Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Bancos dos EUA podem oferecer custódia e outros serviços para criptomoedas, diz regulador

Consulta tem o objetivo de avaliar ambiente de investimentos no país Foto: WorldSpectrum por Pixabay

As criptomoedas conseguiram mais uma abertura num dos maiores mercados financeiros do mundo. O Escritório do Controlador da Moeda dos Estados Unidos (OCC, na sigla em inglês) confirmou que os bancos nacionais e as associações federais de poupança (FSAs) podem fazer custódia de criptomoedas para seus clientes.

Isso inclui tanto a guarda de chaves criptográficas únicas associadas às criptomoedas, como outros serviços bancários já permitidos para clientes que cumprem as leis. A ressalva é que gerenciem os riscos e ajam de acordo com a legislação.

A confirmação está numa carta que o OCC divulgou e que responde ao questionamento de uma instituição financeira, cujo nome não foi revelado.

De passinho em passinho, o mundo das criptos vai avançando no setor financeiro dos Estados Unidos. Recentemente, o JP Morgan aceitou as bolsas dessa moedas digitais Coinbase e Gemini como clientes.

Só para dar um outro exemplo, a Securities and Exchange Commission (SEC), a CVM brasileira, aprovou em dezembro passado um fundo de futuros de bitcoin do Grupo de Investimentos Digitais de Nova York (NYDIG).

Alinhados à era digital

“Entendemos que há uma demanda crescente por locais seguros, como bancos, para se manter as chaves criptográficas únicas associadas a criptomoedas em nome de clientes e para prover serviços de custódia relacionados a elas”, disse o OCC. A custódia é feita em carteiras digitais.

Para o OCC, em primeiro lugar, isso se deve ao fato de a chave ser irrecuperável, e se for perdida, pode gerar grandes perdas. Em segundo lugar, os bancos podem oferecer serviços de custódia mais seguros na comparação com outras opções. Além disso, alguns consultores de investimentos podem querer gerenciar criptos em nome de seus clientes e podem querer usar bancos nacionais como custodiantes.

“Serviços de guarda estão entre os mais fundamentais e básicos oferecidos pelos bancos. Os clientes tradicionalmente usavam depósitos especiais e cofres para guardarem uma variedade de objetivos, como documentos valiosos, moedas raras e jóias. Como o setor bancário entrou na era digital, o OCC reconheceu a permissibilidade de atividades eletrônicas de guarda. Especificamente, o OCC concluiu que um banco nacional pode ser um agente depositário de chaves criptografadas de certificados digitais, o que é equivalente à guarda física, porém utiliza tecnologia eletrônica adequada para a natureza digital do bem a ser mantido seguro”, diz o documento.

Além disso, a autoridade concluiu que os bancos podem oferecer a guarda e recuperação, na internet, de documentos e arquivos com dados pessoais ou confidenciais de transações e de negócios. Isso porque são a expressão eletrônica da guarda tradicional feita pelos bancos.

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