Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Criptomoedas, o novo ringue de disputas entre Visa e Mastercard

Depois de saírem do projeto da moeda Libra, anunciado pelo Facebook há um ano, Visa e Mastercard, duas das maiores redes de pagamentos do mundo, estão deixando claro que vão disputar com garra o mundo das criptomoedas, que tem potencial para crescer para a casa de muitos milhões de transações ao dia.

Nos últimos dias, as empresas fizeram comunicados para deixar claro que estão reforçando a inserção das moedas digitais em suas operações, o que inclui também compras de empresas ligadas a esse segmento e trabalhos com reguladores para definição de regras para operações desses ativos.

Um dos motivos para isso está na aceitação de criptomoedas. De acordo com um estudo da Statista citado pela Mastercard, em alguns países, 20% da população tem criptomoedas. Fora isso, as moedas digitais estão ganhando espaço em sistemas de pagamentos onde isso é autorizado. A Statista diz que há 8.488 caixas eletrônicos de bitcoins no mundo. Há 5 anos, eram 395.

Corrida de anúncios

A corrida de anúncios das duas empresas começou na segunda-feira da semana passada (20), quando a Mastercard anunciou a expansão de seu programa de criptomoedas. A empresa, que processa no total cerca de 435 milhões de transações por dia, disse que isso, na prática, tornaria mais simples e rápido a emissão de cartões de crédito de criptos.

Parceiros de criptomoedas e cartões de criptos “estão convidados para o programa Accelerate para novas marcas e fintechs, dando acesso a tudo o que precisam para crescer rapidamente”, disse em seu comunicado.

Na esteira desse anúncio está o de que a Wirex se tornou a primeira plataforma de criptomoedas que ganhou o status de membro principal, o que permite emitir cartões de pagamento diretamente para os consumidores. Com isso, eles podem converter criptomoedas em moedas fiduciárias (fiats, emitidas por bancos centrais). Na rede Mastercard, o que roda é a moeda fiat.

Dois dias depois (22), a Visa não deixou por menos e soltou um comunicado dizendo que “se tornou a rede preferida de carteiras digitais, que querem aumentar seu valor para os usuários tornando mais rápido e fácil gastar em criptomoedas no mundo”. A empresa tem 61 milhões de locais que aceitam seus cartões.

Compras e pesquisas

A empresa deu alguns detalhes dos passos que têm dado no universo das criptomoedas. No mundo todo, afirmou, há mais de 25 carteiras digitais conectadas aos seus serviços, o que é feito por meio das exchanges Coinbase e  Fold.

A concorrente da Mastercard também destacou seu programa de aceleração de fintechs, o FastTrack, que inclui startups envolvidas com criptos, e o investimento na Anchorage, que fornece infraestrutura de segurança para moedas digitais.

Disse ainda que as pesquisas de seus times resultou em serviços como o mecanismo de pagamentos Zether  e o sistema de verificação de transações FlyClient. “Hoje, essas pesquisas estão focadas em novos mecanismos para aumentar a escalabilidade e permitir transações offline de moedas digitais”, completou.

E para garantir mercado para suas novas operações em criptos e não levar o pito que tomou com o projeto Libra, a Visa disse ainda que está participando de discussões com reguladores locais, inclusive as que envolvem as moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), e outras globais, como as do World Economic Forum (WEF).

Para garantir mercado para suas novas operações em criptos e não levar o pito que levou com o projeto Libra, a aproximação com os reguladores é crucial. Quem não fizer isso, está fadado a dar passos para atrás, como aconteceu com a moeda anunciada Facebook com mais de 20 parceiros, sendo que os maiores deixaram o projeto logo em seguida.

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