Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Vale adotou blockchain para evitar perda de informações e de dinheiro

Empresa lida com garantias de décadas, que podem se perder com o tempo.

Foi a partir da constatação de que informações, e até dinheiro, estavam sendo perdidos pela falta de um sistema mais eficiente de registro de dados, que a Vale decidiu olhar blockchain para resolver esse problema. Foi assim que Daniel Fisman, analista sênior da empresa, explicou como uma das maiores mineradoras do mundo e uma das maiores exportadoras do país aderiu à solução.

Uma empresa como a Vale tem uma série de processos e contratos que contam com garantias financeiras, muitas delas fianças e seguros, que são de longo prazo de duração, completou.

“Cheguei a ver garantias de 1990. Em 30 anos acontece muita coisa, mudam equipes, sistemas mudam, um banco adquire outro e a essência da operação pode se perder, porque os controles são em planilhas excel ou sistemas sem confiabilidade grande, o que traz prejuízos para as empresas”, afirmou Fisman, hoje (27), durante a sessão “Challenges to implement blockchain in Brazil”, do Blockchain Revolution Global (BRG) 2020, que acontece nesta semana afirmou. O evento é realizado pelo Blockchain Research Institute (BRI) e a sessão foi organizada pelo BRI Brasil.

No início de setembro, a empresa anunciou que havia emitido, pela primeira vez, uma carta de crédito em blockchain. Foi para uma exportação de minério de ferro da Malásia à China.

Empresas não calculam perdas

Segundo o analista da mineradora, a Vale implementou blockchain para todo o processo de garantia e com isso consegue monitorar seu ciclo de vida e dar à contraparte a mesma visão que tem, “o que a gente considera um ganho de transparência”.

Com isso, a empresa consegue, por exemplo, saber se contratos foram feitos e se cartas de fianças estão em ordem e não corre riscos de perder documentações. “O histórico está todo salvo numa plataforma”, completou.

O cálculo de perdas já provisionadas nos balanços e a dinâmica de negociações que já estão em voo de cruzeiro torna difícil, para as empresas, saber o quanto a tecnologia blockchain pode trazer de valor e reduzir perdas, diz Felipe Chobanian, co-fundador e CEO da BBChain, provedora de soluções.

Harpia no Paraná

O painel contou ainda com a participação de Raul Siqueira, controlador-geral do Paraná, que afirmou que para buscar evitar corrupção em licitações, o estado está desenvolvendo o projeto Harpia, que vai registrar em blockchain todos os dados do processo.

De acordo com Siqueira, 97% dos casos de corrupção estão ligados a licitações em diferentes fases, do preço ao direcionamento de vencedores. O projeto inclui também inteligência artificial. Blockchain dá uma camada de certeza de que o registro da informação é imutável, do edital à contratação, disse o controlador-geral.

O painel foi moderado pelo presidente da Câmara de Comércio Brasil-Canadá, Paulo Perrotti, e teve também a participação de George Marcel Santana, especialista em blockchain do departamento de pesquisa e inovação do Bradesco, Carl Amorim, executivo do BRI Brasil e desta editora do Blocknews.

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