Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Será que estamos prontos para lidar com as facilidades do revolucionário Pix?

Foto: Markus Winkler, Pixabay.


Você certamente já se deparou com as seguintes situações: ter que esperar o horário bancário para conseguir realizar uma transferência, ou então realizar ou receber um pagamento e ter que esperar dias até o “dinheiro cair”. É o tipo de coisa que estamos habituados a vivenciar, muitas vezes sem questionar a eficácia do sistema. O Pix, no entanto, chega justamente para mudar esse cenário e quebrar esse paradigma.

O Pix, sistema de pagamentos instantâneos anunciado pelo BACEN, será lançado oficialmente no dia 3 de novembro e muitas pessoas ainda não sabem ao certo como ele funciona e o que vai mudar com sua implantação – mas vale ter em mente que tornará a vida de todos muito mais fácil.

Esse sistema surge como uma alternativa (e até mesmo uma solução) aos meios de transferência bancária disponíveis hoje, como TED e DOC, e aos meios de pagamento, como cartões, dinheiro ou boletos. Tudo será feito pelas chaves de segurança únicas de cada usuário, que podem ser o número de telefone, CPF/CNPJ, e-mail e uma chave aleatória, levando apenas alguns segundos para concretizar uma transferência ou pagamento.

Benefícios para usuários

São inúmeros os benefícios do Pix para o usuário comum, e vão desde transações monetárias gratuitas entre diferentes instituições bancárias até pagamentos de contas e compras com o dinheiro sendo movido instantaneamente, o que permite inclusive a negociação de descontos. Tudo isso, vale lembrar, disponível 24 horas por dia, sete dias por semana – diferentemente do que acontece hoje

Essa mudança foi influenciada muito em decorrência do processo natural que vem acontecendo da desmaterialização do dinheiro. Seguindo essa tendência, os ATMs (automated teller machine), ou caixas eletrônicos, cartões plásticos, documentos como RG, CPF, licenciamento veicular, entre diversos outros exemplos, também se tornarão, pouco a pouco, obsoletos para nós. Por isso, o Pix desponta como um pilar importante para acompanhar tantas mudanças, que passo a passo se tornam a nova realidade global.

A experiência dos usuários de aplicativos bancários também está sendo reformulada por completo, e as pessoas podem esperar, além de uma janela muito maior para realizar operações, mais segurança também. Isso porque a jornada Pix tem significativas alterações de front-end (os aplicativos que o público comum faz uso), e principalmente do back-office da operação, que é o grande orquestrador das regras de negócios da operação financeira e o grande cérebro por trás das ferramentas. Com isso tudo mudando, muda também o que é entregue para os usuários.

Custos mais baixos

Outro fator importante que será influenciado pelo Pix é o financeiro. Se hoje pessoas físicas pagam uma taxa para realizar transferências para outros bancos, com o novo sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, isso deixará de acontecer. Já para empresas (pessoas jurídicas), que hoje lidam com uma taxa abusiva para a realização de TEDs, com instituições podendo cobrar até R$ 20 por cada, as coisas também se iluminarão. Com o Pix, a taxa cobrada será de R$0,01 a cada 10 transação.

A expectativa é alta para a chegada do Pix, e hoje temos muitas empresas se adequando e se preparando para o futuro. Definitivamente, é uma chave que, uma vez virada, não voltará atrás, tamanha a facilidade tanto para clientes, quanto para instituições. Como ele será recebido e se funcionará dentro do esperado, não temos como saber. Mas uma coisa é certa: trata-se de um novo e importante capítulo na história da revolução fintech.

* Caio Bretones é fundador e CEO da Mobile2you, mobile house especializada em desenvolvimento de produtos digitais sob-medida (taylor-made), tanto corporativos quanto para startups.

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