Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Brasil é um dos países que mais acreditam em blockchain, diz estudo da Deloitte

Em 2020, aumentou o número de projetos de blocchain em produção.

O Brasil é um dos países que mais acreditam na escalabilidade de blockchain, junto com Hong Kong, Israel e Emirados Arabes Unidos. Além disso, com os chineses, são os que mais acreditam que as ativos digitais vão substituir as moedas fiduciárias (fiat) em até 10 anos.

Essas são algumas das conclusões do relatório anual da Deloitte sobre blockchain, que a empresa acaba de divulgar. Foram entrevistados 1.488 executivos com algum entendimento sobre blockchain em 14 países. Dos entrevistados, 50 são do Brasil.  E 42% do total estão em cargos de chefia “C”.  

Segundo a pesquisa, 88% dos entrevistados acham que blockchain é escalável e vai atingir o estágio de adoção mais ampla. O Brasil ultrapassou essa média, mas o percentual do país não foi revelado.

Empregos em alta

Um dado positivo sobre emprego e que corrobora outras pesquisas é o de que aumentou de 73% para 82%, de 2019 para 2020, o percentual de empresas que estão contratando ou planejam contratar especialistas em blockchain nos próximos 12 meses.

De acordo com o levantamento, no Brasil, 64% dos entrevistados planejam investir de US$ 1 milhão a US$ 10 milhões em blockchain nos próximos 12 meses. No mundo, a media nessa faixa é de 54%.

Das empresas entrevistadas, 30% tem receita acima de US$ 1 bilhão e 42%, de US$ 100 milhões a menos de US$ 1 bilhão.

Ativos digitais

Em relação às substituição das moedas fiat por ativos digitais, surpreende que o Brasil apareça com o mesmo percentual de resposta da China, com 94%.

Os chineses estão correndo para lançar uma moeda digital de banco central (CBDC) e o país decidiu ser referência em blockchain no mundo. Dois movimentos que não se vê por aqui.

Segundo a Deloitte, os executivos C-level estão investindo mais em blockchain como parte de suas estratégias de inovação. Com isso, estão deixando para trás a visão de que a tecnologia é apenas uma promessa.

Inovação pós-Covid

A pesquisa foi feita entre 6 de fevereiro e 3 de março, portanto nos primeiros meses do impacto do Covid-19 na vida das empresas. A Deloitte diz confiar que a pesquisa reflete o estado atual de blockchain, mas só o futuro dirá se e como a pandemia afetou a adoção de inovações digitais.

Com ou sem vírus, os principais temores que emperram a adoção ou escalada de blockchain nas empresas continuam praticamente os mesmos do ano passado: ter de substituir ou adaptar sistema existentes, a questão da segurança e a sensibilidade de informações competitivas.

Há outros desafios ligados a quem já adotou. Um deles é a questão de governança de consórcios. Muitos falharam porque os participantes não acertaram regras equilibradas para o compartilhamento da rede.

Tecnologia fundamental

O levantamento mostrou ainda que para 55%, blockchain será crucial nas cinco principais estratégias das empresas nos próximos 24 anos, um pouco acima dos 53% de 2019. Em 2018, eram 43%. No entanto, para 14%, será importante, mas não estratégica, o mesmo que no ano passado.

Das empresas entrevistadas, 39% colocou projetos em produção, ante 23% em 2019. E quase metades delas (46%) faturam mais de US$ 1 bilhão.

Para a Deloitte, o crescimento de blockchain será ajudado pela necessidade de prestação de contas a clientes, fornecedores, investidores, reguladores e à sociedade em geral.

Ao mesmo tempo, a variedade geográfica coloca muita complexidade na sua arquitetura, ao ser preciso saber o que vale e onde.

O levantamento conclui também que o mundo ainda está não está pronto para a identidade digital em larga escala, que continua ainda muito na teoria.

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