Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Goldman Sachs nomeia executivo para acelerar uso de blockchain em serviços financeiros e moeda digital

O Goldman Sachs, o banco que adorava bitcoins, depois achou que não eram bom negócio, investiu em startups de blockchain e recentemente disse que bitcoin não é classe de ativos, está dando sinais de que vai acelerar seus movimentos para usar a tecnologia de registro distribuído (DLT), como blockchain, em seus negócios. Isso inclui áreas como crédito, títulos, IPOs e hipotecas. Além disso, está estudando ter sua própria moeda criptografada. Isso se confirmando, pode ajudar a arrastar Wall Street de vez para a era digital.

É o que ficou claro com a entrevista de Mathew McDermott à rede CNBC, que deu sua primeira entrevista como o novo responsável por ativos digitais do Goldman. A informação de sua nomeação, no mês passado, também foi uma novidade que a rede publicou. Até então, McDermott era o responsável global por cross asset financing, em Londres.

O curioso é que o novo executivo tem um histórico no mercado financeiro tradicional: foram 9 anos no Morgan Stanley e já são 15 anos no Goldman Sachs. E substituiu Justin Schmidt, um trader de criptos que foi o primeiro responsável pela área no banco, em 2018. Portanto, a opção agora é por alguém que conhece bem o mercado financeiro, o banco e que não tem medo de falar em digitalização e de serviços feitos com menos gente.

McDermott acredita que o futuro do setor financeiro é usar DLT de forma ampla. Na verdade, já tem que está testa isso nos Estados Unidos, como Vanguard, que reduziu de 12 dias para 40 minutos a emissão de um título. A Bolsa da Malásia é só um outro exemplo de teste.

Pelo que disse na entrevista, uma das áreas primeiras áreas do banco que pretende inserir DLT é o mercado trilhardário de transações e recompra de ativos, onde falta padrão e já desnecessários.

Tradicional, mas tecnológico

Para que tudo isso aconteça, será preciso criar um ecossistema, ou seja, inserir empresas da cadeia desses serviços na rede DLT/blockchain, que só faz sentido se tiver vários participantes.

Se o novo executivo passar pelas barreiras que deve encontrar em seus pares, relacionadas a troca de modo de operação, dispensa de funcionários e temores quanto à regulação, para citar alguns deles, terá sucesso. Ele diz que já está falando com outros empresas.

“Nos próximos 5 a anos, você poderá ver um sistema financeiro onde todos os ativos e passivos virão de uma blockchain, com todas as transações acontecendo na rede”, disse ele na entrevista.

Sobre uma moeda digital do Goldman, isso ainda é um projeto em avaliação. Mas o banqueiro tirou Oil Harris do JPMorgan Chase e o colocou no seu novo time.

Harris fez parte do projeto do JP de lançar a sua moeda JPM, que será uma stablecoin, e foi vice-presidente da plataforma blockchain Quorum, criada pelo banco e usada por diversas empresas. Ele disse que investidores institucionais estão voltando a se interessar pelas criptos.

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