Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Fase 0 da Ethereum 2.0 é confirmada para 1 de dezembro; promessa é ser mais barata e rápida

O lançamento da Ethereum 2.0 (Eth2), que promete ser mais rápida, barata e sustentável do que a Ethereum 1.0, será mesmo no próximo dia 1 de dezembro. A rede, que permite a realização de contratos inteligentes, é muito usada por empresas para uma diversos tipos de processos, uma das características que a diferenciam da rede Bitcoin.

A confirmação aconteceu nesta terça-feira (24), depois de uma corrida nas última 24 horas para a realização de depósitos de validadores no contrato de participação, necessários para que o cronograma inicial fosse cumprido. Eram necessários 524.288 Ether e isso aconteceu com a contribuição de de 16.384 validadores.

Em menos de 24 horas, faltavam cerca e 40% dos depósitos. A Celsius, plataforma de criptomoedas, foi uma das que fez o depósito na última hora. Foram 25 mil ETH.

Buterin e o trilema

Vitalik Buterin, criador da Ethereum, sempre diz que o desafio é ter uma rede descentralizada que seja escalável e segura, tudo ao mesmo tempo – o trilema da escalabilidade. Ter as duas últimas sem mexer na descentralização é uma grande questão. Os valores de transação na Ethereum tem subido conforme o uso da rede cresce e a capacidade de processar os dados se mostra insuficiente. E isso tem gerado reclamações dos usuários.

As mudanças serão incorporadas de forma gradual. Segundo a organização Ethereum, elas estão sendo estudadas desde 2014 e levaram o nome inicial de “Serenity”.

Na primeira fase, a Beacon chain, uma rede separada, que roda paralelamente à atual, entrará em operação. Com ela, será introduzida a proof-of-stake (PoS) no ecossistema.

A Ethereum usa a proof-of-work (PoW). A Beacon vai coordenar a rede e isso não muda a forma como se usa a Ethereum hoje para os usuários. Muda para os validadores, muda. Eles precisam apostar pelo menos 32 ETH no contrato de depósito e no começo, devem ganhar uma recompensa de cerca de 20% sobre as ETHs investidas. Com a PoS, espera-se também economia de energia, um problema da rede.

Próximas fases

A etapa seguinte é prevista para 2021, com as Shard chains, que deverão aumentar a velocidade das transações para até 100 mil por segundo, o que, se confirmado, é um número enorme até para redes centralizadas. Essa mudança cria a possibilidade de realização de transações em blocos paralelos à da Ethereum, sem sobrecarregar a rede.

Em 2022, a atual mainnet deve se fundir com a Eth2 beacon e shard chains, o que acabará com o PoW da rede.

Brasil tem 181 startups com serviços em blockchain; maioria foca em finanças e B2B

O Brasil tem 181 startups focadas em serviços baseados em blockchain, que desde 2013 receberam apenas US$ 6,6 milhões (cerca de R$ 37,7 milhões) em investimentos. As informações fazem parte do Distrito Blockchain e Criptomoedas Report, divulgado hoje (24).

O relatório mostra ainda que 90 das 181 startups estão concentradas em serviços financeiros, em especial naqueles ligados a criptomoedas, o que difere do mercado internacional, onde finanças inclui mais segmentos de uso da tecnologia. Outras 42 startups se concentram em Blockchain-as-a-Service (BaaS). A categoria de menor representatividade é a de soluções para marketing e mídias.

E muito poucas, apenas 1,1% das starturps, estão ao mesmo tempo na categoria B2B e B2G. Enquanto as de B2B são a maioria, sendo 38% do total, o percentual das duas categorias combinadas mostra que muito poucas estão focadas em soluções para governos.

O estudo confirma uma percepção que se tem quando se transita pelo mundo blockchain: a de que estão concentradas na região Sudeste, que é a casa de 67,4% delas. Só no estado de São Paulo estão 47%. Em seguida vem o Sul, com 19,9%, em especial Santa Catarina e Paraná.

Maioria das startups está focada em finanças. Foto: Distrito Blockchain Report.

Quando o assunto são os investimentos e US$ 6,6 milhões, foram 34 rodadas, a maioria nas fases seed ou pré-seed. Os fundos de venture capital Bossanova e Gear Venture e as aceleradoras WOW e Darwin foram os que mais aplicaram esses recursos. O ano de 2016 foi destaque com a captação de US$ 1,94 milhão pela Intelipost, de logística, numa rodada série A. Bart Digital (US$ 700 mil) e Fohat (US$ 500 mil) também foram destaques no período.

Os números caíram nos anos seguintes e em 2020 se recuperaram em volume e negócios, com US$ 1,6 milhão, quase três vezes o do ano passado, de US$ 639 mil. Neste ano, quem se destacou na captação foram a bolsa de commodities Gavea (US$ 413 mil) e Growth Tech (US$ 350 mil), com captação em rodada pré-seed.

Na era dos ataques cibernéticos, startups focadas em segurança digital levaram 43% do total investido no setor e apresentam uma estimativa de valor maior do que as de serviços financeiros, que embora sejam a maioria, ficaram com 33% dos recursos.

Quando o assunto é mercado de trabalho, as startups demonstram um cenário ainda mais dominado por homens do que em outros segmentos do tecnologia. Apenas 12,2% dos sócios das empresas do relatório são mulheres, com as de segurança digital com o melhor percentual, de 17,8%. Em marketing e mídia não consta nenhuma sócia mulher.

Número de sócias mulheres é baixíssimo nessas startups. Fonte: Distrito Blockchain Report.

A perfil médio dos sócios das startups são homens de 38 anos, de São Paulo e que tem mais um sócio. É uma idade média inferior ao de outros segmentos de startups, como as insurtechs (45 anos) e healthtechs (40 anos).

No total, as 181 startups contabilizam 2,5 mil funcionários, sendo que a maioria desses negócios, 46,2%, tem até 5 funcionários e 39,3% tem de 6 a 20 profissionais.

O Blocknews participou do relatório com um artigo sobre a necessidade de informações confiáveis sobre o ecossistema blockchain no Brasil.

Chainalysis, empresa de análise de dados de crimes com criptomoedas, se torna unicórnio

A Chainalysis, empresa de análise de dados, software e pesquisas relacionadas a blockchain, se tornou um unicórnio. Nesta segunda-feira (23), a empresa anunciou que receberá U$100 milhões (cerca de R$ 570 milhões) em investimentos série C do venture capital Addition, o que eleva seu valor para mais de US$ 1 bilhão (mais de R% 5,7 bilhões). Os investidores Accel, Benchmark e Ribbit também aumentaram seus investimento depois de já terem participado de outras rodadas.

A empresa atende o setor privado, inclusive no Brasil, e órgãos de governo, como o Federal Bureau of Investigation (FBI) e o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (EUA), em transações e mercados relacionados a criptomoedas.

Agora, a Chainalysis diz que usará o novo aporte para sua expansão internacional. “Estabelecemos uma rede de agências de governos em mais de 30 países e em mais de 250 dos negócios mais importantes do mundo”, disse o co-fundador e CEO da empresa, Michael Gronager. 

Faturamento dobrou

Desde julho, quando estendeu sua série B para US$ 49 milhões, a empresa diz que teve um aumento de 65% de clientes, dobrou seu faturamento anual no terceiro trimestre de 2020 e aumentou em 30% seu time, com a contratação de quase 50 pessoas.

Também abriu escritórios em Cingapura e Tóquio e deu suporte em casos como o ataque cibernético ao Twitter e desmantelamento de duas campanhas de financiamento ao terrorismo nos EUA.

Chainalysis é uma plataforma de regulação financeira para o futuro dos ativos digitais”, disse em comunicado o fundador da Addition, Lee Fixel.

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Brasil recebeu do exterior US$ 9 bi em criptos em 12 meses, maior volume da América Latina

Mineradora de estanho implanta blockchain para atender nova lei da União Europeia

A Minespider, que fornece blockchain para rastreamento de minerais, e a LuNa, produtora de estanho de Ruanda, vão implementar uma solução, neste mês, para atender as exigências que os importadores da União Europeia (UE) devem seguir por conta da nova Regulação de Conflito Mineral do bloco, que entra em vigor em janeiro de 2021.

O Google vai dar suporte para o setor, para garantir que a OreSource cumpra as normas europeias. A empresa e a Minespider implantaram um projeto de rastreamento também de estanho, da mina ao consumidor final, para empresas como a Volkswagen e a mineradora peruana Minsur.

A plataforma usada no projeto piloto é a OreSource e nela as empresas de fundição registram os dados da produção na blockchain e um código QR é adicionado ao embarque ou à fatura, para que as informações sejam checadas pelos importadores europeus.

A nova regulação europeia tenta evitar a importação de produtos que geram conflitos em países instáveis e estanho é um deles. A ideia é que importadores europeus – estimados entre 600 e 1 mil diretos – sigam normas já estabelecidas sobre o assunto pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Outros produtos que estão na lista de minerais que geram conflito são o ouro, o tungstênio e o tântalo.

“O setor ainda tem dúvidas sobre como seguir a regulação europeia. A OreSource é uma ferramenta que vai nos dar informações necessárias e ajudar os importadores a terem acesso aos dados”, disse Olena Wiaderna, diretora de sustentabilidade e de diligência da cadeia de suprimentos na LuNa Smelter.  Além disso, por agora providenciarem esses dados, o setor espera poder cobrar mais pelo seu produto.

Moedas de bancos centrais aumentam impactos externos de choques econômicos

As moedas digitais de banco central (CBDC) podem aumentar o impacto de choques econômicos de um país no restante do mundo. “A magnitude desse efeito depende de forma crucial do design da moeda”, afirma o Banco Central Europeu (BCE) no relatório “Moeda digital de banco central numa economia aberta”.

Esses efeitos podem ser muito reduzidos se a moeda tiver características técnicas como fortes restrições às transações de CBDCs por estrangeiros ou se a moeda estiver disponível num cenário de taxa de juros flexivel.

Além disso, a emissão de CBDC aumenta as assimetrias no sistema monetário internacional ao reduzir a autonomoia de política monetária em economias estrangeiras.

De acordo com o BCE, “se a moeda digital estiver disponível para não residentes, pode-se reduzir a volatilidade de fluxo de capital, câmbio e taxas de juros estabelecendo limites de quantidades ou transações que os estrangeiros podem fazer ou adotando uma taxa de remuneração limitada da moeda.”

“Nas nossas simulações, os bancos centrais estrangeiros precisam ser até duas vezes mais reativos à inflação e à produção quando houver uma CBDC, dependendo de suas características.”, diz o relatório.

O banco chama a atenção, no entanto, para o fato de que as conclusões partem da modelagem DSGE estilizada, que ignora a emissão de moeda em outras economias. O modelo inclui apenas duas economias e não faz a modelagem explícita do restante do mundo. Além disso, não aborda as compras de CBDC pelo público. Mas dá uma boa visão de uma perspectiva de economia aberta e um forte grau de realismo ao incorporar características típicas de uma CBDC, afirma o banco.

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De recorde em recorde, cotação do bitcoin superou R$ 100 mil

De recorde em recorde nos últimos dias, o bitcoin superou os R$ 100 mil nesta sexta-feira (20). O preço subiu com a alta em dólar, de US$ 18,2 mil para US$ 18.750. O maior valor em dólar que a moeda já atingiu foi o de US$ 20 mil.

“O movimento de alta resulta do aumento da demanda, diante do atual contexto econômico global provocado pela desaceleração da atividade e da massiva injeção de liquidez promovida pelos principais bancos centrais, levando os investidores a buscarem ativos escassos, que funcionem como reserva de valor”, disse o diretor-executivo da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto), Safiri Félix.  

Segundo ele, a alta também é resultado da entrada de investidores profissionais com grandes aportes, das tensões eleitorais nos Estados Unidos e da adesão recente de empresas como Square e PayPal ao mundo cripto, além da mudança de postura de gestoras como a BlackRock, reconhecendo o bitcoin como uma alternativa potencialmente melhor que o ouro.  Segundo a Receita Federal, entre janeiro e setembro deste ano, as transacionados R$ 86,361 bilhões.   

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Ministério da Agricultura estuda digitalização do setor, incluindo blockchain

O Ministério da Agricultura está olhando para diversas tecnologias, inclusive blockchain, em seus estudos sobre a transformação que o mundo digital poderá levar ao campo. A afirmação está num artigo publicado no site do ministério.

“O MAPA vem desenvolvendo várias iniciativas em cinco eixos estratégicos para alavancar o nosso agronegócio como apoio para políticas públicas, diretrizes, programas e planos que auxiliaram na construção de novos horizontes do setor”.

Essas iniciativas são agricultura digital, sustentabilidade, bioeconomia, inovação aberta e foodtech. No caso da agricultura digital, o ministério tem estudado o ensino online, blockchain, conectividade, uso de Bots, agricultura de precisão, inteligência artificial e outras plataformas, como a Plataforma Nacional de Registro e Gestão de Tratores. “Da mesma forma precisamos antecipar o futuro e trazer aplicações de computação holográfica e gêmeos digitais para o agro”, diz o artigo.

Relógios Hublot passam a ter garantia e autenticidade registradas na blockchain AURA

A fabricante suíça de relógios Hublot vai usar blockchain na garantia de seus relógios, a e-warranty. A empresa já equipava os relógios com garantia eletrônica, mas desta vez, tudo será registrada na blockchain AURA, desenvolvida pela Microsoft e Consensys rastreamento da autenticidade dos produtos de luxo do grupo LVMH, do qual a Hublot faz parte..

A garantia e verificação de autenticidade são ativadas com uma foto de um celular. “a perfeita fusão entre complexidade tecnológica e simplicidade de utilização.” Ricardo Guadalupe, CEO da Hublot. A empresa trabalhou por mais na tecnologia, desenvolvendo algoritmos com a empresa KerQuest. É o primeiro reconhecimento visual de um relógio.

Reconhecimento por microcomponentes

Os relógios terão um passaporte e uma garantia eletrônica que se assemelham ao reconhecimento facial e que são baseados nos materiais de cada peça. Segundo a Hublot, os relógios podem parecer iguais, mas cada um tem algum microcomponentes diferente dos restantes, por isso é possível rastrear a autenticidade.

A rede começou com o registro de dados das marcas Louis Vuitton e dos perfumes Christian Dior. Outras marcas do LVMH deverão entrar na rede, que está aberta a produtos de luxo de outros grupos também.

Produtos falsificados com as marcas de luxos são artigos fáceis de serem encontrados. São um sinal dos bilhões em dólares de importações de falsificações e de piratarias. Em 2016, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estimou esse valor em US$ 500 bilhões, 2,5% das importações globais. Mas na Europa, o percentual seria ainda maior, aparentemente o dobro.

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UE abre consulta legal para operação de sua infraestrutura de blockchain

A Comissão Europeia vai lançar uma concorrência para a contratação de uma consultoria jurídica para implantação de seu projeto de infraestrutura de blockchain que, espera-se, comece a funcionar em 2021. O contrato poderá chegar a 60 mil euros (cerca de R$ 420 mil).

A União Europeia (UE) criou a “European Blockchain Services Infrastructure” (EBSI), que deverá ser a espinha dorsal da infraestrutura blockchain para o setor publico, com cada país do bloco sendo um nó na rede permissionada (fechada). A ideia é de que depois haja interoperabilidade também com o setor privado.

Quem tiver interesse em participar, deverá cobrir todas as questões legais e desafios referentes à operação da infraestrutura da EBSI, diz a CE, tanto do ponto de vista do nível da rede, quanto das aplicações.

Também deverá indicar quem seria legalmente autorizado a operar a infraestrutura depois que a Comissão Europeia colocá-la em atividade, considerando a possibilidade de uma parceria publico-privada para uso da EBSI.

Empreendedoras: três perguntas para quem quer mudar o mundo com as próprias ideias

Mulheres jovens, empreendedoras e que não se abateram com as dificuldades do mundo dos negócios, que inclui falta de acesso a capital e machismo estrutural.

Em entrevistas sobre suas histórias, falam do amor pelo que fazem, de como querem mudar o mundo e da solidão que é empreender. É isso o que FintechsBrasil, site parceiro do Blocknews, mostra em reportagem sobre o empreendedorismo feminino e que podem ser lidas em https://bit.ly/398zNKY