Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Programa da Telefónica dará acesso gratuito a soluções para startups e PMEs

A Telefónica anunciou o lançamento do Activation Programme, que selecionará startups e pequenas e médias empresas que poderão ter acesso gratuito a novas tecnologias, incluindo Internet das Coisas (IoT), blockchain, big data e inteligência artificial, para que se desenvolvam. Segundo a empresa, o programa será lançado também no Brasil, mas ainda não há data anunciada.

O programa inclui a realização de pilotos para a Telefónica e seus clientes e até investimento do Wayra, hub de inovação da empresa.

Em blockchain, será dado acesso à sua solução TrustOS.

Google Cloud se torna nó validador da rede de distribuição de vídeos Theta

O Google, por meio do Gloogle Cloud, deu um passo de aproximação com blockchain. A empresa fechou um acordo com a Theta Labs, plataforma global de distribuição descentralizada (P2) de vídeo e que tem nós inclusive no Brasil. O Google Cloud vai ser um nó validador na rede Theta na Europa, a partir da Irlanda, e vai oferecer um serviço que permite aos usuários da plataforma para implantarem nós da rede Theta.

O nó validador aprova se uma transação pode ser fechada – outros tipos de nós têm outras funções. Segundo o Google, esse é um dos seus primeiros nós validadores e é um passo além da inclusão de dados do Bitcoin, Ethereum e outras 6 cripto moedas através de seu programa público.

Com a entrada do Google Cloud, redes da Theta em diversas partes do mundo estarão mais livres para os vídeos. Nela, os vídeos estão distribuídos a partir de diversos pontos e não apenas a partir de um banco de dados centralizado, de onde se “puxa” o vídeo quando alguém quer acessar, como acontece com Netflix, por exemplo. Cada vez que um grupo de usuários assiste ao mesmo vídeo praticamente ao mesmo tempo, apenas o primeiro acessa o banco de dados e a imagem passa de um para outro. Isso reduz custos de infraestrutura.

Por isso, quanto mais usuários, mais eficiente é a rede. E ainda é possível “alugar” sua banda larga na rede blockchain, com pagamento feitos com o token Gamma. Samsung e Sony são alguns dos nós validadores, que agora são 12. Samsung é também um dos investidores na empresa.

CoinShares cria índice que une ouro e criptoativos para equilibrar volatilidade

A CoinShares, que oferece investimentos em criptoativos, lançou o índice CoinShares Gold and Cryptoassets Index (CGCI), o primeiro que segue a regra EU Benchmark Regulations (EU BMR), da União Europeia, para a indústria de ativos digitais. Ao combinar ouro e criptoativos, o índice combina a baixa volatilidade e maior segurança do metal com a alta volatilidade do criptos.

No último rebalanço do índice, em 30 de abril, os criptos eram 31,75% do índice e o ouro representava os restantes 68,25%. O CGCI foi elaborado com o suporte do Imperial College London, que avaliou que aliar os dois ativos é menos arriscado do que ter um dos dois apenas. “O CGCI é o produto de quase dois anos de pesquisa, desenvolvimento e experiências com a CoinShares”, disse Will Knottenbelt, diretor do Imperial College Centre for Cryptocurrency Research and Engineering.

O índice pode ser acessado pelo Bloomberg Terminals and Refinitiv. O chairman executivo da CoinShares, Daniel Masters, afirmou que índices de produtos baseados em pesquisa e bem documentados foram os catalisadores da adoção das commodities como investimentos pelas empresas. A Coinshares criou, em 2014, o primeiro fundo de Bitcoin regulado.

Accenture, Deloitte e Colômbia assinam declaração de direitos do blockchain

Accenture, Deloitte, a presidência da Colômbia estão entre os 53 signatários da declaração de direitos do Blockchain, a Presidio Principles: Foundational Values for a Descentralized Future, lançada pelo World Economic Forum Blockchain Council. A maioria deles já nasceu no mundo blockchain.

O objetivo é ter um guia que preserve os direitos dos usuários ao se desenvolver aplicativos para as plataformas. A tecnologia muitas vezes é questionada sobre a proteção de dados dos usuários, como mandam as leis LGPD, prevista para entrar em vigor no Brasil em agosto, e a GRPD, da União Europeia.

Com a pandemia do Covid-19, espera-se um aumento do uso de tecnologias e esses questionamentos podem crescer. O documento foi desenvolvido por um ano.

Os princípios são divididos em 4 pilares: transparência e acessibilidade, referente ao direito à informação sobre o sistema; privacidade e segurança, que trata do direito à proteção de dados; agência e interoperabilidade, o direito dos indivíduos de terem a propriedade e o gerenciamento de seus dados; e accountability (prestação de contas) e governança, que é sobre o direito dos usuários do sistema de entender os recursos da plataforma.

Instituto Totum emite certificado de energia renovável com blockchain

O Instituto Totum, especializado em certificação, começou a usar blockchain nos certificados de energia renovável de padrão internacional, os I-RECs, comprados por empresas para demonstrar que usam ou incentivam esse tipo de geração. O objetivo é garantir que um certificado será utilizado apenas uma vez, sem duplicação de venda ou manipulação de dados para reuso.

” Queríamos colocar uma segunda camada de segurança na emissão e nos adiantarmos a uma realidade que vai acontecer, que é blockchain para negócios em energia elétrica”, diz Fernando Lopes, sócio do Totum.

O Totum deve gerar cerca de 4 milhões de I-RECs neste ano. Há 110 usinas de 30 empresas aptas a emitirem o certificado no Brasil, o que é voluntário. Segundo Lopes, foram investidos R$ 500 mil no projeto para incluir blockchain no Sistema Totum de Emissão de RECs (Sisrec). O projeto foi conduzido internamente, com a plataforma Hyperledger Fabric e tem capacidade de até 20 mil transações por segundo. A estimativa é de um retorno do investimento em três a quatro anos.

A ideia de usar blockchain começou há três anos e decidiu-se ir direto para a produção, sem testes. Estudo do portal alemão Statista prevê um crescimento do uso dessa tecnologia no setor de US$ 1,2 bilhão para US$ 23,3 bilhões em 2023.

Para acelerar o lançamento, o Totum é o único validador, com 3 servidores. A próxima etapa, ainda em 2020, é abrir para que uma ou duas usinas, a Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel) e a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) também sejam nós validadores. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) têm restrições para isso devido a políticas de dados.

Blockchain com IoT

Também está no plano o uso de internet das coisas (IoT) para envio de dados pelas geradoras e ampliação do uso da plataforma para outras áreas em que o Totum atua como certificador, como alimentícia, financeira e de segurança. Hoje, os dados de geração de energia no sistema elétrico do país, usados para emitir os certificados, estão disponíveis para o instituto com cerca de dois meses de atraso.

Com IoT, a geradora poderá enviar os dados em tempo real e vender mais rápido o certificado após a geração. “Vamos colocar smart contract para a usina alimentar nosso sistema e emitir seus RECs. A rigor, cada usina poderia ter sua plataforma de blockchain para gerar certificados, mas o mercado não vê isso com bons olhos, porque pede um garantidor”, diz Lopes.

“Trabalhamos numa parte pequena da energia elétrica disponível, mas quem sabe com nosso aprendizado não possamos migrar para o que se faz no exterior, que é tokenizar a geração e consumo, principalmente a P2P. Estamos estudando isso”, completa o executivo. Com o novo marco regulatório do setor, que está no Congresso, isso poderá ser realizado.

O Totum estuda ainda o uso de blockchain para um outro ativo de energia. “Já se fala num ativo ambiental, que seria o lastro de energia, a que de fato vai ser entregue e tem relação com a intermitência de geração – quanto menos intermitência (caso da hidrelétrica), mais garantia de entrega pode ser vendida”, completou.

As empresas compram certificados para demonstrar que apoiam a geração limpa.
As empresas compram certificados para demonstrar que apoiam a geração limpa.

Como se gera o certificado

A geração do certificado parte da inclusão de dados de geração de energia renovável vindos da Aneel e da CCEE. A inclusão ainda é manual. A partir daí começa o uso de blockchain, com a emissão de um certificado para cada megawatt/hora gerado por uma usina que adota o processo de certificação. A venda é feita no Sisrec para empresas interessadas em comprá-los, que são os usuários finais, ou para os traders.

Com a hash gerada e a possibilidade de rastrear tentativas de reuso ou adulteração, a confiabilidade de um certificado é mais garantida. “Blockchain resolve bem essa transação”, afirma Lopes. O certificado tem dados como o código da usina, tipo de energia, mês e período da geração, data de aprovação, registro no blockchain e a hash emitida.

Como funciona o certificado

Os I-RECs são emitidos em outros países e a o Instituto Totum é o emissor oficial no Brasil. Na ponta final do usuário, não é possível saber de onde vem a energia elétrica. Por isso, uma empresa pode comprar uma quantidade de certificados equivalentes à energia que usa, como forma de mostrar que se preocupa com a energia renovável. Isso pode incentivar a geração, porque cria mais uma receita para as usinas, e as empresas podem usar os certificados em seus relatórios de responsabilidade social e ambiental. Há aquelas que têm metas de uso de energia limpa. É possível também comprar certificados de gerações específicas, como de energia eólica.

“Como a energia renovável é mais abundante aqui do que na Europa e Estados Unidos, o valor de uma REC é de U$5 a US$ 10 no mercado norte-americano, de 3 a 4 euros na Europa e de R$ 2 a R$ 5 no Brasil. O de recursos hídricos aqui, por exemplo, é mais barato”, explica Lopes.

O Instituto Totum tem os dados de 95% da energia gerada no país por mais de 2 mil sinas, referentes à produção centralizada – a descentralizada é, por exemplo, a geração de energia solar em casa. São cerca de 45 milhões de megawatt/mês. O sistema de contabilização de energia renovável que entra no sistema existe há 20 anos, mas há 7 anos foi lançado pelo Totum no Brasil e há 4 anos o instituto emite o I-REC, que tem padrão internacional, o que aumentou o interesse na certificação.

O hoje não é o novo normal. O novo ainda vai chegar e será nas interações entre pessoas

Esse primeiro semestre de 2020 está sendo o pico (assim espero) de uma severa pandemia e depressão econômica. Uma mudança radical nos hábitos de pessoas e empresas foi imposta por conta do medo de contágio em si e de políticas públicas como quarentena e lockdown. Deste choque na rotina das pessoas muitos profetizam sobre o novo normal, novos hábitos que as sociedades incorporarão de agora em diante. Apesar de haver elementos de novo normal, o que se vive hoje não será o novo normal. Haverá ainda uma fase de transição, que a duração dependerá de uma série de fatores, para lentamente desaguar em algo mais perene. E se isso tiver mudanças representativas ao que se vivia antes da pandemia, e acredito que tais mudanças apareçam, aí sim teremos…. o novo normal.

O home office, por exemplo, não foi e não será o que vivemos hoje. Para começar, é home tudo. Home office, home school, home mercado, home etc. Todos os membros da família e, às vezes, alguns agregados, compartilham do mesmo ambiente, cada pessoa com suas necessidades. A não ser que a Terra vire um planeta tão inóspito como Marte, esse não será o novo normal. Porém, podemos pegar vários elementos que foram catapultados pela atual crise e projetar como vão se inserir de forma mais significativa na sociedade e eventualmente até catalisar mudanças e evoluções.

Fato: iremos experimentar uma virtualização massificada das interações humanas.

Uma das grandes vedetes, a web conferência em que o Zoom foi seu mais famoso representante, já existia há bons anos. Porém, sempre relegado a um papel secundário nos ambientes de trabalho mais tradicionais. Pois não é que estes foram forçados a usar? Perdeu-se o medo frente a necessidade. E não é que funciona? Esta será uma ferramenta cada vez mais usada para ganho de produtividade, com reuniões mais objetivas e sem desperdício de traslados para outros polos da empresa, clientes, inclusive evitando viagens mais longas (o planeta agradece), claramente substituíveis por uma reunião virtual. E imagina isso se estendendo para além da empresa, se aprofundando nas relações com clientes, fornecedores e projetos com vários participantes.

Free-lancers e outros profissionais liberais, na média, já estão mais acostumados a trabalhar de forma mais remota, quer seja em marketplaces de oferta de serviços, quer seja em terceirizações de funções como desenvolvimento de software, comunicação, webdesign, entre outros. E esse tipo de relação virtual só crescia, muito antes de qualquer indício de pandemia. O trabalho remoto, que já existia antes da pandemia, tende a se intensificar e com ele novas oportunidades e riscos inerentes a essa forma de trabalho, especialmente pela experimentação e potencial adoção por empresas que antes não o consideravam seriamente.

Zoom nas assembleias

Outro grande serviço que as reuniões virtuais podem prestar é em assembleias deliberativas. Imagina assembléia de condomínio virtual com voto eletrônico substituindo aquelas assembleias de condomínio chatas e intermináveis… Clubes, Igrejas, comitês, associação de classes, qualquer organização. Isso pode ser aplicado também a assembleias de acionistas (além de outros títulos financeiros) e gerar uma maior participação e engajamento – diga-se de passagem, Warren Buffett brilhou com sua assembleia geral anual da Berkshire Hathaway inteiramente digital.

Daqui para frente, essa tendência forçará ajustes a seu redor: melhoria e maior acesso na infraestrutura de internet, maior cuidado com segurança de dados, adaptação de legislação e uma nova “etiqueta” de reuniões virtuais. Sobre a infraestrutura, acredito que dispensa comentários no Brasil. Reuniões virtuais funcionam super bem para quem tem computador e internet relativamente rápida e estável. Pois ficar em conferência com o áudio picotado, ou até o audio dessincronizado com a imagem, tipo as dublagens dos seriados japoneses da década de 80, é bastante contraproducente e cansativo.

Sobre a segurança de dados, a etiqueta virtual deve ser ainda mais rígida e as plataformas mais seguras. Muitas reunião virtuais recentes têm sido invadidas, tem até novo termo cunhado para isso: zoombombing. Para uma adoção maior, especialmente no universo empresarial, esse tipo de ameaça tem que ser menos provável de ocorrer (100% seguro talvez seja utópico). Sobre legislação, seria o caso de ajustar (ou manter os ajustes feitos para a pandemia) o que for necessário para dar conforto jurídico sobre reuniões virtuais. É o caso, por exemplo, de se manter a possibilidade de assembleias virtuais sem obrigatoriamente ter o aspecto físico. Ou os limites de responsabilidades quando se tratarem informações sigilosas. Com a dose certa, os ajustes podem atacar a burocracia, os custos decorrentes dela e ao mesmo tempo dar segurança jurídica.

Outros elementos que acredito devam ganhar força são a omni content, transações sem contato, telemedicina, uma completa revisão da logística, novas práticas de transporte público e revisão da política de produção mundial de bens com viés de gestão de risco dentre outras tendências. Estes serão assuntos para outros artigos dessa série

Novo normal após o 11/09

Apenas como contra-ponto, por mais digital que o mundo caminhe, a pandemia também trouxe a valorização dos momentos de presença física. Visitar a familia, sair com amigos, ir à escola e praticar esportes. Ou vocês acham que quando abrandar a pandemia, ninguém mais vai à padaria tomar uma média com pão na chapa? Mesmo que serviços de delivery entreguem comida, há toda uma questão de experiência, ritual, que será cada vez mais valorizada. Até mesmo porque, as coisas não voltarão a ser como eram de uma vez só. Tudo será faseado, quer seja por questões impostas por governantes, quer seja por medo da população. Mas seríamos ingênuos em acreditar que as interações presenciais irão cessar. Elas continuarão. Com restrições gradativamente menores. Assistir à final de um evento esportivo no estádio, um show de seu artista favorito, uma peça de teatro, tomar uma cerveja com amigos com certeza não desaparecerão. Além disso, dadas todas as restrições atuais acredito que serão encaradas de forma mais especial.

Talvez a pergunta aqui é como será a abertura e como as condições impostas impactarão a experiência. Tomemos como exemplo os eventos de 11 de Setembro de 2001, com a série de atentados terroristas nos Estados Unidos. Vidas foram perdidas, cenas chocantes presenciadas por bilhões de pessoas. Durante um período transitório, houve grande medo em pegar avião e até uma série de restrições para viagens por esse meio. Mas daí, o novo normal não foi deixar de viajar, e sim o uso de tecnologia e procedimentos mais rigorosos no embarque das pessoas. Sem dúvida o novo processo comprometeu a experiência dos usuários – tira sapato, passarela raio-x, entra em outra fila etc.) mas foi a forma como as viagens foram retomadas. A grande pergunta é como as interações presenciais irão ser retomadas, com quais limitações, por quanto tempo e qual será o papel da tecnologia nesse… novo normal.

Stephan Krajcer trabalhou por mais de 15 anos no setor bancário e em 2018 fundou a Cuore, startup baseada no Canadá que desenvolve soluções tecnológicas de digitalização e automação para mercado financeiro, além de outras iniciativas com uso de tecnologias emergentes como AI e blockchain.

IBM compra fatia da plataforma we.trade e reforça atuação em comércio exterior

A IBM é a nova sócia da we.trade, uma das maiores e mais consolidadas plataformas de financiamento de comércio exterior baseada em blockchain, com 12 bancos europeus como sócios. A plataforma usa o Hyperledger Fabric da IBM e com a sociedade espera-se um reforço no seu plano de crescimento de novos usuários e de países envolvidos nas operações.

No ano passado, Ciaran McGowan, CEO da we.trade, afirmou que a ideia era que empresa tivesse sua própria plataforma e dependesse menos da Hyperledger Fabric. O motivo era que a empresa não poderia pagar para sempre pelo produto.

O valor do investimento não foi revelado, mas significa uma participação de 7% na plataforma. Os outros sócios são alguns dos maiores bancos da Europa e do mundo – Santander, Deutsche Bank, HSBC, UBS, CaixaBank, Erste Bank da Áustria e sua subsidiária Česká spořitelna, KBC, Natixis, Nordea, Rabobank, Société Générale e sua subsidiária KB e UniCredit Itália.

A we.trade entrou em operação em 2018 e de janeiro a julho de 2019 o crescimento de operações foi de 38% ao mês, em média. Além dos 12 bancos sócios, Eurobank, CSOB e UniCredit Alemanha têm licenças para uso.

Expansão na Ásia

O segmento de financiamento de comércio exterior é ainda bastante dependente de atividades manuais e papel, o que afeta custos e rapidez dos processos. Uma situação crítica como o isolamento social provocado pela pandemia do Covid-19 torna os processos ainda mais penosos. Por isso, blockchain tem sido adotada por grupos de bancos e empresas que buscam mais agilidade e eficiência.

A partir de julho, a we.trade deve receber novos bancos e clientes da Europa e depois da Ásia. O plano é também permitir a interoperabilidade com outras redes similares, como o que já foi feito com a eTradeConnect, plataforma que tem mais de 10 bancos asiáticos. A plataforma poderá também incluir membros como seguradoras, importadores, exportadores e empresas de logística.

Espera-se que a IBM busque a integração com suas plataformas TradeLens, de comécio exterior, e Food Trust, de rastreamento e monitoramento de cadeias de suprimentos.

No Brasil, a Covantis, de traders líderes em commodities agrícolas, vai lançar sua plataforma para monitoramento de embarques de exportação de soja e milho. Mas a rede poderá no futuros incluir também bancos.

Para usar a plataforma os custa são de cerca de US$ 2 mil (em torno de R$ 10 mil) – para iniciantes – a US$ 175 mil (R$ 875 mil) ao ano. O valor para testar a plataforma é de US$ 75 mil (R$ 375 mil).

Bitcoin Pizza Day, o dia em que uma pizza valeu o equivalente R$ 206 milhões

O dia 22 de maio é um marco para as comunidades de criptomoedas e blockchain. Há dez anos, o bitcoin foi usado pela primeiras vez numa transação para compra de um produto. Quem usou a criptomoeda foi Laszlo Hanyecz, que pagou 10 mil bitcoins, hoje equivalentes a R$ 511,5 milhões, por duas pizzas grandes. E daí nasceu o “Bitcoin Pizza Day”.

Se quem recebeu a moeda estiver com ela até hoje, imagine o lucro: naquela época, o bitcoin valia cerca e US$ 0,0025, ou R$ 0,015. Quem vendeu teria, na época, 70 mil bitcoins e foi aconselhado por pessoas do fórum a não fazer a transação.

Hanyecz fez um pedido num post no Bitcointalk, o maior fórum de discussões sobre a moeda. “Você pode fazer a pizza ou trazer até minha casa ou pedir para mim num delivery, mas o que eu quero é ter a comida entregue em troca de bitcoins para que eu não tenha que pedir ou preparar, tipo pedir um café da manhã num hotel ou algo do gênero, eles apenas te trazem alguma coisa para você comer e você fica feliz!”. disse ele no post. E também descreveu o que ele gostava no recheio da pizza.

Houve quem achasse a oferta muito alta, ja que significavam US$ 41 (cerca de R$ 240). O post foi feito no dia 18 de maio e depois de dois dias, uma pessoa que usava o apelido de Jercos fez o pedido no Papa John’s. As pizzas são as da foto desta matéria.

De lá para cá, o bitcoin cresceu em valor e uso, até ser aceito inclusive em operações de marcas famosas, como a Visa, de cartões de crédito. Blockchain também se expandiu e além das criptomoedas, sendo adotada por empresas e governos que usam a tecnologia para transacionar valores de forma mais eficiente, rápida e barata, mesmo que isso não inclua criptomoedas.

Decisão do Cade decepciona representante de associação de criptomoedas

O representante da Associação Brasileira de Criptomoedas e Blockchain (ABCB) no Cade e ex-presidente da instituição, Fernando Furlan, disse ao Blocknews que considerou “estranha” a decisão do órgão de retomar as investigações sobre se grandes bancos brasileiros estão praticando atos contra a competição ao fecharem e também não abrirem contas de corretoras de criptomoedas. A decisão foi tomada ontem (20), em sessão de julgamento do Cade.

O caso está no Cade desde 2018, foi analisado e as decisões sempre foram contra uma punição dos bancos. Na semana passada, a conselheira Lenisa Rodrigues Prado sugeriu a reabertura do caso, o que foi analisado ontem. O presidente do Cade, Alexandre Barreto de Souza, apontou ontem diversos pontos que segundo ele precisam ser analisados, afirmando que faltam informações nos autos, como se esse a disputa é um problema de concorrência.

Furlan diz que não faz sentido manter o inquérito administrativo e não instaurar um processo administrativo (PA). A conselheira sugeriu um PA com aprofundamento das investigações. “O Superintendente-Geral do Cade não recebeu a ABCB nenhuma vez, apesar de pedidos.”, disse Furlan.

BTG Pactual emite ReitBZ na Tezos e diz que criará mercado secundário

O BTG Pactual, primeiro banco brasileiro e primeiro dos grandes bancos de investimentos do mundo a lançar um criptoativo, anunciou que emitiu seu token ReitBZ na rede blockchain Tezos e que nos próximos meses lançará um mercado secundário para dar mais liquidez ao ativo. O token é lastreado em imóveis e essa é a primeira emissão fora da plataforma Ethereum.

O ReitBZ foi lançado há um ano. Desde então, foi usado para a compra de 238 imóveis em agosto e 85 em dezembro. Dessas 323 unidades, 181 foram vendidas e a primeira distribuição de dividendos ocorreu neste mês.

O investimento mínimo no ReitBZ é de US$ 500. O banco afirma já ter superado o soft cap, que é o valor mínimo feito por investidores no seu lançamento, o chamado ICO (Initial Coin Offering). O soft cap é de US$ 3 milhões. O banco também diz que 100% da receita é distribuída.

Segundo André Portilho, sócio do BTG e responsável pelas iniciativa das chamadas security tokens no banco, a rede Tezos vai ser testada porque permite lançamentos mais complexos dessas moedas.

A Tezos é um rede pública em que os participantes decidem sobre mudanças no protocolo. A Fundação Tezos, baseada na Suíça, dá suporte à rede.

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