em 97% as fraudes em compras do estado, vai registrar em blockchain o passo a passo dos processos de aquisições de produtos e serviços, de quem autorizou as compras, inclusive as autorizações dadas em casos considerados fora do padrão. O sistema também terá o registro dos contratos originais, para evitar que sejam alterados no momento da assinatura.  

Raul Siqueira, controlador geral do estado, disse em entrevista ao Blocknews que o sistema facilitará também a checagem das compras já entregues. E exemplificou que na aquisição de grandes quantidades, a verificação é por amostra, o que tem eficácia muito limitada. O Harpia mostra quais foram feitas fora do padrão, indicando com maior precisão o que deve ser checado.  

Notícia da agência de notícias do Paraná em 24 de junho afirmou que o projeto havia sido apresentado ao governador Carlos Massa Ratinho (PSD), e que a implantação começaria neste mês pela Celepar, empresa de tecnologia do governo, em parceria com a IBM.

Segundo o controlador, não houve licitação para a participação da IBM, o que há são tratativas. Siqueira afirmou que o que a empresa oferece teria características únicas, mas que não compreende de detalhes técnicos e que a parceria estava a cargo da Celepar, responsável por implantar o projeto. O projeto foi criado pela CGE, que pediu à Celepar para executá-lo.

Celepar não respondeu

Procurada mais de uma vez pelo Blocknews para fornecer maiores detalhes da implantação e da parceria com a IBM, a Celepar não se manifestou. A IBM informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que não poderia contribuir com a pauta.

O Harpia, feito para evitar fraudes, usará recursos vindos de combate a fraude. O investimento estimado é de R$ 25 milhões, do Fundo Estadual de Combate à Corrupção.

O Tribunal de Contas da União (TCU) está estudando o uso de blockchain e enviou comunicado a diversos órgãos do governo e estatais federais para que avaliem a tecnologia. E pede que todas as avaliações considerem os benefícios relacionados a ações anticorrupção e transparência.

Como funciona

No Harpia, que usará inteligência artificial, ao inserir os dados do que se deseja adquirir, o órgão do estado será avisado sobre os possíveis fornecedores já conhecidos. Se a lista for muito pequena, o sistema dá alerta, já que lista pequena pode ser tentativa de fraude.

Para seguir em frente, ou os dados precisam ser alterados, aumentando as opções de fornecedores, ou o secretário responsável tem de autorizar que o processo continue. Para isso, precisa dar uma justificativa.

Na fase seguinte, os orçamentos são checados pela ferramenta para que se chegue a um preço médio e se possa abrir a licitação. Isso é feito com um cruzamento de dados com a Nota Paraná, sistema de notas fiscais estado.

De novo, o sistema vai avisar se há preços melhores e se o órgão público quiser seguir com a compra, vai precisar de justificativa e validação do secretário.

O Harpia também checa se a minuta da licitação está de acordo com a minuta padrão do estado diz o CGE e se houve alteração no contrato assinado, em relação ao previamente definido.

Em cada etapa há uma tecnologia que conversa com o governo do Paraná para checar os dados, disse Siqueira. De acordo com o controlador, outros órgãos estarão conectados à rede, como Ministério Público.

Ao verificar as compras suspeitas, será possível, pelos registros originais em blockchain, que são inalteráveis, verificar se houve e quem foi o responsável por alguma fraude.

Fase externa

Na fase externa dos contratos, há uma interligação com o Banco do Brasil referente aos pagamentos, para assegurar que quem recebe é o fornecedor. A etapa final é o registro da compra do produto ou serviço, que receberão um QR Code ou código de barras.

Isso permite acompanhar o processo de compras e evitar algumas inúteis. Por exemplo: se é preciso repor uma parte das cadeiras de algum órgão e não se sabe quem foi o fornecedor para entregar outras iguais, muitas vezes compra-se um lote para trocar todas. Com blockchain, fica registrado onde encontrar o fornecedor.

Também será possível colocar QR Codes em placas de informações de obras públicas. Com isso, os cidadãos poderão acessar o código e os dados da obra.

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Futuro do sistema financeiro é moeda digital, diz presidente do Banco Central

O sistema do futuro é quase inteiro digital e vai culminar em moedas digitais. É com essa visão que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirma que foi criado o PIX, sistema de pagamentos instantâneos e que será lançado em novembro deste ano.

“O PIX é um sistema rápido, barato, seguro, transparente e aberto. Quando começamos a entender a demanda das pessoas em relação a meios de pagamentos, ficou óbvio, através da aparição das criptomoedas, que havia uma demanda exatamente por isso”, disse ele no evento Conexão PIX, que foi gravado na segunda-feira (6) e exibido hoje (8) no canal do banco no YouTube. O evento acontece hoje e amanhã (9).

O novo sistema de pagamentos, segundo ele, é fruto da pergunta sobre qual seria o futuro da intermediação financeira no Brasil em cinco, dez anos e o que o BC precisaria fazer para estar à frente desse processo.

Agenda BC#

Com isso nasceu a Agenda BC#, que envolve quatro pilares: inclusão financeira, com mais clientes digitalizados e maior acesso a produtos financeiros e maior competição, com mais agentes, inclusives pequenos, como fintechs.

Outros dois pilares são transparência, já que o brasileiro entende pouco sobre os produtos financeiros que consome, e educação financeira, que é importante para o equilíbrio de longo prazo para terem poupança e equilibrarem suas contas. “Tem gente que consome produtos que não são apropriados para elas”, completou.

O presidente do BC disse que o PIX é fundamental e parte de um projeto maior que vem pela frente. É um sistema interoperável e aberto, que em determinado momento se cruzará com open banking, “que é a capacidade de todos poderem abrir seus dados a pequenas empresas que querem fazer funções específicas e oferecer produtos específicos”.

Projetos paralelos

Há outros projetos paralelos que vão melhor a intermediação financeira no futuro. E citou o sandbox, que vai ajudar na criação mais rápida de produtos.

“Nosso objetivo é transformar a intermediação financeira do futuro. Queremos digitalizar pessoas, processos, competição, diminuir custo operacional, facilitar acesso ao crédito. É um processo muito inclusivo, que vai levar a sistema mais equilibrado”, finalizou.

TCU pede a órgãos do governo e estatais que estudem uso de blockchain

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu incentivar órgãos do governo e estatais a estudarem a viabilidade do uso de blockchain e DLT (tecnologia de registro distribuído). A decisão foi tomada em reunião no dia 24 de junho e publicada no Diário Oficial da União de ontem (7).

É preciso, segundo o TCU, incluir medidas anticorrupção e pró-transparência ainda na fase de desenho da solução blockchain que será usada, para utilizar o potencial de transparência e redução de fraudes que a tecnologia possibilita.

Os 13 ministros que participaram da reunião vão enviar essa decisão à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Banco Central, Banco do Brasil, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Caixa Econômica Federal, Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (Inti), Petrobras, Receita Federal, Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia e Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).

O pedido também será enviado ao Conselho Nacional de Justiça e ao Conselho Nacional do Ministério Público.

O TCU afirma que será preciso estudo de viabilidade para identificar se há recursos humanos disponíveis e quais os requisitos de negócios para um eventual projeto piloto.

Blockchain com IoT e IA podem criar caminho para cidades inteligentes

Os benefícios de blockchain para empresas, governos e pessoas são conhecidos, mas quando a tecnologia é aliada a Internet das Coisas (IoT) e Inteligência Artificial (IA), pode pavimentar um caminho que tem condições de desembocar em cidades inteligentes, as smart cities.

“Smart cities podem abarcar situações como preservação do meio ambiente, aumento da segurança, facilidade de serviços públicos, energia e serviços financeiros. Tudo isso com sistemas inteligentes de alta tecnologia interligados através de equipamentos gerando informações e automação de tarefas. E aí podem ser conectados a pessoas através de seus aparelhos. Usando blockchain, isso pode escalar ainda mais”, disse João Carvalho, fundador e CEO da Mentors Energy Consulting no painel “IoT, AI e Smart Cities” do 1º Simpósio – O Potencial da Blockchain no Setor Energético, no último dia 30.

Um projeto que se encaixa nesse perfil é o PowerHouse, na Noruega, fruto de uma parceria da Entra, que construiu o prédio, da empresa de energia Engie e da Land Rover. O edifício gera 500 mil KWh com painéis solares no teto e consome 280 mil KWh – a energia positiva, superavitária.

“A sobra vai para carros, ônibus e prédios vizinhos”, afirmou o panelista Marcelo Creimer, gerente de inovação da eZly Tecnologia e professor na Fiap. Toda a contabilidade do projeto é feita por blockchain. “Não é fácil validar que a energia é renovável, mas com blockchain isso é possível”, exemplificou.

Blockchain com Iota

E por que uma empresa como a Land Rover participa disso? Por conta da sua estratégia de emissão zero de carbono. Unidades do Jaguar I-Pace, primeiro modelo todo elétrico da marca, rodam com uma carteira digital que permite ao veículo ganhar dinheiro ao reportar problemas nas ruas como buracos e condições climáticas. O dinheiro pode ser usado para pagar estacionamento, pedágio e carregamento de energia, numa espécie de programas de milhas. “A Jaguar quer que seus carros sejam equipados com sistemas Machine to Machine (M2M)”, explicou.

Nesse projeto, foi usada a blockchain Iota, que é voltada para IoT e na qual as transações são encadeadas como num emaranhado e não de forma linear, como é usual com a tecnologia. . É uma rede pública e sem taxas, criado pela Fundação Iota na Alemanha, sem fins lucrativos e cerca de 100 representantes no mundo, inclusive no Brasil.

“Iota tem escalabilidade, porque quanto mais transações, mais rápida fica, não precisa de tantos recursos computacionais, não precisa de nó com perfeita conectividade e pode transacionar valores mínimos, de centavos, porque não tem taxa”, explicou Creimer.

Energia tem papel crucial

A questão não é usar IoT e IA só pela tecnologia, mas pelas questões a serem respondidas, lembrou Flavio Waltz, vice-presidente de Novos Negócios da Radix, empresa de engenharia e tecnologia que exporta serviços para 5 continentes, incluindo líderes do setor de energia. Nesse sentido, a tecnologia em energia tem papel fundamental em cidades inteligentes.

Waltz lembrou que projetos de IA, para terem sucesso, precisam de informação disponível e como muitas vezes não há, acopla-se IoT.

A Radix implantou na CPFL, com a área de inovação da empresa, um sistema de IA que dobrou para 80% a assertividade na detecção de trotes. O sistema é baseado em dados armazenados das ligações, como endereço, horário, dia da semana e tipo de chamado aberto. Um dos reflexos dessa melhoria é que as equipes conseguem atender mais chamados verdadeiros, por não serem direcionadas a casos falsos.

Na ISA CTEEP, transmissora de energia elétrica, foram instalados controles de tensão e gestão de alarmes com IA. “É muito crítico uma queda de tensão”, lembrou Walts. Blecautes podem gerar perdas milionárias para as transmissoras, inclusive pelas multas que as transmissoras podem tomar, fora o problema aos consumidores e a crise de imagem que causam.

AI para produção de leite

Roberto Baraldi , CEO da AuroraStarChain, empresa de soluções IoT, IA e blockchain, afirmou que o crescimento de IA é exponencial seu uso é muito diversificado. Uma smart city pode ter, pr exemplo, uma smart farm.

Baraldi já implantou um projeto na China que aumentou de 2,5 toneladas de leite por ano para 11,8 toneladas ao ano. Para isso, foi usado um colar criado pela sua empresa, o ICCC (Intelligent Cash Cow Collar), que com AI e IoT ajuda a controlar período do cio com monitoramento 24×7 da temperatura e conforto do animal. “Isso diminuiu o intervalo de partos de 415 dias para 400 dias e houve aumento médio de produção de 0,9 kilo de leite por dia”, completou.

Projetos desse tipo são feitos de forma isolada ou pensados como parte de outros maiores – às vezes muito maiores, como é o caso da Neom city, que a Arábia Saudita que construir. A cidade futurística foi projetada para ter 33 vezes o tamanho de Nova York, ser inteligente e ter até carros voadores. Está prevista para ser construída num deserto a partir deste ano e a um custo mínimo de US$ 500 bilhões.

No Brasil, Curitiba é a cidade que está mais à frente no conceito de cidade inteligente, disse Carvalho, da Mentors Energy. Ainda não é uma smart city, mas tem ações nesse sentido. Florianópolis também têm ações inteligentes. São José dos Campos, em São Paulo, idem.

Criar cidades inteligentes ajudam na gestão pública, com a interligação de equipamentos como sensores, radares, semáforos, câmeras, serviços, iluminação pública e transportes. “Israel instalou câmeras que detectam se as pessoas estão com febre”, afirmou Carvalho. Mas além de melhorar serviços, podem gerar receita. Exemplos disso são a monetização de informações sobre qualidade do ar e fluxo de pedestres. Mas para criar uma cidade inteligente, completou, é preciso que a sociedade participe desse processo e não seja uma ação isolada dos governos, completou.

BID e Fundação Everis buscam soluções blockchain para combate a feminicídio

A violência contra a mulher disparou em todo o mundo no confinamento social criado com a pandemia do Covid-19, mais ainda na América Latina, incluindo o Brasil. Diante desse quadro, a Fundação Everis e o laboratório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID Lab) estenderam até 31 de agosto a período para recebimento de propostas de soluções em blockchain para combater essa violência.

As soluções usadas atualmente para combater a violência são antigas e não atendem as 450 milhões de pessoas na região que potencialmente precisam de ajuda, reporta o Blocknews Economía, site de notícias da Espanha.

“Estendemos o prazo porque o confinamento reduziu a apresentação de propostas, que são cerca de 20, de países como Brasil, Colômbia, Argentina, Chile, México e Espanha. O programa foi batizado de BlockAngel.

Suporte de até US$ 150 mil

O projeto vencedor e os outros dois melhor avaliados receberão um pacote integral de apoio econômico, empresarial e tecnológico”, diz Karla Alarcón, diretora geral da Fundação Everis. Os três projeto poderão receber até U$ 150 mil (cerca de R$ 800 mil), reporta o Blocknews Economía

No Brasil, os casos de feminicídio saltaram 22,2% de março a abril deste ano em 12 estados do país, em comparação ao mesmo período de 2019, segundo levantamento do Banco Mundial feito a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O problema surgiu logo no início do isolamento social. De acordo com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, o número de ligações para o canal Ligue 180, que recebe denúncias de violência contra a mulher, subiu 9% na comparação entre os períodos de 17 e 25 de março e de 1 a 16 de março.

Agenda da semana tem energia (dia 7) e identidade autossoberana (dia 8)

Energia – Nesta terça-feira (7) acontece o penúltimo painel do 1º Simpósio – O Potencial da Blockchain no Setor Energético. Desta vez, o tema será “Tokenização e Certificação”. Participarão Fernando Giachini, diretor do Instituto Totum, Heloísa Ceni, diretora de desenvolvimento da CoinFabrik, Rocelo Lopes, fundador e CEO da Stratum, e Rodrigo Borges, COO da Sppyns. A Stratum sorteará duas pulseiras de pagamento por aproximação com cerca de R$ 30 de seu token, para que quem ganhar tenha a experiência da tokenização. Inscrições em https://bit.ly/2Btc2yS

Identidade Autossoberana – Identidade Autossoberana é o tema do webinar do CPqD nesta quarta-feira (8). Os palestrantes serão Luiz F. Jeronymo,
Um dos profissionais mais respeitados no meio tecnológico de blockchain diretor da R3, Karen L. Ottoni, diretora na Hyperledger em New York, e José Reynaldo Formigoni Filho, MSc, gerente de soluções Blockchain do CPqD.