Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Novas tecnologias pressionam por mudança na regulação de energia

A regulamentação do setor energético brasileiro é considerada um cipoal por especialistas, com os atores, inclusive o governo, encontrando dificuldades para certas tomadas de decisão. Com isso, as novas tecnologias, como blockchain, são mais um fator de pressão para ajustes que gerem mais eficiência nessa indústria.

Hoje, o modelo energético é centralizado, com baixa conexão ao sistema de distribuição e baixa flexibilidade, disse Hélio Moraes, sócio de direito digital e inovação do PK Advogados.  O futuro tem como desafio mudanças no marco regulatório para permitir transações descentralizadas, com conexão entre distribuidoras e micro e mini geradores, disse ele no painel “Cibersegurança, smart contracts e questões legais” do 1º Simpósio – O Potencial da Blockchain no Setor Energético.

O evento é promovido pelo Blocknews e pela Mentors Energy Consulting, de 6 de junho a 14 de julho, sempre às terças-feiras, pela plataforma Sympla.

De acordo com Moraes, uma consulta pública da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no ano passado sinalizou que o regulador quer que o sistema evolua para uma modelo distribuído. “Às vezes, falta pouco na legislação para a inovação”, completou.

Regtec em energia

O setor de energia é um dos mais apropriados para a regtech, que significa a tecnologia a serviços da regulação e vice-versa, afirmou André Guskow Cardoso, sócio do Justen, Pereira, Oliveira & Talamini e especializado em blockchain e regulação.

A automação dos processos regulatórios criaria mais eficiência e startups poderiam fazer parte desse processo. E exemplificou: startups podem criar soluções de compliance regulatório, gerenciamento de riscos e usarem inteligência artificial e smart contracts.

“Um dos possíveis usos de regtech no setor elétrico é para o registro de contratos de comercialização de energia nos ambientes regulado e livre”, completou.

Cardoso lembrou que o decreto 10332/20, que instituiu a Estratégia de Governo Digital para o período 2020-2022, inclui a criação de ao menos nove conjuntos de dados na administração pública federal por meio de blockchain, até 2022. Além disso, ficou estabelecida a criação de uma rede blockchain interoperável do governo.

Início do século

Gabriel Laender, advogado do FCM Law e membro da Silicon Valley Blockchain Society (SVBS), que foi da Aneel no início dos anos 2000, contou que desde aquela época a ideia de geração distribuída e de mecanismos novos de governança já estava presente no segmento de energia elétrica.

“Pensar numa ferramenta descentralizada de registro de bens públicos, como os potenciais hidráulicos, e de coordenação de agentes públicos, como no despacho do sistema de carga e demanda feito pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), são muito interessantes de se fazer no registro distribuído”, completou.

Smart contracts poderiam fazer a regulação da propriedade e indicar como pode ser melhor usada, disse Laender. Por exemplo: se um potencial hidráulico não for utilizado de forma eficiente, pode-se revogar o contrato e passar a outro operador. Já nos royalties de petróleo, o registro distribuído daria mais transparência aos pagamento.

O advogado e colunista do Blocknews considera o cipoal da regulação do setor energético brasileiro interessante do ponto de visto global e citou como exemplo as competências bem definidas dos reguladores. Mas há espaço para a regulação de dados.

Para ele, esse cenário regulatório no Brasil não se compara ao cipoal da regulação de blockchain nos Estados Unidos. Lá, a federalização das regras torna o ambiente mais complexo para as empresas. “É uma confusão absurda.”

Segurança de dados

“Em algum momento, a questão regulatória terá de discutir pontos ligados a blockchain e Web 3.0, que foram feitos para serem descentralizados”, afirmou Tatiana Revoredo, fundadora da consultoria The Global Strategy e especialista em segurança cibernética e blockchain. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), por exemplo, foi baseada em tecnologias centralizadas e aí há um conflito, completou.

O setor energético brasileiro, como acontece em outros locais do mundo, também sofre ataques cibernéticos. “Precisamos começar a pensar em métodos mais avançados de gerenciamento de risco. A diversificação da nossa matriz energética seria uma saída e o Brasil precisa pensar num plano de implantação de microredes, com bilhões de dispositivos conectados. Mas não temos segurança cibernética para isso”, completou.

Para ela, blockchain aborda privacidade e integridade de dados por design. Como a questão não é se uma empresa ou pessoa será atacada, mas quando, ao escolher uma solução blockchain é preciso avaliar quais os pontos mais necessários de se considerar no projeto: por exemplo, a priorização será de integridade dos dados ou de flexibilidade de gerenciamento de crises?

Tatiana não vê a descentralização como algo ruim, já que a integridade em blockchain está muito ligada a mecanismos de consenso. Da mesma forma, os contratos inteligentes, “ao mesmo tempo que oferecem imutabilidade, dificultam eventuais necessidades de correção. Mas uma questão crítica é sempre o mesmo em segurança cibernética, inclusive quando há blockchain envolvida: os pontos de acesso digital. “É preciso conscientizar bastante os usuários e estabelecer certas responsabilidade se houver mal uso da rede.”

Nesta terça, simpósio discute uso de blockchain com IoT e IA e em smart cities

“Inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT) e cidades inteligentes (smart cities)” é o tema do 4º painel do 1º Simpósio – O Potencial da Blockchain no Setor Energético, que acontece amanhã (30). O simpósio é organizado pelo Blocknews e pela consultoria Mentors Energy.

A associação de blockchain a outros tecnologias 4.0, como AI e IoT, potencializa os benefícios que essas soluções podem trazer às empresas e governos em termos de segurança, redução de custos e mais eficiência.

As inscrições são feitas em https://bit.ly/382Sw7S. O evento será das 14h às 15h30.

O simpósio acontece todas as terças-feiras, no mesmo horário, de 9 de junho a 14 de julho, com panelistas que trabalham com blockchain em suas áreas de atuação. O painel seguinte mostrou soluções oferecidas ao mercado. E na terça-feira passada (23), o tema foi segurança cibernética, smart contracts e questões legais.

Blockcheck, a plataforma que confirma se você fala a verdade sobre seu currículo

Plataforma de histórico profissional e acadêmico do tipo LinkedIn já existia. Mas agora, existe também a Blockcheck, em que o histórico de uma pessoa é autenticado e validado por meio de blockchain. A plataforma cobre 12 pontos, do nome do usuário ao histórico profissional e criminais.

Adilson Santos, gerente de projetos e processos da PeopleCheck, sediada em Londres, diz que a empresa existe há 17 anos, mas que essa é a solução que está criando maior impacto. A PeopleCheck é líder na autenticação de histórico profissional e antecedentes.

De acordo com Santos, a PeopleCheck sempre trabalhou com validação de dados, mas agora faz isso com blockchain e para o usuário final. A informação ser do usuário é a grande mudança no formato do produto. E tecnologia blockchain facilita a checagem, num mundo em que essa necessidade cresce muito a cada dia.

Mais detalhes de como funciona o Blockcheck está no programa BlockTalks, de Maurício Magaldi, em https://podcasts.google.com/feed/aHR0cHM6Ly9hbmNob3IuZm0vcy8xMTY2OTFlYy9wb2RjYXN0L3Jzcw/episode/NTg0NTk2OWItYWU4MC00NWYyLThkZDctYmRlM2EwN2JmNGZl?ep=14

Uma nova internet: o que blockchain significa na prática

O debate sobre blockchain é muitas vezes árido e permeado por conceitos extremamente complexos de múltiplas áreas de conhecimento. Um exemplo: na última terça-feira (23), no ótimo debate promovido pelo Blocknews e pela Mentors Energy, um tema técnico gerou divergência entre nós: blockchains são ou não um banco de dados?

A resposta a essa pergunta envolve compreender a forma como blockchains registram dados, confrontar com a forma como bancos de dados tradicionais funcionam e tomar uma posição fundamentada. Isso em um debate conduzido por juristas e cujo tema geral – segurança cibernética, smart contracts e questões legais – era mais afim ao direito do que à ciência da computação.  

Para alguém que acompanhou a evolução da Internet comercial, a sensação de deja vu é inevitável. Assim como ocorre com blockchain hoje, falar sobre internet nos anos 90 era ingressar em uma arena de temas espinhosos como o funcionamento de redes por pacotes, estabilidade e segurança de redes estatísticas versus redes determinísticas, regulação em camadas, entre outros tantos. Hoje os aspectos técnicos estão longe de ocupar espaço central, embora nunca tenha se debatido tanto sobre Internet.

Com blockchain, ao que tudo indica, esse será o caminho. Os aspectos técnicos serão ainda muito importantes (e determinantes para separar especialistas de charlatões), mas o sucesso das blockchains implicará a naturalização da tecnologia. É provável que no futuro, internet e blockchain sejam sinônimos para o grande público e que a diferença permaneça na cabeça dos especialistas.

Por isso, resolvi dedicar esta coluna ao propósito de descrever como essa nova internet está mudando o mundo hoje e tentar imaginar, junto com vocês, como será a internet do futuro.

Um fenômeno exponencial

Em todas as métricas, falar de blockchain é falar de um fenômeno exponencial. No Vale do Silício, há um ditado corrente que explica o impacto de tecnologias exponenciais: gradually, then suddenly. Dizer que blockchain é uma tecnologia com crescimento exponencial é dizer que os próximos dois anos trarão mais mudanças do que os últimos dez.  Embora ainda seja longo o caminho para a maturidade de tecnologias baseadas em blockchain, a mudança, quando vier, será abrupta.

E o como será essa internet do futuro? Há hoje múltiplas respostas. O principal movimento por trás do grupo de desenvolvedores que deu origem ao Bitcoin, os cypherpunks, querem que blockchain sirva de base para que cada pessoa escolha como e o que de sua vida privada deve ir a público, sem depender de governos ou corporações para proteger sua propriedade e sua privacidade – mas sem tanta preocupação assim com inclusão social ou desigualdade social.

Há ainda grupos ativos de desenvolvedores que veem blockchain como uma tecnologia de governança capaz de ampliar a participação social e tornar corporações e governos mais transparentes e justos. E também há estados autoritários que enxergam na blockchain a possibilidade de controle social absoluto.

Nas próximas colunas, vou contar um pouco de como a tecnologia tem avançado nessas três frentes, com exemplos práticos do que você já pode fazer hoje – e do que podem fazer com você. Saber disso é fundamental para construir um amanhã onde você poderá acordar e olhar no celular quanto você ganhou de créditos pelo uso dos seus dados pessoais por empresas como Google e Facebook, poderá usar esse saldo de créditos para comprar o café da manhã de um vizinho chef de cozinha, que lhe entregará a comida por meio de um drone de propriedade conjunta de todos do seu condomínio.

E que, nesse amanhã, ninguém esteja olhando a blockchain para saber que você fez tudo isso.

Gabriel Laender é advogado do FCM Law e membro da Silicon Valley Blockchain Society (SVBS). Baseado na Califórnia, foi visiting scholar sobre blockchain e política pública na University of Southern California (USC). É doutor em Direito e Regulação pela Universidade de Brasília e procurador do Espírito Santo.

A partir de hoje (29), Gabriel Laender terá uma coluna semanal sobre tecnologia e transformação digital no Blocknews.

Madri controlará poluição do ar com tecnologia blockchain da Alastria

Madri começará a utilizar um sistema de controle de poluição com uma solução que inclui o uso de blockchain. O sistema será implantado pela espanhola Hopu Smart Cities, que já implantou o sistema em 25 cidades do país, da Alemanha e da Bélgica.

A solução monitora o ar e fornece dados que permitem a adoção de políticas públicas para reduzir a contaminação. Com blockchain, será possível rastrear e garantir a veracidade dos dados. Isso permite, por preso, ter exemplo, que a cidade tenha acesso a fundos europeus de meio ambiente. A rede usada é a da Alastria. A informação é do Blockchain Economía, site de notícias parceiro do Blocknews, e que dá mais detalhes da solução.

O uso de blockchain em projetos de cidades inteligentes (smart cities) é o tema do painel desta terça-feira (30), do 1º Simpósio – O Potencial da Blockchain no Setor Energético, realizado pelo Blocknews e pela consultoria Mentors Energy.

Paraná começa a implantar com IBM sistema para controle de licitações

A Celepar, empresa de tecnologia do governo do Paraná, começa a implantar, em julho, uma plataforma de fiscalização de processos de licitação do estado. O objetivo é diminuir em 97% as irregularidades nos processos, segundo o controlador-geral do Estado, Raul Siqueira.

Chamado de Harpia, o projeto está sendo feito com a IBM, segundo anúncio da Controladoria-Geral do Estado (CGE). A previsão é de que esteja todo implantado em um ano.

A plataforma permite o monitoramento em tempo real das licitações e compras. Um sistema de QR Code mostrará o custo, quem forneceu, quem comprou e responde pela compra e a data da aqusição. Essas informação serão compartilhadas com agentes de controle externo, incluindo o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) e o Ministério Público do Paraná (MP-PR).

O valor do projeto é de R$ 25 milhões, bancados com recursos do Fundo Estadual de Combate à Corrupção, cujos recursos vêm de acordos de leniência e multas em processo de corrupção. O projeto está sendo desenvolvido há cerca de um ano.

A Celepar vai dominar a tecnologia e poderá fazer sua atualização e ampliação, disse o diretor de Hybrid Cloud Integration da IBM, Guilherme Novaes Procópio de Araújo.

Bancos dizem que vão acelerar parcerias com startups para inovação

A pandemia do Covid-19 deve acelerar a busca dos bancos incumbentes por parceiros como startups, incubadoras e instituições de pesquisa, para responderem aos desafios crescentes de inovação.

A demanda digital criada pelo distanciamento social acabou sendo mais um fator de pressão por inovação, numa lista que já tinha, por exemplo, a entrada em vigor do PIX, em novembro, e do open banking.  

“Com o PIX, o open banking e a pandemia, os clientes serão ainda mais digitais. Por isso, vamos intensificar parcerias com startups”, disse Darlan Costa, superintendente nacional digital da Caixa Econômica Federal (CEF), no painel “O novo relacionamento entre incumbentes, bancos nativos digitais e fintechs” do CIAB 2020.

O CIAB, evento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), está sendo transmitido pelos meios digitais devido ao distanciamento social.

Walkiria Schirrmeister Marchetti, diretora-executiva do Bradesco, disse que uma das ações do banco em parcerias nos últimos tempos foi com o Porto Digital, parque tecnológico em Recife. E isso vai continuar.  

Inovação no puff

Segundo Guilherme Horn, diretor de Estratégia e Inovação do Banco BV, há alguns anos, acreditava-se que inovação vinha de mentes brilhantes fechadas em salas isoladas e que a ideia tinha muito valor, por isso, quem tinha uma, não contava para ninguém. “Isso caiu por terra”, afirmou.

O executivo lembra que pesquisas mostram que a inovação não vem de pessoas normais, que a diversidade é muito importante e que a execução tem mais valor do que a ideia. “A questão é a execução”, completou.

Para ele, num processo de inovação há tem 3 elementos essenciais: diversidade de pessoas, geração de quantidade de ideias para divergir e depois convergir, e fluxo de ideias, “em que o que funciona é a criação desestruturada, aquela conversa na sala com puffs coloridos, nos corredores. A reunião tradicional se torna burocrática e pouco produtiva”.

Inovação por vídeo

O BV tem um laboratório com quase 50 engenheiros gerando inovação, um ambiente desestruturado, segundo Horn. Mas a pandemia afetou a interação, que agora é por vídeo, o que não tem o mesmo resultado.

“Estamos promovendo encontros desestruturados e informais para tentar resgatar isso. Temos feito experiências que têm dado resultados interessantes, mas nada substitui o contato físico”, disse ele.

Com um negócio estruturado em plataforma digital, o Banco Inter registrou um resultado positivo com o distanciamento social. De acordo com Alexandre Riccio, vice-presidente do banco Inter, não basta ser digital.

O banco oferece seis linhas de produtos e serviços, incluindo abertura de conta remotamente e marketplace, o que facilita a atração de clientes. Mas ele diz que ser gratuito, num momento de crise econômica, tem apelo ainda maior

Na starturp QueroQuitar, que permite a renegociação online de dívidas, neste período de pandemia foram fechados 6 novos contratos cm empresas de cobrança. Com isso, passou de 2 milhões para 40 milhões os CPFs para trabalhar, afirmou Marc Lahoud, fundador e CEO da empresa.

A questão é que enquanto essas empresas tinham dificuldade de operar seus call centers, com o distanciamento social, a startup virou a chave para home office em três dias. “Temos 25 pessoas q fazem o trabalho de mil pessoas num call center tradicional”.

Aberta inscrição do painel “AI, IOT e smart cities” do simpósio sobre blockchain em energia

“Inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT) e cidades inteligentes (smart cities)” é o tema do 4º painel do 1º Simpósio – O Potencial da Blockchain no Setor Energético, que acontece na próxima terça-feira (30). O simpósio é organizado pelo Blocknews e pela consultoria Mentors Energy.

A associação de blockchain a outros tecnologias 4.0, como AI e IoT, potencializa os benefícios que essas soluções podem trazer às empresas e governos em termos de segurança, redução de custos e mais eficiência.

Os panelistas serão Regina Noppe, sócia e Chief Business Officer (CBO) do Institute of Applied Artificial Intelligence, sediado em Toronto, Ricardo Baraldi, Diretor Técnico Sênior da AuroraStarChain, especializada em arquitetura para transformação digital; Marcelo Creimer, gerente de inovação tecnológica da eZLy Tecnologia, que fornece soluções com tecnologias como blockchain e IoT para empresas.

As inscrições são feitas em https://bit.ly/382Sw7S. O evento será das 14h às 15h30.

O simpósio acontece todas as terças-feiras, no mesmo horário, de 9 de junho a 14 de julho, com panelistas que trabalham com blockchain em suas áreas de atuação. O primeiro painel tratou de cenários de uso de blockchain no setor energético.

O painel seguinte mostrou soluções oferecidas ao mercado. E na terça-feira passada (23), o tema foi segurança cibernética, smart contracts e questões legais.

Grupo que inclui Ripple e Brave lança ID para pagamentos globais

Um grupo que de mais de 40 empresas e organizações sem fins lucrativos globais, dentre elas a Ripple, a GoPay, a Blockchain.com, a BitPay e a Brave, lançou na semana passada, uma ID de pagamentos para transferência de dinheiro globalmente.

O PayID pode ser usado em qualquer rede de pagamentos e em qualquer moeda. Na entrevista a seguir ao Blocknews, Luiz Antônio Sacco, diretor-geral da Ripple para América Latina, dá detalhes sobre o serviço.

BN: O PayID funciona no Brasil? E só vale para a rede Ripple e outras empresas que lançaram o ID?

LAS: O PayID é um ID universal para pagamentos que funciona em qualquer lugar e foi criado para qualquer empresa ou indivíduo que envie ou receba dinheiro. Ele trabalha com qualquer rede ou sistema de pagamento e não é necessário ser cliente da Ripple para operá-la ou adotá-la. O Ripple é apenas uma das empresas que adotam o PayID.

LAS: Haverá empresas daqui entrando nesse grupo?

LAS: O PayID foi lançado em parceria com mais de 40 empresas e organizações sem fins lucrativos, alcançando mais de 100 milhões de consumidores em todo o mundo, para mudar a maneira como o dinheiro é enviado hoje.Esperamos ver mais empresas adotando PayID aq Como sabemos, o país possui uma atividade dinâmica no setor de serviços financeiros, além de ser um dos mercados mais relevantes, com centenas de fintechs.

BN: De que forma o ID “conversa” ou será parte do PIX e do Open Banking?

LAS: O PayID funciona como uma identidade para facilitar os pagamentos. PIX e Open Banking são infraestruturas. É totalmente possível integrar o PayID a essas infraestruturas, bem como a plataformas de pagamento, bancos e carteiras criptográficas existentes.

BN: O serviço precisa de autorização para operar no Brasil?  

LAS: Não é necessário. É importante destacar que o PayID não é uma rede de pagamentos ou um tipo de acordo de pagamentos, mas uma nova maneira de identificá-los para simplificar seu uso pelos provedores desses serviços. Cada empresa que adota o PayID mantém o controle total do nome de domínio do PayID e das informações do cliente e pode implantar um servidor com confiança, protegendo a privacidade e a segurança do cliente.

BN: Todas as empresas que fazem parte do grupo que lançou o serviço são de criptomoedas ou blockchain?

LAS: Não, o PayID é aberto a qualquer empresa que processe pagamentos e transações financeiras que esteja interessada em adotá-lo e não se limita apenas àquelas que usam a tecnologia blockchain ou criptomoeda. De fato, a Open Payments Coalition, do qual o grupo faz parte, abrange os setores de tecnologia, serviços financeiros e organizações sem fins lucrativos para lançar o PayID. E esperamos tocar em mais setores à medida que ele se torne mais amplamente adotado em todo o mundo.


BN: De que forma o ID torna os pagamentos mais rápidos? E quanto mais rápidos?

LAS: Nos velhos tempos da internet, cada rede de e-mail operava de maneira isolada. Isso trouxe desafios de interoperabilidade, que foram bastante simplificados quando um novo padrão foi implementado, permitindo que os usuários do Gmail enviassem e-mails sem problemas para os usuários Microsoft, por exemplo. A proposta de valor do PayID é a mesma para pagamentos: facilitar a interoperabilidade de diferentes sistemas com a adoção de um ID universal.


BN: Qual é o custo de entrada no grupo e o custo de envio de pagamentos?

LAS: O PayID é um padrão gratuito e aberto que qualquer empresa pode usar sem nenhum custo. Como é de código aberto, qualquer empresa pode implementar a tecnologia a qualquer momento.


BN: Em quais redes fechadas o PayID poderá ser usado?

LAS: Existem centenas de redes e plataformas de pagamento, mas os serviços são isolados. Por exemplo, os usuários do PayPal não podem enviar dinheiro para um cliente PicPay, limitando os pagamentos aos usuários em uma única rede. Para impedir que os pagamentos se tornem mais isolados e fragmentados, o setor precisa de uma rede de pagamentos aberta que funcione para todos. O PayID tem o potencial de conectar centenas de redes de pagamento em todo o mundo, só precisa de mais empresas para adotá-lo.

BN: Esse serviço é similar ao de pagamentos do Whatsapp, ou poderá ser usado nele?

LAS: Não. O serviço de pagamentos do WhatsApp é outro exemplo de rede de pagamentos fechada. Embora tenha uma grande base de usuários, possui um grande alcance. No entanto, os pagamentos são limitados a outros usuários na rede do WhatsApp. O PayID é um novo identificador de pagamentos que pode ser usado ou implementado em qualquer rede, inclusive no WhatsApp.

BN: Essa é a primeira rede aberta de pagamentos do mundo? Ou é um passo para se criar uma?

LAS: Soluções semelhantes já existem, mas não são abrangentes às necessidades de todos os usuários nas redes. Hoje, a maioria dos players atualmente serve como um único espaço para nome que funciona apenas em um produto ou empresa. O PayID preencherá essas lacunas usando os padrões de protocolo aberto existentes, como HTTP e DNS, de uma maneira universal e não proprietária.

Facebook repete falha com Libra e faz BC e Cade suspenderem pagamento por WhatsApp

Numa situação que lembra a do anúncio da moeda Libra, do Facebook, o Banco Central determinou, hoje (23), que Visa e Mastercard suspendam o uso do sistema de pagamentos e transferências via WhatsApp, anunciado na segunda-feira passada (15). O motivo: o serviço precisa de autorização para funcionar.

Na sequência, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) impôs uma medida cautelar para evitar que o Facebook e a Cielo lancem o sistema de pagamentos pelo WhatsApp.

O Cade disse que vai avaliar os impactos do acordo na concorrência do setor, até porque, não havia indícios de que em algum momento as empresas pediriam autorização para operá-lo.

O Facebook, dono do WhatsApp, sofreu revés semelhante quando anunciou a Libra. Após fazer barulho com um novo e disruptivo serviço, teve de dar vários passos para trás para negociar e acalmar os reguladores de Estados Unidos e União Europeia.

Naquele caso, os reguladores dizem o mesmo: é preciso autorização para funcionamento da Libra e é preciso ver o quanto isso pode abalar o sistema tradicional de pagamentos. A Associação Libra, um grupo de empresas do projeto inclusive o Face, diz que não vai operar onde não houver regulação.

Ignorando esse fato, o Face e seus parceiros, Cielo inclusive, seguiram em frente com o plano no Brasil. O país seria o primeiro a ter o serviço do WhatsApp.

Segundo o Cade, “o WhatsApp tem uma base de milhões de usuários no Brasil que pode garantir “um poder de mercado significante”. Além disso, “a Cielo possui elevada participação no mercado nacional de credenciamento de captura de transações”. Replicar esse modelo seria difícil para os concorrentes, disse o Cade.