Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Teste de blockchain nas eleições foi positivo, dizem GoLedger, Inepp e OriginalMy

TSE criou lista de candidatos fictícios para testes. Foto: GoLedger

Passadas as demonstrações que 26 empresas fizeram de suas soluções para modernizar a votação no Brasil, no último domingo (15), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deverá, agora, avaliar os resultados dos participantes em questões como características técnicas, segurança, logística, transparência. GoLedger, Inepp e OriginalMy estavam entre as cinco participantes que usaram blockchain nos testes que viabilizaram os votos em celulares e tablets.

Eleitores puderam testar as soluções votando em candidatos fictícios criados pelo TSE para que as empresas tivessem opções de nomes em seus aplicativos. A lista pode ser acessada.

Ainda no domingo, o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, disse que o novo sistema digital de votação, usando dispositivos eletrônicos, poderá ser adotado em 2022 se passar pelos testes de confiabilidade. Ele mesmo testou algumas das soluções apresentadas.

Em conversa com o Blocknews, GoLedger, Inepp e OriginalMy contaram suas experiências.

GoLedger

A GoLedger testou seu sistema em Valparaíso, cidade a 30 quilômetros de Brasília. Barroso, que estava com o vice-presidente do TSE e portanto, futuro presidente do tribunal, o ministro Luiz Edson Fachin, testou a solução da empresa, fazendo o cadastro e requisição de cédula na Justiça Eleitoral, o que acontece na primeira camada de blockchain da solução da GoLedger. Depois, trocou sua cédula por uma anônima, o que feito na segunda rede blockchain e votou, o que se deu na terceira rede. Algumas pessoas da comitiva do presidente do TSE, que incluía uma comissão internacional de eleição da Organização dos Estados Americanos (OEA), também votaram. A partir daí, os eleitores puderam fazer os testes.

Para Otávio Soares, COO da GoLedger, foi possível demonstrar mais do que um aplicativo online. “Mostrou-se as vantagens da tecnologia blockchain desde o início do processo, com o cadastramento perfeito do eleitor, inclusive com a possibilidade de integração com a base de Identificação Civil Nacional (ICN), a proteção dos dados dos eleitores, garantindo a privacidade dos votos e a confiança de que o voto foi cadastrado, emitindo um recibo digital, com a garantia da imutabilidade”. Segundo ele, todas as transações ficam registradas na plataforma da empresa, permitindo auditoria em tempo real.

Inepp

Marcus Lisboa, do Inepp, que fez o teste em Curitiba. Foto: Inepp.

O Inepp foi uma das 10 participantes do teste em Curitiba. Os eleitores saiam de suas zonas eleitorais, passavam pelo local onde eram feitos os testes e quem quis, pode votar de forma online na eleição simulada, pelo próprio celular através de um scanner do QR code da aplicação do Inepp ou em 6 totens com tablets.

“Os votos foram registrados em poucos segundos em nossa blockchain de forma permanente, imutável, auditável e assegurando o sigilo do voto e transparência com a geração de uma hash para cada voto, cuja chave privada não é custodiada nem pela blockchain, nem pelo TSE. É ativada pelo reconhecimento facial, biometria e outros mecanismos de identificação e validação integrados no módulo Proof of Participation (PoP) Docs, habilitando a votar no módulo PoP Vote”, explicou ao Blocknews Marcus Lisboa, presidente do Inepp.

Segundo Lisboa, 200 eleitores visitaram o stand e 149 avaliaram a experiência, sendo que 144 deles deram 5 estrelas à solução, numa escala de 1 a 5, e 4 deram 4 estrelas. Uma pessoa deu 3 estrelas.

OriginalMy

Solução da OriginalMy simula urna eletrônica. Foto: OriginalMy

A solução da OriginalMy tem uma interface visual que simula a urna eletrônica atual. “Trouxemos a opção do eleitor modificar o voto quantas vezes desejar enquanto a eleição estiver aberta, assim, caso esteja sob coação, pode modificar seu voto depois. Além disso, trouxemos a possibilidade de o eleitor auditar se a sua cédula digital foi computada na apuração dos votos e se teve seu direito como cidadão respeitado”, disse ao Blocknews Miriam Oshiro, co-fundadora e COO da empresa.

Para Miriam, o resultado foi muito positivo, uma vez que os testes foram feitos com pessoas de todas as idades, que interagiram de forma intuitiva com a solução. “Foi uma validação de extrema importância para nós. A base do que construímos são os pilares como transparência e auditabilidade, sem abrir mão da privacidade e sigilo do voto. É algo histórico poder participar do início desta transformação. “

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