Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

US$ 7,6 bi foram roubados em ataques e fraudes em corretoras de criptos desde 2011

Só o esquema Plus Token respondeu por perdas de US$ 2,9 bi.

De 2011 até agora, US$ 7,6 bilhões (cerca de R$ 46 bilhões) foram roubados em 113 ataques cibernéticos e 23 esquemas fraudulentos envolvendo corretoras de criptomoedas, segundo o estudo Security Breaches and Fraud Involving Crypto 2011 – 2020, da Crystal Blockchain, empresa de ferramentas de análises para compliance.

O relatório começa a contagem com o primeiro ataque oficial a uma corretora, a Mt. Gox, em junho de 2011, que resultou em perdas de US$ 36 mil. A empresa teve pelo menos mais dois ataques e tudo somado resultou em perdas de US$ 660 mil. A Mt. Gox fechou as portas, mesmo depois de ser a maior intermediária de bitcoins do mundo.

Dos US$ 7,6 bilhões, US$ 4,8 bilhões foram roubados em esquemas fraudulentos e US$ 2,8 bilhões em ataques contra as corretoras. Os países mais atacados no acumulado do período foram os Estados Unidos, Reino Unido, Coréia do Sul, Japão e China. A maior perda foi a do esquema de pirâmide Plus Token, de US$ 2,9 bilhões, mais da metade do total apurado pelo estudo.

Maioria dos problemas acontece com corretoras fraudulentas. Arte: Crystal Blockchain

O estudo não consegue identificar a localização de diversos casos. No Brasil, identifica o do Bitcoin Rain, que somou US$ 370 mil (cerca de R$ 2.2 milhões), em março de 2013. Trata-se de uma fraude iniciada por Leandro César, que anunciou em fóruns sobre Bitcoin a criação de um grupo de 200 cotas de investimentos, cada uma valendo um bitcoin. Investidores poderiam comprar quantas cotas quisessem e a promessa era de retornos polpudos de pelo menos 9% por mês. Como o fraudador abriu uma conta para receber os valores no Mercado Bitcoin, onde foi sócio por alguns meses, corre um processo contra ambos.

Procurado, o Mercado Bitcoin afirmou que “sempre se posicionou como não tendo nenhuma relação com o caso e agora isso foi comprovado por uma terceira parte – um perito nomeado pelo juízo – com um laudo pericial.” Segundo informações divulgadas na imprensa, segundo o laudo, o Bitcoin Rain fez operações em diferentes corretoras, numa relação de cliente com as exchanges. E disse que os valores foram sacados da conta do Bitcoin Rain no MB e enviados a outros endereços rastreados pela Chainalisys.

Segundo o relatório, 43% dos problemas se referem a corretoras fraudulentas e o maior número de ocorrências, tanto de fraudes, quanto de ataques cibernéticos, foi em 2019, com 26 no total. Depois de 16 deles em 2013, os números caíram até 2016 e voltaram a subir no ano seguinte. Em 2020, foram registrados 17 até agora.

Em muitos casos, os fundos são movimentados após os casos ocorrerem e ficam em alguma carteira digital. “Mas, a alta volatilidade no mercado de ativos virtuais leva, em geral, os criminosos a tentarem sacar os recursos roubados em algum momento”, diz o relatório.

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