Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Bancos dizem que vão acelerar parcerias com startups para inovação

No banco BV, engenheiros do laboratório de inovação se encontram por vídeo.

A pandemia do Covid-19 deve acelerar a busca dos bancos incumbentes por parceiros como startups, incubadoras e instituições de pesquisa, para responderem aos desafios crescentes de inovação.

A demanda digital criada pelo distanciamento social acabou sendo mais um fator de pressão por inovação, numa lista que já tinha, por exemplo, a entrada em vigor do PIX, em novembro, e do open banking.  

“Com o PIX, o open banking e a pandemia, os clientes serão ainda mais digitais. Por isso, vamos intensificar parcerias com startups”, disse Darlan Costa, superintendente nacional digital da Caixa Econômica Federal (CEF), no painel “O novo relacionamento entre incumbentes, bancos nativos digitais e fintechs” do CIAB 2020.

O CIAB, evento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), está sendo transmitido pelos meios digitais devido ao distanciamento social.

Walkiria Schirrmeister Marchetti, diretora-executiva do Bradesco, disse que uma das ações do banco em parcerias nos últimos tempos foi com o Porto Digital, parque tecnológico em Recife. E isso vai continuar.  

Inovação no puff

Segundo Guilherme Horn, diretor de Estratégia e Inovação do Banco BV, há alguns anos, acreditava-se que inovação vinha de mentes brilhantes fechadas em salas isoladas e que a ideia tinha muito valor, por isso, quem tinha uma, não contava para ninguém. “Isso caiu por terra”, afirmou.

O executivo lembra que pesquisas mostram que a inovação não vem de pessoas normais, que a diversidade é muito importante e que a execução tem mais valor do que a ideia. “A questão é a execução”, completou.

Para ele, num processo de inovação há tem 3 elementos essenciais: diversidade de pessoas, geração de quantidade de ideias para divergir e depois convergir, e fluxo de ideias, “em que o que funciona é a criação desestruturada, aquela conversa na sala com puffs coloridos, nos corredores. A reunião tradicional se torna burocrática e pouco produtiva”.

Inovação por vídeo

O BV tem um laboratório com quase 50 engenheiros gerando inovação, um ambiente desestruturado, segundo Horn. Mas a pandemia afetou a interação, que agora é por vídeo, o que não tem o mesmo resultado.

“Estamos promovendo encontros desestruturados e informais para tentar resgatar isso. Temos feito experiências que têm dado resultados interessantes, mas nada substitui o contato físico”, disse ele.

Com um negócio estruturado em plataforma digital, o Banco Inter registrou um resultado positivo com o distanciamento social. De acordo com Alexandre Riccio, vice-presidente do banco Inter, não basta ser digital.

O banco oferece seis linhas de produtos e serviços, incluindo abertura de conta remotamente e marketplace, o que facilita a atração de clientes. Mas ele diz que ser gratuito, num momento de crise econômica, tem apelo ainda maior

Na starturp QueroQuitar, que permite a renegociação online de dívidas, neste período de pandemia foram fechados 6 novos contratos cm empresas de cobrança. Com isso, passou de 2 milhões para 40 milhões os CPFs para trabalhar, afirmou Marc Lahoud, fundador e CEO da empresa.

A questão é que enquanto essas empresas tinham dificuldade de operar seus call centers, com o distanciamento social, a startup virou a chave para home office em três dias. “Temos 25 pessoas q fazem o trabalho de mil pessoas num call center tradicional”.

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