Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Para Bradesco, blockchain faz sentido em pagamentos internacionais

“No nosso cenário, blockchain faz sentido nos pagamentos internacionais”. É o que disse, ontem (27), o especialista na solução do departamento de pesquisa e inovação do Bradesco, George Marcel Smetana,  durante a sessão “Challenges to implement blockchain in Brazil”, do Blockchain Revolution Global (BRG) 2020, que acontece nesta semana O evento é realizado pelo Blockchain Research Institute (BRI) e a sessão foi organizada pelo BRI Brasil.

O banco está experimentando a tecnologia para essas transações – já anunciou testes de operações entre Brasil e Japão usando a plataforma Ripple, executando as transferências em segundos -, em trade finance – faz parte da rede global Marco Polo – e está pesquisando o uso em áreas como a de mercado de capitais, seguros e processos de garantias.

Smetana lembra que as transações intrabancárias (entre contas do banco) já são instantâneas e a custo zero, “então não tem porque substituir”. No interbancário, “o Pix resolve de forma sensacional”. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) chegou a sugerir o uso de blockchain ao Banco Central (BC) para o novo sistema de pagamento instantâneo e no início parecia que seria isso mesmo. Mas o BC avaliou que a tecnologia era muito nova e havia dúvidas sobre sua capacidade de realizar, com rapidez, a demanda de transações instantâneas que o sistema exige.

Já os pagamentos internacionais são bastante complexos, afirmou. As transações internacionais envolvem várias partes, podem ser entre bancos diferentes, que não têm histórico de relacionamento e cada um pode ter um KYC (know your customer, métodos para verificar identidade do cliente em operações financeiras), para citar algumas das complexidades.

Informações em planilha e por email

“Temos contratos de grandes valores em que o ser humano ainda é a integração entre dois sistemas. A pessoa pega de um sistema e copia para o outro ou manda uma planilha por email, e aí sai de férias”, exemplificou Smetana sobre a possibilidade de uso de blockchain para registro e compartilhamento de dados de forma mais confiável e eficiente.

Ele lembra que há outras tecnologias que podem ser usadas, como RPA (Automação de Processos Robóticos), mas blockchain tem se mostrado apropriada em diversos desafios. “É uma solução muito interessante e temos que entender a sua complexidade.  Ao mesmo tempo, não é para todos os problemas da humanidade”.

“Muito se fala em API (Interface de Programação de Aplicativos), mas na API você é chamado e muitas vezes eu quero chamar os outros, quero passar uma informação para uma empresa e vice-versa. Blockchain é mais uma ferramenta para essa integração de sistemas heterógenos.”

O Bradesco tem estudado os casos em que blockchain é a melhor solução possível ou que pareça viável e que precisa ser analisada. E faz isso interagindo com empresas de todos os tamanhos, inclusive concorrentes, como é o caso na Febraban. Essa interação exige uma cooperação que é exatamente um dos melhores pontos da tecnologia: colocar os participantes de uma cadeia ou de um setor juntos, para definir regras que atendam a todos.

O painel foi moderado pelo presidente da Câmara de Comércio Brasil-Canadá, Paulo Perrotti, e teve também a participação de Raul Siqueira, controlador-geral do estado do Paraná, Daniel Fisman, analista sênior da Vale, Felipe Chobanian, co-fundador e CEO da BBChain, de Carl Amorim, executivo do BRI Brasil e desta editora do Blocknews.

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