Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Mercado Bitcoin é finalista em desafio de inovação com token para uso no setor de turismo

Projeto pode ser implantado em 30 dias pela MBDA, diz seu CEO, Reinaldo Rabelo. Foto: Mercado Bitcoin.

Com um projeto de token para incentivar o turismo, a Gear Ventures, controladora do Mercado Bitcoin Digital Assets (MBDA), é uma das dez finalistas do 1º Desafio Brasileiro de Inovação em Turismo, competição realizada pelo ministério do Turismo em parceria com o Wakalua Innovation Hub, pólo global de inovação da espanhola Globalia, e colaboração da Organização Mundial do Turismo (OMT).

Esse é o único projeto das startups finalistas que envolve token e tecnologia blockchain. Um total de 790 projetos de 24 estados e do Distrito Federal se inscreveram na competição de um setor ainda muito analógico e que representa apenas 3,7% do PIB – no mundo, por exemplo, responde por 10% e na Itália, 13%. Nesta sexta-feira (25), a Gear Ventures fará seu pitch, a apresentação do token para os jurados.

O projeto, pelas experiências internacionais no setor de turismo e em outras área que usam tokens, pode ir além de um “power point” e tem condições de ser executado. Um exemplo é a cidade chinesa de Xangai, que acabou de lançar um programa para incentivar visitas culturais a um distrito com o uso de vouchers que correm pela blockchain e são distribuídos pela plataforma WeChat.

“Partimos do conceito de que o ministério poderia incentivar o turismo em regiões que mais precisam e com o uso dos tokens, programando onde os recursos poderão ser usados nessa área, como restaurantes, pousadas e hotéis”, disse ao Blocknews Reinaldo Rabelo, CEO do MBDA. A stablecoin (moeda estável) recebeu o nome de MoTur.

A ideia considerou dois pontos: um deles é que o MBDA viu que o ministério tem um grande cadastro de companhias de turismo, portanto pode ajudar na definição do programa. “E tem todas as informações conectadas, por segmento e região”, explicou Rabelo. Quem ganhar o token, terá de gastá-lo no local escolhido.

Outro ponto foi o modelo do auxílio emergencial distribuído pelo governo para amenizar os efeitos da pandemia. Poderia, por exemplo, ter sido feito com tokens, evitando fraudes relacionadas a quem recebe definindo em que tipo de despesas poderia ser gasto.

O smart contract do token pode ter dados como onde usar, prazo e valor. Foto: Cassio DIniz, Pixabay.

Como funciona

O token de turismo seria feito com um smart contract (contrato inteligente) com regras como onde e quem pode receber e pagar o voucher, seu valor e prazo de uso. É possível também programar a devolução do valor, caso não seja usado. No contrato inteligente as regras são as que o emissor ou o patrocinador decidirem. A ideia do MBDA é criar um ecossistema para a moeda digital. O token foi desenhado em plataforma Ethereum, que é com a qual a MBDA trabalha.

A stablecoin (moeda estável) seria lastreada em reais, portanto, dinheiro que precisa existir. E manteria seu valor (por isso é estável), que poderia ser, por exemplo, de 1 MoTur por 1 real. Os recursos que lastreariam o token poderiam vir de empresas que queiram fazer campanha de suas marcas usando o turismo ou mesmo de governos, não necessariamente do ministério. O usuário ganharia um QR Code para usar na região escolhida.

“Se de fato houver interesse nessa linha, vamos estar bem posicionados”, afirmou o CEO do MBDA. O papel da empresa nesse ecossistema seria o de emitir, distribuir, converter os tokens e poderia também fazer a custódia e fornecer a carteira digital, que são seu negócio.

Ir atrás dos patrocinadores não é o negócio do MBDA, portanto, também não é seu negócio implantar sozinho o MoTur. “Nosso foco é liquidez da exchange. Aqui o projeto está pronto. A gente consegue executar nossa parte em 30 dias”.

A moeda pode ser usada pelos brasileiros e estrangeiros visitando as regiões onde o token seria implantado. Pode ser até um projeto que um patrocinador queira usar em outro país e em outra moeda.

Os finalistas

Além da Gear Ventures, de São Paulo, os finalistas da competição são b2bhotel (PR); Eion Veículos Elétricos (PR); iFriend (RJ); Sentimonitor (RS); Sisterwave (DF); Smart Tour/ Smart Tracking (SC); Tripbike (SP); Vivakey – Techospitality (SP) e Worldpackers (SP).

O vencedor será anunciado no dia 29 de setembro, das 15h às 17h30, durante a Abav Collab, feira virtual da Associação Brasileira de Agências de Viagem. O júri será formado por mais de 20 profissionais do setor e do ecossistema de inovação. Quem ganhar vai ter uma viagem a Madri com programa de formação do Wakalua Innovation Hub, durante a FITUR 2021, a maior feira de turismo do mundo.

Além disso, os 10 finalistas vão para as semifinais da terceira edição da UNWTO Tourism Startup Competition,

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