Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Tempo de emissão de título por blockchain nos EUA cai de 12 dias para 40 minutos

Foto: Michael Schwarzenberger. Pixabay

Uma emissão de títulos lastreados em ativos realizada em apenas 40 minutos, ao invés de 12 dias. Esse foi o ganho de tempo de uma emissão feita numa prova de conceito (PoC) numa rede de registro distribuido (DLT) por cinco das maiores instituições financeiras do mundo.

A informação foi dada ao Blocknews pela Symbiont, cuja rede foi utilizada na operação. Segundo o CEO da empresa, Mark Smith, a expectativa é de uma emissão no final do ano. “Estamos perto de fazer uma mudança fundamental no mercado de capitais”, afirmou.

A operação foi realizada há alguns dias pela Vanguard, uma das maiores empresas de gerenciamento de investimentos dos Estados Unidos, com o Citi, Bank of New York Mellon e State Street, os três maiores bancos custodiantes do planeta, além de um grande emissor dos chamados ABS corporativos, cujo nome não foi revelado.

“O melhor de tudo é que os smart contracts são capazes de detectar instantaneamente dados errados colocados na rede, prevenindo uma situação que causaria dores de cabeça e um vai e vem no back office”, disse ao Blocknews o porta-voz da Symbiont.

Tradicional x blockchain

Essa primeira transação espelhou exatamente a emissão de um bond (do tipo 144a, emitido nos EUA) no mercado tradicional. Mas a próxima será totalment originada na blockchain.

Segundo a Symbiont, a transação foi como a emissão de um título no primeiro quadrimestre, permitindo a todos os principais envolvidos, incluindo emissor, agente de transferência, custodiantes e investidores primários, a executar suas funções tradicionais.

Mas tudo isso foi feito numa fração de tempo em relação ao normal, porque os processos são simplificados por todos os participantes que compartilham a mesma fonte de verdade. Além disso, são automatizados pelos smart contracts (contratos inteligentes) em blockchain, disse a Symbiont.

“Um exemplo disso é que uma vez que o emissor aprova uma alocação para um investidor, o que é parcialmente automatizada pelos contratos inteligentes, o registro de propriedade é instantaneamente refletido na blockchain”, diz a empresa.

Agilidade e menos custos

Isso permite que o agente de transferência saiba quem tem a propriedade a emissão apenas olhando a informação na blockchain. Enquanto isso, o banco, sendo o custodiante na rede, faz a custódia sem precisar interagir com uma central de depósitos de títulos.

O título não é registrado em órgãos de depósito, mas continua cumprindo as normas exigidas pelo regulador. “Portanto, mantém o marco regulatório e ao mesmo tempo traz ganhos significativos de custos, velocidade e eficiência”, diz a Symbiont.

Com o uso da DLT, foi possível automatizar fluxos complexos de aprovação de todos os participantes da emissão. Com o que a Symbiont chama de “única fonte da verdade”, é desnecessário haver confirmações e reconciliações que atrasam os processos.

Além disso, manter os livros oficiais do título e registros na blockchain evita disputas nas transferências de propriedade e abre a porta para a emissão direta de ativos de um emissor para o investidor. Isso evita que o segurador tenha de usar um capital para uma pré-compra do emissor.

A Symbiont e a Vanguard estão trabalhando em blockchain desde dezembro de 2017. No ano passado, entrou em operação o uso da plataforma da Symbiont para o gerenciamento de dados de fundos avaliados em US$ 1,3 trilhões.

Com isso, índices de dados são transferidos de forma instantânea entre os provedores dos índices e o mercado a partir de uma base descentralizada, o que aumenta a transparência e reduz custos. .

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