Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Ethereum faz 5 anos com lista respeitável de empresas como usuários

Das mãos, ou melhor, da mente de um rapaz de 19 anos, saiu uma das mais conhecidas plataformas blockchain do mundo e que ontem (30) completou 5 anos. Vitalik Buterin, russo-canadense, já era um apaixonado por bitcoin, quando lançou um whitepaper para uma nova solução descentralizada. Isso foi em 2013. Em 2014, ganhou uma bolsa e se dedicou só a isso. E em 2015, com outros parceiros, implantou a Ethereum.

Com suas características que resolvem diversos problemas para as empresas, como os smart contracts (contratos inteligentes), e aceita aplicativos financeiros (decentralized finance, os DeFis), a plataforma ganhou empresas como usuárias, além de usuários da sua cripto Ether.

Segundo um artigo da Consensys, empresas de soluções blockchain de Joseph Lubin, um dos fundadores da Ethereum, a lista de empresas que usam blockchain inclui 32 das que estão na Forbes Blockchain 50, um agregado de quem tem receita de pelo menos U$1 bilhão ao ano ou é avaliada em mais de US$ 1 bilhão.

A lista de usuários tem de tudo, de bancos a empresas do agronegócio. A Depository Trust & Clearing Corporation, que processa transações avaliadas em cerca de US$2 quadrilhões ao ano (algo como a bagatela de R$ 12 quadrilhões) também anunciou que vai testar um protótipo testar um protótipo com Ethereum para gerenciamento de ativos, diz a Consensys.

Numa live para falar do aniversário, Ken Seiff, que investiu na ideia que nem todo mundo acreditava, disse que neste ano a plataforma ganhou uma segunda vida.

O motivo é o boom dos DeFis, que permitem, por exemplo, empréstimos em cirptomoedas. Há um valor equivalente a bilhões de dólares de criptomoedas em produtos financeiros baseados na Ethereum, completou.

A rede também está conseguindo se sair bem na disputa entre sua moeda Ether e Bitcoin. Na semana passada, a Ethereum superou a Bitcoin como plataforma com mais valor de transações por dia. Isso inclui de Ether (ETH) e tokens.

Nada mal para algo que começou desacreditado por muito gente.

Polícia Rodoviária Federal lança plano de transformação digital

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) vai adotar tecnologias da 4ª Revolução Industrial em seus processos, para reduzir custos e melhorar os serviços. Os primeiro passo foi o anúncio da digitalização de pedidos defesa e recurso de autuação, identificação do motorista que cometeu a infração e pedido de retificação de boletim de acidente de trânsito e de cópia ou vista de Processo ou documento.

O Serviço de Notificação Eletrônica (SNE) faz parte do Plano de Transformação Digital da PRF. ” Empregaremos tudo o que há de melhor na tecnologia: inteligência artificial, robótica, automação, algoritmos, blockchain, computação em nuvem, conectividade, internet das coisas, e qualquer outro meio ou ferramenta que nos permita ganhos exponenciais nas entregas institucionais”, disse o diretor-geral da instituição, Eduardo Aggio.

Segundo Aggio, o plano está em linha com a Estratégia Digital 2020-2022 do governo federal.

Lituânia emite primeira moeda digital de banco central da Europa. E é para colecionadores

A zona do euro já tem sua primeira moeda digital de banco central (MDBC, ou CBDC na sigla em inglês). A Lituânia emitiu, semana passada, a LBCOIN, uma moeda para colecionadores. É um teste, disse o banco central do país.

É um teste bem pensado dentro do atual movimento dos bancos centrais mundo afora de analisar a implantação de CBDC, já que exige executar a emissão digital de uma moeda, mas sem colocar em risco o sistema financeiro. A Europa, inclusive, é uma região onde o assunto corre a passos mais largos nos últimos meses.

“A LBCOIN permite às pessoas na Lituânia e em todo o mundo testar novas tecnologias num ambiente seguro, como experimentar autenticações remotamente, abrir uma carteira digital, trocar tokens digitais com outros colecionadores ou transferí-los para a rede pública NEM. Ao mesmo tempo, isso nos permite aprender sobre a emissão de CBDCs, o que deverá beneficiar a comunidade do bancos central e da zona do euro como um todo”, disse Marius Jurgilas, membro do conselho do Banco da Lituânia, país com 2,8 milhões de habitantes.

A moeda custa 99 euros (cerca de R$ 600 reais) e é dedicada ao Ato de Independência de 1918 e seus 20 signatários. São 6 tipos de tokens e um total de 24 mil unidades com imagens dos signatários, além de 4 mil moedas físicas de prata para colecionadores.

Vendas duram só 30 meses

Quem comprar as moedas digitais poderá trocála pela física, guardar na loja eletrônica LBCOIN, dar de presente, trocar com outros colecionadores ou transferir para uma carteira digital NEM.

Em 30 meses, as vendas na loja serão encerradas e os tokens que sobrarem serão descartados. Portanto, depois disso será impossível trocar um token pela moeda física. Quem quiser manter o token, deverá transferir para a NEM.

O banco afirma que está desenvolvendo outras iniciativas para introdução de inovações no sistema financeiro do país. Isso inclui uma sandbox regulatória, a plataforma baseada em blockchain LBChain para dar apoio ao desenvolvimento de startups e um sistema de pagamentos instantâneos e 24x7x364 dias, o CENTROlink.

Alibaba e China lideram rankings de patentes de blockchain pedidas e concedidas

A Alibaba (Alipay) foi a empresa que mais pediu patentes para soluções blockchain entre janeiro e junho de 2020, com 1.457, número quase igual ao do mesmo período de 2019, quando foram 1.505. As também chinesas Tencent (serviços de internet) e Inspur (cloud) vêm em seguida no ranking, com 872 e 274 pedidos, respectivamente.

Os números são de um relatório do site sobre propriedade intelectual IPR Daily e do incoPat Research Center for Innovation Index, ambos da China. Considerando as 100 primeiras posições, foram 5.889 pedidos, dos quais 46% de empresas chinesas.

A Alibaba também é a empresa com mais patentes concedidas desde 2014, quando esse movimento começou. Foram 212 de um universo de  3.924 patentes. Isso é mais uma confirmação de que o governo da China não está brincando quando diz que quer ser hub global de blockchain, incentivando o uso na esfera pública e privada e investindo em centros de pesquisa.

Pedidos feitos

A primeira empresa não chinesa que aparece na lista de pedidos de patentes é a IBM, com 251 patentes, no quarto lugar, seguida pela nChain, do Reino Unido, com 250. Depois disso, só na 10ª posição aparece outra não chinesa, a alemã Siemens, com 99.

O “Ranking Global de Patentes de Invenção de Blockchain para Empresas Globais do Primeiro Semestre de 2020” mostra que atrás da China (bem atrás) na lista das 100 empresas que mais fizeram pedidos de patentes, outros países que se destacaram foram os Estados Unidos (25%), Coréia do Sul e Japão (ambos com 7%), Alemanha (5%) e Suécia (2%). Nenhuma empresa brasileira aparece nessa lista.

Pedidos aceitos

A primeira patente foi dada em 2014 e o número de concessões começou a acelerar em 2017, quando as empresas também descobriram a tecnologia, segundo estudo da Derwent Innovation, empresa de pesquisa sobre propriedade intelectual. Só em 2019, foram 1.799 . Neste ano, até maio, foram 1.257, o que indica que 2020 pode superar o ano passado.

No ranking das patentes concedidas desde 2014, a IBM está em segundo lugar, com 136, e a sul-coreana Coinplug está na terceira posição, com 107. Nesse grupo, os Estados Unidos lideram com 39%, seguido por Coréia do Sul (21%) e China (19%). Entre as empresas que mais ganharam patentes e que não são chinesas estão Accenture, Bank of America, NChain e Mastercard.

Aliança de grandes empresas de blockchain criará padrão para token de crédito de carbono

InterWork Alliance (IWA), instituição fundada por empresas e governos do mundo blockchain no mês passado para promover o uso de tokens, decidiu incentivar o uso desses ativos em negócios sustentáveis. A decisão acontece em meio a um movimento global de maior cobrança por políticas de preservação do meio ambiente e de negócios sustentáveis.

Para isso, a IWA anunciou, hoje (29), a criação do Grupo de Trabalho de Negócios Sustentáveis. O grupo vai criar padronizações e um programa de certificação com foco nesse segmento e será formado por empresas como Microsoft, R3, Accenture, Nasdaq e a Climate Chain Coalition.

Os tokens vão representar a posse de direitos de carbono e, sendo digitais, poderão ser negociados em diferentes plataformas. A ideia é criar padrões para tokenização, extensões contratuais, fluxos de trabalho e funções analíticas para emissão de gases de efeito estufa e para compensações. O foco principal será em arquiteturas de mercado voluntários e numa fase posterior, os mercados regulados.

“A tokenização pode simplificar e reduzir de forma significativa o número de intermediários, papéis e trabalho envolvido na troca, conversão, reconversão de certificados de carbono e gerenciamento de um sistema global de contabilidade de redução de carbono”, diz a aliança em um comunicado.

Faltam soluções simples

As empresas que querem adotar medidas relacionadas a mudanças climáticas não encontram soluções simples para o registro confiável dos resultados de ações, diz a IWA. Para consumidores e investidores, isso coloca em xeque a confiança nessas ações, já que cobram resultados confiáveis

A aliança acredita que ao criar um padrão agnóstico em relação às tecnologias existentes para a tokenização de emissões e compensações, junto com requisitos contratuais para operar com esses tokens, poderá aumentar de forma significativa a implementação e a integração de mercados de carbono.

Mais sobre a aliança no blog Standardizing Sustainability – How the IWA Will Make This Happen 

Haverá um webinar sobre o tema: Unlocking the Business of Sustainability Through Tokenization 

Bolsa de Tel-Aviv usa DLT em plataforma de empréstimos de valores mobiliários

A Bolsa de Valores de Tel-Aviv (TASE), vai lançar a primeira plataforma central de empréstimos de valores mobiliários do país e decidiu usar a tecnologia de registro distribuído (DLT) no projeto. Isso permitirá transações sem intermediários, peer-to-peer (P2P).

Atualmente, as operações são feitas usando mecanismos interbancários. Com a plataforma, será possível fazer empréstimos diretamente entre os principais instrumentos financeiros. Será uma “one-stop-shop para todas as atividades de empréstimos de valores mobiliários disse a bolsa num comunicado.

Os testes começaram em março passado. Com DLT, além de negociações diretas, será possível usar contratos inteligentes (smart contracts) e aumentar a segurança com a imutabilidade de registros que a tecnologia entrega.

Redução de custos e segurança

Isso tudo deve beneficiar a TASE, os custodiantes e seus clientes com redução de custos e aumento da segurança, disse a bolsa.

Orly Grinfeld, vice-presidente executivo e responsável pelo clearing da bolsa, disse que “a tecnologia blockchain representará um novo nível de segurança nos empréstimos de valores mobiliários e vai contribuir para o aumento das transações.

Criptomoedas, o novo ringue de disputas entre Visa e Mastercard

Depois de saírem do projeto da moeda Libra, anunciado pelo Facebook há um ano, Visa e Mastercard, duas das maiores redes de pagamentos do mundo, estão deixando claro que vão disputar com garra o mundo das criptomoedas, que tem potencial para crescer para a casa de muitos milhões de transações ao dia.

Nos últimos dias, as empresas fizeram comunicados para deixar claro que estão reforçando a inserção das moedas digitais em suas operações, o que inclui também compras de empresas ligadas a esse segmento e trabalhos com reguladores para definição de regras para operações desses ativos.

Um dos motivos para isso está na aceitação de criptomoedas. De acordo com um estudo da Statista citado pela Mastercard, em alguns países, 20% da população tem criptomoedas. Fora isso, as moedas digitais estão ganhando espaço em sistemas de pagamentos onde isso é autorizado. A Statista diz que há 8.488 caixas eletrônicos de bitcoins no mundo. Há 5 anos, eram 395.

Corrida de anúncios

A corrida de anúncios das duas empresas começou na segunda-feira da semana passada (20), quando a Mastercard anunciou a expansão de seu programa de criptomoedas. A empresa, que processa no total cerca de 435 milhões de transações por dia, disse que isso, na prática, tornaria mais simples e rápido a emissão de cartões de crédito de criptos.

Parceiros de criptomoedas e cartões de criptos “estão convidados para o programa Accelerate para novas marcas e fintechs, dando acesso a tudo o que precisam para crescer rapidamente”, disse em seu comunicado.

Na esteira desse anúncio está o de que a Wirex se tornou a primeira plataforma de criptomoedas que ganhou o status de membro principal, o que permite emitir cartões de pagamento diretamente para os consumidores. Com isso, eles podem converter criptomoedas em moedas fiduciárias (fiats, emitidas por bancos centrais). Na rede Mastercard, o que roda é a moeda fiat.

Dois dias depois (22), a Visa não deixou por menos e soltou um comunicado dizendo que “se tornou a rede preferida de carteiras digitais, que querem aumentar seu valor para os usuários tornando mais rápido e fácil gastar em criptomoedas no mundo”. A empresa tem 61 milhões de locais que aceitam seus cartões.

Compras e pesquisas

A empresa deu alguns detalhes dos passos que têm dado no universo das criptomoedas. No mundo todo, afirmou, há mais de 25 carteiras digitais conectadas aos seus serviços, o que é feito por meio das exchanges Coinbase e  Fold.

A concorrente da Mastercard também destacou seu programa de aceleração de fintechs, o FastTrack, que inclui startups envolvidas com criptos, e o investimento na Anchorage, que fornece infraestrutura de segurança para moedas digitais.

Disse ainda que as pesquisas de seus times resultou em serviços como o mecanismo de pagamentos Zether  e o sistema de verificação de transações FlyClient. “Hoje, essas pesquisas estão focadas em novos mecanismos para aumentar a escalabilidade e permitir transações offline de moedas digitais”, completou.

E para garantir mercado para suas novas operações em criptos e não levar o pito que tomou com o projeto Libra, a Visa disse ainda que está participando de discussões com reguladores locais, inclusive as que envolvem as moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), e outras globais, como as do World Economic Forum (WEF).

Para garantir mercado para suas novas operações em criptos e não levar o pito que levou com o projeto Libra, a aproximação com os reguladores é crucial. Quem não fizer isso, está fadado a dar passos para atrás, como aconteceu com a moeda anunciada Facebook com mais de 20 parceiros, sendo que os maiores deixaram o projeto logo em seguida.

BTG paga R$ 480 mil em dividendos do token imobiliário ReitBZ

O token imobiliário do BTG Pactual, ReitBZ, vai distribuir US$ 87.569,20 (cerca de R$ 480.630,00) em dividendos. É o primeiro dessa categoria a distribuir ganhos para seus investidores, segundo o banco.

O BTG é o primeiro banco brasileiro e de investimentos do mundo a ter um ativo como esse em seu portfolio. O produto foi lançado em fevereiro de 2019 e a emissão de tokens ocorreu em maio do mesmo ano.

Os tokens representam fatias de imóveis recuperados pelo BTG. A empresa que administra esse negócio é a Enforce, braço do banco especializado em recuperação de créditos. O portfolio tinha 322 unidades e 198 já foram vendidas.

Por questões regulatórias, a operação é baseada no exterior. As compras podem ser feitas em diversos países, mas não por brasileiros ou residentes no Brasil e nem nos Estados Unidos.

Também não podem ser feitas em países onde criptomoedas são consideradas ilegais, como China, Bolívia e Equador e naqueles considerados paraísos fiscais pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OECD) e pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Pagamento por smart contract

Os pagamentos dos dividendos serão feitos por contratos inteligentes (smart contracts), que rodam em plataforma blockchain. Desde maio deste ano, o token é emitido na plataforma Tezos.

“O ReitBZ é a prova de que nossos esforços (de investimento em tecnologia) têm gerado bons retornos aos nossos clientes”, disse o CEO do banco, Roberto Sallouti. O BTG quer criar um mercado secundário do token.

O primeiro ciclo de investimentos gerou receitas de US$ 220.288 (cerca de R$ 1,211 milhão). O investimento mínimo no ReitBZ é de US$ 500. O banco afirma já ter superado o soft cap, que é o valor mínimo feito por investidores no seu lançamento, o chamado ICO (Initial Coin Offering). O soft cap é de US$ 3 milhões. O BTG Pactual também diz que 100% da receita é distribuída.

“Quando se pensa em investimentos, ainda se pensa em termos locais. A ReitBZ é um produto disruptivo em sua forma de pensar”, disse André Portilho, o sócio do BTG responsável pelo token.

Centralidade no cliente não é ter app bonitinho. O back office tem que ser parte da solução

Nos últimos anos, tenho visto muitos negócios grandes se posicionando em ter centralidade no cliente. Ou seja, em vez da visão tradicional de se construir todo um negócio e sua estrutura em volta de um produto, a visão de centralidade do cliente muda esse conceito, passando a criar-se negócio e se estabelecer toda a estrutura em torno do cliente, suas necessidades e vontades.

Essa abordagem foi um dos grandes responsáveis pelo boom tecnológico do Vale do Silício, tendo seu ecossistema bebido da fonte da escola de design de Stanford, IDEO, dentre outras fontes que deram forma ao design thinking nas décadas de 90 e começo dos anos 2000.

Afinal, no manual do “startupeiro” e dos venture capitalists, algumas das peças-chave incluem o problema que sua startup resolve e quem tem esse problema (persona). Para daí partir para o tamanho da oportunidade, mercado endereçável e por aí vai.

Como esse modelo tem experimentado sucesso incontestável por já algumas décadas, muitos negócios se renderam a ele e buscam o Santo Graal da centralidade do cliente. Tarefa difícil para quem começa já com essa filosofia, mais difícil ainda, diria hercúlea, para quem não nasceu assim.

De minhas observações, aprendi algumas coisas:

No começo, muita gente achou que centralidade no cliente era fazer um app bacana, ouvindo o cliente na usabilidade. Isso é importante, mas não suficiente. Muitas iniciativas ficaram no meio do caminho quando o app trouxe tráfego, mas o back office não deu vazão ou não estava preparado a fazer as tarefas de forma diferente.

Daí a importância de se estruturar toda a máquina para a jornada do cliente, não apenas a entrada. Tem havido crescente interesse em empresas e startups facilitadoras da transformação de back office. Isso não só resolve o problema imediato da experiência do cliente do começo ao fim, mas também dá escala e redução de custos. Stripe e Plaid são excelentes exemplos de fintechs de infraestrutura que facilitam os back office de um monte de empresas. São unicórnios. Inclusive, a Plaid recentemente foi adquirida pela Visa.

Em geral, o ciclo de venda de uma fintech de back-office B2B é mais difícil. Seus clientes potenciais ou estão mais preocupados com o front ou tem tanto dever de casa no back office que torna tudo mais lento para se encaixar ao legado. Ah, e tem o fator organizacional também. Há casos em que a empresa cliente genuinamente quer trabalhar com startups para melhorar seus processos, mas internamente ainda não evoluíram suas estruturas e cultura para tal.

Acredito bastante que o reforço dos processos tem sim impacto no usuário final, muito além da melhoria apenas nos indicadores operacionais.

Uma de minhas iniciativas, por exemplo, é uma plataforma de voto eletrônico. E nos esforçamos em gerar os benefícios em todos os espectros, conciliando o usuário final (que vota) e os processos das instituições que nos contratam (que organiza a votação). A ideia é acrescentar a experiência do usuário e seu engajamento aos tradicionais indicadores operacionais de custos, acurácia e tempo de processamento.

Atualmente vejo grandes oportunidades para fintechs de infraestrutura, em segmentos da moda como pagamentos, open banking, crédito, investimentos, inteligência artificial e criptoativos e outros como documentação, cartórios e registros, integração de informações, automação de processo (RPA), gestão de times, workflows financeiros e seguros.

Há ainda algumas barreiras, mas sem dúvida há grandes oportunidades para novos modelos de negócios que podem ser criados ou suportados pelas fintechs de infraestrutura, quer seja atuando independentemente ou em parcerias com instituições estabelecidas.

Links de interesse:

https://dschool.stanford.edu/

https://www.ideo.com/

*Stephan Krajcer é fundador da fintech Cuore, no Canadá. Depois de trabalhar em bancos, decidiu empreender, desenvolvendo soluções para setores como o financeiro.

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Em 2020, mandamos a SpaceX ao espaço, mas ainda matamos George Floyds.

Mercado Bitcoin abre carteira para doações à BlackRocks, de empreendedorismo da população negra

O Mercado Bitcoin criou uma carteira pública para doações em bitcoin para a BlackRocks, organização que busca criar um ecossistema tecnológico e o empreendedorismo com foco na população negra.

A BlackRocks tem programas de programa de aceleração e laboratório de inovação.

O endereço da carteira é bc1qt807r5exx4meg0tdtgzqmt58rz545na7c4ttwp. A ação é realizada pela Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) e as doações podem ser feitas até 8 de agosto por transferência de pessoas físicas ou jurídicas com conta em exchanges de criptomoedas. A campanha começou no dia 8 de julho.