Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

China cria centro para incentivar uso de blockchain; Alibaba vai participar

A China, que tem como meta ser líder global em ciência e tecnologia, inaugurou o Yunnan Blockchain Center, nesta semana, para promover o uso da tecnologia em diversas iniciativas.

Empresas como Alibaba Technology, Hangzhou Quchain Technology e Uni-Ledger (Blockchain as a Service) estão entre as 24 empresas nacionais e estrangeiras que participam do projeto.

Segundo a Xinhua, agência de notícias chinesa, blockchain será usada para rastreamento de alimentos verdes da província de Yunnan e na rastreabilidade de produtos vendidos no comércio eletrônico internacional.

Outras aplicações incluem, por exemplo, o compartilhamento de registros médicos, uso em cadeia de suprimentos e compartilhamento de informações sobre depósitos judiciais.

Mais um hub tecnológico

A inauguração aconteceu no último domingo e no mesmo dia foi lançado o “Peacock Code”, da província de Yunnan, que vai rastrear e compartilhar dados de produtos para da região para evitar falsificações

A iniciativa, além de promover o uso de uma das tecnologias mais novas do mundo, ajuda a criar um novo centro tecnológico no país. O centro fica no Parque Industrial de Ciência e Tecnologia Kunming Wuhua. Kuming é a capital da Yunnan, que por sua vez é um das províncias menos desenvolvidas e uma das mais remotas da China.

Nesse movimento de deixar de ser o país da cópia e ser líder em tecnologia e ciência, 3 cidades chinesas já estão entre as 10, fora do Silicon Valley/São Francisco, que vão liderar a tecnologia nos próximos 4 anos. São elas Xangai, Beijing e Hong Kong, segundo um levantamento da KPMG.

Banco central da Inglaterra estuda uso de moeda digital

O Banco da Inglaterra (BoE) abriu uma consulta pública que é o primeiro de uma série de passos na discussão sobre se deve adotar uma moeda digital (Central Bank Digital Currency, CBDC, na sigla em inglês).  No documento que trata do assunto, o BoE se mostra bastante aberto a discutir e a achar soluções para adotar a moeda.

“Está na hora de olhar mais à frente e considerar que tipo de dinheiro e pagamentos serão necessários para atender as demandas de uma economia crescentemente digital”, diz o documento “Central Bank Digital Currency – Opportunities, challenges and design”.

“Como emissor do formato de dinheiro mais seguro e mais confiável, devemos inovar para oferecer aos cidadãos dinheiro eletrônico – ou CBDC – como um complemente das cédulas físicas?”

No modelo apresentado pelo BoE, o banco forneceria uma infraestrutura tecnológica que existiria junto com o RTGS, o sistema de liquidação pelos valores brutos em tempo real, e providenciaria o mínimo de funcionalidades necessárias para pagamentos na moeda digital.

O BoE afirma que a CBDC é sempre pensada como equivalente à cédula de dinheiro, mas poderá ter outras funcionalidades, dependendo do que for decidido. Se usada no Reino Unido, será denominada em libras esterlinas e na mesma proporção da nota atual – 1 libra será igual a 1 CBDC. Além disso, co-existiria com dinheiro e depósitos bancários.

Segundo o banco, a CBDC trará oportunidades, como ajudar a se ter um cenário de pagamentos mais resiliente. Também permitirá pagamentos mais seguros do que moedas privadas, como as stablecoins, por exemplo.

Mas há também riscos, como a transferência de recursos de bancos comerciais para CBDC, afetando seus balanços, os recursos disponíveis para empréstimos e a política monetária. “Mas, a CBDC pode ser desenhada de forma a ajudar a mitigar esses riscos”, disse o BoE.

Dentre as questões que o BoE coloca, estão a de como a CBDC pode ser implantada para aumentar a eficiência a velocidade dos pagamentos e facilitar a competição e a inovação.

Outra das perguntas é até onde a CBDC levaria à desintermediação de operações pelo sistema bancário e como os diferentes graus disso afetariam a estabilidade dos bancos e do restante do sistema financeiro?

Outra das questões é como a CBC deveria ser feita para que os pagamentos na moeda sejam aceitas nos pontos de vendas.

A consulta vai até 12 de junho próximo.

De acordo com um relatório do Bank of International Settlements (BIS), há 17 projetos ou relatórios publicados até fevereiro passado sobre moedas digitais de bancos centrais – excluídas CBDCs do atacado e projetos de pagamentos internacionais.

Toyota diz que vai expandir uso de blockchain “mais do que nunca”

A Toyota decidiu acelerar o uso de blockchain e “mais do nunca, expandir colaborações com outras empresas parceiras”. A empresa revelou que em abril de 2019 criou o Toyota Blockchain Lab e vem testando a tecnologia em diversas iniciativas em 4 pilares: clientes, veículos, cadeia de suprimentos e digitalização de valores.

Em relação aos clientes, a empresa verificou benefícios no compartilhamento de identidades digitais e de contratos digitalizados dentro e fora do grupo, melhor gerenciamento e informações pessoais e de uso de pontos de serviços.

Houve também melhoria e criação de serviços para os veículos a partir dos dados armazenados sobre o ciclo de vidas dos carros. Na cadeia de suprimentos, aumentou a eficiência do rastreamento através do armazenamento de compartilhamento de dados sobre partes e peças ao longo da cadeia de produção e de entrega.

Blockchain também foi usada para a diversificação de processos de financiamento, com a digitalização de ativos como veículos e direitos. Segundo a montadora, isso contribuiu para a construção de um relacionamento de longo prazo dom clientes e investidores.

O Toyota Blockchain Lab é uma plataforma virtual com a participação de seis empresas do grupo. Além disso, o laboratório tem feito iniciativas com outras empresas Toyota no mundo, como a Toyota Motor North America, e realizado parcerias.

“Espera-se que blockchain será uma tecnologia fundamental para conectar pessoas e empresas de forma mais aberta, numa maneira que fornece segurança.” A Internet das Coisas (IoT) gerou uma necessidade de segurança dos dados e “blockchain pode garantir o compartilhamento desses dados entre diversas partes aumentando a confiança na informação”, disse a empresa num comunicado.

De 17 projetos do Lift, programa de inovação do BC, 6 usam ou poderão usar blockchain

A tecnologia blockchain está sendo, ou poderá ser usada, por 6 dos 17 projetos do Lift (Laboratório de Inovações Financeiras Tecnológicas) 2019, programa de inovação do Banco Central para apresentação de soluções para o sistema financeiro. Após meses de trabalho, as empresas apresentaram ontem seus protótipos, em Brasília.

A Blupay, empresa de pagamentos instantâneos, é uma das que utilizam blockchain. No caso, o R3 Corda. De acordo com Rubens Antônio Rocha Júnior, superintendente geral da empresa, que foi comprada pela certificadora digital Valid, a solução tem a rapidez que o sistema de pagamentos instantâneos do BC, o PIX, determinou. O PIX será lançado em novembro e ao longo dos próximos anos, vai incluir uma série de serviços, como débito automático e pagamento de documentos.  

Um dos outros projetos em blockchain é o da FinId, de identidade digital descentralizada para o mercado financeiro, desenvolvido pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD) e que usa R3 Corda e Hyperledger Indy. O Gavea Marketplace, uma bolsa digital de commodities agrícolas que começa a ser testada neste ano, e o Midas, plataforma de investimentos em aplicações financeiras, também usam Corda. A P2P Lending, do Banco BV, usa Hyperledger Fabric.

A Finweb, uma plataforma colaborativa para empreendedores, mencionou na sua apresentação estar avaliando a tecnologia blockchain para a autenticação das parcerias. É possível que outros projetos decidam usar blockchain, no futuro, já que nem tudo está fechado.

Tecnologia permite transmissão do evento

O evento, no auditório do banco, foi fechado por precauções contra o coronavírus. A presença foi apenas de palestrantes, panelistas, representantes de empresas que deram suporte aos projetos e funcionários do BC e da Fenasbac, federação dos funcionários do banco.

O Lift foi transmitido ao vivo pelo canal do BC no Youtube e a gravação está disponível para visualização. “Se não fosse a tecnologia, a gente não conseguiria fazer este evento neste formato”, disse o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, um entusiasta de tecnologia e inovação. No Lift do ano passado, ele afirmou que se fosse mais jovem, provavelmente se dedicaria exclusivamente ao assunto.

Campos afirmou que um dos grandes problemas do mundo moderno de tecnologia no mundo bancário é a fragmentação dos mercados, que não se comunicam. Isso dificulta a regulamentação e a experiência dos usuários. “É uma barreira ao desenvolvimento”, completou.

É por isso que o PIX é uma prioridade do banco, uma solução para atender a demanda do mundo moderno e que gerou a criação das criptomoedas, disse Campos Neto. Para tanto, é transparente, seguro, barato e totalmente interoperável, completou.

Na sequência do PIX virá o open banking e a ideia é ambos se encontrarem. “Queremos um sistema interoperável, instantâneo e aberto. É importante que esses projetos se encontrem o mais rápido possível.”

Segundo Keiji Sakai, country head da R3, como o número de pessoas no auditório foi limitado, “houve boas conversas sobre os projetos durante as pausas do evento”.

Campos Neto lembrou que as inscrições para o Lift 2020 estão abertas até o próximo dia 20 de abril.

Em 2022, PIX vai incluir pagamentos agendados e débito automático; em 2023, pagamento de documentos

O PIX, sistema de pagamentos instantâneos que o Banco Central (BC) lançará no dia 16 de novembro, vai evoluir em 2022 para um sistema de requisição de pagamentos, pagamentos agendados e débitos automáticos. Em 2023, vai incluir também o pagamento de documentos.  

Conforme foi informado pelo BC, no mês passado, a partir de novembro o serviço vai permitir pagamentos 24 horas por dia, 7 dias por semana. O sistema vai ao ar dia 3 de novembro para alguns participantes e no 16, para todos. E em 2021, entram em funcionamento as transferências usando-se QR Code e transações por aproximação.

De acordo com Carlos Eduardo Brant, chefe-adjunto do departamento de operações bancárias e de pagamentos do BC, em abril será aberta consulta pública para o regulamento do PIX, mesmo mês em que começam os testes de liquidez do sistema.

Em maio, serão divulgados os regulamentos da base de endereçamento e da plataforma de liquidação, e em julho, a regulação completa. Os testes de conectividades operacionais de liquidez e funcionalidades começaram em fevereiro.

O PIX representa oportunidades para atividades como o desenvolvimento de soluções a usuários finais pagadores e recebedores, desenvolvedores de aplicativos, fechamento de venda no check out, API de recebimento e automação, exemplificou o diretor.

As informações foram anunciadas durante o LIFTDAY 2020 do BC. O Lift (Laboratório de Inovações Financeiras Tecnológicas é um programa do BC que chama empresas a buscarem soluções para o sistema. Ontem, as escolhidas apresentaram suas soluções.

Para o presidente do BC, Roberto Campos Neto, o PIX é o início de uma transformação do sistema financeiro e faz parte de um movimento dos bancos centrais para se modernizarem e enfrentarem a concorrência de novos atores no mercado, como as fintechs, e de produtos, como as criptomoedas.

Lift Learning, do BC e Fenasbac, selecionou 4 projetos de estudantes

O Lift Learning, projeto nascido em novembro passado a partir do Lift do Banco Central (BC), já tem 4 projetos selecionados. As empresas são a PagueVeloz, uma fintech de pagamentos e recebimentos, a BxBlue, de empréstimos consignados, BRB (Banco de Brasília), e a Vérios,  plataforma de comparação de opções de investimentos.

Segundo Rodrigoh Henriques, head de Inovação da Fenasbac, federação dos funcionários do BC responsável pelo Lift Learning, como o BC, entre as instituições de ensino estão a Universidade de Brasília e a Fundação de Apoio a Pesquisa do Distrito Federal. O programa é voltado a estudantes de graduação e pós-graduação. No Lift, participam empresas.

O programa trabalha no conceito de tríplice hélice, em que governo, empresas e academia se unem para fazer inovações e implantar na economia. Neste caso, são inovações para o sistema financeiro. “Espero que consigamos falar, no futuro, de projetos que começaram no Lift Learning, subiram para o Lift e foram para o sandbox regulatório”, disse Henriques.

CIP, B3, CERC e CRDC vão testar blockchain para checagem dos registros de duplicatas

A CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos), a bolsa B3, a CERC (Central de Recebíveis) e a CRDC (Central de Registros de Direitos Creditórios), todas registradoras de ativos, vão iniciar nas próximas semanas um teste com blockchain para verificação de que uma duplicata seja registrada apenas uma vez.

Com isso, as empresas atendem a regra do Banco Central (BC) de implantarem a interoperabilidade entre as empresas do segmento. E no futuro, tudo dando certo, poderão usar a mesma infraestrutura para outros dados.

Hoje, não é possível saber se uma duplicata está registrada em mais de uma empresa. Se houver duplicidade, ganha quem descontar a duplicata primeiro, o que vai contra a natureza do registro, que é dar segurança.

Mas, segundo Aldo Chiavegatti, superintendente de infraestrutura do mercado da CIP, o que motivou o projeto é mais a questão da interoperabilidade do que as fraudes.

Isso porque o BC tem andando na direção da interoperabilidade e recebíveis de cartões de crédito, por exemplo, vão entrar na lista. “Isso vai passar a ser rotina”, completou. Portanto, se dados como os de cartões ou outros passarem no teste, as empresas poderão usar a mesma arquitetura e ganhar escala.

A circular 3.968 do BC, de outubro do ano passado, estabelece a interoperabilidade entre sistemas de registro que ofertam o serviço de um mesmo tipo de ativo financeiro para ônus e gravames sobre esses ativos.

Já as fraudes não são gritantes no registro de duplicatas, disse o executivo, porque quando há duplicidade, em geral decorrerem de erro, uma vez que quem registra são as instituições financeiras.

Dados em casa

Com blockchain, cada registradora é um nó e todas poderão verificar os registros num banco de dados comum. “Mas somos competidores, então podemos preservar os dados em casa e cada uma transmite o que as outras precisam ver”, disse Chiavegatti. Um banco de dados central tradicional teria mais brechas de segurança, completou.

Como o BC está abrindo o mercado a mais registradoras, com empresas aguardando autorização para operar, as novas poderão se juntar à rede criada pelas 4 empresas. Mais empresas e novos produtos farão o projeto ser menos custoso. O custo atual é similar ao das soluções centralizadas existentes, segundo o executivo.

As empresas começaram a discutir o projeto no final de 2018 e fizeram a prova de conceito (POC). Vão usar a solução Corda, da R3. Estão em processo de contratação de solução de desenvolvimento e de operação de ambiente. Com isso fechado, poderão saber exatamente o valor do investimento, que não foi revelado.

Ao mesmo tempo em que estão cuidando da infraestrutura, as empresas cuidam da governança da rede, sendo apontada como uma questão delicada por fornecedores e usuários da tecnologia blockchain. “Governança é uma questão sensível desse tipo de projeto”, afirmou o executivo. Todas as 4 são responsáveis pela, mas ainda há pontos a serem definidos.

Os testes começam na segunda quinzena de abril e devem durar de 30 a 60 dias. A expectativa é que as 4 empresas tenham feito os ajustes para começarem ao mesmo tempo. Mas se duas estiverem prontas, o teste já pode ser feito. O número de transações por segundo foi revisada, não foi revelada. De acordo com Chiavegatti, a rede pode se adequar a novos membros e a mais dados.

Além do custo e da governança, um outro desafio de se implantar uma solução blockchain hoje é a falta de experiência do mercado com projetos grandes, com interoperabilidade dos nós e validação da solução, afirmou o executivo.

Bancos

As instituições financeiras analisam o uso de blockchain para outras operações. No ano passado, 9 bancos, com CIP e Febraban, formaram a Rede Blockchain do Sistema Financeiro Nacional (RBSFN) e implantaram na checagem de fraudes por celular. Se algo errado é detectado, uma instituição avisa a outra.

A RBSFN também analisa implantar, ainda neste ano, o uso de blockchain para compartilhamento de procurações e poderes de clientes.

Santander estende prazo para inscrição no hackathon The Code Force

O Santander estendeu em dois dias, até amanhã (12), as incrições do 2º The Code Force – Hackathon. O desafio é encontrar soluções para os problemas levantados pela emDia, Pi e SIM, novas ventures do Grupo Santander.

Os desafios incluem soluções de negociação de dívidas de inadimplentes de forma mais simples e digital, facilitação da escolha de um investimento por um cliente e ajuda ao cliente para análise de seus créditos e quitação de dívidas.

A inscrição é feita pelo site da competição, o https://www.thecodeforce.com.br/

Blockchain será usada para monitorar desempenho de publicidades externas em projeto em Singapura

Blockchain chegou às campanhas publicitárias conhecidas como Digital Out-of-Home (DOOH), feitas em monitores instalados em áreas externas. As empresas de Singapura Aqilliz, provedora de soluções em blockchain, e a Moving Walls, que fornece tecnologia para publicidade,  farão um piloto de uma DOOH para a foodpanda, empresa de entregas de refeições pedidas por celular que atua em 120 cidades da Ásia e Europa Central. 

Esta é a primeira vez que blockchain será usada em DOOH, disseram as empresas. O objetivo é estabelecer um monitoramento independente e em tempo real do desempenho das campanhas, para que as empresas possam confirmar se os locais e as impressões contratados foram realizados.

O piloto vai ser usado em 2.750 monitores digitais operados por três empresas de mídia. Os aparelhos estão em elevadores, recepções de conjuntos residenciais, recepções de edifícios e em táxis. A campanha vai ser distribuída pela Location Media Xchange (LMX), uma plataforma fornecedora de mídia DOOH, que é parte da Moving Walls.

Serão feitos contratos inteligentes na plataforma da Aqilliz, a Zilliga, que vão permitir o registro de informações para compradores e vendedores de mídia.

Para a foodpanda, os resultados do piloto vão mostrar se blockchain pode ajudar num planejamento estratégico melhor dos investimentos em marketing. A empresa tem feitos grandes investimentos em DOOH para ser top-of-mind nos mercados em que atua.

Há uma estimativa de que o mercado global de DOOH atinja US$ 32 bilhões até 2025.