Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Startup Mete a Colher, de apoio a mulheres vítimas de violência, ganha competição internacional

A startup “Mete a Colher”, que usa tecnologia para dar apoio a mulheres que sofrem violência doméstica, foi uma das dez escolhidas no programa de incubação da F-LANE, primeira aceleradora da Europa com foco em startups que usam tecnologia para empoderar as mulheres em todo o mundo. Houve 455 inscritas de 84 países. A F-Lane é do Instituto Vodafone.

O Mete a Colher foi lançado há três anos por Renata Albertim, no Recife (PE) e já ganhou prêmios e reconhecimento. A plataforma, chamada de Tina, é comprada por empresas que querem proteger suas funcionárias por meio de ajuda psicológica e social através de um chat em que a mulher atacada não precisa se identificar. Quando necessário, o caso é levado para a polícia ou redes de apoio às mulheres.

O programa começa no próximo dia 7 e dura 5 semanas e termina com o um Demo Day em 5 de novembro. Por conta da pandemia do Covid-19, será online. A mentoria é liderada pelo Yunus Social Business, fundo de investimento social e tem apoio do Impact Hub Berlin, focado em empreendedorismo social, a também alemã Social Entrepreneurship Academy and a WLOUNGE, ecossistema tecnológico.

Uma das outras 10 escolhidas é a Hive Online, uma plataforma distribuída de finanças para comunidades, que usa blockchain para criar um histórico sobre pequenos negócios. Essa base de dados facilita o acesso de mulheres de áreas rurais na África e terem acesso a crédito mais barato e a novos mercados. A empresa tem base na Suécia, Dinamarca e Ruanda.

Passaporte de saúde, algoritmos de confiança e IA são as tendências, diz Gartner

A pandemia ajudou a aumentar a tendência de uso de algumas tecnologias emergentes, como os passaportes digitais de saúde, mudando o ranking das soluções que, hoje, parece que mudarão a forma como vivemos e trabalhamos nos próximos cinco a dez anos.

De acordo com o Gartner, soluções que identificam quem tem ou teve Covid-19 e se estão autorizadas e estar em determinados ambientes já são usados na Índia e na China e fizeram com que o uso essa tecnologia aumentasse de 5% para 20% do mercado nos dois dos países mais populosos do planeta. É um número sem precedentes para uma solução emergente, afirma a empresa.

Essa é uma das conclusões do Hype Cycle for Emerging Technologies 2020, que indica cinco tendências gerais, que incluem arquiteturas compostas, algoritmos, crescimento além da teoria de Moore, inteligência artificial formativa e “eu digital” (digital me).

As características dessas tendências são:

  • Arquiteturas compostas: com as mudanças rápidas e a descentralização das operações, as empresas precisam mudar para arquiteturas mais ágeis e responsivas. Essa arquitetura é modular e permite às empresas se recomporem quando necessário, como na pandemia. Outras tecnologias dessa tendência incluem, por exemplo, inteligência artificial (AI) e rede 5G privada.
  • Confiança nos algoritmos – a avalanche de dados de consumo, notícias e vídeos falsos e AI tendenciosa levaram as empresas a confiarem menos em dados centrais, como de governos, e mais em algoritmos. O uso de blockchain tem sido usado para autenticar origem de produtos, por exemplo, mas o Garter afirma que embora isso aumente a opções de verificação, se um dado errado for colocado na rede, será sempre considerado verdadeiro. O ideal é desenvolver maneiras de controlar essa etapa de inserção de dados.
  • Além do Vale do Silício – a Lei de Moore fala que o número de transistores num circuito integrado denso dobra a cada dois anos, mas já se vê cada vez mais materiais com capacidade para conseguir tecnologias menores e mais rápidas. Soluções para alterar e armazenar dados no DNA é um exemplo, embora ainda seja algo muito novo e caro.
  • IA Formativa – É um tipo de IA que pode fazer mudanças para dar uma resposta a uma situação, alterando dados de um produto ou vídeo. Serve para o bem e para o mal, ou seja, como criar remédios ou vídeos falsos.
  • Digital me – É o que representa cada um de nós. Pode ser um passaporte de saúde ou uma interface entre cérebro e máquina. Pode ser sua identidade digital para acessar um edifício ou para fazer um exoesqueleto funcionar.

CVM testa plataforma que receberá inscrições para sandbox

A plataforma e os formulários para inscrição no sandbox da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estão em teste e o formulário de avaliação dos projetos está em elaboração, afirmou o Superintendente de Desenvolvimento de Mercado (SDM) da autarquia, Antonio Berwanger.

A expectativa é de que o cronograma seja comunicado ainda neste ano, afirmou o superintendente. O programa dura um ano e poderá ser prorrogável por mais um ano.

Segundo ele, o mais provável é que o perfil das empresas escolhidas para participarem do sandobx seja genérico. As informações foram dadas durante o webinar “Sandbox regulatório no Brasil: aprendizado das experiências internacionais”, realizado hoje (28) pela CVM e o Vieira Azevedo Advogados, com a participação de representantes da Austrália, México e Reino Unido.

O sandbox foi anunciado foi instituído no dia 1 de junho passado pela Instrução Normativa 626 da CVM. As empresas escolhidas terão autorização para testar novos modelos de negócios.

O objetivo é criar um ambiente de experimentação de soluções para produtos e serviços para o mercado de capitais que tragam mais inovação e eficiência, redução de custos, mais competição, inclusão financeira e uma atualização da regulação do país, para permitir novas ofertas no mercado, segundo a autarquia.

O modelo adotado pelo Brasil foi baseado no Reino Unido, com adaptações para o mercado brasileiro. Nick Clark, que gerencia o sandbok do regulador britânico, o Financial Conduct Authority (FCA), afirmou que em geral, há 2 processos por ano, com o período de inscrições aberto por 6 a 8 semanas.

Questionado sobre projetos sobre blockchain e criptoativos, Clark disse que a FCA é neutra em relação a tecnologias. “Se consideramos o projeto inovador, aceitamos. Em relação a DLT (tecnologia de registro distribuído) e criptos, a questão é qual o caso de uso e quais benefícios trarão para os usuários”.

Projetos com essas soluções já foram aceitos para fins pelo FCA, para fins como identidade digital e plataformas que tokenizam a emissão de produtos financeiros.

Uma das ações do sandbox britânica é a busca por projetos que ajudem o país e se tornar mais sustentável do ponto de vista ambiental. Em outubro de 2018 foi lançado um desafio focado nesse objetivo, o Green FinTech Challenge. Houve 22 inscritos e 9 escolhidos, anunciados em outubro de 2019 e que estão desenvolvendo as soluções.

Juros baixos, custódia e educação podem ajudar na expansão dos fundos de criptomoedas

Os fundos que têm criptomoedas em seus portfólios esperam que a queda de juros e investidores buscando alternativas mais rentáveis ajudem a acelerar o crescimento desse segmento, que ainda está nos seus primórdios. Estima-se que em 2019, estavam sob gestão dos fundos multimercados de criptoativos em todo o mundo o valor de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 6 bilhões).

Neste ano, os fundos dizem que viram mais interesse de investidores, sem darem números sobre novos clientes ou valores sob gestão. Foram atraídos por rentabilidade que já atingiram três dígitos. Segundo a Hashdex, neste ano, seus fundos tiveram rendimentos brutos de 22,11%, 46,18% e 125,02%, conforme o percentual alocado em criptos – 20%, 40% e 10%, respectivamente.

Os juros podem ajudar na expansão do mercado, mas não vão resolver tudo. O caminho para uma adoção mais ampla desses fundos, que inclua investidores institucionais em larga escala, por exemplo, passa também por questões como conhecimento e formatos de custódia, afirmaram, ontem (26), gestores durante painel no Digitalks Expo2020.

Mais segurança

No painel “Digital Assets & Fundos de Investimento Crypto”, Marcelo Sampaio, CEO da Hashdex, afirmou que quando se fala em custódia, é preciso pensar também em clearing – liquidação das operações de compra e venda -, para que haja dinamismo sem se perder a segurança.

A empresa fechou em junho um acordo com o braço de ativos digitais da Fidelity, que vai fazer sua custódia e negociação de ativos. A custodiante é parte da Fidelity Investments, que tem US$ 8,3 trilhões (cerca de R$ 50 trilhões) sob custódia e hoje (27) entrou com pedido na Securities Exchange Commission (SEC, a CVM dos Estados Unidos) para lançar um fundo de bitcoin.

A adoção dos fundos por investidores institucionais precisa agrupar três fatores: regulação, educação para maior conhecimento dos produtos e infraestrutura, o que inclui custódias, disse Fernando Carvalho, CEO da QR Capital, para quem a custódia é parte fundamental do segmento cripto e uma vantagem em fundos regulados.

“A infraestrutura é o que mais evolui e hoje é maior do que há cinco anos. Isso vai permitir que produtos institucionais nasçam e que o capital de investidores institucionais seja atraído para essa classe de ativos”, completou.

Embora não deem muita atenção para esse segmento, há um ou outro investidor de altas quantias que já aposta em criptos. Um exemplo é o bilionário, Paul Tudor, administrador de fundos, que diz ter quase 2% de seus ativos em bitcoin. 

Em julho passado, o Escritório do Controlador da Moeda dos Estados Unidos (OCC, na sigla em inglês) confirmou que os bancos nacionais e as associações federais de poupança (FSAs) podem fazer custódia de criptomoedas para seus clientes, o que, acredita-se, pode ajudar a expandir o mercado.

Descentralizado ou tradicional?

Questionados pelo moderador e organizador do Digitalks, Rubens Neistein, se custódia e clearance não colocariam o segmento de cripto mais distante da descentralização e mais próximo do mercado tradicional, Daniel Coquieri, fundador da corretora BitcoinTrade, disse que as pessoas não estão preparadas para fazerem custódia.

“Não é o que as pessoas estão buscando, tanto que 90% da nossa custódia está parada”. Embora não seja o negócio da corretora, a empresa presta esse serviço, o que gera necessidade de muito investimento em segurança.

Além de investidores institucionais, os fundos de criptos também têm o público fora do grupo da geração do milênio para ser atraído. Na Charles Schwab, empresa de investimentos na qual a XP Investimentos se inspirou, os milleniums têm 1,8%, 2% da carteira de aposentaria em criptomoedas, afirmou Rudá Pellini, da gestora de ativos Wise&Trust.

“Mas os ‘baby boomers’ (geração que nasceu no pós-II guerra), não têm criptos. É uma situação geracional, de educação, eles precisam entender que tem gente séria nessa área e não há só golpe.”

Segundo Coquiere, o desconhecimento ainda é um obstáculo para o investimento dar o próximo passo. Isso vem diminuindo e o papel de quem atua no setor é ajudar a infomação a chegar nos investidores.

Custo e falta de regras são gargalos para expansão de produtos financeiros em blockchain

Estrelas em ascensão no mundo de criptoativos, os instrumentos financeiros descentralizados (DeFi) ainda encontram gargalos de crescimento em questões como custos das operações, falta de regulamentação e, para alguns investidores, percepções ruins criadas por projetos que não entregaram o que prometeram. A expectativa é de que nos próximos 12 meses haja mais discussões sobre regulamentação no mundo e busca por outras plataformas blockchain para esse tipo de transação, além da Ethereum, onde se concentram hoje.

A movimentação dos projetos de DeFi acabaram afetando os valores das transações na Ethereum. Segundo o DeFi Pulse, havia US$ 7,25 bilhões (cerca de R$ 42 bilhões) alocados nesses instrumentos no início da noite de hoje (26), valor que deu um salto enorme nos últimos meses com algumas novidades no mercado.

De acordo com Bernardo Quintão, da MB Digital Assets, o custo da transação depende da complexidade do smart contract. O mais simples pode chegar a US$ 5 e os mais complexos a US$ 50.

Gasta-se US$ 100 para montar um pool de transações e na troca de um ativo por outro o gasto é de 0,3%, quando em exchanges internacionais é de 0,1% ou 0. A concorrência é desleal, disse Carlos Russo, head de investimentos da Transfero Swiss, durante o painel “DeFi: como isso impacta o mercado financeiro” que aconteceu nesta quarta-feira no Digitalks Expo2020.

“O progresso é difícil e muito da evolução vai passar pelos custos das operações, mas talvez tenhamos experiências com outras blockchains”, completou Russo, que acredita num aumento do uso de DeFi no Brasil.

Tecnologia nova cria limite

Para Bernardo Schucman, CEO da Fastblock, a tecnologia ainda é muito nova e isso é um limitador hoje. Isso impede, por exemplo, levar DeFi para o mercado financeiro, completou. A Fastblock é uma das maiores consultorias de mineração em blockchain do mundo e hoje a Marathon Patent, mineradora e listada na Nasdaq, anunciou que assinou carta de intenções para comprar a empresa até setembro.

“Estamos no início desse processo de conhecimento do que a tecnologia é capaz de fazer para DeFi ser escalável e se baixar o custo. Primeiro precisamos massificar. Precisamos fazer o bitcoin dar certo.” Segundo ele, a criptomoeda é a principal prova de conceito (PoC) da tecnologia blockchain. Embora tenha subido de valor como um rojão desde seu lançamento, ainda há discussões se a principal cripto do mercado é sustentável. E até agora, o mercado financeiro tradicional não aderiu a esse ativo.

Entrar no mercado financeiro tradicional é uma das dificuldades que nem bitcoin conseguiu ainda. Foto: Annac, Pixabay

Além de custos, a evolução deve passar por maiores preocupações com protocolos e emissões, porque parte do universo de DeFi é empréstimo, o que envolve análise de crédito, identidade e histórico de compras, por exemplo, disse Quintão. Isso dará mais segurança a quem empresta e pode dar também maior confiança para o investidor, já que muitos caíram em promessas enganosas. “Ainda vamos ver vários golpes, mas vamos ver também experimentos bons nos próximos meses”, completou.

“Com o tempo, vamos sair dos modelos de golpe e serão estruturados modelos descentralizados mais eficientes, que permitam um acesso muito melhor ao sistema financeiro”, disse Evandro Camilo, advogado especializado em blockchain da C2Law.

Mas para Courtnay Guimarães, cientista-chefe da BRQ Digital Solutions e moderador do debate, DeFis são uma bolha.

Intermediários

Embora blockchain tenha sido criada para negociações P2P (indivíduo com indivíduo, sem intermediários), a questão é se isso é possível nos DeFis. Schucman acredita que com o tempo, regras para as operações, como acontece com o bitcoin, vão eliminar a necessidade de intermediários. “Vai ser pago o que está regido no algoritmo”.

“O DeFi pode quebrar barreira entre mercados de crédito, seguros, consórcios e financiamentos. A grande magia do blockchain é trocar valor globalmente e aplicado a DeFi, pode servir a várias coisas interessantes. Mas o que se vê hoje já é interessante para a nossa bolha, como swap. Não acho que um cliente de varejo, leigo, vai usar um swap hoje, isso é uma evolução do mercado e por isso precisa de um intermediário para chegar lá de forma fácil”, afirmou Quintão.

Não conseguimos conseguimos transformar bitcoin em mainstream pela complexidade (para o leigo) e o DeFi tem uma complexidade a mais, disse Guimarães.

Um dos riscos, para Russo, está em intermediários que são responsáveis pelos tokens que financiam a operação e não têm valor intrínsico, deixando para trás o projeto mais tarde sem entregar valor. “É preciso boa governança e princípios sérios”.

Mercado Bitcoin passa a ser em plataforma de investimentos TradeMap

O Mercado Bitcoin (MB) passou a ser listado e oferecerá cotações de criptomoedas na TradeMap, plataforma de investimentos no Brasil e Estados Unidos, incluindo ações, renda fixa e fundos, que tem 350 mil investidores ativos diariamente e mais de 2 milhões cadastrados.

Para acessar as informações de criptomoedas, o usuário deverá sincronizar as duas plataformas e usar o Multibroker, ferramenta para o envio de ordens ao mercado, disse Fabricio Tota, diretor do MB.

O MB está listado também no Valor Pro.

Starbucks passa a informar clientes sobre origem do café rastreado com blockchain

A Starbucks começou ontem (25) a dar informação aos clientes dos Estados Unidos (EUA) sobre a procedência do café que estão tomando. Com um QR code é possível saber de onde vêm os grãos e onde foram torrados. Esse rastreamento é feito com blockchain.

Os produtores dos grãos também poderão rastrear onde foram parar seus produtos.

A Microsoft forneceu a solução.

A vice-presidente sênior de vendas de café e chá da Starbucks, Michelle Burns anunciou no Twitter da empresa que isso gera confiança dos consumidores na empresa.

Os mais jovens e a geração do milênio aceitam pagar um valor mais alto por produtos sustentáveis, o que levou a um aumento de torradores artesanais, disse a executiva. Essa pressão por produtos sustentáveis é cada vez maior.

Pagamento em bitcoin

No ano passado, a empresa anunciou que testaria, final do primeiro semestre de 2020, o pagamento de café com bitcoin. O projeto é uma parceria com a Intercontinental Exchange. Sobre isso, a empresa não deu nenhuma informação nova.

Espera-se que esse tipo de rastreamento de alimentos por grandes empresas gere também pagamentos mais altos aos produtos, já que é possível diferenciar com certeza quem vendeu o que. Alguns projetos sociais trabalham para isso.

EUA querem patentear uso de blockchain em votos para eleições feitos por correio

Em meio a ataques do presidente Donald Trump, foi divulgado agora que o serviço de correios dos Estados Unidos (EUA), o USPS, entrou, em 7 de fevereiro deste ano, com pedido de patente para uso de blockchain em votações por meio de seus serviços.

O objetivo do “Sistema Seguro de Votação” é garantir mais segurança num modo de votar que é permitido no país e que pode ser o mais usado nas eleições presidenciais deste ano por conta do distanciamento social gerado pelo Covid-19.

Se isso se confirmar, o número de votos por Correios deverá ser recorde. Votar nos EUA não é obrigatório e em geral, democratas usam mais os Correios nas eleições do que os republicados.

De acordo com o pedido de patente, o eleitor receberá um código legível por correio, confirmará seus dados e dará seu voto. O sistema vai separar a identificação do eleitor de seu voto para garantir o anonimato e vai registrar os resultados em blockchain, segundo o pedido da patente.

O pedido de patente acontece em meio a críticas aos serviços do USPS neste período pré-eleição. O presidente republicano Donald Trump afirmou que há riscos de fraude e de interferência estrangeira nas eleições por meio de votos por correios. No entanto, suas afirmações foram firmemente rebatidas. O USPS também tem sido criticado em diversas redes por ser ineficiente.

A própria eleição de Trump, em 2016, sofreu alegações de que teve interferência exterior, em especial da Rússia, mas por meio de mensagens eletrônicas nas redes sociais e por email.

Blockchain já foi usado em eleições locais nos EUA.

Camex abre consulta sobre obrigatoriedade de tributação de criptoativo

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) do Ministério da Economia está com uma consulta pública aberta até o dia 19 de outubro sobre a obrigatoriedade de prestação de informações sobre operações com criptoativos à Receita Federal.

A consulta foi aberta no último dia 20 de agosto e busca informações para eventuais melhoria regulatórias para promover os investimentos no país. Há 12 setores abordados, entre eles financiamentos, seguros e mercados de capitais, aduaneiro, defesa, TIC. Criptoativos é abordado no tema tributação.

Quem quiser dar sua opinião deve preencher um formulário.

ConsenSys compra Quorum do J.P e banco investe na empresa

A ConsenSys, que desenvolve softwares de blockchain e foi fundada por Joe Lubin, co-fundador da Ethereum, acaba de anunciar a compra, hoje (25), da compra da plataforma Quorum, do J.P. Morgan. Desde o início do ano as empresas vêm discutindo o assunto, segundo fontes que acompanhavam a negociação.

O banco criou a rede de pagamentos Interbank Information Network (INN), que tem mais de 300 bancos, na plataforma Quorum e esse projeto continua, disse o J.P. numa entrevista nesta manhã, segundo a Reuters. Os brasileiros Bradesco, Banco do Brasil, Itaú e Daycoval usam a IIN. Santander também está na rede.

Desde o final de 2019, a Consensys reduziu em cerca de 25% seu número de empregados e separou a parte de software da área de venture capital, indicando uma dificuldade de mercado. Ao mesmo tempo, poderia estar se preparando para a chegada do J.P. de alguma forma. Além de comunicar a compra da plataforma, a empresa anunciou que o J.P fará um investimento na empresa para que desenvolvedores criem as redes da próxima geração e empresas tenham infraestrutura financeira mais robusta.

Informações divulgadas há duas semanas afirmavam que o J.P. preparava um investimento de US$ 20 milhões (cerca de R$ 120 milhões), que seriam parte de um acordo de conversão de US$ 50 milhões (cerca de R$ 180 milhões) em dívida.

Suporte à Quorum

Com o acordo, a ConsenSys diz que passa a oferecer produtos, serviços e suporte para a Quorum, o que vai acelerar a capacidade da plataforma de oferecer, por exemplo, funcionalidades relacionadas a ativos digitais e documentação.

Os mapas de engenharia dos protocolos das duas empresas serão combinados para se usar o melhor de ambos, afirmou a Consensys. Todo o protocolo do Enterprise Ethereum da empresa ficará sobre a marca ConsenSys Quorum. Os desenvolvedores poderão fazer suas escolhas.

A Quorum continuará sendo de código aberto e será interoperável com outros produtos da Consensys. O banco J.P. Morgan será cliente da ConsenSys para os aplicativos na Quorum.

Amigos de longa data

Alguns pontos facilitaram a negociação, como o fato de ambas trabalharem juntas nos primórdios da rede Ethereum, quando ainda nem havia blocos formados, usarem essa solução e criarem a Enterprise Ethereum Alliance. Chegaram inclusive a atender clientes juntos, caso da Covantis, empresa de exportadores de grãos que lançaram um projeto em blockchain no Brasil, como noticiou o Blocknews.

“A criação da Quorum foi a primeira do J.P. em termos de desenvolvimento de seu próprio protocolo blockchain e de um software de código aberto para a comunidade de desenvolvedores”, disse Umar Farooq, responsável global de Blockchain do banco.  De acordo com Lubin, a ideia é unificar a base de clientes em Hyperledger Besu com a Quorum.

Recentemente, o head de ativos digitais do banco foi para o Goldman Sachs, que anunciou um novo executivo global para a área e planos de desenvolver soluções blockchain e potencialmente, uma moeda criptografada.