Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Paraná deve evitar solução proprietária e ter consórcio de governança, diz BRI Brasil

O Governo do Paraná deveria evitar uma solução proprietária para o Projeto Harpia, que usa blockchain e inteligência artificial para combate à corrupção em compras de produtos e serviços do estado. Dessa forma, não ficará refém de um único fornecedor de tecnologia e será mais inclusivo. A opinião é de Carl Amorim, representante do Blockchain Research Institute (BRI) no Brasil.

O governo anunciou que o Harpia começará a ser implantado neste mês em parceria com a IBM. O projeto Harpia foi concebido pela Controladoria Geral do Estado do Paraná e será implantado pela Celepar.

A tecnologia blockchain é feita para ser usada em rede, com um ecossistema o mais amplo possível, incluindo todos os envolvidos num determinado negócio ou atividade. Mais do que tecnologia, blockchain ajuda a criar novos modelos de negócios, tanto que empresas e governos descobriram isso numa solução criada inicialmente para a criptomoeda Bitcoin.

Consórcios de governança

O BRI Brasil, segundo Amorim, tem realizado discussões desde 2019 com órgãos de administração do Paraná para apresentar o que é, como funciona e como idealmente deve ser estruturada uma rede blockchain. E apresentou um projeto de consórcio de governança que trata da criação de padrões de dados, escolhas das plataformas e envolvimento dos nós nas redes, diz Amorim. O valor do projeto não foi revelado.

A Celepar, empresa de tecnologia do Paraná, foi convidada a ser membro do BRI, que abriu escritório em Curitiba, além da sede em São Paulo.

Esse é o modelo adotado por consórcios como o Blockchain in Transport Alliance, o Oil & Gas Blockchain Consortium, a Chamber of Digital Commerce e a Government Blockchain Association, que são apoiados pelo BRI, segundo Amorim. No Paraná, o serviço poderia ser contratado por licitação ou inexigibilidade, segundo ele.

Dessa forma, o Harpia teria um consórcio envolvendo CGE, as instâncias do poder executivo, agencias reguladoras, poderes legislativo e judiciário, ministério público e setores da iniciativa privada que firmam contratos com a administração pública, afirma. Até mesmo outros estados poderiam ser acoplados à plataforma.

O consórcio de governança pode reduzir a velocidade do projeto na fase de desenvolvimento, mas acelera a implantação. Especialistas em blockchain sempre recomendam que o modelo de governança esteja definido logo na início, enquanto se discutem outros pontos do projeto. Isso porque toma muito tempo. Mas é o que ajudar a garantir o sucesso da rede.

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