Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

União Europeia lança dia 12 de outubro consulta pública sobre emissão de sua moeda digital

A União Europeia vai lançar no próximo dia 12 de outubro uma consulta pública sobre a adoção de sua moeda digital de banco central (CBDC, na sigla em inglês). O bloco ainda não decidiu se vai ter a moeda, mas anunciou hoje (2) que continuará a estudar e a fazer testes.

Depois que a China anunciou, há um ano, que teria sua moeda digital, começou uma corrida dos países e blocos para entender mais sobre o assunto e decidir se vão seguir na mesma linha. O receito é a moeda chinesa, e portanto a China, ganhar corpo em transações e influência internacionais.

Esse movimento inclui o Brasil, que segundo o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, poderá ter uma CBDC em 2022. Um grupo estuda o assunto e terá de apresentar uma conclusão sobre o tema nos próximos meses. Segundo o BC, a moeda seria, a princípio, para turistas estrangeiros.

O anúncio da consulta pública foi feito junto com um relatório que aponta os cenários que seriam necessários para a emissão do euro digital. Isso inclui uma demanda crescente por meios de pagamentos eletrônicos na zona do euro, o que demandaria meios sem riscos na região e uma queda significativa do uso de papel moeda.

Christine Lagarde, presidente do BCE, já disse que euro digital complementaria papel moeda. Foto: Parlamento europeu.

Além disso, a UE afirma que precisaria haver o lançamento de meios de pagamento globais que poderiam gerar receios regulatórios, riscos financeiros e riscos à proteção dos consumidores. A UE não cita, mas a Libra, projeto lançado pelo Facebook com outras empresas, seria um desses riscos potenciais, como o bloco já deixou claro anteriormente.

Outro ponto seria uma adoção grande de CBDCs por outros bancos centrais.

“A tecnologia e a inovação está mudando o modo como consumimos, trabalhamos e nos relacionamentos com os outros”, disse Fabio Panetta, membro do conselho executivo do Banco Central Europeu (BCE) e responsável pela força tarefa que estuda CBDCs.

“Um euro digital ajudaria a Europa a continuar num processo de inovação e contribuiria para sua soberania financeira e fortalecimento do papel internacional do euro”, completou.

Seria, segundo a UE, a preservação do que o euro já faz em termos de um meio de pagamento de acesso simples, aceito universalmente e confiável. Os riscos são aceitáveis, mas seguindo as estratégias apropriadas de design da CBDC europeia, o Eurosystem poderá lidar com esses desafios, segundo o bloco.

Um estudo mais completo sobre o euro digital será divulgado nas próximas semanas.

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