Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Quando e por onde iniciar a carreira em blockchain? A qualquer momento e por qualquer profissão

Rosine pivotou sua carreira quando conheceu blockchain. Foto: Blockchain Academy.

Qual é a melhor hora para iniciar uma carreira em blockchain? Ainda dá tempo de pivotar uma carreira sólida e entrar no mundo dos blocos, que já é uma área de crescimento de empregos e falta de mão-de-obra? Precisa ser alguém já formado em tecnologia para trabalhar com uma habilidade considerada pelo LinkedIn como a mais exigida em 2020?

“A partir dos 14, 15 anos, quando a pessoa passa a ter noção de como as coisas acontecem, já está preparada para ser introduzida nessa área”, diz Rosine Kadamani, fundadora da Blockchain Academy. Mas, ela completa, pode ser a qualquer momento a partir daí, com essa entrada se dando em graus distintos de profundidade e de segmentos – e não só em bitcoin, que foi onde tudo começou há 12 anos.

Pode ser na fase de profissionalização, ou mesmo num momento estável de carreira, como é caso de Rosine e de tantos outros dessa área, que passaram pelo portal do blockchain. No caso dela, deixou o direito e um emprego no Pinheiro Neto Advogados para se lançar em blockchain em 2014.

Mesmo sem números precisos sobre quantos empregos são gerados nessa área, as empresas afirmam que a demanda por profissionais é crescente. Depois do lançamento do bitcoin, aos poucos, surgiram oportunidades não apenas no mundo ligado a criptomoedas (ver matéria com a NovaDAX).

Rede privadas ajudam a puxar os empregos

Empresas de diferentes segmentos começaram a perceber que blockchain tem uso muito diversificado e pode trazer mais eficiência, transparência, segurança e confiança a seus negócios. Com isso, criaram suas redes, demandando serviços que geram empregos (ver matéria com a IBM). Governos fizeram o mesmo movimento. E foi aí que emergiram muitas e oportunidades de trabalho – a maioria delas ainda ocupadas por homens (ver matéria sobre mulheres em blockchain).

Com as oportunidades de trabalho, surgiram as de educação. Há hoje diversas opções no Brasil, como a Blockchain Academy, e fora do país. Os cursos vão do básico ao mais complexo, como o de especialização em universidade como o MIT ou mesmo pós-graduação só em blockchain e criptomoedas ou que combinam esses temas com outros, como finanças e direito.

No mês passado, o CIEE – Centro de Integração Empresa-Escola – anunciou parceria com a Blockchain Academy, dadas as oportunidades que estão surgindo no setor. E fizeram o webinar “Onde estão as principais oportunidades para trabalhar com Blockchain?” .

“Serão cursos de diversos níveis, do inicial ao avançado, para quem quiser se integrar com o assunto e desenvolver competências valorizadas pelo mercado de trabalho”, afirmou Marcelo Gallo, superintendente do CIEE.

Blockchain para todos os gostos

O motivo pelo qual profissionais de diferentes áreas encontram lugar em blockchain se deve ao fato de que a tecnologia faz cada vez mais parte da vida das pessoas e das empresas de diferentes formas.

No caso dessa solução, pode ser uma alternativa para quem gosta do mundo financeiro, já que tudo começou com bitcoin e boa parte das operações são com moedas criptografadas. Mas passa também por tantos outros assuntos como contratos, relações econômicas, esquemas de fraudes – e como evitá-las -, controle de exposição de propagandas, de diplomas e por aí vai.

“A tecnologia era distante da nossa realidade de advogado e agora é possível viver com as duas. As soluções não são só mais uma boa intepretação jurídica Estamos saindo dos escritórios e buscando novas habilidades”, afirmou Tiago Neves Furtado, coordenador da equipe de Proteção de Dados do Opice Blum Advogados durante o webinar.

“A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) é uma grande oportunidade para quem quer trabalhar com blockchain. Quando falamos de direito, falamos de confiança, de um pacto social, as leis demandam que confiemos uns nos outros. Eu confio que você vai cumprir sua promessa de privacidade. Mas como garanto que vai acontecer o que está prometendo?”, diz o advogado.

E nisso blockchain pode ajudar, já que permite registro e armazenamento mais confiáveis de dados. Por essas características, blockchain também tem sido aplicada em segurança cibernética, lembrou Furtado.

Ethereum, Hyperledger ou os dois?

Fausto Vanin, sócio da OnePercent, desenvolvedora de soluções em blockchain no Brasil e no exterior, afirma que sua necessidade de contratação de funcionários é um indicativo do quanto “esse mercado cresce de forma consistente”. Vanin também deixou uma carreira no mercado financeiro quando conheceu blockchain.

Questionado no webinar do CIEE se o melhor é estudar a solução Hyperledger ou Ethereum, sua resposta foi: “dois pontos importantes: se familiarize com as arquiteturas e mergulhe para poder comparar. Mas se alguém quer algo mais objetivo, então se o interesse é mais para startup, correr mais riscos e algo que pode te abrir pontas internacionais, vá para Ethereum. Mas se quiser algo mais corporativo, grandes empresas, Hyperledger tem grande demanda.”

Ele também dá uma outra dica para quem se interessa em entrar em blockchain: “está muito bacana do lado de cá.”

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