Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Experimento com Nike e Macy’s na cadeia de suprimentos mostra que blockchain foi eficiente

O Chain Integration Pilot (CHIP) do Auburn University RFID Lab, no Alabama (EUA), divulgou um white-paper sobre um projeto que envolveu empresas como a Nike e que conclui que blockchain se mostrou uma tecnologia funcional para a troca de dados serializados.

“Há oportunidades para melhorias, mas cada par de participantes conseguiu registrar transações contendo dados serializados numa linguagem comum e compartilhou esses dados com seus parceiros de negócios”, afirma o documento.

A CHIP Initiative é uma ação do Auburn Blockchain Working Group, um consórcio de empresas que além da Nike, inclui empresas como Under Armour, Macy’s, Kohl’s, FedEx, IBM e Microsoft.

De acordo com o estudo, durante os testes foi possível aumentar de 0,33 transações por segundo (tps) – volume insuficiente para a PoC – para 22 tps, o que permitiu o processamento de 1,9 milhão de transações ao dia, o equivalente a 684,3 milhões ao ano.

“Este nível de desempenho é aceitável para a PoC, mas seria necessária maior otimização para que a rede possa incluir mais parceiros de negócios e dados”, diz o documento. Segundo o grupo, Hyperledger Fabric pode processar milhares de transações por segundo, portanto, a otimização é viável.

Esse grupo formou sub-grupos que estudaram o desenvolvimento, os padrões de dados e a arquitetura da solução. Eles definiram os objetivos de negócios da prova de conceito (PoC) e as demandas técnicas para uma solução em blockchain para a indústria toda.

No total, as empresas contribuíram com 639.283 items, sendo que 223.036 foram registrados em blockchain. A diferença se deve a dados adicionais compartilhados por varejistas, que somam mais de 400 marcas fora do escopo da CHIP.

O objetivo do experimento era verificar se blockchain pode reduzir custos ao longo da cadeia de fornecimento. Foi usada a plataforma Hyperledeger Fabric e a PoC incluiu a inserção, codificação, distribuição e armazenamento de dados serializados vindos de diferentes fontes ao longo da cadeia.

Uranium fecha acordo com Insolar para uso de DLT em projetos de negociações do metal

A Uranium One, empresa do grupo russo Rosatom e uma das maiores produtoras de urânio do mundo, vai utilizar a tecnologia de registro distribuído (DLT) em projetos de negociações do metal.

A empresa diz que está testando novas tecnologias em partes de seus processos, mas que sabe que num setor tradicional como esse, acostumado há tempos com uma maneira de fazer negócios, é precisa tratar com cuidado eventuais mudanças. O projeto será feito através de uma parceria com a Insolar, desenvolvedora da plataforma DLT.

Segundo a Uranium, as negociações do metal são ainda feitas com papel e caneta, sem contratos padrão e com várias checagens de questões legais. A previsão, de acordo com as empresas, é de que a demanda anual de urânio cresça de 67.600 toneladas para 84.850 toneladas na próxima década, o que animou as indústrias a fecharem o projeto.

Com DLT, será possível fazer o processo de negociação mais transparente, confiável e com melhor coordenação entre os diversos membros envolvidos.

A Insolar tem cerca de 80 funcionários baseados nos Estados Unidos e Europa.

Artigo: Cidadãos são um aglomerado de dados pessoais nas calçadas da internet

Ousei escrever esse artigo depois de obsevar as pessoas caminhando nas ruas de São Paulo e de repente, eu não as enxerguei como seres autônomos, com liberdade de ir e vir, mas sim um aglomerado de dados pessoais trafegando nas calçadas da internet, onde o entretenimento da rede os consome com ofertas de jogos gratuitos para desenhar os seus perfis. Então, me perguntei: até onde eu tenho privacidade e controlo o que eu desejo dos meus dados a ponto de não deixar os sapatos simplesmente calçarem os meus pés.  

Nem estou falando sobre vazamento ou sequestro de dados, mas de como você pode ser manipulado por meio de técnicas de engenharia social (manipulação de pessoas para que entreguem seus dados) ou pouco conhecimento sobre quem está por trás daquela linda promoção piscando na tela do seu celular.

Em tempos de transformação digital, a palavra de ordem é analisar os dados e extrair tudo que diz respeito ao consumidor. No entanto, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) mudou o jogo das relações, garantindo que o dono do dado escolha se quer fornecer suas informações para as empresas.

Mas como avaliar algo sem uma cultura de uso de dados? Hoje mesmo fui à farmácia e o rapaz do caixa pediu meu CPF porque, segundo ele, somente com o número do meu documento é possível checar as promoções do estabelecimento. Claro que se eu não quiser fornecer, ele não me obrigará. Fato é que de um lado há uma corrida forte para que as empresas cada vez mais busquem o êxtase da agilidade nos negócios e sucesso nas vendas e do outro lado da margem, os clientes, que consomem produtos e serviços trafegando na rede sem proteção.

Mas será mesmo que nós somos consumidores? Talvez sejamos consumíveis porque cada célula do nosso corpo está armazenada num repositório de dados espalhado em diversos ecossistemas da economia. E com a Inteligência Artificial e o Machine Learning, a agilidade e o conhecimento computacional sobre as suas preferências, influenciadas pelos cookies que explodem na tela de seus celulares, apenas corroboram para que você seja o sapato, e não os pés que os vestem. E o pior: corre um grande risco de estar sendo estudado para o próximo ataque cibernético, porque pode ser induzido a clicar num phishing ou navegar numa página fake criada por um criminoso digital.

Abismo entre transformação digital e proteção

O fato é que há um grande abismo entre a transformação digital e as regras de proteção e privacidade de dados nas organizações, uma deficiência cultural sobre segurança cibernética. Quanto menos as pessoas têm educação digital, maior o risco de usarem a internet de forma a expor as suas vidas, de seus filhos, das pessoas ao seu redor e dos negócios.  Então aqui temos um ecossistema frágil. Se uma parte dessa cadeia de relações for atingida ou quebrar, pode derrubar diversas economias simultaneamente, porque tudo está conectado e interligado.

Mas quem sabe a solução para garantir a confidencialidade e a segurança de certas informações esteja em tecnologias disruptivas como blockchain. Sim. Afinal, blockchain gera mais eficiência, redução de custos e transparência em toda a cadeia produtiva. E o que isso tem a ver com as pessoas comuns que circulam nas ruas? Informação. Se aplicado em uma cadeia de alimentos, é possível obter todo o histórico do produto, quem produziu e o transportou, além da garantia de que as normas de qualidade foram respeitadas e a validade não foi adulterada. Isso é apenas um exemplo.  Pensando em segurança dos dados, aposto que essa seja ainda uma grande solução, mas requer um esforço colaborativo e macroeconômico.

Por outro lado, estamos próximos da chegada do 5G e IoT (Internet das Coisas), aumentando as possibilidades do mundo cada vez mais conectado e, obviamente, dos riscos de ataques cibernéticos numa proporção muito maior comparado ao poder “bélico” das organizações. Isso porque os atacantes usam técnicas das mais variadas como a engenharia social e sabem aproveitar o deep learning, a Inteligência Artificial e observam as brechas da tão sonhada transformação digital nas empresas. 

Independente dos avanços da tecnologia, desenvolver uma nação sobre as bases da cultura de dados é educá-las para não cair em armadilhas bem comuns no Brasil e talvez uma das mais usadas: a engenharia social, com suas facetas para ludibriar as pessoas e praticar golpes e roubos de informações guardadas naqueles tais repositórios das organizações.


A Agência da União Europeia para a Cibersegurança (ENISA) publicou no ano passado um relatório que compreende quatro análises baseadas em evidências dos aspectos humanos da segurança cibernética: duas baseadas no uso e na eficácia de modelos das ciências sociais, uma em estudos qualitativos e outra na prática atual nas organizações. Foi encontrado um número relativamente pequeno de modelos, nenhum deles particularmente adequado para entender, prever ou alterar o comportamento de segurança cibernética. 

Muitos ignoraram o contexto em que ocorre muito comportamento de segurança cibernética – ou seja, o local de trabalho – e as restrições e outras demandas no tempo e nos recursos das pessoas que ele causa. Ao mesmo tempo, havia evidências de que os modelos que enfatizavam maneiras de permitir um comportamento apropriado de segurança cibernética eram mais eficazes e úteis do que aqueles que procuravam usar a conscientização ou punição de ameaças para incentivar os usuários a adotarem comportamentos mais seguros.


A não conscientização sobre cibersegurança e privacidade gera um efeito cascata: o consumidor é o mesmo funcionário de uma empresa e esse mesmo agrupamento de dados (humanos) também pode impactar governos e até comprometer diversos serviços governamentais e a iniciativa privada.  Afinal, quem está por trás daquela oferta: seu interesse, o da empresa que quer vender os sapatos e detém seus dados ou apenas uma isca para um criminoso digital roubar suas informações ou invadir o sistema corporativo da empresa onde trabalha?

*Paula Zaidan é jornalista, consultora especializada em segurança da informação e awareness e líder de marketing da Womcy (Women in Cybersecurity).  

OCDE quer saber se blockchain funciona no setor público e convoca governos a contarem seus projetos

O ceticismo de muitos governo em relação à blockchain fez a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)  lançar uma pesquisa sobre o uso da tecnologia em projetos públicos. O objetivo é coletar dados sobre experiências bem-sucedidas, que chegaram a ser implementadas e têm usuários, de projetos que serão implementados em até quatro meses e de projetos mal-sucedidos, que não mostraram eficiência.

Essa pesquisa é feita com Juho Lindman, professor associado da Ciência da Informação da Universidade de Gotemburgo, na Suécia. Lindman está recebendo informações sobre o assunto, que podem ser mandadas para seu email juho.lindman@ait.gu.se . Os dados serão mantidos confidenciais.

A OCDE tem estudado blockchain e realizado análises por meio do seu Blockchain Policy Centre. Mas, segundo a instituição, há várias casos anunciados de uso de blockchain todos os anos e muitos não avançam. Há ainda um ceticismo em relação à tecnologia no setor público e é preciso averiguar o que é fato.

Banco e empresa de agronegócio do Equador aderem à blockchain para controle de qualidade de dados

Duas das maiores empresas do Equador – a El Ordeño, do agronegócio, e o Banco Guayaquil – , anunciaram a adoção de blockchain para estabelecer redes de controle de qualidade de dados. Os dois projetos são feitos com a IBM, que usa Hyperledger.

Os dois projetos chamam a atenção porque mostram um movimento positivo das empresas no país, que em geral não é apontado como um dos líderes no uso de blockchain para empresas na América Latina. Brasil e Colômbia estão entre os mercados de maior interesse das empresas fornecedoras de serviços dessa tecnologia.

A El Ordenõ capta leite de mais de 6 mil pequenos e médios produtores, que passa por um processo industrial e depois é distribuído para o varejo. A empresa vai usar blockchain na linha TRÜ, que têm um código QR na embalagem. Ao acessar o código com celular, o consumidor vai obter dados do produtor até as prateleiras dos mercados. A empresa vai colocar e gerenciar as informações pelo IBM Food Trust, rede de blockchain para rastreamento de alimentos que tem outras empresas como Carrefour – inclusive no Brasil – e Walmart.

No Banco Guayaquil, a tecnologia será usada gerenciar trocas de pontos acumulados pelos clientes, por recompensas como voos, hotéis e compras de produtos. Segundo o banco, isso permite registrar tanto o acumulo, quanto o uso dos pontos em tempo real e de forma confiável. As empresas que fornecem os produtos trocados pelos pontos são nós da rede, por exemplo.

A El Ordeño, assim como outros empresas que tomaram o mesmo caminho em blockchain, afirma que a tecnologia atende à demanda crescente dos consumidores de garantia de sustentabilidade dos produtos que consomem.

Para o banco, o objetivo com a blockchain é reduzir fraudes, erros e custos, além de acelerar o processo de troca de pontos.

ArcBlock lança iniciativa para treinamento de desenvolvedores e usuários

A startup ArcBlock, plataforma blockchain de desenvolvimento de aplicações descentralizadas, lançou a I DID IT, uma iniciativa focada em aplicações e treinamentos para desenvolvedores, empresas e usuários.

“Queremos que as empresas comecem a ver o valor de dar aos usuários o controle de seus próprios dados”, disse o CEO da ArcBlock, Robert Mao. Segundo ele, o objetivo é também mostrar como essas aplicações são de baixo custo e alto retorno e, ao mesmo tempo, reduzem riscos de segurança e geram novas aplicações que podem levar a novas receitas.

O caso de uso que será mostrado nesta semana é o Cash App, que permite que uma pessoa monte seu próprio aplicativo de pagamentos, o que é diferente de soluções como PayPal ou Venmo, que exigem valores altos de investimentos, disse a ArcBlock.