Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Mais mulheres em blockchain passa por políticas corporativas e públicas, diz líder do WIB

Mulheres em tecnologia ainda são minoria e quando se fala em blockchain, o quadro pode ser até pior. Um estudo feito há dois anos pela LongHash mostrou que apenas 14,5% dos profissionais em startups ligadas a blockchain eram mulheres, considerando todas as posições nas empresas. E 85% das startups de blolckchain fundadas entre 2012 e 2018 tinham apenas profissionais do sexo masculino, segundo a Quartz .

“A falta de um ambiente acolhedor do ponto de vista de diversidade desencoraja a aproximação das pessoas em qualquer ambiente, não só o de tecnologia, mas o problema é sistêmico e se boa parte  da população não está representada dentro das empresas, então temos que ter ações afirmativas para diminuir essas injustiças”, diz Liliane Tie, líder da comunidade Women in Blockchain (WIB) Brasil.

Apesar da diferença de números entre os gêneros nas empresas, as mulheres têm feito conquistas importantes em blockchain. E as características femininas podem contribuir para isso.

“Experiências profissionais anteriores somadas a algum processo de desenvolvimento pessoal impulsionam empreendedoras a querer  ‘mudar o mundo’ dentro de setores que elas já conhecem bem os problemas. Temos exemplos corajosos dessas mulheres no Brasil, que foram além do apelo revolucionário da tecnologia e criaram principalmente negócios de impacto social e ambiental. Também advogadas costumam se interessar bastante por blockchain e smart contracts (contratos inteligentes), além de outras profissionais de setores diversos.  Talvez pelo mesmo motivo: trabalhar com algo onde a gente se sinta parte de uma transformação maior em curso”, diz Liliane.

Meninas em STEM

Mas é preciso trabalhar a conscientização desde cedo, afirma. “A partir de uma certa idade, meninas não se interessam muito por matérias na escola que são base para atividades ligadas a tecnologia. E, assim como nos projetos open-source e comunidades gamers, meninas são minoria e costumam usar codinomes neutros ou masculinos. Essa é uma fase da vida importante e que pode determinar se jovens seguirão profissionalmente dentro de carreiras de tecnologia”, completou.

A líder do WIB Brasil lembra um levantamento independente (feito pelo jornalista Corin Faife) que indica que dos cerca de 1 milhão de commits de código dos 100 maiores projetos por market cap envolvendo criptoativos, apenas 4,64% foram realizados por desenvolvedoras com nomes identificáveis como femininos no GitHub.

“Identidade de gênero vai muito além do nome, mas essa pesquisa contribuiu para também resgatar um debate acerca da diversidade em projetos open-source, onde a presença masculina é esmagadora e, em blockchain, esses projetos são até mais frequentes do que em outras tecnologias. Para evitar assédio e outras situações inconvenientes como racismo e homofobia, as pessoas preferem usar codinomes neutros ou identificáveis como masculinos”, completou.

Problema sistêmico

O alerta que Liliane faz é que sendo esse um problema sistêmico e na velocidade com que as transformações estão ocorrendo, ações afirmativas de empresas sozinhas talvez não deem conta de resolver o atual cenário.

“Políticas públicas também são urgentes para trabalhar em cima dos desafios que pesquisas sobre diversidade em áreas STEM têm mostrado. E, diante de tantas crises que estamos vivendo atualmente, já não dá mais para ignorar que a falta de diversidade na tecnologia ameaça agravar as desigualdades no futuro se os mesmos vieses forem transferidos aos algoritmos”, completa.

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